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A Canção de Rolando

A Canção de Rolando é um poema épico composto no século XI em francês antigo, sendo a mais antiga das canções de gesta escritas em uma língua românica. Teve enorme influência na Idade Média, inspirando muitas outras obras sobre o tema por toda a Europa. Como outras canções do gênero, à época, era recitado por jograis nas cortes e nas cidades.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Origem e manuscritos

Existem vários manuscritos medievais da Canção de Rolando em francês antigo, um dos quais escrito na variante anglo-normanda. Este último, conservado na Biblioteca Bodleiana de Oxford, é o mais antigo de todos e data de entre 1130 e 1170. Acredita-se, porém, que a primeira versão do poema possa ter surgido antes, derivada da tradição oral sobre a batalha de Roncesvalles. Aparentemente, uma das finalidades da narração da história de Rolando era a de moralizar os exércitos antes das batalhas. Nas obras de Guilherme de Malmesbury (Gesta regum anglorum, c. 1120) e Wace (Roman de Rou, 1160-1170) há referências a um poema sobre Rolando (cantilena Rolandi, na obra de Guilherme) sendo recitado antes da Batalha de Hastings, que conduziu à Conquista normanda da Inglaterra por Guilherme da Normandia em 1066. Wace e Malmesbury mencionam um jogral de Guilherme, Taillefer, como sendo quem recitou o poema. Não é possível saber, porém, até que ponto o poema referido é a Canção preservada hoje.

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Contexto histórico e mito

A história narrada no poema é inspirada pela campanha militar que Carlos Magno, rei dos Francos, efectuou na Península Ibérica em 778, à época submetida em sua maior parte por muçulmanos. No curso da campanha, Carlos aliou-se a determinados líderes muçulmanos contra outros, saqueou Pamplona e sitiou Saragoça. Um levantamento dos saxões obrigou o rei a retirar-se para assegurar a fronteira oriental do reino. No dia 15 de agosto de 778, a retaguarda do exército franco foi atacada por bascos cristãos ao transitar pelos Pirenéus - possivelmente na passagem de Roncesvalles (na atual Navarra, Espanha). Essa batalha ou escaramuça é citada por Eginhardo, biógrafo de Carlos Magno que, em sua Vida de Carlos Magno (c. 830) relata que os soldados francos da retaguarda, incluído "Roldelando, prefeito das marcas da Bretanha" (Hruodlandus Brittannici limitis praefectus), soçobraram todos A destruição da retaguarda do exército e a morte de Rolando passaram a constituir material para os poemas cantados pelos jograis medievais, num contexto em que Carlos Magno era lembrado como o imperador que conduziu várias campanhas contra os povos pagãos da Europa, como os saxões. Nos séculos seguintes, essas campanhas passaram a inspirar e a ser inspiradas pela Reconquista e as Cruzadas, que também tratavam da luta entre cristãos e povos de outras crenças.

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Sinopse

O imperador franco cristão Carlos Magno luta contra os sarracenos (mouros) há sete anos na Espanha, mas uma praça ainda resiste: Saragoça, administrada pelo traiçoeiro rei Marsílio. Marsílio e os seus nobres, certos de que a derrota é inevitável, desenvolvem um plano para ludibriar os francos. Enviados de Marsílio prometem que ele será vassalo de Carlos Magno e que se converterá ao Cristianismo, uma vez que o imperador tenha partido da Espanha. Mas o rei sarraceno não pensa em concretizar o prometido: tudo não passa de um plano rigorosamente elaborado de modo a fazer com que os francos saiam do seu território. Carlos Magno e os seus vassalos estão cansados da guerra e não confiam na palavra de Marsílio. Entre eles estão o conde Rolando, sobrinho do rei, Oliveiros, amigo de Rolando, e Ganelão, padrasto de Rolando. Rolando aconselha a não confiar em Marsílio, enquanto Ganelão quer pôr termo à guerra já. Os conselheiros do imperador decidem então enviar uma embaixada a Saragoça, uma empreitada perigosa porque Marsílio já matou enviados anteriores. Vários cavaleiros se oferecem, inclusive Rolando, mas o imperador não lhes consente. Então Rolando sugere Ganelão como embaixador, e o rei concorda. Isso aumenta o terrível ódio que Ganelão sente contra Rolando.

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Forma poética

O poema está composto por 4002 versos agrupados em 290 estrofes. As estrofes tem um número irregular de versos, comuns na poesia francesa medieval e chamadas laisses. Os versos são decassilábicos (dez sílabas), sem rima mas com o emprego da assonância, ou seja, da repetição de vogais com sons semelhantes nas sílabas tônicas dos versos de uma mesma laisse. Em todos esses aspe(c)tos a Canção de Rolando é uma típica canção de gesta francesa O autor usa muitos paralelismos e repetições, contando e recontando algumas cenas de ângulos um pouco diferentes. Em geral a narrativa é rápida, mas algumas passagens são contadas em muito detalhe. Quase não há descrição psicológica dos personagens, que são caracterizados mais por suas ações do que por suas reflexões. Muitas vezes o autor antecipa, muitas estrofes antes, eventos do futuro, por exemplo a traição que sofre Rolando e a execução de Ganelão no final.

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Personagens

Eis uma lista dos principais personagens d’A Canção de Rolando.

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Influência

A Canção de Rolando e temas associados tiveram grande difusão na época medieval. Já em 1170 aparece uma tradução em alto alemão médio (Rolandslied), de autoria do Padre Conrado (Pfaffe Konrad). A versão alemã diminuiu o fervor patriótico francês do original e aumentou o caráter de propaganda das Cruzadas do poema. Mais tarde houve versões em holandês antigo (séc. XIII), em occitano (Ronsasvals, séc. XIV), em língua nórdica antiga (Karlamagnús saga) e em língua vêneta do norte da Itália. Nessa última região o tema de Rolando teve muita popularidade no Renascimento, em que aparece (como Orlando) nas obras de Matteo Maria Boiardo (Orlando innamorato, séc. XV) e Ludovico Ariosto (Orlando Furioso, séc. XVI). Vários lugares próximos ao lugar da batalha de Roncesvalles, na Catalunha e País Basco, possuem topônimos derivados do nome de Rolando. A sua fama chegou à Galiza e a Portugal graças aos peregrinos de Santiago, sendo conhecido também sob os nomes de Roldão ou Rolão.

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Fontes consultadas

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