Di-hidrotestosterona
A di-hidrotestosterona (DHT), ou 5a-di-hidrotestosterona (5a-DHT), também conhecida como androstanolona ou estanolona, é um esteroide sexual, androgênico e um hormônio endógeno. A enzima 5-alfarredutase catalisa a formação de DHT a partir da testosterona em certos tecidos, incluindo a glândula prostática, pele, folículos pilosos, fígado e cérebro. Esta enzima medeia a redução da ligação dupla C4-5 da testosterona. Em relação à testosterona, a DHT é consideravelmente mais potente como agonista do receptor androgênico (RA). Apresentou forte potência em relação à testosterona quanto ao desenvolvimento dos tecidos musculares e síntese de aminoácidos.
O DHT é biologicamente importante para a diferenciação sexual dos genitais masculinos durante a embriogênese, a maturação do pênis e o escroto na puberdade, o crescimento do cabelo facial, corporal e púbico, a produção de sebo e o desenvolvimento/manutenção da próstata. É produzido a partir da testosterona. Os níveis circulantes de DHT são 1/10 e 1/20 dos da testosterona em termos de concentrações totais e livres, respectivamente. Porém, os níveis de DHT são maiores em tecidos com maior concentração da enzima 5-alfarredutase, como a próstata. De qualquer forma, quando administrado de forma exógena foi retratado como um pobre agente anabólico. Além das funções biológicas normais, o DHT também desempenha um papel importante em uma série de condições hormonais e estéticas, incluindo condições de pele e cabelo, como acne, seborreia, hirsutismo, perda de cabelo padrão (alopecia androgênica ou calvície padrão) e doenças da próstata, como hiperplasia benigna da próstata (HBP) e câncer de próstata. Os inibidores da enzima 5-alfarredutase, que impedem a síntese de DHT, são eficazes na prevenção e tratamento dessas condições.
DHT é um potente agonista do RA, e é, de fato, o hormônio mais potente que se liga ao recepetor. Tem uma afinidade (Kd) de 0,25 a 0,5 nM para o receptor andrógeno humano, que é cerca de 2 a 3 vezes maior do que a da testosterona (Kd = 0,4 a 1,0 nM) e 15-30 vezes maior que a de andrógenos supra-renais. Em bioensaios, o DHT foi considerada de 2,5 a 10 vezes mais potente do que a testosterona. A semi-vida terminal do DHT no corpo (53 minutos) é mais longa do que a testosterona (34 minutos), e isso pode explicar algumas das diferenças em sua potência. Um estudo utilizando DHT e testosterona em forma transdérmica constataram meias-vidas terminais de 2,83 horas e 1,29 horas, respectivamente. Ao contrário de outros andrógenos — como a testosterona — DHT não pode ser convertido pela enzima aromatase em um estrogênio como estradiol.
Biossíntese
DHT é sintetizado a partir de testosterona pela enzima 5-alfarredutase. Isso ocorre em vários tecidos, incluindo os órgãos genitais (pênis, escroto, clitóris, lábios majorais), glândula prostática, pele, folículos pilosos, fígado e cérebro. Cerca de 5 a 7% de testosterona sofre a conversão em DHT por causa da ação da enzima 5-alfarredutase, e aproximadamente 200 a 300 μg de DHT é sintetizado no corpo por dia. A maioria do DHT é produzida em tecidos periféricos como a pele e o fígado, enquanto a maioria dos DHTs circulantes se origina especificamente no fígado. Os testículos e próstata contribuem relativamente pouco para as concentrações de DHT em circulação.
Níveis
Os níveis séricos de DHT são cerca de 10% dos da testosterona, mas os níveis na glândula prostática são 5- a 10 vezes superiores aos da testosterona devido à uma conversão de mais de 90% de testosterona em DHT por influência da enzima 5-alfarredutase. Por esse motivo, além do fato de que DHT é muito mais potente como um agonista de RA do que a testosterona, a DHT é considerada o principal andrógeno da próstata.


