Crise do século XIV
A crise do século XIV designa uma série de eventos ocorridos ao longo dos séculos XIV e XV que deterioraram o crescimento e prosperidade que a Europa havia desenvolvido desde o começo da Baixa Idade Média. O colapso demográfico, a instabilidade política e as revoltas religiosas estão na origem das crises que provocaram alterações profundas em todas as áreas da sociedade.
Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse
Em Portugal a crise não era apenas demográfica e económica, mas também uma crise de sucessão (a crise de 1383-1385). D. Fernando faleceu, deixando como sua única herdeira, Beatriz, de Portugal, casada com João I de Castela. Se fosse nomeada para governar Portugal, o reino corria sérios riscos de perder a sua independência, uma situação que não agradava a parte da população. Deste modo, as opiniões dividiram-se: por um lado o povo, a baixa nobreza e a burguesia que apoiavam o Mestre de Avis, (que viria a tornar-se o futuro João I de Portugal) e a independência de Portugal, por outro, parte da nobreza e clero apoiavam Dona Beatriz. Depois de Mestre de Avis ter assassinado o Conde Andeiro e se ter autoproclamado Rei, tiveram lugar várias batalhas entre portugueses e castelhanos, sendo os exércitos portugueses comandados por D. Nuno Álvares Pereira e obtendo vitórias (por exemplo, na Batalha dos Atoleiros). Mas só nas Cortes de Coimbra é que o Mestre de Avis, defendido por D. João das Regras, foi aclamado publicamente Rei de Portugal, D. João I, tendo assim dando inicio à Dinastia de Avis.
Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse
Em Portugal a Peste Negra entrou em 1348. Alguns historiadores dizem que os primeiros casos se registaram na primavera, mas outros garantem que foi só em setembro[carece de fontes?]. De qualquer forma sabe-se que foi uma espécie de "praga–relâmpago" propagando-se por quase toda a Europa muito rapidamente. Até ao Natal, matou muito mais do que metade da população portuguesa, e depois desapareceu, e foi exatamente assim no resto da Europa. Como naquela época a medicina estava muito pouco desenvolvida, as pessoas pensavam que a peste era um castigo enviado por Deus. Na altura organizavam-se várias penitências, e os cristãos tentavam proteger-se usando estampas e relíquias de santos como São Sebastião e São Roque. A peste causou também uma escassez de mão-de-obra, pioneiramente elevando o nível das negociações de trabalho a favor dos camponeses. Os físicos (médicos da altura) deram explicações mais racionais para a doença, mas nunca descobriram que a origem estava numa bactéria existente nos estômagos das pulgas dos ratos. Muitos físicos recusavam-se a visitar os pacientes, mas outros mais corajosos procuravam levar algum conforto à cabeceira dos pestilentos. Para evitarem o contágio usavam um traje especial. A única medida aconselhada era limpar o corpo com vinagre, mas a maior parte dos tratamentos era simples e mudavam de país para país. A peste negra foi se alastrando por toda a Europa atingindo até os mais ricos. A peste negra é também conhecida como peste bubônica.
Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse
A escassez de moedas (quando voltou a ser fonte de riqueza) também foi um fator importante na crise do século XIV. Causada pelo comércio de mão única, onde os comerciantes europeus compravam do oriente e vendiam na Europa, as moedas de metais preciosos ficaram escassas, criando uma situação de crise. Felipe, o Belo, rei da França, tentou amenizar a crise ao misturar outros metais às moedas. Esse fato foi percebido pelos comerciantes que aumentaram os preços dos produtos, aumentando ainda mais a inflação com as mortes provocada pela fome, pela peste e pela guerra dos cem anos, começou a faltar mão de obra nos campos, a produção agrícola diminuiu, acarretando prejuízos para a nobreza. Para compensar suas perdas, a nobreza aumentou o controlo sobre os camponeses tributos pagos por eles. Os camponeses, por sua vez, reagiam incendiando colheitas, fugindo e promovendo revoltas. Exemplos dessas importantes revoltas foram a Jacquerie, na França (1358), e a Revolta de Wat Tyler, na Inglaterra (1381).


