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Der Ring des Nibelungen

Der Ring des Nibelungen é um ciclo de quatro óperas épicas do compositor alemão Richard Wagner. Elas são adaptações dos personagens mitológicos das sagas nórdicas e do Nibelungenlied.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Conteúdo

O ciclo é modelado assim como os dramas do teatro grego em que eram apresentadas três tragédias e uma peça satírica. A história do Anel propriamente dita começa com Die Walküre e termina com Götterdämmerung, de forma que Das Rheingold serve como um prelúdio. A música do ciclo é forte, e cresce em complexidade com o desenrolar da história. Wagner escreveu para uma orquestra de grandes proporções, incluindo novos instrumentos como a trompa wagneriana, o trompete baixo e o trombone contrabaixo. Ele também construiu um teatro para apresentar sua obra, o Bayreuth Festspielhaus. O local possuía um palco especial que combinava os sons da orquestra e dos atores, permitindo-os cantar naturalmente. A execução completa do ciclo dura cerca de quinze horas, e o tema é épico. Há vários deuses, gnomos, e outras criaturas mitológicas em volta do anel mágico cuja posse garante poder sobre todo o mundo. O drama e a intriga continuam por três gerações de protagonistas.

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História

Wagner criou a história do anel ao fundir elementos de diversas histórias e mitos das mitologias germânica e escandinava. Os Eddas forneceram material para Das Rheingold, enquanto Die Walküre é amplamente baseada na Saga dos Volsungos. Siegfried contém elementos dos Eddas, da Saga dos Volsungos e da Saga Thidreks. A ópera final, Götterdämmerung, é baseada no poema do século XII Nibelungenlied, que foi a inspiração original para o Anel. Ao agregar tais fontes numa história concisa, Wagner também acrescentou diversos conceitos modernos. Um dos principais temas do ciclo é a luta do amor, o que está associado à natureza, e liberdade, contra o poder, o que está associado à civilização e à lei. Logo na primeira cena, o anão Alberich define o tema ao renunciar ao amor, um ato que lhe permite adquirir o poder de dominar o mundo ao forjar o anel mágico. Na última cena da primeira ópera o anel é tirado do anão, então ele o amaldiçoa.

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Música

Em suas óperas anteriores, Wagner procurou evitar o uso do recitativo. Para o Anel, ele decidiu abolir seu uso completamente e adotar um estilo mais contínuo, em que cada ato de cada ópera seria uma peça musical contínua, sem qualquer intervalo. Em seu ensaio Oper und Drama (Ópera e Drama), ele descreve a forma como poesia, música e artes visuais devem ser combinadas para formar o que chama "o trabalho artístico do futuro". Ele nomeia tais obras "dramas musicais", e desde então raramente se referiu a seu trabalho como ópera. Como nova fundação para seus dramas musicais, Wagner adotou o uso dos temas base, conhecidos como leitmotiv, que consistiam de melodias e progressões harmônicas recorrentes, frequentemente atreladas a certa orquestração. Sua função era denotar uma ação, objeto, emoção, personagem ou qualquer outro tema mencionado no texto ou apresentado no palco. Wagner os referia em Oper und Drama como guias para o sentimento, descrevendo como eles podiam ser usados para informar o ouvinte sobre um ponto paralelo da ação acontecendo, assim como o coro era usado no teatro da Grécia antiga. Apesar de outros compositores anteriores já usarem a técnica, o Anel foi único pelo amplo uso, e pela engenhosidade em sua combinação e desenvolvimento.

Método de composição

Assim como com seus libretos, as partituras de Wagner geralmente passavam por uma série de estágios distintos para chegar do rascunho à obra final; mas por ele ter mudado seu método de composição musical diversas vezes durante a escrita do ciclo do Anel, não há a mesma uniformidade na evolução da música assim como observado nos textos. Também, era comum Wagner esboçar o trabalho em dois ou mais rascunhos simultaneamente, alterando repetidamente. Por consequência, não é possível estipular a ordem exata em que os vários temas, leitmotifs e instrumentações foram desenvolvidas. Por outro lado, cada partitura passou por pelo menos três estágios, podendo chegar a mais.

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Orquestração

Richard Wagner compôs para a tetralogia O Anel de Nibelungo uma orquestra excepcionalmente grande, mas era muito específico sobre quantos instrumentos deveria fazer cada papel.

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Personagens

Os volsungas, descendência de Wotan (disfarçado como Volsa) com uma mulher mortal: As valquírias, guerreiro-moças, filhas de Wotan e Erda: As donzelas do Reno são ninfas que guardam o ouro do rio Reno:

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Apresentações

Primeiras produções

Sob insistência do rei Ludwig, mas a contragosto de Wagner, apresentações especiais de Das Rheingold e Die Walküre aconteceram no Teatro Nacional em Munique, antes da apresentação completa da obra. Portanto, Das Rheingold estreou em 22 de setembro de 1869, eDie Walküre em 26 de junho de 1870. Temendo a repetição dos fatos, Wagner atrasou o anúncio do término de Siegfried para evitar sua estreia precoce. Durante anos Wagner desejou ter uma casa de óperas especialmente, desenvolvida por ela, para as apresentações do Anel. Em 1871, ele decidiu a localização, na cidade de Bayreuth. No ano seguinte ele já havia se mudado para o lugar, a fim de começar as obras. Pelos dois anos seguintes ele tentou conseguir os recursos financeiros para a construção, sem sucesso. o rei Ludwig finalmente decidiu ajudá-lo na empreitada, em 1874, ao doar a quantia necessária. O Bayreuth Festspielhaus foi aberto em 1876 para a primeira apresentação completa do ciclo, que aconteceu de 13 a 17 de agosto.

Produções contemporâneas

A apresentação completa do ciclo é feita na maioria dos anos do Festival de Bayreuth, e a apresentação de uma nova produção se tornou um evento social comparecido por diversas personalidades contemporâneas, não somente da música. É difícil encontrar ingressos, que geralmente são reservados vários anos antes. A obra é um enorme comprometimento para qualquer companhia de ópera, a apresentação das quatro óperas interligadas requer grande esforço tanto do ponto artístico quanto do financeiro. Na maioria das casas de ópera, a produção ocorre por diversos anos, de forma que uma ou duas óperas são adicionadas ao repertório a cada ano; Bayreuth é uma exceção nesse aspecto. As primeiras produções tentavam manter a visão original de Wagner. A partir do fechamento do Festspielhaus durante a Segunda Guerra Mundial, produções dos netos do compositor Wieland e Wolfgang Wagner passaram a ocorrer, enfatizando os aspectos humanos do drama em abordagens mais abstratas. A produção moderna mais conhecida é provavelmente a de 1976 dirigida por Patrice Chéreau e conduzida por Pierre Boulez. Ambientada na revolução industrial, ela substituiu as profundezas do Reno por usinas hidrelétricas, além dos deuses representados por empresários de terno. Essa leitura da obra como uma drama revolucionário e crítica ao mundo moderno também foi descrita por George Bernard Shaw em The Perfect Wagnerite. As primeiras apresentações foram vaiadas, mas o público de 1980 ovacionou a obra por noventa minutos em seu último ano; a produção é atualmente considerada um clássico.

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Referências na cultura popular

Por sua relevância musical, Der Ring des Nibelungen já foi referenciada em diversos momentos da cultura popular, incluindo paródias. Uma delas é o desenho animado What's Opera, Doc? de 1957, em que Pernalonga atua como Brunilda e Hortelino Troca-Letras como Sigurdo. A comediante Anna Russell apresentava seu texto O Anel do Nibelungo (Uma Análise), que discuta diversos aspectos dos leitmotivs em tom humorístico. Ele chamava a atenção para elementos sutis que muitos não notavam na ópera. Já Anthony Burgess escreveu uma versão do ciclo do Anel sob forma de romance, The Worm and the Ring (1961), transpondo a ação para uma escola de Oxfordshire. De J. R. R. Tolkien, a série de livros O Senhor dos Anéis aparenta referenciar alguns elementos do ciclo do Anel; entretanto, o próprio autor negou ter se inspirado no trabalho de Wagner. Algumas das similaridades se devem ao fato de ambos terem referenciado as mesmas fontes mitológicas para suas respectivas obras, incluindo a Saga dos Volsungos e o Edda em verso. Entretanto, pesquisadores sugerem que Tolkien se inspirou em algumas ideias e fontes de Wagner, como o conceito do anel dar ao seu dono o domínio sobre o universo, e a influência corrupta nas mentes de quem o possui.

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