Pesquisa · Mapa mental

Krishna

Krishna ou Críxena é o aspecto de Deus mais cultuado em toda a Índia, por ser compreendido como o Ser Supremo, o Guru de Arjuna no Bagavadeguitá que é parte da Escritura Maabárata, e por causa das comunidades Hare Krishna de seus devotos, espalhados pelo planeta todo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
01

Nome e títulos

A palavra em sânscrito kṛṣṇa é essencialmente um adjetivo que significa "negro", "azul" ou "azul-escuro". Como um substantivo feminino, kṛṣṇa é usado no sentido de "noite", "escuridão" no Rigueveda. Críxena é um nome de Deus que significa "o Todo Atraente", a Verdade Absoluta. A palavra 'krish' é a característica atrativa da existência divina, e 'na' significa 'prazer espiritual.' Quando o verbo 'krish' é adicionado ao 'na', ele se torna Krishna, que indica a Suprema Verdade Absoluta. Críxena também é conhecido por diversos nomes, epítetos e títulos, que refletem suas múltiplas qualidades e atividades. Entre os mais usados, estão Hari ("Aquele que tira" [pecados, ou que afasta samsara, o ciclo de nascimentos e mortes]), Govinda ("Aquele que dá prazer às vacas, à Terra e aos sentidos") e Gopala ("Protetor das vacas" ou, mais precisamente, "Protetor da vida").

02

Iconografia

Críxena é facilmente reconhecido por suas representações artísticas. Sua pele é retratada na cor preta ou azul-escura, conforme descrito nas Escrituras, embora em representações pictóricas modernas ele geralmente seja mostrado com pele azul. Ele aparece usando um dhoti de seda amarelo e uma coroa de penas de pavão. Representações comuns mostram-no como um bebê, um menino ou um jovem. Normalmente, está com uma perna dobrada na frente da outra, levando uma flauta aos lábios, esboçando um sorriso misterioso, e acompanhado por vacas. A cena no campo de batalha de Kurukshetra, nomeadamente quando se dirige a Arjuna no Bagavadeguitá, é outro tema comum para sua representação. Nessas cenas, ele é mostrado como um homem de dois braços atuando como cocheiro, ou com as típicas características da arte religiosa hindu (tais como braços ou cabeças múltiplas) e com atributos de Víxenu, como o chacra.

03

Biografia

Este resumo se baseia no Maabárata, no Harivamsa, no Bagavata Purana e no Vixenu Purana . Os fatos narrados ocorreram no norte da Índia, a maior parte nos atuais estados de Utar Pradexe, Biar, Harianá, Deli e Guzerate.

Nascimento e infância

De acordo com o Bagavata Purana, Críxena nasceu sem uma união sexual, mas por meio da "transmissão mental" iogue da mente de Vasudeva no ventre de Devaki. Baseado em dados das escrituras e cálculos astrológicos, a data de nascimento de Críxena, conhecida como Janmastami, é o dia 18 de julho de 3228 a.C. Críxena pertencia ao clã Vrixeni dos Iadavas, de Matura, capital dos clãs Vrixeni, Andaca e Boja. Foi o oitavo filho da princesa Devaki e seu marido Vasudeva. O rei Kamsa subiu ao trono após mandar prender o próprio pai, Ugrasena (rei da dinastia Boja). Kamsa é tido como um grande demônio, que pertencia à classe dos xátrias, mas que, de algum modo, havia se desviado do Dharma universal.

Juventude

Nanda, pai adotivo de Críxena, era o líder de uma comunidade de pastores de gado. As histórias da infância e juventude contam a vida e relação com as pessoas da região. Uma dessas histórias conta que Kamsa, descobrindo que ele havia sido libertado da prisão, enviou vários demônios para impedir que isso acontecesse. Todos falharam. São muitas as façanhas de Críxena e as aventuras com as Gopis da vila, incluindo Rada, aventuras estas que se tornaram conhecidas como Rasa lila.

Críxena, o Príncipe

Críxena, então um jovem homem, retorna para Matura, acaba com o governo de Kamsa, e institui o pai, Vasudeva, que havia sido aprisionado por Kamsa, como rei de Yadavas. Em seguida declarou a si mesmo príncipe da corte. Neste período, iniciou a amizade com Arjuna e outros príncipes de Pandava do reino de Kuru. Casou-se com Rukmini, filha do rei Bismaca de Vidarba. Ele também teve 150 mil esposas, incluindo Satiabama e Jambavati.

A guerra de Kurukshetra

Críxena possuía primos em ambos os lados na guerra entre os Pandavas e os Kauravas, porém ele tomou o lado dos Pandavas e concordou em ser o cocheiro da carruagem de Arjuna - o primo e grande amigo - na batalha decisiva. O Bagavadeguitá consiste nos conselhos dados por Críxena a Arjuna, antes do início do combate.

04

Últimos dias

Segundo o Maabárata, a Batalha de Kurukshetra resultou na morte de todos os cem filhos de Gandari. Na noite antes da morte de Dudiodana, o Senhor Críxena visitou Gandari para oferecer suas condolências. Pressentindo que Críxena conscientemente não tinha posto fim à guerra, Gandari teve um acesso de raiva e tristeza, e amaldiçoou Críxena e toda a dinastia dos Iadu a morrerem no prazo de 36 anos. Em um festival, uma briga começou entre os Iadavas, que exterminaram uns aos outros. Balarama, o irmão mais velho de Críxena, entregou conscientemente o corpo usando ioga. Críxena se retirou para a floresta e sentou-se debaixo de uma árvore em meditação. Um caçador chamado Jara confundiu o pé parcialmente visível de Críxena com um veado, e atirou uma flecha ferindo-o mortalmente. De acordo com os eruditos vaixnavas, o corpo de Críxena é completamente espiritual, e não seria corruptível nem sujeito à morte e à deterioração. Mesmo assim, na execução de seus passatempos terrenos, ele "aparenta" nascer e morrer como uma pessoa comum.

05

Devoção a Críxena

Críxena segundo o Bagavata Purana

Segundo o Bagavata Purana, Críxena é a forma original de Víxenu, superior a todas as outras expansões divinas, já que todas emanam dele. Críxena é um ser eterno, sem nascimento nem morte, que adotou uma manifestação temporária na terra para poder agraciar seus devotos e aniquilar os demônios - mas que simultaneamente está presente eternamente em seu planeta espiritual.

Gita Govinda

Vários trabalhos foram importantes na difusão da devoção a Críxena, especialmente o Gita Govinda, escrito por Jayadeva Goswami na Índia oriental, no século XII. Trata a respeito da relação íntima de Críxena com uma gopi em particular, Radarani (que no Maabárata teve papel secundário).

Movimentos recentes de Krishna-bhakti

Derivações posteriores das primeiras tradições de devoção a Críxena incluem a que foi promovida pelo santo bengali Caitanya Mahaprabhu, no século XVI, fundador do vaixnavismo gaudia. Fundado em Nova Iorque pelo guru indiano Bhaktivedanta Swami Prabhupada em 1966, o Movimento Hare Krishna é o principal responsável pela disseminação contemporânea da figura de Críxena no Ocidente.

06

Historicidade e Interpretação Acadêmica

Imagem: International Monetary Fund · BY-NC-ND · Openverse

A figura de Krishna ocupa um lugar central nas tradições religiosas do hinduísmo, especialmente no vaiṣṇavismo, sendo amplamente reverenciado como a oitava encarnação (Avatāra) de Viṣṇu e como a Suprema Personalidade de Deus. No entanto, sua existência como personagem histórico tem sido objeto de debate entre estudiosos modernos da religião, história antiga e arqueologia do sul da Ásia.

Krishna como figura religiosa

Nas escrituras como o Bhagavad-gītā, o Mahābhārata e o Bhāgavata Purāṇa, Krishna é descrito como um ser divino que manifestou-se na Terra para proteger o dharma e restabelecer a ordem cósmica. O Bhagavad-gītā 4.7–8 por exemplo descreve Krishna dizendo: “Sempre que há um declínio no dharma e ascensão do adharma, Eu me manifesto.” Sua infância em Vṛndāvana, seu papel como príncipe em Mathurā e seu reinado em Dvārakā fazem parte do corpus devocional e mitológico de milhões de praticantes do hinduísmo, sendo cultuado com profunda devoção em várias tradições, como a Gaudīya Vaiṣṇava, a Nimbārka Sampradāya e outras.

Ausência de evidência arqueológica direta

Até o momento, não há evidências arqueológicas ou registros históricos contemporâneos que confirmem a existência de um indivíduo chamado Krishna, tal como descrito nos textos religiosos. Algumas tentativas foram feitas para identificar locais arqueológicos com os eventos narrados nas escrituras. O arqueólogo indiano S. R. Rao, por exemplo, conduziu escavações subaquáticas na costa de Gujarat, onde foram encontradas ruínas que ele associou à cidade de Dvārakā, mencionada no Mahābhārata. No entanto, esses achados foram recebidos com ceticismo por parte da comunidade científica internacional, que apontou limitações nos métodos de datação e na correlação direta com as fontes literárias.

Interpretação acadêmica de Krishna

A maioria dos estudiosos considera Krishna uma figura mitológica e literária complexa, cujas origens podem remontar a cultos tribais e pastoris dos povos Yādavas. Com o passar dos séculos, essa figura teria sido integrada e divinizada no contexto do hinduísmo bramânico, especialmente a partir do período pós-védico. O processo de deificação de Krishna é particularmente evidente nos textos devocionais dos séculos VIII a X d.C., como o Bhāgavata Purāṇa, que enfatizam sua natureza transcendente e suas līlās (atos divinos).

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando