Dinar (moeda)
Dinar era a unidade de ouro da cunhagem do Império Sassânida e mundo islâmico, bem como uma unidade monetária.
Império Sassânida
O nome deriva do grego δηνάριον (latim denarius), que originalmente significou um moeda de prata, mas no período pós-Constantino (r. 306–337), tornou-se sinônimo de soldo (solidus), denário áureo (denarius aureus) ou νόμισμα χρυσουν (nómisma chrysoun). Desde a República Romana, a palavra denário era usada à cunhagem no Oriente, enquanto em Roma e no Ocidente áureo era usado. Os dinares eram cunhados por prestígio, sobretudo remontando à tradição aquemênida encarnada no dárico de ouro, e não tinham valor econômico. O bimetalismo monetário não existiu nas várias dinastias pré-islâmicas. O Império Aquemênida permaneceu até o fim do século V a.C. "um país sem cunhagem propriamente", pois sua cunhagem não tinha valor nominal. O dárico, introduzido pelo xá Dário I (r. 522–486 a.C.) e cunhado sob prerrogativa real, valia apenas um lingote, e o siglo de prata circulou apenas nas áreas culturalmente gregas da Ásia Menor. No tempo de Alexandre, o Grande (r. 336–323 a.C.), a situação muda com a retirada das antigas moedas e a introdução de moedas de prata em territórios persas onde antes não circulava.
Mundo islâmico
Os árabes estavam familiarizados com o termo denário e com a cunhagem de ouro romana e bizantina antes do islamismo. O tipo mais antigo de dinar árabe, não datado e atribuído a aproximadamente ao ano 691-692 e cunhado quase certamente em Damasco, imita o soldo do imperador Heráclio (r. 610–641) e seus dois filhos, mas com os símbolos cristão específicos sendo removidos e em seu lugar se introduzindo uma legenda religiosa árabe. Um novo tipo, mais distintamente árabe, com o califa de pé com uma espada, aparece na capital omíada de Damasco com uma moeda datada de 693-694 e é repetida em 695 e 696; em 696-699 a reforma monetária de Abedal Maleque ibne Maruane (r. 685–705) afeta muito o estilo que desde então, em raras exceções, é só epigráfico. Eram cunhados na capital, com trechos corânicos em árabe e um novo peso de 4,25 gramas. Na Ifríquia e Alandalus, o dinar teve uma história precoce independente. Antes de aproximadamente o ano 704, a unidade e suas frações imitam o soldo cartaginês de Heráclio, mas porta legendas muçulmanas em abreviada tradução latina. Depois, até o ano 713-714, as imagens são apagadas e as datas às vezes são dadas em anos de indicção. Em 713, os anos da Hégira aparecem, em 715-716 há legendas bilíngues e no início do século IX a Ifríquia (Cairuão) e o Alandalus (Córdova) emitiram dinares do tipo puramente árabe, diferente apenas em menor detalhe do reformado dinar do Oriente. A cunhagem de ouro no Alandalus cessa em 724-725, exceto por uma moeda anômala não publicada e datada de 744-775, e não recomeça até 929 sob Abderramão III (r. 912–961). Na Pérsia, os dinares podem ter circulado nesse momento, mas os dirrãs (derivados dos dracmas) de prata são preponderantes.
O termo dinar desaparece da cunhagem no século XII no Ocidente, no século XIII no Oriente e Índia, e no século XIV no Egito. Apesar disso, como dinheiro, a palavra foi amplamente usada tanto durante quanto depois de sua circulação como moeda real. A influência do dinar sobre a economia da Europa Ocidental foi grande e seu papel no comércio internacional medieval junto ao soldo ou nomisma bizantino foi largamente estudado. Tal como outros meios de troca populares, houve ocasiões nas quais os dinares foram imitados e o exemplo mais importante foi o besante (também chamado besâncio saracenato, sarrazinas, etc., o árabe dinar suri) dos cruzados, que imitou sobretudo moedas fatímidas de Almostancir (r. 1036–1094) e Alamir. No Mediterrâneo Ocidental, o dinar deu origem ao manco, um termo europeu usado para descrever o dinar árabe e como termo contábil, mas também, com nomes próprios qualificados, para designar imitações cristãs do século XI na Hispânia. O morabitino original (maravedi, etc.) de Afonso VIII de Castela (r. 1158–1214) foi uma imitação do dinar morabitino com legendas cristãs em caráter árabe.


