L'Origine du monde
L'Origine du monde, de 1866, é um quadro pintado pelo realista Gustave Courbet a pedido do diplomata turco otomano Khalil-Bey, que solicitou ao pintor uma pintura que retratasse o nu feminino na sua forma mais crua, por ser colecionador de imagens eróticas.
Arruinado ao jogo, o diplomata teve que vender toda a sua colecção, e A origem do mundo foi comprado por um antiquário e escondido por trás de um outro quadro de Courbet. O seu dono seguinte, no início do século XX, terá sido Émile Vial, um cientista e colecionador de arte japonesa. Em 1910 ou 1913, um aristocrata e colecionador húngaro, o barão François de Hatvany, adquiriu-o e levou-o para Budapeste. Parte da coleção de arte do barão foi roubada pelo Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas depois do conflito o seu proprietário conseguiu recuperar uma fracção daquela, na qual se incluía L'Origine du Monde. Obra que foi parar na sala da casa de campo do psicanalista francês Jacques Lacan, que por sua crueza, foi escondida sob uma pintura de madeira do seu cunhado André Masson. Após a morte da viúva de Lacan, em 1994, o Estado francês aceitou L'Origine du Monde como doação para resolver os direitos de sucessão da família Lacan.
O século 19 testemunhou, na representação do nu, os primórdios de uma revolução pictórica, cujos principais protagonistas foram Courbet e Manet. Courbet rejeitava a pintura acadêmica e seus nus lisos e idealizados, mas também confrontava diretamente a hipocrisia moral do Segundo Império, onde uma forma de erotismo era tolerada quando inserida em contextos mitológicos ou oníricos. Em 1989, a artista plástica Orlan inspirou-se na obra para criar A Origem da Guerra, um contraponto masculino e fálico à pintura de Courbet, em um gesto impregnado de feminismo. Na França, em fevereiro de 1994, devido à capa do romance Adorations perpétuelles de Jacques Henric, que reproduzia A Origem do Mundo, a polícia visitou várias livrarias para remover o livro das vitrines. Algumas, como a livraria Rome em Clermont-Ferrand, localizada perto da catedral, resistiram à pressão das autoridades locais e mantiveram a obra em exposição, enquanto outras, como Les Sandales d'Empédocle em Besançon, retiraram-na.
Imagem: Daniele Dalledonne · BY-SA · Openverse
A julgar pela venda dos postais com reproduções das obras do museu, é o segundo mais popular da instituição, após Le Moulin de la Galette, de Renoir.


