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Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa é um dicionário da língua portuguesa compilado pelo lexicógrafo brasileiro Antônio Houaiss. Concebido como uma obra de referência para o mundo lusófono, tem como objetivo fornecer o registro mais completo do vocabulário português globalmente e é considerado um dos projetos lexicográficos mais ambiciosos já realizados na língua.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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História

Imagem: Moacir Ximenes · BY · Openverse

O projeto foi idealizado em 1985 pelo filólogo, diplomata e lexicógrafo brasileiro Antônio Houaiss, que pretendia produzir o dicionário mais completo da língua portuguesa. A iniciativa previa a criação de um "Dicionário Geral da Língua Portuguesa", documentando o vocabulário utilizado na Europa, América Latina, África e Ásia. Os trabalhos avançaram por oito anos até 1992, quando foram suspensos devido a dificuldades financeiras. O projeto foi retomado em 1995 por meio de uma parceria entre o Instituto Antônio Houaiss e a editora Objetiva, com apoio do diretor do instituto, Francisco Melo Franco, e do lexicógrafo-chefe Mauro Villar. Foi organizada uma equipe editorial de grande porte, composta por cerca de 140 a 150 especialistas, incluindo lexicógrafos, etimologistas, redatores, professores, datadores e revisores do Brasil, Portugal, Angola e Timor-Leste. Houaiss morreu em 7 de março de 1999, após 15 anos de trabalho, com aproximadamente 70% do dicionário concluído. Para orientar a conclusão da obra, Houaiss deixou um manual editorial detalhado de cem páginas. A parte restante foi finalizada pela equipe editorial, auxiliada por um banco de dados computadorizado que facilitou a coordenação.

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Recepção

Imagem: * starrynight1 · BY-NC-ND · Openverse

Aquando do seu lançamento, foi imediatamente reconhecido como um marco na lexicografia portuguesa pela sua amplitude e orientação internacional. Dieter Messner [de], linguista e especialista na área, argumentou que ele poderia ser comparado aos melhores dicionários de outras línguas românicas, superando alguns deles em vários aspectos. O jornal brasileiro Estadão enfatizou o alcance sem precedentes do dicionário, descrevendo-o como "um lançamento para criar um novo conceito" e destacando a "amplitude e precisão de cada verbete". No entanto, seu revisor também observou os sacrifícios que vieram com essas inovações, apontando que ele "não apresenta citações literárias, ou seja, exemplos do uso de palavras por escritores, como seus concorrentes ainda fazem". Em fevereiro de 2012, o Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia, Minas Gerais, ajuizou ação civil pública contra a editora Objetiva e o Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia, solicitando a suspensão da publicação e circulação do dicionário. O MPF alegou que o dicionário continha definições pejorativas e discriminatórias da palavra cigano, que considerou ofensiva à população cigana do Brasil, estimada em cerca de 600 mil pessoas. A ação teve origem em uma denúncia de 2009 apresentada por Cleiber Fernandes Machado, brasileiro de ascendência cigana, que alegou que os dicionários de língua portuguesa retratavam seu grupo étnico de forma preconceituosa. O MPF solicitou o recall de todas as edições contendo as definições contestadas e solicitou 200 mil reais em danos morais coletivos, alegando que a publicação feria a dignidade da comunidade cigana.

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Fontes consultadas

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