Cultura castreja
A Cultura castreja desenvolveu-se no século VI a.C., numa ampla zona do noroeste da Península Ibérica, entre os rios Douro e Návia e a Oeste do Maciço Galaico, tendo desenvolvido um tipo muito peculiar de assentamentos, chamados castros, diferentes de outras áreas da Península.
Os primórdios desta cultura remontam aos dois primeiros séculos do primeiro milénio a.C., na região que se estende do rio Douro ao Minho, mas logo se expande para norte ao longo da costa, e para leste acompanhando os vales dos rios, atingindo as cadeias montanhosas que separam a costa atlântica do Planalto Central. Foi o resultado da evolução autónoma das comunidades da Idade do bronze atlântica, após o colapso local da rede atlântica de troca de produtos de prestígio.
Fim da Idade do Bronze do Atlântico
Do Rio Mondego ao Rio Minho, ao longo das zonas costeiras do norte de Portugal, durante os dois últimos séculos do segundo milénio a.C. uma série de povoações estabeleceram-se em locais altos e bem comunicados, irradiando de uma zona central a norte do Mondego, e especializaram-se na produção de metalurgia da Idade do bronze atlântica: caldeirões, facas, vasos de bronze, assadores, garfos, espadas, machados e joias pertencentes a uma elite nobre que realizava banquetes rituais e participou numa ampla rede de intercâmbio de artigos de prestígio, desde o Mediterrâneo até às Ilhas Britânicas. Estas aldeias estavam intimamente relacionadas com os povoados abertos que caracterizaram o início da Idade do Bronze, muitas vezes estabelecidos perto de vales e de terras agrícolas mais ricas.
Formação
Durante a transição da Idade do Bronze para a Idade do Ferro, do Douro para as costas do norte da Galiza e nas regiões centrais das Astúrias, o povoamento em locais fortificados substituiu o antigo modelo de povoamento aberto. Estes primeiros fortes eram de pequena dimensão (1 ha no máximo), localizando-se em colinas, penínsulas ou outros locais de defesa natural, geralmente dotados de visibilidade de longo alcance. As defesas artificiais eram inicialmente compostas por muros de terra, merlões e cunetas, que encerravam um espaço interior habitável. Este espaço era maioritariamente vazio, pouco urbanizado e utilizado para actividades comunitárias, constituído por algumas cabanas quadradas circulares, oblongas ou arredondadas, de 5 a 15 metros na sua maior dimensão, construídas com madeira, materiais vegetais e lama, por vezes reforçados com paredes de pedra. A principal característica interior destas cabanas multifuncionais era a lareira circular ou quadrangular, que condicionava os usos dos restantes espaços da sala.
Expansão
Do início do século VI a.C. estes povoados começam a expandir-se e centenas de novos fortes começam a ser fundados, enquanto alguns pequenos mais antigos foram abandonados por novos locais, como no caso dos castros de neixón na Galiza. Tal é a expansão dos castros nesta época que muitos historiadores consideram este o século do início da cultura castreja como tal. Estas novas povoações foram fundadas perto dos vales, nas proximidades das terras agrícolas mais ricas e eram geralmente protegidas por diversas linhas de defesa, compostas por muros, fossos e sólidos muros de pedra, provavelmente construídos não só como dispositivo defensivo, mas também como elemento que poderia conferir prestígio à comunidade. Foram ocasionalmente encontrados restos humanos em cistas sob as muralhas, implicando algum tipo de ritual de proteção fundamental.
Centros urbanos
A partir do século II a.C., sobretudo no sul, alguns dos castros tornaram-se cidades fortificadas semiurbanas, oppidum; cidades, com populações de alguns milhares de habitantes, como a cividade de Bagunte (50 ha), Briteiros (24 ha), Citânia de Sanfins (15 ha) e San Cibrao de Las (20 ha) ou Santa Tegra (15 ha); algumas delas eram ainda maiores do que as cidades, Bracara Augusta e Lucus Augusti, que Roma estabeleceu um século mais tarde. Estas cidades ou vilas caracterizavam-se pela sua dimensão e características urbanas, como ruas pavimentadas dotadas de canais de drenagem de águas pluviais, reservatórios de água potável e evidências de planeamento urbano. Muitos deles possuíam também um espaço murado interior e superior, relativamente amplo e pouco urbanizado, denominado acrópole pelos estudiosos locais. Estes opida eram geralmente rodeados por fossos concêntricos e muros de pedra, chegando a cinco em Briteiros, por vezes reforçados com torres. As portas destes opida eram monumentais e apresentavam frequentemente esculturas de guerreiros.
Era Romana
O primeiro encontro de Roma com os habitantes dos castros e das citânias foi durante as Guerras Púnicas, quando os Cartagineses contrataram mercenários locais para combater Roma no Mediterrâneo e em Itália.[carece de fontes?] Os galaicos apoiaram mais tarde os lusitanos lutando contra os romanos e, como resultado, o general romano Décimo Júnio Bruto Galaico liderou uma expedição punitiva bem-sucedida ao norte em 137 a.C. a vitória que celebrada em Roma concedeu-lhe o título de "Galaico". Durante o século seguinte, Galécia era ainda o teatro de operações de Perperna (73 a.C.), do próprio Júlio César (61 a.C.) e dos generais de Augusto (29–19 a.C.) que despovoaram vários castros a norte de Portugal. Mas só depois de os Romanos terem derrotado os Asturianos e os Cantábricos no ano 19 a.C. é evidente, através de inscrições, numismática e outros achados arqueológicos, a submissão dos poderes locais a Roma.
Os castros eram povoados fortificados situados num lugar estratégico para facilitar a defesa da população. Tinham também que dispôr de acesso fácil a recursos alimentícios e água, pelo que se situavam habitualmente entre a zona de montes e prados e a de bosque e cultivos. Existiram castros de muitos tamanhos e tipos; entre estes destacam-se os da costa e os do interior. As plantas destes assentamentos são redondas: mais ou menos circulares ou ovaladas. No seu interior as construções, nas quais também dominam as formas circulares ou elípticas, distribuem-se sem ordem aparente, ainda que é possível que existisse algum tipo de organização e que os agrupamentos respondessem a algum tipo de função que se desconheça hoje. Ainda que não se saiba exatamente o seu número; o numero total, para todo o território do noroeste (Portugal e Galiza), devia rondar os 4,000 ou 5,000, o que indica uma elevada densidade de povoação para a época.
Os povos castrejos (já conhecidos pelos Gregos com o nome de "Kallaikoi", ou seja, Galaicos) foram primeiramente invadidos desde a Lusitânia pelas tropas de Décimo Júnio Bruto Galaico em 134 a.C. chegando ate o Minho e definitivamente derrotados pelos Romanos no ano 19 a.C.. Os Romanos organizavam os territórios que dominavam em províncias, subdivididas em dioceses, conventos, municípios, e outras fórmulas, o que lhes permitia uma melhor administração, arrecadar impostos, exercer a justiça ou manter a segurança interior e exterior. Nos quase cinco séculos de dominação romana, o noroeste peninsular passou por diferentes fórmulas organizativas. Provavelmente os romanos tiveram em conta a homogeneidade e particularidade cultural anterior à conquista. Porém, a Galécia ocupava, aproximadamente, a área cultural castreja que era bastante mais ampla que o território compreendido dentro dos limites administrativos da Galiza atual.


