Débora Duarte
Débora Susan Sanches Duke é uma atriz e poetisa brasileira. Iniciou sua carreira de atriz ainda na infância, atuando em diversos programas de televisão, onde construiu uma sólida carreira e tornou-se uma das atrizes mais prestigiadas do país. Ela ganhadora de vários prêmios, incluindo seis Prêmios APCA, um Troféu Imprensa e um Troféu Roquette Pinto, além de ter sido premiada no prestigiado Festival de Cinema de Recife.
Nascida em 2 de janeiro de 1950 em São Paulo, Débora Susan Sanches Duke é filha da atriz Marisa Sanches e do músico de jazz norte-americano Douglas Duke. Marisa, originária de Caconde, interior de São Paulo, foi para os Estados Unidos sem falar inglês e conseguiu um emprego como cigarette girl. Sua beleza a levou a se tornar crooner, garota-propaganda e locutora da NBC. Durante esse período, conheceu Duke. Quando engravidou, ele estava prestes a fazer uma turnê de oito meses e sugeriu que ela ficasse com seus pais enquanto ele estava ausente. Inconformada com a ideia de passar meses em um ambiente tão conservador, Marisa decidiu voltar ao Brasil, onde deu à luz Débora e depois se tornou uma renomada atriz. Quando Débora tinha cerca de um ano de idade, sua mãe conheceu o ator Lima Duarte, com quem viria a se casar. Lima adotou Débora como filha, fazendo parte de sua criação desde a infância. Ele é considerado por Débora como seu verdadeiro pai, tanto que o homenageou adotando o seu sobrenome artístico. Os pais de Débora logo começaram a trabalhar na recém-inaugurada TV Tupi, e ela, ainda bebê, acompanhava-os para os estúdios. Eles moravam no bairro Sumaré, na capital paulista, próximo aos estúdios da Tupi, os quais se tornaram uma extensão de sua casa, um lugar onde passavam mais tempo do que em seu próprio lar. Naquela época, a televisão era bastante rudimentar, e a equipe de artistas funcionava como uma grande família.
1964—69: Primeiros passos na televisão e início como atriz
Constantemente em estúdios de televisão, Débora começou realizando pequenas aparições ainda na infância, sendo convidada para atuar esporadicamente em algumas produções. Sua carreira está atrelada à história da televisão no país, estando em estúdios desde os primórdios da TV Tupi. Neste início, participou de algumas produções que eram transmitidas ao vivo. Esteve na versão de o Sítio do Pica-Pau Amarelo para televisão, em 1964, onde interpretava Peter Pan, e no elenco de algumas telenovelas em papéis menores. Também em 1964, realizou seu primeiro trabalho de destaque em telenovelas, em Quem Casa com Maria?, escrita por Lúcia Lambertini, que contava a história de seis irmãs chamadas "Maria alguma coisa" que queriam se casar, onde interpretou "Maria da Graça", com Ana Rosa também entre as protagonistas. A produção foi a primeira telenovela brasileira exposta à análise da censura do Regime Militar, que se instaurara no país em 1964, com o golpe.
1970—79: Princípio de carreira internacional como estrela de cinema
Em 1970, ingressou no elenco de As Bruxas, uma novela que contava com a direção de Walter Avancini e a codireção de Carlos Zara. A trama, escrita por Ivani Ribeiro, abordava temas avançados para a época, como psicanálise. No entanto, a censura decidiu que o tema era inadequado e, consequentemente, o horário de exibição foi alterado de 20:00 para 21:30. Embora esse ajuste tenha sido um desafio para muitos de seus colegas, Débora não sentiu tanto o impacto, pois um evento marcante estava prestes a transformar sua vida naquele momento. Após o sucesso de Beto Rockfeller, Débora Duarte foi surpreendida com um convite do diretor francês Michel Gast, proprietário do maior estúdio de dublagem da França, o SND. Ele buscava uma atriz para protagonizar o filme Celeste, que contava a história de uma portuguesa exilada em Paris e perseguida pela PIDE. Amigos de Gast no Brasil recomendaram Débora, que fez um teste em português, já que não falava francês. Apesar de sua relutância inicial, com o receio de não querer ir à Europa e a falta de experiência no cinema, Débora acabou sendo convencida a participar do projeto após intensa pressão. Ela filmou Celeste em francês e teve a oportunidade de trabalhar com renomados profissionais e empresários na França. Durante o período em que esteve na Europa, a atriz ficou impressionada ao ver seu nome em destaque nos cartazes de cinema e com a fotografia vestindo Yves Saint Laurent na Avenue des Champs-Élysées. Embora tenha recebido boas oportunidades, Débora preferiu retornar ao Brasil, onde sentia que sua verdadeira paixão residia. Enquanto filmava na França, ela continuou seu trabalho em As Bruxas, com a colaboração notável de toda a equipe da novela, que se adaptou para permitir sua participação no projeto internacional. Após quase três meses de filmagens, Débora voltou para o Brasil para gravar e, em seguida, retornou a Paris para dublar e acompanhar o lançamento do filme. A experiência, marcada por um espírito de apoio e colaboração, foi amplamente positiva, e seus colegas de novela, como Tony Ramos e Joana Fomm, expressaram orgulho e suporte pelo seu sucesso.
1980—89: Coração Alado, Corpo a Corpo e Anarquistas, Graças a Deus
No início da década de 1980, encerrou seu período morando em São Paulo e voltou para o Rio de Janeiro, retomando o contrato com a TV Globo. Neste ano, foi escalada para ser a protagonista da novela Coração Alado, escrita por Janete Clair para o horário nobre da emissora, produção que ficou conhecida por sua atmosfera densa e personagens tristes. Na trama, sua personagem é a temperamental "Camila", jovem que se apaixona por "Juca" (Tarcísio Meira). Este trabalho marcou sua carreira por uma cena polêmica em que representa, pela primeira vez na história, um ato de masturbação feminina. A cena gerou muita repercussão entre o público, principalmente entre os mais conservadores, que escreveram cartas para a emissora. Débora e o diretor, Roberto Talma, quase foram demitidos pela construção da cena.
1990—99: Prosseguimento da carreira e uma italiana especial
Em 1991, atuou na série Grande Pai, contracenando pela primeira vez com sua filha mais nova, a atriz Paloma Duarte. A série, produzida em comemoração aos dez anos do SBT, é uma adaptação de Clayton Sarzi para um original mexicano, em que a história gira em torno de um pai viúvo, interpretado por Flávio Galvão, e suas três filhas. Na trama, Débora interpreta a cômica governanta "Maria", que trabalha para o protagonista, por quem é secretamente apaixonada. Paralelamente, participou da peça O Estranho Casal, de Neil Simon, que originalmente se chamava Tudo na Cozinha e era escrita para dois homens. A versão feminina, feita para a esposa de Neil Simon, manteve o título em inglês como The Odd Couple – female version, mas foi traduzida para o português como O Estranho Casal. O sucesso da peça na Broadway gerou um filme e uma série de TV. No Teatro Hilton em São Paulo, Débora atuou ao lado de Marly Marley, interpretando duas colegas de quarto com personalidades opostas.
2000—09: Amadurecimento dos personagens nas telenovelas
Débora retornou às telenovelas em 2001 ao fazer uma participação especial em Porto dos Milagres, novela de Aguinaldo Silva, onde foi dirigida por seu antigo parceiro de profissão Marcos Paulo. Desempenhando o papel de "Olímpia", que inicialmente seria defendido por Eva Wilma, sua personagem é madrasta de "Amapola" (Zezé Polessa) e da vilã "Adma" (Cássia Kis), que irá desvendar um crime cometido no passado por "Adma". Em 2001 ainda, Duarte retornou ao teatro com Carícias, uma experiência única sob a direção de Christiane Jatahy, na inauguração do Teatro do Jockey. O texto, do autor catalão Sergi Belbel, apresentava uma narrativa circular e abordava a falta de comunicação entre as pessoas.
2010—presente: Trabalhos recentes
Em 2010, esteve no elenco de Tempos Modernos, novela das sete de Bosco Brasil, onde interpretou "Tertuliana", a governanta experiente e generosa que vive há anos na casa de "Leal" (Antônio Fagundes), a quem é extremamente leal. Ela é a figura materna de "Nelinha" (Fernanda Vasconcellos), cuidando da menina desde a morte de sua mãe. "Tertuliana" também tem um carinho especial por "Goretti" (Regiane Alves) e "Regeane" (Vivianne Pasmanter), apesar de suas travessuras. Neste ano, também, estrelou o monólogo Adorável Desgraçada, dirigida por Otávio Müller. Pela primeira vez sozinha no palco, Débora Duarte explora de forma notável sua multifacetada personagem. Fiel ao texto irônico, a atriz traz à tona uma história centrada em temas como amizade, rivalidade, frustrações e atitudes passionais. Ela dá vida a uma mulher recatada de cinquenta e poucos anos, mergulhada na mediocridade, que espera a visita de sua melhor amiga de juventude.
Relacionamentos
Em 1965, aos 15 anos, saiu da casa de seus pais para morar com seu namorado, que na época tinha 19 anos, e o relacionamento durou quatro anos. Sua mãe, Marisa, aceitou a situação, mas o pai, Lima Duarte, não foi favorável à decisão de Débora em sair de casa tão jovem. Débora foi casada com o russo Wladimir Nicolayev, único casamento oficial da atriz, realizado na Igreja Ortodoxa Russa, e que não durou muito tempo. Em 1973, enquanto ensaiava a peça A Teoria, na Prática, é Outra, conheceu o também ator Gracindo Júnior, com quem desenvolveu um namoro. Desse romance, nasceu sua primeira filha, em 1975, a atriz Daniela Duarte. No entanto, separou-se de Gracindo quando ainda estava grávida de Daniela. À época, sua gravidez foi repercurtida como uma polêmica por ser fruto de um namoro e não um casamento, saindo em capas de revistas como "Débora Duarte, mãe solteira". Em 1976 iniciou um romance com o cantor Antônio Marcos, que havia se separado da cantora Vanusa. Com ele teve a filha Paloma Duarte. Suas duas filhas tornaram-se também atrizes.


