França
França, oficialmente República Francesa, é um país, ou, mais especificamente, um Estado unitário localizado na Europa Ocidental, com várias ilhas e territórios ultramarinos noutros continentes. A França Metropolitana estende-se do Mediterrâneo ao Canal da Mancha e Mar do Norte, e do rio Reno ao Oceano Atlântico. É muitas vezes referida como L'Hexagone por causa da forma geométrica do seu território e partilha fronteiras com a Bélgica e Luxemburgo a norte; Alemanha a nordeste; Suíça e Itália a leste; Espanha ao sul e com os microestados de Mônaco e Andorra. A nação é o maior país da União Europeia em área e o terceiro maior da Europa, atrás apenas da Rússia e da Ucrânia.
Originalmente aplicado a todo o Império Franco, o nome "França" vem do latim Francia, ou "terra dos francos". Existem várias teorias quanto à origem do nome francos. Seguindo os precedentes de Edward Gibbon e Jacob Grimm, o nome dos francos foi associado à palavra frank (livre) em inglês.[c] Sugeriu-se que o significado de "livre" fosse adotado porque, após a conquista da Gália, apenas os francos estavam livres da tributação romana. Outra teoria é que ela é derivada da palavra protogermânica frankon, que se traduz como "dardo" ou "lança", visto que o machado usado pelos francos era conhecido como francisca. No entanto, determinou-se que essas armas foram nomeadas devido à sua utilização pelos francos, ao invés do contrário.
A França era membro da Tríplice Entente quando a Primeira Guerra Mundial estourou. Uma pequena parte do norte da França estava ocupada, mas a França e seus aliados emergiram vitoriosos contra os Impérios Centrais com um tremendo custo humano e material. A Primeira Guerra Mundial deixou 1,4 milhão de soldados franceses mortos, ou 4% de sua população. Entre 27% e 30% dos soldados recrutados de 1912 a 1915 foram mortos. Os anos do Entreguerras foram marcados por intensas tensões internacionais e uma variedade de reformas sociais introduzidas pelo governo da Frente Popular (férias anuais, dias úteis de oito horas, mulheres no governo, etc.). Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, a França foi invadida e ocupada pela Alemanha nazista. A França metropolitana foi dividida em uma zona de ocupação alemã no norte e França de Vichy, um regime autoritário recém-criado no sul e que era um Estado-fantoche dos nazistas, enquanto a França Livre, governada em exílio e liderada por Charles de Gaulle, foi criada em Londres. De 1942 a 1944, cerca de 160 mil cidadãos franceses, incluindo cerca de 75 mil judeus, foram deportados para campos de extermínio e campos de concentração na Alemanha e na Polônia ocupada. Em 6 de junho de 1944, os Aliados invadiram a Normandia e, em agosto, invadiram Provença. No ano seguinte, os Aliados e a Resistência Francesa emergiram vitoriosos sobre as Potências do Eixo e a soberania francesa foi restaurada com o estabelecimento do Governo Provisório da República Francesa (GPRF).
Pré-história
Os vestígios mais antigos de hominídeos no território que é agora a França datam de aproximadamente 1,8 milhão de anos atrás. Tendo sido confrontados por um clima severo e variável, marcado por várias eras glaciais, esses primeiros hominídeos levavam uma vida nômade de caçadores-coletores. A França tem um grande número de cavernas decoradas da era paleolítica, incluindo uma das mais famosas e melhor preservadas: Lascaux (aproximadamente 18 000 a.C.). No final do último período glacial (10 000 a.C.), o clima tornou-se mais suave. Por volta de 7 000 a.C., esta parte da Europa Ocidental entrou na era neolítica e seus habitantes se tornaram sedentários, após um forte desenvolvimento demográfico e agrícola entre o quarto e o terceiro milênios. A metalurgia apareceu no final do terceiro milênio, inicialmente com trabalhos em ouro, cobre e bronze e, mais tarde, ferro. A França possui inúmeros sítios megalíticos do período neolítico, incluindo o local excepcionalmente denso das Rochas de Carnac (aproximadamente 3 300 a.C.).
Antiguidade
Em 600 a.C., os gregos jônicos, originários de Foceia, fundaram a colônia de Massália (atual Marselha), nas margens do Mar Mediterrâneo, o que a torna a cidade mais antiga da França. Ao mesmo tempo, algumas tribos celtas gaulesas penetraram em partes do território da atual da França e esta ocupação se espalhou para o resto da França entre os séculos IV e III a.C. Por volta de 125 a.C., o sul da Gália foi conquistado pela República Romana, que chamou esta região Provincia Nostra ("Nossa Província"), que ao longo do tempo evoluiu para o nome Provence em francês. Júlio César conquistou o restante da Gália e superou uma revolta realizada pelo chefe gaulês Vercingetórix em 52 a.C. A Gália foi dividida por Augusto em várias províncias romanas.
Idade Média
No final do período da Antiguidade, a antiga Gália estava dividida em vários reinos germânicos e um território galo-romano restante, conhecido como o Reino de Soissons. Simultaneamente, os celtas britanos, ao fugirem da invasão anglo-saxã da Grã-Bretanha, estabeleceram-se na parte ocidental de Armórica. Como resultado, a península armórica foi renomeada para Bretanha, a cultura celta foi revivida e vários reinos pequenos independentes surgiram nessa região. Os francos pagãos, de quem derivou o nome antigo de "Francie", estabeleceram-se originalmente na parte norte da Gália, mas sob a liderança de Clóvis conquistaram a maioria dos outros reinos no norte e no centro da região. Em 498, Clóvis se tornou o primeiro conquistador germânico após a queda do Império Romano a converter-se ao cristianismo católico, em vez do arianismo; assim, a França recebeu o título de "filha mais velha da Igreja" (em francês: la fille aînée de l'Église) pelo papado.
Era Moderna
O renascimento francês proporcionou um desenvolvimento cultural espetacular e a primeira padronização da língua francesa, que se tornaria a língua oficial da França e a língua da aristocracia europeia. Também criou um longo conjunto de conflitos militares, conhecidos como as Guerras Italianas, entre o Reino da França e o poderoso Sacro Império Romano-Germânico. Os exploradores franceses, como Jacques Cartier ou Samuel de Champlain, reivindicaram terras na América para a França, preparando o caminho para a expansão do Primeiro Império Colonial Francês. O surgimento do protestantismo na Europa levou a França a uma guerra civil conhecida como Guerras Religiosas, onde, no incidente mais notório, milhares de huguenotes foram assassinados no massacre da noite de São Bartolomeu, em 1572.
Revolução
Diante de problemas financeiros, o rei Luís XVI convocou os Estados-Gerais (reunindo as três estamentos do reino) em maio de 1789 para propor soluções para o governo. Na sequência de um impasse, os representantes do terceiro estado formaram-se numa Assembleia Nacional, sinalizando o surgimento da Revolução Francesa. No início de agosto de 1789, a Assembleia Nacional Constituinte aboliu os privilégios da nobreza, como a servidão pessoal e os direitos exclusivos de caça. Através da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (26 de agosto de 1789), a França estabeleceu direitos fundamentais para os homens. A Declaração afirma "os direitos naturais e imprescritíveis do homem à liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão". A liberdade de expressão e de imprensa foram declaradas e as prisões arbitrárias foram proibidas. Ela solicitou a destruição de privilégios aristocráticos e proclamou a liberdade e a igualdade de direitos para todos os homens, bem como o acesso a cargos públicos com base em talentos e não nascimento.
Napoleão e século XIX
Napoleão Bonaparte tomou o controle da República em 1799 ao tornar-se Primeiro Cônsul e depois Imperador do Império Francês (1805–1814/1815). Como uma continuação das guerras desencadeadas pelas monarquias europeias contra a República Francesa, os conjuntos de coligações europeias declararam guerra ao Império de Napoleão. Os exércitos franceses, no entanto, conquistaram a maior parte da Europa continental com vitórias rápidas, como as batalhas de Jena-Auerstadt ou Austerlitz. Os membros da família Bonaparte foram nomeados como monarcas em alguns dos reinos recentemente estabelecidos. Essas vitórias levaram à expansão mundial dos ideais e das reformas revolucionárias francesas, como o sistema métrico, o Código Napoleônico e a Declaração dos Direitos do Homem. Após a catastrófica Campanha da Rússia e o levante das monarquias europeias contra o seu governo, Napoleão foi derrotado e a monarquia Bourbon foi restaurada. Cerca de um milhão de franceses morreram durante as Guerras Napoleônicas.
A França metropolitana está situada na faixa entre as latitudes de 41 e 51 graus no hemisfério norte (Dunquerque está um pouco a norte da latitude de 51 graus) e entre as longitudes de 6 graus no hemisfério ocidental e 10 graus no hemisfério oriental. Está ainda localizada na parte ocidental da Europa e, portanto, situada na zona de clima temperado do hemisfério norte. Enquanto a França metropolitana está localizada na Europa Ocidental, a França também tem territórios na América do Norte, América Central, América do Sul, sul do Oceano Índico, Oceano Pacífico e uma reivindicação na Antártida.[d] Estes territórios têm diferentes formas de governo que vão desde departamento de ultramar à coletividade de ultramar. Os departamentos e coletividades ultramarinas da França e partilham fronteiras terrestres com o Brasil e Suriname (a partir da Guiana Francesa) e com as antigas Antilhas Holandesas (a partir de São Martinho).
Clima
A França tem temperaturas amenas o ano todo. As chuvas são abundantes, o sol generoso. É mais fresco e úmido a norte e a oeste; mais quente e seco nas cidades do Mediterrâneo. O norte e o noroeste do país têm um clima temperado, enquanto uma combinação de influências marítimas, latitude e altitude produzem um clima variado no resto da França metropolitana. No sudeste prevalece o clima mediterrâneo. No oeste, o clima é predominantemente oceânico, com um elevado nível de pluviosidade, invernos suaves e verões quentes. No interior o clima torna-se mais continental, com verões quentes e tempestuosos, invernos mais frios e menos chuva. O clima dos Alpes e de outras regiões montanhosas é principalmente alpino, com o número de dias com temperaturas abaixo de zero passando de 150 por ano e com uma cobertura de neve com duração de até seis meses.
A população estimada da França em janeiro de 2025 era de aproximadamente 68,6 milhões de pessoas, das quais 66 milhões habitavam a França Metropolitana, com uma densidade de 118 habitantes por quilômetros quadrado, 2,6 milhões habitam a França ultramarina, incluindo uma comunidade de dois mil cientistas e investigadores destacados na Antártida.[d] Segundo dados do CIA World Factbook, 77% da população francesa vivem em áreas urbanas. Paris, junto à sua área metropolitana (correspondente à região conhecida como Ilha de França), concentra mais de treze milhões de habitantes, o que a converte em uma das maiores do mundo, e a mais povoada da União Europeia. Outras áreas metropolitanas como mais de um milhão de habitantes são Marselha e Lyon, com mais de um milhão e meio habitantes cada. A esperança de vida ao nascer é de 85,2 anos para as mulheres e 79,3 anos para os homens. Os homens tendem a ter empregos a tempo completo, enquanto nas mulheres tende a ser parcial. Na França, as férias legais pagas somam cinco semanas para cada ano de trabalho. A França é considerada como um dos países com melhor qualidade de vida do planeta. Sua população desfruta de um alto grau de serviços e o índice de saúde é um dos melhores do mundo.
Grupos étnicos e imigração
A população é composta por descendentes de vários grupos étnicos, principalmente de origem celta (mas também lígure e ibero), fundamentalmente gauleses aglutinados com a população precedente, que deram à região o nome de Gália (que hoje é a França), que incluía também o que é hoje a Bélgica, Suíça e Luxemburgo. Cronologicamente, foram-se somando outros grupos étnicos: no processo histórico formativo da França atual, são também significativas as populações de origem grega, romana, basca, germânica (principalmente de francos, como também de burgúndios), viking (na Normandia) e, em menor medida, os sarracenos.[f][g] A imigração em larga escala ao longo do último século e meio levou a uma sociedade mais multicultural; a partir da Revolução Francesa e posteriormente codificada na Constituição Francesa de 1958, o governo está proibido de coletar dados sobre etnia e ascendência; a maior parte das informações demográficas é obtida de organizações do setor privado ou instituições acadêmicas. Em 2004, o Institut Montaigne estimou que, na França Metropolitana, 51 milhões de pessoas eram franceses brancos (85% da população), 2,4 milhões eram europeus (32% dos imigrantes na França e 3,64% da população em geral), seis milhões eram de origem africana noroeste (10% da população), dois milhões eram negras (3,3% da população) e um milhão eram asiáticas (1,7% da população).
Religião
França é um país secular e a liberdade de religião é um direito constitucional. Desde 1905 o governo francês tem seguido o princípio da laicidade, em que é proibido de reconhecer qualquer direito específico de uma comunidade religiosa. Em vez disso, o governo apenas reconhece as organizações religiosas, de acordo com critérios formais legais que não tratam a doutrina religiosa. Por outro lado, as organizações religiosas devem abster-se de intervir na elaboração de políticas. Sendo assim, a França não mantém estatísticas oficiais sobre adesão religiosa, no entanto existem algumas estimativas não oficiais. O catolicismo romano tem sido a religião predominante há mais de um milênio, embora não seja tão ativamente praticado hoje como era antes. Uma pesquisa realizada pelo jornal católico La Croix descobriu que, enquanto em 1965, 81% dos franceses se declaravam como católicos, em 2009 essa proporção era de 64%. Além disso, embora 27% dos franceses iam à missa uma vez por semana ou mais em 1952, apenas 4,5% o fizeram em 2006; 15,2% assistiam à missa pelo menos uma vez por mês. O mesmo estudo constatou que os protestantes responderam por 3% da população, um aumento em relação às pesquisas anteriores e 5% seguiam outras religiões, sendo que os restantes 28% declarando que não tinham nenhuma religião.
Idioma
O idioma oficial na França é o francês, proveniente do franciano, variante linguística falada na Ilha de França que nos princípios da Idade Média e, ao longo dos séculos, se impôs ao resto das línguas e variantes linguísticas que se falam em quaisquer partes da França. Também há línguas minoritárias, como o catalão, o bretão, o corso, o occitano, o provençal, o franco-provençal, o basco e o alsaciano. Apesar disto, esta imposição do francês tem sido fruto de decisões políticas tomadas ao longo da história, com o objetivo de criar um Estado uniformizado linguisticamente. Feito isto, o artigo segundo da constituição francesa de 1958 disse textualmente que «La langue de la République est le français».
A República Francesa é uma república unitária semipresidencialista com fortes tradições democráticas. A constituição da V República foi aprovada por referendo em 28 de setembro de 1958. É extremamente reforçada a autoridade do executivo em relação ao Parlamento. O poder executivo em si tem dois dirigentes: o presidente da República, atualmente Emmanuel Macron (Renascimento) que é chefe de estado e é eleito diretamente por sufrágio universal para um mandato de cinco anos (até 2000, eram sete anos) e o Governo, liderado pelo primeiro-ministro nomeado pelo presidente. Após a eleição legislativa de 2017, o primeiro-ministro do país passou a ser Édouard Philippe. O parlamento francês é uma legislatura bicameral, composto por uma Assembleia Nacional (Assemblée Nationale) e um Senado. Os deputados da Assembleia Nacional representam círculos eleitorais locais e são diretamente eleitos para mandatos de cinco anos.
Lei
Na França usa-se o sistema romano-germânico, isto é, a lei surge principalmente a partir de estatutos escritos. Os juízes não fazem leis, mas apenas as interpretam, embora a quantidade de interpretação judicial em determinadas áreas faça com que seja equivalente à jurisprudência. Os princípios básicos do Estado de direito foram estabelecidas no Código de Napoleão, que era, por sua vez, em grande parte, baseado na lei real codificada no reinado de Luís XIV. De acordo com os princípios da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão a lei só deve proibir as ações prejudiciais à sociedade. A lei francesa é dividida em duas áreas principais: o direito privado e o direito público. O direito privado inclui, na lei, nomeadamente o direito penal e civil. O direito público inclui, na lei, designadamente o direitos administrativo e constitucional. No entanto, em termos práticos, a lei francesa compreende três principais áreas do direito: direito civil, direito penal e direito administrativo.
Relações internacionais
A França é um membro da Organização das Nações Unidas (ONU) e é um dos membros permanentes do seu Conselho de Segurança, com direito a veto. O país também é membro do G8, Organização Mundial do Comércio (OMC), do Secretariado da Comunidade do Pacífico (SCP) e também da União Latina e Comissão do Oceano Índico (COI), além de ser membro fundador da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), membro associado da Associação dos Estados do Caribe (AEC) e um dos principais participantes da Organização Internacional da Francofonia (OIF), que reúne 51 países de língua francesa. Como um polo importante para as relações internacionais, a França abriga o segundo maior conjunto de missões diplomáticas em todo o mundo e a sede de diversas organizações internacionais, como a OCDE, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), o Escritório Internacional de Pesos e Medidas e a OIF. A política externa francesa do pós-guerra tem sido amplamente moldada pela adesão à União Europeia (UE), da qual foi um dos membros fundadores. Desde 1960, a França desenvolveu laços estreitos com a Alemanha reunificada para se tornar a força motriz mais influente da UE.
Forças armadas
As Forças Armadas Francesas (Armées françaises) são as forças militares e paramilitares (como a Gendarmaria Nacional) do governo francês, sendo o presidente seu comandante-em-chefe. Elas são compostas pelo Exército Francês (Armée de Terre), pela Marinha Francesa (Marine Nationale), pela Força Aérea Francesa (Armée de l' Air) e por uma força paramilitar auxiliar, a Gendarmaria Nacional (Gendarmerie Nationale), e estão entre as maiores forças armadas em todo o mundo. Embora administrativamente as forças armadas francesas estejam sob o comando do Ministério da Defesa, a Gendarmeria é operacionalmente ligada ao Ministério do Interior. A França é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e é um Estado nuclear reconhecido desde 1960. O país assinou e ratificou o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares e aderiu ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. As despesas militares anuais da França em 2011 foram de 62,5 bilhões de dólares, ou 2,3% de seu PIB, o quinto maior gasto militar do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China, Rússia e Reino Unido.
Desde 2016, França está dividida em 18 regiões, cinco coletividades de ultramar, um território de ultramar, uma coletividade especial — Nova Caledônia e uma ilha inabitada diretamente sobre a autoridade do Ministro de Ultramar — Clipperton. Destas 18 divisões administrativas, 13 regiões estão na França metropolitana (incluindo a coletividade Corsica), e cinco regiões estão localizadas na França ultramarina. As regiões são subdivididas em 101 departamentos, que são, em sua maioria, numeradas alfabeticamente. Esse número é usado em códigos postais e já foi usado em números de placas de veículos. Entre os 101 departamentos da França, cinco (Guiana Francesa, Guadalupe, Martinica, Mayotte e Reunião) estão em regiões de ultramar (ROMs) que estão, simultaneamente, em departamentos de ultramar (DOMs). Os 101 departamentos são subdivididos em 335 arrondissements, que estão subdivididos em 2 054 cantões. Esses cantões são subdivididos em 36 658 comunas, que são municípios com um conselho municipal eleito. Três comunas (Paris, Lyon e Marseille) — são subdivididas em 45 arrondissements municipais.
Regiões ultramarinas
Cada departamento ultramarino (DOM) é também uma região administrativa: Desde as leis de descentralização de 1982, cada região comporta um Conselho Regional (eleito por 6 anos). Na Córsega, é uma Assembleia Territorial. Quanto ao Presidente (Préfet) de Região, ele coordena a ação do Governo nos diferentes departamentos.
Um membro G8, grupo líder dos principais países industrializados, o país é classificado como a sétima maior economia do mundo e segunda maior da Europa é por PIB nominal; com 39 das 500 maiores empresas do mundo em 2010, a França ocupava o quarto lugar no mundo e o primeiro na Europa na lista Fortune Global 500, à frente da Alemanha e do Reino Unido. A França se juntou aos onze outros membros da União Europeia para criar o euro em 1 de janeiro de 1999, substituindo completamente o franco francês no início de 2002. A França tem uma economia mista que combina a iniciativa privada extensa (cerca de 2,5 milhões de empresas registradas) com substanciais (embora em declínio) empresas estatais e intervenção do governo. O governo mantém considerável influência sobre segmentos-chave dos setores de infraestrutura, com participação majoritária em estradas de ferro, eletricidade, aviões, usinas nucleares e telecomunicações.
Turismo
Com 81,9 milhões de turistas estrangeiros em 2007, a França é classificada como o maior destino turístico do mundo, à frente da Espanha (58,5 milhões em 2006) e Estados Unidos (51,1 milhões em 2006). Este valor de 81,9 milhões de pessoas exclui aquelas que ficam menos de 24 horas na França, como europeus do norte cruzando a França a caminho de Espanha ou da Itália durante o verão. A França tem 41 locais classificados como Patrimônio Mundial da UNESCO e apresenta cidades de interesse cultural elevado (principalmente Paris, além de Toulouse, Estrasburgo, Bordéus, Lyon e outros), praias e balneários, estâncias de esqui e regiões rurais. O país e, especialmente a sua capital, tem alguns dos maiores e mais renomados museus do mundo, incluindo o Louvre, que é o museu de arte mais visitado no mundo, além do Musée d'Orsay, principalmente dedicado ao impressionismo, e o Beaubourg, dedicado à arte contemporânea. A Disneyland Paris é o parque temático mais popular da França e de toda a Europa, com mais 15 405 000 visitantes em 2009.
Energia e transportes
A França é o menor emissor de dióxido de carbono entre os sete países mais industrializados do mundo, devido ao seu forte investimento em energia nuclear. Como resultado de grandes investimentos em tecnologia nuclear, a maior parte da eletricidade produzida no país é gerada por 59 usinas nucleares (78% em 2006, a partir de apenas 8% em 1973, 24% em 1980, e 75% em 1990). Em 2021, a França tinha, em energia elétrica renovável instalada, 25 712 MW em energia hidroelétrica (10.º maior do mundo), 18 676 MW em energia eólica (8.º maior do mundo), 14 718 MW em energia solar (11.º maior do mundo), e 1 362 MW em biomassa. A rede ferroviária da França, que se estende por 29.213 quilômetros, é a mais extensa da Europa Ocidental. É operada pela SNCF, e os trens de alta velocidade incluem o Thalys, Eurostar e TGV, que viaja a 320 quilômetros por hora em uso comercial. O Eurostar, juntamente com o Serviço de Transferência do Eurotúnel, conecta-se com o Reino Unido através do Túnel da Mancha. As ligações ferroviárias estendem-se para todos os outros países vizinhos na Europa, com exceção de Andorra. Ligações intraurbanas também são bem desenvolvidas, com os serviços de metrô e bondes complementando os serviços de ônibus.
Educação
Em 1802, Napoleão Bonaparte criou o lycée. No entanto, é Jules Ferry que é considerado o pai da moderna escola francesa, que é gratuita, laica e obrigatória até aos 13 anos de idade desde 1882 (o comparecimento escolar na França agora é obrigatório até os 16 anos de idade). Atualmente, o sistema de ensino na França é centralizado e é composto de três fases, o ensino primário, secundário e ensino superior. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos, coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), classifica a educação da França como a 25.ª melhor do mundo, não sendo nem significativamente superior nem inferior à média da OCDE.
Ciência e tecnologia
Desde a Idade Média, a França tem sido um dos principais contribuintes para a produção científica. Por volta do início do século XI o Papa Silvestre II reintroduziu o ábaco e a esfera armilar e apresentou os algarismos indo-arábicos e os relógios para a Europa do norte e ocidental. A Universidade de Paris, fundada em meados do século XII, ainda é uma das mais importantes universidades do mundo ocidental. No século XVII, René Descartes definiu um método para a aquisição de conhecimento científico, enquanto Blaise Pascal tornou-se famoso por seu trabalho sobre a probabilidade e a mecânica de fluidos. Ambos foram figuras-chave da revolução científica que eclodiu na Europa durante este período. A Académie des Sciences foi fundada por Luís XIV para incentivar e proteger o espírito de pesquisa científica francesa. Esteve na vanguarda dos progressos científicos na Europa nos séculos XVII e XVIII. É uma das primeiras academias de ciências.
Saúde
O sistema de saúde francês ficou em primeiro lugar a nível mundial de acordo com a Organização Mundial de Saúde em 1997 e depois novamente em 2000. O sistema de saúde é geralmente livre para as pessoas afetadas por doenças crônicas (Affections de longues durées), tais como câncer, AIDS ou fibrose cística. A expectativa de vida média ao nascer é de 77 anos para homens e 84 anos para as mulheres, uma das mais altas da União Europeia. Existem 3,22 médicos para cada 1 000 habitantes na França, enquanto que o gasto médio per capita de saúde foi de 4 719 de dólares em 2008. Em 2007 existiam cerca de 140 mil habitantes (0,4%) da França que viviam com HIV/AIDS.
A França tem sido um centro de criação cultural por séculos. Muitos artistas franceses estiveram entre os mais famosos de seu tempo e a França ainda é reconhecida no mundo pela sua rica tradição cultural. Os sucessivos regimes políticos que sempre promoveram a criação artística e a criação do Ministério da Cultura em 1959 ajudaram a preservar o patrimônio cultural do país e torná-lo disponível ao público. O Ministério da Cultura tem sido muito ativo desde a sua criação na concessão de subsídios aos artistas, promovendo a cultura francesa no mundo, apoiando festivais e eventos culturais, além de proteger monumentos históricos. O governo francês também conseguiu manter uma exceção cultural para defender produtos audiovisuais feitos no país. A França recebe o maior número de turistas por ano, em grande parte graças aos inúmeros estabelecimentos culturais e edifícios históricos implantados em todo o seu território. Dispõe de 1 200 museus que recebem mais de 50 milhões de pessoas anualmente.
Belas artes
As primeiras manifestações artísticas vêm do período pré-histórico, em estilo franco-cantábrico. A época carolíngia marca o nascimento de uma escola de iluminadores que se prolongará ao longo de toda a Idade Média, culminando nas ilustrações do livro As Horas Muito Ricas do duque de Berry. Os pintores clássicos do século XVII francês são: Poussin e Lorrain. No século XVIII predomina o rococó, com Watteau, Boucher e Fragonard. Nos finais do século começa o classicismo de Jacques-Louis David. O romanticismo está dominado pelas figuras de Géricault e Delacroix. A paisagem realista da Escola de Barbizon tem sua continuação em artistas de um realismo mais testemunhal sobre a realidade social de seu tempo, como Millet e Courbet. Na França, a escultura evoluiu por diversos estilos, se sobressaindo em todos eles: pré-histórico, romano, cristão, românico, gótico, renascentista, barroco e rococó, neoclássico (Frédéric Auguste Bartholdi: Estátua da Liberdade), romântico (Auguste Rodin: O pensador), e os contemporâneos.
Literatura
A literatura francesa mais antiga data da Idade Média, quando o que agora é conhecido como a França moderna ainda não tinha uma linguagem única e uniforme. Um importante escritor do século XVI foi François Rabelais, cujo romance Gargantua e Pantagruel permaneceu famoso e apreciado até os dias atuais. Michel de Montaigne foi a outra grande figura da literatura francesa durante esse século. O seu trabalho mais famoso, Ensaios, criou o gênero literário do ensaio. Durante o século XVII, Madame de La Fayette publicou anonimamente La Princesse de Clèves, uma novela que é considerada um dos primeiros romances psicológicos de todos os tempos. Jean de La Fontaine é um dos fabulistas mais famosos da época, autor de obras como A Cigarra e a Formiga. Gerações dos alunos franceses tiveram que aprender suas fábulas, que eram vistas como ajudando a ensinar sabedoria e senso comum aos jovens. Alguns de seus versos entraram no idioma popular para se tornarem provérbios, como "À l'oeuvre, on connaît l'artisan". [No trabalho, conhecemos o artesão].
Música
Na música francesa desde antes do ano 1000 se destaca o canto gregoriano empregado nas liturgias. Na França se criou a polifonia. Na denominada Ars Antiqua, se atribui a Carlos Magno o Scholae Cantorum (783). Os Juramentos de Estrasburgo, é a obra lírica francesa mais importante da Idade Média, período no que se desenvolvem as Canções de Gesto como a A Canção de Rolando. A França foi o berço dos trovadores no século XII, assim como do Ars Nova dos séculos posteriores. Durante o Romantismo Paris se converte no centro musical do mundo e na atualidade, a França mantém um lugar privilegiado na criação musical graças a novas gerações de compositores. Dentro dos exponentes da música popular francesa, se encontram figuras como Edith Piaf, Mireille Mathieu, Dalida, Charles Aznavour, Serge Gainsbourg e Gilbert Becaud.
Arquitetura
No que se refere à arquitetura, os celtas deixaram seus rastros também na construção de grandes monólitos ou megálitos, e a presença grega desde o século VI a.C. que hoje é recordada na herança clássica de Marselha. O estilo românico tem exemplos na Maison Carrée, templo romano edificado entre 161 e 138 a.C., ou no Pont du Gard construído entre os anos 40 e 60, em Nimes e declarado patrimônio universal em 1985. Na França se inventou o estilo gótico, plasmado em Catedrais como as de Chartres, Amiens, Notre-Dame ou Estrasburgo. O Renascimento surgido na Itália, tem seu estilo arquitetônico representado magistralmente no Castelo de Blois ou no Palácio de Fontainebleau entre outros. A arte barroca (também de origem italiana), e o rococó (invenção francesa) têm obras extraordinárias na França. Tal é o caso do Palácio do Louvre e o Panthéon de Paris entre tantos outros.
Mídia
Os jornais mais vendidos no país são o Le Parisien (com 460 mil vendidos diariamente), o Le Monde e o Le Figaro, com cerca de 300 mil cópias por dia, assim como o L'Équipe, dedicado à cobertura esportiva. Nos últimos anos, jornais gratuitos, com o Metro, o 20 minutes e o Direct Plus, distribuíram mais de 650 mil cópias, respectivamente. No entanto, as maiores taxa de vendas são alcançadas pelo jornal regional Ouest-France, com mais de 750 mil exemplares vendidos, sendo que outros 50 jornais regionais também têm vendas elevadas. O setor de revistas semanais é mais forte e mais variado do que as 400 revistas especializadas publicadas no país. As revistas semanais mais influentes são a Le Nouvel Observateur, a L'Express e a Le Point (mais de 400 mil cópias), mas a maior circulação entre os semanários é alcançada por revistas de TV e por revistas femininas, como Marie Claire e Elle, que possuem versões estrangeiras. Semanais influentes também incluem jornais investigativos e satíricos, como Le Canard enchaîné e Charlie Hebdo, bem como Paris Match. Como na maioria das nações industrializadas, a mídia impressa foi afetada por uma grave crise na última década. Em 2008, o governo lançou uma iniciativa importante para ajudar a reformar o setor e a deixá-lo financeiramente independente, mas em 2009 teve que dar 600 mil euros para ajudar a mídia impressa a lidar com a crise econômica, além dos subsídios já existentes.
Cinema
A França tem ligações históricas e fortes com o cinema, sendo que foram dois franceses, Auguste e Louis Lumière (conhecidos como Irmãos Lumière) que criaram o cinema em 1895. Vários movimentos cinematográficos importantes, incluindo a Nouvelle vague dos anos 1950 e 1960, começaram no país. A França é conhecida por ter uma indústria cinematográfica forte, devido em parte às proteções oferecidas pelo governo francês. Em 2015, produziu mais filmes do que qualquer outro país europeu. A nação também acolhe o Festival de Cannes, um dos festivais de cinema mais importantes e famosos do mundo. Embora o mercado cinematográfico francês seja dominado por Hollywood, a França é a única nação no mundo onde os filmes estadunidenses representam a menor parcela da receita total do filme, em 50%, contra 77% na Alemanha e 69% no Japão. Os filmes franceses representam 35% do total das receitas cinematográficas da França, que é a maior porcentagem de receitas cinematográficas nacionais no mundo desenvolvido fora dos Estados Unidos, contra 14% na Espanha e 8% no Reino Unido. Em 2013, o país era o segundo maior exportador de filmes no mundo, depois dos Estados Unidos.


