Agatha Christie
Agatha Mary Clarissa Christie DBE, nascida Agatha Mary Clarissa Miller;, popularmente conhecida como Agatha Christie, foi uma escritora britânica que atuou como romancista, contista, dramaturga e poetisa. Destacou-se no subgênero romance policial, tendo ganhado popularmente, em vida, a alcunha de "Rainha/Dama do Crime". Durante sua carreira, publicou mais de oitenta livros, alguns sob o pseudônimo de Mary Westmacott.
Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em 15 de setembro de 1890, na costa de Devon, na cidade de Torquay, sendo a terceira filha de um rico americano. Os seus livros venderam centenas de milhões de cópias em inglês, além de mais algumas centenas de milhões em línguas estrangeiras, totalizando mais de 4 bilhões de exemplares. Ela é a autora mais publicada de todos os tempos em qualquer idioma, sendo somente ultrapassada pela Bíblia e por Shakespeare. Christie é a autora de 80 romances policiais e compilações de pequenas histórias. 19 peças e seis romances escritos sob o nome de Mary Westmacott. Agatha Christie foi pioneira ao fazer com que os desfechos de seus livros fossem extremamente impressionantes e inesperados, sendo praticamente impossível ao leitor descobrir quem é o assassino.
Primeiros anos
O pai de Agatha, Frederick, era americano e passava a maior parte do tempo viajando; já a mãe, Clara, era uma mulher muito tímida, de quem Agatha herdou boa parte de sua personalidade. O casal tinha mais dois filhos, Madge e Monty, ambos mais velhos que a futura escritora. Em 1896, mudou-se com a família para França. Embora Madge e Monty recebessem uma educação formal, a mãe decidiu que a filha mais nova deveria começar a estudar antes dos 8 anos. Quando com quatorze anos de idade, Agatha praticamente só foi educada em casa, tendo diversos tutores e professores particulares. Quando tinha apenas 11 anos, o seu pai Frederick morreu, e a partir de então Agatha começou a viajar para vários lugares do mundo com a mãe. Aos 16 anos, foi para uma escola de aperfeiçoamento em Paris, onde se destacou como cantora e pianista.
Início na literatura
Começou a escrever The Mysterious Affair at Styles em 1916, e o livro foi publicado em 1920 pela editora Bodley Head vendendo cerca de 2 000 cópias, após ser rejeitado por 6 editoras. Em seguida vieram The Secret Adversary, The Murder on the Links, The Man in the Brown Suit, Poirot Investigates e The Secret of Chimneys. Mas o sucesso veio em 1926 com a publicação de The Murder of Roger Ackroyd, que vendeu 5 000 cópias. O livro causou polêmica, pois Agatha contrariou as regras dos romances policiais.
Desaparecimento
Em 3 de dezembro de 1926, seu marido Archie revela que está apaixonado por outra mulher, Nancy Neele, e quer o divórcio. Então, deixa a esposa, para passar um fim de semana com a amante e alguns amigos em Godalming, Surrey. Após chegar em casa e não encontrar o marido, Agatha abandonou a casa em Styles por volta das 21h45 daquela noite com uma pequena mala. Na manhã do dia 4 de dezembro seu carro foi encontrado em um barranco no lago de Silent Pool em Newlands Corner, com os faróis acesos. Dentro do Morris Cowley verde foram deixados um casaco de pele, a sua mala e uma carteira de motorista vencida. O desaparecimento da autora se tornou notícia em Surrey quando a polícia local publicou um relatório de pessoas desaparecidas, e passou-se a oferecer £ 100 para quem tivesse qualquer informação sobre a autora. Aviões, mergulhadores e escoteiros buscavam por Agatha - ao todo a busca teve a ajuda de 15 000 voluntários.
O segundo casamento e retorno à literatura
Em 1927 Agatha voltou a escrever, com a publicação de The Big Four, protagonizado por Hercule Poirot. Mesmo após o escândalo de seu desaparecimento, Agatha só se separou de Archibald em 1928, dois anos após o incidente. No outono do mesmo ano, o arqueólogo britânico Leonard Woolley convidou Agatha para o Oriente Médio, onde estava no comando de escavações em Ur. No ano seguinte Agatha voltou a Ur, onde conheceu o jovem assistente de Woolley, Max Mallowan (14 anos mais jovem que Agatha), com quem se casou em 1930. A autora manteve seu nome como Agatha Christie porque assim estava celebrizada entre os seus leitores, mas em sua vida particular era chamada de Mrs. Mallowan. Com o marido, Agatha viajou por todo o mundo, fazendo escavações e tomando conhecimentos sobre arqueologia, e escreveu um livro sobre a experiência, Come, Tell Me How You Live. O casamento com Mallowan duraria até a morte da escritora. Sua única filha, Rosalind casou-se no início da Segunda Guerra Mundial, e em 1943 teve um filho, Mathew Prichard, o único neto de Agatha Christie.
Últimos anos
O último livro protagonizado por Hercule Poirot, Curtain (escrito nos anos 40), foi publicado em dezembro de 1975, porque Agatha já não se sentia disposta a escrever. A autora morreu 1 mês depois, em 12 de janeiro de 1976, por conta de causas naturais (pneumonia). Encontra-se sepultada em St Mary Churchyard, Cholsey, Oxfordshire na Inglaterra. Já o último livro de Miss Marple, Sleeping Murder (também escrito nos anos 40) foi publicado em outubro de 1976. O marido Max Mallowan morreu em 1978.
Ao contrário dos irmãos, Agatha nunca teve chance de frequentar a escola pública, e foi educada pela mãe, num ambiente quase recluso onde Agatha interessou-se pela música clássica e sonhava em ser cantora lírica. Agatha chegou até mesmo a estudar música em Paris. Em sua infância, também através da mãe, teve o primeiro contato com a literatura. Em seus 56 anos de carreira Agatha Christie escreveu mais de 80 livros, fora as várias peças teatrais e adaptações cinematográficas e televisivas de suas obras, protagonizadas por Hercule Poirot, o detetive belga popularizado pelo uso de suas "células cinzentas", e Miss Marple, a solteirona, que observando a natureza humana pode solucionar os mais obscuros mistérios.
Guinness
Agatha foi uma das autoras mais prolíficas do mundo. Ela está no Guinness Book of World Records, como a autora mais vendida no mundo: seus livros já venderam mais de 4 bilhões de cópias em 103 idiomas e os royalties gerados pelas obras são de US$ 4 milhões por ano. A autora também ocupa um lugar no Guinnes pela peça teatral de maior duração do mundo: The Mousetrap estreou em 25 de novembro de 1952 no Ambassadors Theatre em Londres, em 25 de março de 1974 foi para o St. Martin's Theatre, e continua lá até hoje. Outro recorde de Agatha Christie é o do livro mais espesso do mundo, medindo mais de 30 cm, com 4 032 páginas nas quais estão incluídos todos os 12 romances e 20 contos protagonizados por Miss Marple. The Complete Miss Marple é um dos livros mais raros da escritora. Publicado pela Cedric & Chivers Period Bookbinding, o livro é em sua maior parte de couro, com ouro em algumas partes, e dezesseis páginas feitas à mão. Foram produzidos apenas 500 volumes, e o livro é vendido por 1 000 libras. O livro tem também um mapa de St. Mary Mead, a aldeia fictícia onde Miss Marple viveu, elaborado por Nicolette Caven (baseando-se na descrição dada por Agatha em Um Corpo na Biblioteca, e em detalhes adicionais fornecidos por outros romances de Agatha), uma introdução de Kate Mosse, contando como Agatha "descobriu" Miss Marple, e um prefácio de Mathew Prichard, o neto de Agatha.
Agatha Christie Ltd
Em 1955 foi criada a Agatha Christie Ltd., que passou a cuidar dos direitos de todas as obras, peças e filmes de Agatha após essa data. Em 1968, a Booker McConnell comprou 51% da empresa, mas pouco tempo depois aumentou seu capital sobre ela para 64%. Em 1998, a Booker vendeu sua parte para a Chorion. O neto de Agatha Christie, Mathew Prichard, herdeiro de muitas obras da avó (incluindo A Ratoeira), ainda é associado a Agatha Christie Ltd.
Agatha Christie na Cultura Popular
Uma das principais representações de Christie na cultura popular, é na série de televisão britânica de ficção científica, Doctor Who, no episódio da quarta temporada, The Unicorn and the Wasp, que contém elementos de vários de seus livros como Death in the Clouds, The Body in the Library e The Murder at the Vicarage, até acontecimentos reais como seu desaparecimento. No episódio, cabe a Agatha (interpretada por Fennela Wolgar), ao Doutor e a Donna investigarem mortes que ocorrem em uma casa na Inglaterra de 1926, que são cometidas por um alienígena vespiforme, mesmo com Agatha sendo relutante e dizendo que não é uma detetive e apenas uma escritora. O episódio foi a maior audiência de toda a temporada.
Lista de vendas das primeiras edições dos livros de Agatha, segundo a Agatha Christie Ltd.
A vida em Devon
Agatha passou sua infância e adolescência em Devon, que também foi o cenário de 15 de seus romances. A jovem Agatha viveu numa grande mansão de Ashfield no bairro de Torre. Quando criança, Agatha adorava andar de patins no Princess Pier, e banhar-se no Meadfoot Beach e Beacon Cove, uma praia só para senhoras, onde ficava, porém, o Royal Torbay Yacht Club - visitado inclusive por Frederick, o pai de Agatha, que naquele local, frequentemente jogava whist. Outro hábito interessante da infância de Agatha era participar de pequenas produções teatrais em casas de famílias eminentes da região. Ela participou de inúmeras peças na Oldway Mansion em Paignton, e no Imperial Hotel, em Torquay, que integrou três de seus romances, The Body in the Library, Peril at End House e Sleeping Murder. A autora também participava de concertos no Torquay's Pavilion. Foi após um concerto que Agatha recebeu o seu segundo pedido de casamento (sendo o primeiro de Reggie Lucy num campo de golfe de Torquay), do subalterno Archibald Christie, que ela havia conhecido três meses antes, em um baile na Ugbrooke House perto de Exeter. Ela rejeitou o pedido, já que estava enamorada de Reggie, mas dois anos depois, na véspera do Natal de 1914, ela casou-se com Archibald.
A Vida em Londres
Agatha viveu em Londres por muitos anos, ela mudou-se para a cidade em 1918 e morou no 5 Northwick Terrace, em St John's Wood, nos meses finais da guerra. Mais tarde, mudou-se para Kensington, antes disso vivendo em Chelsea, onde no 48 Swan Court, ela escreveu The Witness for the Prosecution e Crooked House, Chelsea também foi o cenário de One, Two, Buckle My Shoe, e foi o lugar onde Agatha viveu por mais tempo. A autora viveu em nada menos que nove casas em Londres e no 58 Sheffiel Terrace, a autora ganhou uma placa em sua homenagem, que marca a casa em que ela viveu. Londres é também o marco forte de suas obras, além de ser a morada de Hercule Poirot, em At Bertram's Hotel, o hotel em questão é baseado no Hotel Brown, na saída de Piccadilly, onde ela diz ter estado uma vez.
Viagens
A primeira viagem de Agatha foi até França, e em seguida ao Cairo, mas uma de suas mais interessantes viagens foi a Bagdá no Expresso do Oriente (Orient Express em inglês e francês), em 1928. Foi em Bagdá, aliás, que Leonard Wooley, a apresentou a Max Mallowan, seu futuro marido, e que mudaria a vida de Agatha completamente: nos 30 anos seguintes ela viajaria pelo mundo em missões arqueológicas, e não teria mais residência fixa. A inspiração para o livro Murder on the Orient Express, veio em 1931, quando Agatha ficou presa com outros passageiros no Simplon-Orient Express quando voltava de Nínive - o livro foi publicado em 1934 e baseia o enredo exatamente nisso: um grupo de pessoas presas num trem por conta da neve.
Ordem do Império Britânico
Agatha Christie tornou-se Dama-Comendadora da Ordem do Império Britânico em 1971 – a rainha Elizabeth II era uma grande fã de seus livros. Morreu em 1976, e desde então vários livros seus foram publicados pós-morte: o romance de sucesso Sleeping Murder apareceu mais tarde naquele ano, seguido pela sua autobiografia e pela coleção de pequenas histórias Miss Marple's Final Cases and Two Other Stories, Problem at Pollensa Bay e While the Light Lasts and Other Stories. Em 1998, Black Coffee foi a primeira das suas peças a ser adaptada para o teatro por outro autor, Charles Osborne.
Agatha Christie, apesar de não gostar muito de falar em público, em sua Autobiografia, fala muito sobre seu estilo de escrita, a autora possuía uma vasta coleção de livros de Charles Dickens, PG Wodehouse e Lewis Carroll. Agatha também ganhou fama criando livros de mistério satirizando obras infantis, como foi o caso de Five Little Pigs. Em suas obras a autora frequentemente usava como espaço pequenas vilas ou aldeias inglesas, outro ponto comum, é que a maioria de suas obras tinha um médico.
Modus Operandi
Cada escritor tem seu modus operandi, Agatha não era diferente, e tinha uma opinião sobre a carreira de escritora bem adequada ao seu perfil: "A escrita é um grande conforto para pessoas como eu, que estão inseguros sobre si mesmos e têm dificuldade para expressar-se corretamente.", Agatha raras vezes participava de reuniões públicas, e o pouco que se pode saber sobre o processo de criação de suas obras, é o que ela revela em sua biografia. A mãe de Agatha lia para a filha muitos livros, o que era uma distração para ambas, entre os autores lidos pela mãe estavam Sir Walter Scott, Charles Dickens, John Milton, Alexandre Dumas e Jane Austen, Agatha disse uma vez que seu autor favorito foi Charles Dickens, e que sua obra preferida do autor era Bleak House. Agatha e a irmã Madge também gostavam muito de histórias de detetives, sendo que a futura escritora leu a primeira história de Sherlock Holmes com apenas oito anos, Agatha passou a ler também as obras de Edgar Allan Poe. Na época Agatha disse a irmã, Madge, que poderia escrever uma história de detetive, após elas lerem o livro The Mystery of the Yellow Room de Gaston Leroux, a irmã duvidou, e em sua biografia Agatha disse que então, a semente foi plantada, e que ela havia sido atingida pela determinação de escrever histórias policiais.
Detetives
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial eclodir, Agatha iniciava sua carreira literária com The Mysterious Affair at Styles. Uma das suas principais dificuldades foi criar o detetive, para isso a jovem autora inspirou-se em um belga que estava hospedado em Torquay, e criou Hercule Poirot um detetive de 1,60 m, que resolve seus casos usando as células cinzentas, e que é muitas vezes comparado a Sherlock Holmes. Poirot fez sua primeira aparição em The Mysterious Affair at Styles, chamado por seu amigo Arthur Hastings, começou sua carreira como oficial de justiça, mas passou a atuar como detetive particular, e auxiliar a polícia em casos complicados. O personagem já protagonizou diversos filmes e ganhou sua própria série de TV, Agatha Christie's Poirot onde é interpretado por David Suchet.
Principais obras
Em 1926, após uma média de um livro por ano, Agatha Christie escreveu a sua obra-prima: The Murder of Roger Ackroyd (O Assassinato de Roger Ackroyd). Este foi o primeiro dos seus livros a ser publicado pela Editora Collins, e marcou o início de um relacionamento autor-editor que durou 50 anos e 70 livros. The Murder of Roger Ackroyd também foi o primeiro dos livros de Agatha Christie a ser dramatizado – sob o nome de Álibi – e a fazer sucesso no West End de Londres. The Mousetrap, a sua peça mais famosa, estreou em 1952 e é a peça de maior duração em cartaz da história. Ainda é encenada, no mesmo teatro de Londres, desde então. Somente no ano de sua publicação em 1926, vendeu 5000 edições, e chamou a atenção por ser muito diferente de qualquer outro romance policial.
A outra face de Agatha
Agatha Christie escreveu muito mais do que só literatura policial, a escritora já publicou seis romances, dois livros de poesias, um livro infantil, duas autobiografias, e já foi dramaturga. Além de sua peça The Mousetrap (A Ratoeira), que é a peça há mais tempo em cartaz no mundo, a autora também escreveu a peça Witness for the Prosecution (Testemunha de Acusação). Embora não tenha tido tanto sucesso como A Ratoeira, ambas as peças ainda podem ser vistas, desde os grandes teatros de Londres, até às escolas secundárias dos Estados Unidos, e até mesmo Ten Little Niggers, ganhou sua versão teatral sob o título de Ten Little Indians. Já nos livros, Agatha não se limitou aos romances policiais; sua primeira autobiografia, Christie's An Autobiography, onde dá detalhes sobre sua vida profissional e pessoal até 1965, recebeu muitos elogios da crítica, quando publicado, em 1977 Em 1999 (23 anos após a morte da autora) foi publicado Come, Tell Me How You Live, onde Agatha conta como conheceu Max Mallowan, seu segundo marido, no Oriente Médio. Embora poucos o saibam, Agatha já foi também poetisa: em 1924 publicou sua primeira coleção de poemas, The Road of Dreams, remontando a adolescência da autora e a Primeira Guerra Mundial. O livro também possui histórias de um personagem chamado Harlequin, que segundo Agatha é o verdadeiro Harley Quin (do livro The Mysterious Mr. Quin), dois poemas, Elizabeth of England e The Ballad of the Flint, falam sobre deuses nórdicos, em 1973 veio a segunda coletânea, porém com o mesmo título, que tinha na primeira parte os poemas publicados em 1924, e na segunda, 27 poemas inéditos, sobre a infância perdida, lugares visitados pela autora e experiências que teve em suas diversas viagens. Como Mary Westmacott, publicou seis romances não-policiais, o primeiro em 1930, e o último em 1956. Certa vez, Agatha disse que seus romances eram uma forma de se expressar, o que não poderia fazer em suas histórias policiais.


