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Acne

Acne é uma condição cutânea de longa duração caracterizada por áreas de pontos negros, pontos brancos, pústulas, pele oleosa e possibilidade de aparecimento de cicatrizes. Dependendo do grau de incidência, infecção e dimensão dos pontos de acne sobre a pele, as consequências na aparência podem provocar desde desconfortos pontuais, passando por ansiedade, diminuição da autoestima até, em casos extremos, depressão e pensamentos de suicídio.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
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Classificação

O acne é geralmente classificado como ligeiro, moderado ou grave, conforme a gravidade. Este tipo de categorização pode ser um fator importante para determinar um regime terapêutico adequado. O acne moderado é definido pela presença de pontos negros e brancos limitada ao rosto, com ocorrência ocasional de lesões inflamadas. O acne pode ser considerado de alguma gravidade quando se verifica maior número de pápulas e pústulas inflamatórias no rosto em comparação com os casos moderados, e quando também se verificam lesões de acne no tronco. Por último, diz-se que ocorre acne grave quando as lesões características do rosto são nódulos e cistos e se verifica envolvimento extensivo da região do tronco. Alguns dos nódulos de grande dimensão eram enteriormente denominados cistos, tendo sido usado o termo "nódulo-cístico" para descrever casos graves de acne inflamatório.

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Sinais e sintomas

Entre as características mais comuns do acne estão a seborreia (aumento da secreção das glândulas sebáceas), presença de comedões (pontos negros ou brancos), pápulas, pústulas, nódulos (pápulas de grande dimensão) e possibilidade de ocorrência de cicatrizes. A aparência do acne varia consoante a cor da pele. A doença pode provocar problemas psicológicos e sociais.

Cicatrizes

As cicatrizes do acne são o resultado da inflamação da camada dérmica da pele provocada pelo acne, estimando-se que ocorram em 95% das pessoas com a doença. A cicatriz é criada pela resposta anormal de reparação que se segue à inflamação dérmica. A probabilidade de ocorrer cicatrização é maior nos casos de acne nódulo-cístico, mas pode ocorrer em qualquer forma de acne. A classificação das cicatrizes de acne baseia-se no facto da resposta anormal de reparação posterior à inflamação provocar ou depósito excessivo de colagénio ou, por outro lado, provocar perda de colagénio no local da lesão de acne. As cicatrizes de acne atróficas são o tipo mais comum de cicatrizes de acne e derivam da perda de colagénio durante a resposta de cicatrização. As cicatrizes atróficas podem ser do tipo "picador de gelo" (ice-picker), onduladas (rolling) ou com depressão acentuada (boxcar). As cicatrizes do tipo "picador de gelo" são geralmente estreitas (largura <2 mm) e profundas, prolongando-se até à derme. As cicatrizes onduladas acentuadas são maiores do que as do tipo "picador de gelo" (4–5 mm de largura) e têm forma semelhante a uma onda. As cicatrizes com depressão acentuada são redondas ou ovais, com margens bem definidas e cuja largura varia entre 1,5 e 4 mm.

Pigmentação

A hiperpigmentação pós-inflamatória é geralmente o resultado de acne cístico ou nodular (inchaços dolorosos que permanecem no interior da pele). Estes inchaços muitas vezes deixam uma mancha vermelha, mesmo após a lesão original ter sido resolvida. A hiperpigmentação pós-inflamatória ocorre com maior frequência em pessoas com tom de pele escuro. A alteração de cor da cicatriz não é permanente e pode ser prevenida evitando a irritação do nódulo ou cisto. Estas cicatrizes podem desaparecer com o tempo. No entanto, se não forem tratadas pode durar meses, anos ou tornarem-se permanentes em casos de lesão das camadas mais profundas da pele. A utilização diária de protetor solar de fator 15 ou superior pode diminuir a pigmanteção associada ao acne.

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Causas

Genéticas

A predisposição de determinadas pessoas para o acne pode ser explicada em parte por uma componente genética, a qual tem sido apoiada por estudos em gémeos e estudos que analisaram a prevalência de acne entre parentes do primeiro grau. A genética da susceptibilidade ao acne é provavelmente poligénica, uma vez que a doença não obedece ao padrão clássico de herança mendeliana. Existem vários genes possivelmente relacionados com o acne, incluindo polimorfismos no factor de necrose tumoral alfa, IL-1 alpha e CYP1A1

Hormonal

A atividade hormonal, como o ciclo menstrual e a puberdade, podem contribuir para a formação de acne. Durante a puberdade, o aumento das hormonas sexuais, denominadas andrógenos, provoca o crescimento das glândulas foliculares, fazendo com que produzam maior quantidade de sebo. Durante a gravidez verifica-se um aumento semelhante de andrógenos, aumentando também a produção de sebo. Existem várias hormonas que têm sido associadas ao acne, entre as quais os andrógenos testosterona, di-hidrotestosterona (DHT) e desidroepiandrosterona (DHEAS), assim como o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-I) e hormona do crescimento. O uso de esteroides anabolizantes pode ter ação idêntica.

Infeções

A Propionibacterium acnes é o organismo anaeróbio de que se suspeita contribuir para o desenvolvimento de acne, embora o seu papel exato no processo não esteja ainda claro. Existem sub-estirpes específicas de P. acnes associadas à pele normal, enquanto outras estão associadas ao acne inflamatório moderado e grave. Não é ainda claro se estas espécies pouco desejáveis evoluem no local ou são adquiridas, ou possivelmente ambas as situações, dependendo da pessoa. Estas estirpes têm a capacidade de se adaptar, alterar ou perpetuar o ciclo anormal de inflamação, produção sebácea e obstrução dos poros. A infeção pelo parasita acarídeo Demodex está também associada ao desenvolvimento de acne. No entanto, não é ainda claro se a erradicação destes ácaros provoca melhorias na doença.

Estilo de vida e alimentos

Fumar aumenta o risco de desenvolver acne. Para além disso, a gravidade da doença aumenta em função do número de cigarros que a pessoa fuma por dia. A relação entre a dieta e o acne é pouco clara, uma vez que não existem evidências de qualidade. No entanto, uma dieta com elevada carga glicémica está associada ao agravamento do acne. Existem evidências fracas de uma associação positiva entre o consumo de leite e o aumento da prevalência e gravidade da doença. Outras associações, como o sal, não são comprovadas por evidências. O consumo de cacau puro aumentou a prevalência de acne em homens com histórico de acne, em um estudo de 2014. Em um estudo de 2024 com 92 pessoas, o consumo de chocolate 85% cacau também aumentou a prevalência de acne. O chocolate também contém uma quantidade assinalável de açúcar, que pode levar a uma carga glicémica elevada, e é muitas vezes preparado com leite. Pode também existir uma relação entre o acne e o metabolismo da insulina. Um ensaio verificou existir uma relação entre o acne e a obesidade. Quando excedida a dose diária recomendada, a vitamina B12 pode desencadear erupções acneiformes ou exacerbar o acne existente.

Psicológicas

Embora a relação entre o acne e o stresse ainda seja alvo de debate, a investigação indica que o aumento de gravidade no acne está associada a um maior nível de stresse.

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Fisiopatologia

O acne desenvolve-se em resultado de bloqueios nos folículos pilosos. Pensa-se que estes bloqueios ocorram devido a quatro processos anormais: uma produção de sebo superior ao normal (influenciada por andrógenos); depósitos de queratina em excesso que causam a formação de comedões; colonização dos folículos pela bactéria Propionibacterium acnes; e a libertação local de químicos pró-inflamatórios na pele. As alterações patológicas iniciais são o depósito em excesso da proteína queratina e de sebo no folículo piloso, o que provoca a formação de um tampão, ou microcomedão. Durante a adrenarca, o aumento da quantidade de desidroepiandrosterona provoca o alargamento das glândulas sebáceas e aumenta a produção de sebo. Um microcomedão pode aumentar de tamanho para formar um comedão aberto (ponto negro) ou fechado. A cor negra de um ponto negro deve-se à oxidação da melanina, o pigmento da pele.

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Diagnóstico

Imagem: vandalog · BY-SA · Openverse

Existem várias escalas para medir a gravidade do acne vulgar, entre as quais:

Diagnóstico diferencial

As condições semelhantes incluem, entre outras, rosácea, foliculite, queratose pilar, dermatite perioral e angiofibroma. A idade é um dos fatores que podem ajudar o médico a diferenciar estas doenças. As doenças de pele como a dermatite perioral e a queratose pilar tendem a ocorrer com maior frequência na infância, enquanto que a rosácea tende a ocorrer com maior frequência em adultos mais velhos. A vermelhidão facial espoletada pelo consumo de álcool ou comida condimentada é sugestiva de rosácea. A presença de comedões pode também auxiliar os profissionais de saúde a distinguir o acne de doenças de pele com aparência semelhante.

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Tratamento

Existem diversos tratamentos para o acne, incluindo peróxido de benzoílo, antibióticos, retinoides, medicamentos anti-seborreicos, medicamentos antiandrogénicos, tratamentos hormonais, ácido salicílico, hidroxiácido, ácido azelaico, nicotinamida e sabonetes queratolíticos. Os tratamentos podem ser agrupados em quatro grupos, de acordo com a forma como atuam: normalização da descamação da pele e da produção de sebo no poro de modo a impedir o seu bloqueio; morte da bactéria P. acnes; efeito anti-inflamatório; e manipulação hormonal. Entre os tratamentos médicos mais comuns estão as terapias de aplicação tópica, como os retinoides, antibióticos e peróxido de benzoílo, e as terapias sistémicas, como os retinoides orais, antibióticos orais e agentes hormonais. Outros procedimentos, como a fototerapia ou terapia laser, não são considerados tratamentos de primeira linha e geralmente têm apenas um papel auxiliar devido ao seu elevado custo e poucas evidências de eficácia.

Medicação

O peróxido de benzoílo é um tratamento de primeira linha para acne leve a moderado devido à sua elevada eficácia e poucos efeitos adversos (sobretudo dermatite por irritação). Atua contra a bactéria P. acnes, ajuda a prevenir a formação de comedões (pontos negros e brancos) e tem propriedades anti-inflamatórias. Nos casos em que se verificam efeitos adversos, estes geralmente incluem desidratação da pele, ligeira vermelhidão e esfoliação ocasional. Este medicamento aumenta a sensibilidade à luz do sol, pelo que se recomenda o uso de protetor solar durante o tratamento para prevenir queimaduras solares. Tem-se verificado que o peróxido de benzoílo tem praticamente a mesma eficácia dos antibióticos mas, ao contrário destes, não provoca resistência antibiótica. O peróxido de benzoílo pode ser combinado com um antibiótico ou retinoide de aplicação tópica, como a associação peróxido de benzoílo/Clindamicina e peróxido de benzoílo/adapaleno, respetivamente.

Procedimentos

A extração dos comedões pode ser temporariamente benéfica em indivíduos que não melhoram com tratamento normal. Um dos procedimentos para alívio imediato é a injeção de corticosteroides no comedão inflamado. A fototerapia é um método que consiste na emissão de pulsos intensos de luz na área afetada, muitas vezes precedida pela aplicação de uma substância fotossenssíbilizante, como o ácido aminolevulínico. Pensa-se que este processo mate as bactérias e diminua o tamanho e atividade das glândulas sebáceas. À data de 2012, as evidências disponíveis para a fototerapia e terapia laser são insuficientes para recomendar o seu uso em tratamentos de rotina. A fototerapia é bastante dispendiosa e, embora aparente proporcionar alguns benefícios a curto prazo, não existem dados que permitam concluir a sua eficácia a longo prazo ou em casos graves de acne.

Medicina alternativa

Têm sido investigados diversos produtos naturais para o tratamento de pessoas com acne, embora não haja evidências que apoiem a sua eficácia. No entanto, tem sido sugerida a aplicação tópica de óleo de melaleuca.

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Prognóstico

Imagem: hnguitarist · BY-ND · Openverse

O acne geralmente melhora substancialmente por volta dos vinte anos de idade, embora possa persistir durante a vida adulta. É possível que algumas das cicatrizes se tornem permanentes. Existem evidências de qualidade que apoiam a ideia de que o acne tem impactos psicológicos negativos, afeta o humor, diminui a autoestima e está associado a um risco acrescido de ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.

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Epidemiologia

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À data de 2010, o acne afetava em todo o mundo cerca de 650 milhões de pessoas, o que corresponde a cerca de 9,4% da população. É ligeiramente mais comum em mulheres (9,8%) do que em homens (9,0%). No mundo Ocidental, o acne afeta cerca de 90% da população durante a adolescência e pode persistir durante a idade adulta. Após os 25 anos de idade, o acne afeta 54% das mulheres e 40% dos homens. Considerando todo o período de vida, o acne tem uma prevalência de 85%. Cerca de 20% destes casos são moderados ou graves. Em pessoas com mais de 40 anos, 1% dos homens e 5% das mulheres apresentam ainda sintomas de acne. A prevalência aparenta ser menor em sociedades rurais. Embora o acne afete pessoas de praticamente todos os grupos étnicos, aparenta estar ausente das populações indígenas da Papua Nova Guiné e do Paraguai.

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História

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Nas civilizações da Antiguidade egípcia, grega e romana, o acne era tratado com enxofre. Na Década de 1920, foi introduzido o peróxido de benzoílo como medicamento para o tratamento de acne. Até à década de 1960 era comum o tratamento com raio-X. Na década de 1970, verificou-se que a tretinoína era um tratamento eficaz para a doença, Em 1980 foi introduzida a isotretinoína como tratamento, embora se tenha verificado ao longo da década seguinte que se tratava de um teratógeno capaz de provocar malformações congénitas durante a gravidez. Nos Estados Unidos, entre 1982 e 2003, cerca de 2000 mulheres engravidaram durante o tratamento com este fármaco, tendo a maior parte dos casos resultado em aborto ou aborto espontâneo.

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Sociedade e cultura

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Custo

Os custos económico e social do tratamento do acne são substanciais. Nos Estados Unidos, o acne é responsável por mais de 5 milhões de consultas clínicas e apresenta custos indiretos superiores a 2,5 milhões de dólares.

Estigma social

O desconhecimento ou informação errada sobre as causas e factores agravantes do acne entre a população são comuns, atribuindo-se muitas vezes a culpa pela doença às próprias pessoas. Esta culpabilização pode agravar ainda mais a perda de autoestima. O acne e as cicatrizes que dele resultam têm sido associadas a dificuldades de socialização significativas que podem persistir durante a idade adulta.

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Fontes consultadas

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