Calvície
Calvície é uma forma de alopecia caraterizada por uma gradual e progressiva perda de cabelos devido a fatores hereditários. O tipo mais comum de calvície masculina é a alopecia androgenética (AAG), ou calvície de padrão masculino. Ocorre em aproximadamente 50% dos homens. Nos homens, a AAG é um processo andrógeno dependente, porém, nas mulheres a queda de cabelo não parece estar ligada aos hormónios, e o termo utilizado para caraterizar o padrão de queda de cabelos acima do normal é Alopecia de Padrão Feminino (APF). A maior incidência da APF começa entre 30 a 40 anos de idade e tende a piorar após a menopausa, com afinamento difuso dos cabelos.
Imagem: Henrique Pix · BY-NC-SA · Openverse
A calvície masculina pode ser causada por uma alteração genética herdada de uma substância de ocorrência natural chamada DHT. Estudos já realizados de fios de cabelos de couros cabeludos calvos e não-calvos mostraram que, com a calvície de padrão masculino, os níveis de 5-alfarredutase e DHT no couro cabeludo são consideravelmente altos. A 5-alfa-redutase é importante na formação de DHT e, consequentemente, níveis elevados de DHT estão associados com calvície masculina. A idade em que a calvície inicia e a velocidade do processo é definida pela quantidade de genes herdados dos familiares do lado paterno, materno ou ambos. Ela inicia geralmente com o afinamento, encurtamento, rarefação e despigmentação gradativa dos cabelos nas regiões frontotemporais da cabeça, aumentando com o tempo e evoluindo para a atrofia e morte dos folículos capilares, mas preservando sempre as áreas laterais e posteriores já que são imunes à ação do DHT.
Imagem: fer55. · BY-SA · Openverse
O diagnóstico deve ser realizado por um médico dermatologista para que esse determine se o paciente apresenta uma queda normal de cabelos ou se possui uma "influência genética". O mesmo irá proceder para o exame visual, encaminhando o paciente para um tratamento, se concluir que a pessoa possui uma queda acentuada dos cabelos.
Imagem: fer55. · BY-SA · Openverse
Há duas formas de tratamento: o cirúrgico e o clínico. O tratamento cirúrgico mais comum e mais conhecido para combater a calvície é o implante capilar. Atualmente, as técnicas de implante, incluindo o microimplante capilar, apresentam resultado bastante natural e harmonioso para casos selecionados. O cirurgião dermatologista retira as unidades foliculares da região da nuca e transfere, fio por fio, para a região calva. Na nuca, os cabelos se apresentam em fase anágena - fase de crescimento - de melhor qualidade, por isso que dificilmente uma pessoa apresenta a alopecia androgenética nesta região. Antigamente, os implantes eram feitos por retalhos na área doadora (geralmente na nuca), da qual se retiravam partes do tecido que continham os folículos a serem usados. Feito isso, esse tecido era cortado em pedaços menores, e posteriormente, colocados na área afetada pela calvície. Tal método não apresentava 100% de eficácia, pois dava um aspeto de "cabelo de boneca", devido aos "nacos de pele" implantados serem muito grandes, não respeitando o espaço natural entre os fios e o seu sentido de nascimento.
Imagem: fer55. · BY-SA · Openverse
Cabeças carecas podem simbolizar pureza, um repúdio à superficialidade, muitas vezes ritualizadas através da raspagem diária. Além disso, são frequentemente associadas positivamente à divindade. Monges budistas, freiras e outros grupos políticos e religiosos adotam a rotina de raspar a cabeça. No mundo ocidental do século 19, a calvície também passou a ser celebrada, não por motivos religiosos, mas devido a motivações pseudocientíficas que refletiam ideias preconcebidas sobre inteligência e raça. Francis Galton, um pioneiro na eugenia e primo de Charles Darwin, estendeu a ideia da calvície como um sinal de superioridade para sugerir que alguns grupos humanos eram mais evoluídos do que outros. Ele usou essa interpretação para promover a ideia de que certas características físicas, como a calvície, estavam ligadas a traços de inteligência e sucesso. Essa crença foi usada para justificar políticas discriminatórias e hierarquias sociais baseadas em raça, promovendo assim uma visão distorcida e prejudicial da evolução humana. Os negros, em particular, foram classificados pseudocientificamente como tendo cabelos diferentes e evolutivamente inferiores aos brancos.


