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Correntes do anarquismo

Apesar de terem em comum os mesmos princípios, as posições dos anarquistas em relação a certas questões não constituem um todo homogêneo. O anarquismo tem sido marcado por diversos debates e divergências que constituíram as bases para uma reflexão acerca do estabelecimento de correntes do anarquismo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Primeiras elaborações

Max Nettlau sustentou que haveria quatro correntes no anarquismo: coletivismo, comunismo, individualismo — todas definidas a partir da perspectiva de distribuição dos frutos do trabalho na sociedade futura; a primeira, de acordo com o trabalho realizado, a segunda, de acordo com as necessidades, a terceira, a partir de um isolamento relativo e de trocas equivalentes — e sindicalismo revolucionário, definida pela estratégia adotada pelos anarquistas para intervenção social e para a organização da sociedade futura. George Woodcock considerava haver as seguintes correntes: anarcoindividualismo, definida pela rebeldia individual e fundamentada na obra de Max Stirner e William Godwin; mutualismo, definida pela associação comunitária e produtiva em cooperativas econômicas e fundamentada na obra de Proudhon; coletivismo, anarcocomunismo e anarcossindicalismo, definidas da mesma maneira que fez Nettlau, levando em conta que, para Woodcock, sindicalismo revolucionário e anarcossindicalismo são sinônimos; e anarquismo pacifista, definida pelo princípio da não violência e fundamentada na obra de Tolstói.

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Correntes clássicas

Anarquismo individualista ou insurrecionário

O anarquismo insurrecionário, segundo Michael Schmidt e Lucien van der Walt, ... afirma que as reformas são ilusórias e que os movimentos de massa organizados são incompatíveis com o anarquismo, dando ênfase à ação armada — a propaganda pelo ato — contra a classe dominante e suas instituições, como o principal meio de despertar uma revolta espontânea revolucionária. Sendo assim, os anarquistas insurrecionários fazem parte do campo antiorganizacionista e posicionam-se, na maioria dos casos, contrários aos movimentos de massa organizados. Para eles, o sindicalismo é, em geral, considerado um movimento que tende à burocratização e à busca exclusiva de reformas, constituindo um perigo ao anarquismo, que é, para esses anarquistas, essencialmente revolucionário. Em relação à articulação com outros anarquistas, os insurrecionários preferem os grupos sem muita organicidade às organizações mais estruturadas e programáticas.

Anarquismo social ou de massas

O anarquismo social ou de massas, como definido por Michael Schmidt e Lucien van der Walt, ... enfatiza a visão de que somente os movimentos de massa podem criar uma transformação revolucionária na sociedade, que tais movimentos são normalmente construídos por meio de lutas em torno de questões imediatas e de reformas (em torno de salários, brutalidade policial ou altos preços, etc), e que os anarquistas devem participar desses movimentos para radicalizá-los e transformá-los em alavancas para a transformação revolucionária. Os defensores do anarquismo social ou de massas constituem o setor organizacionista do anarquismo, sendo favoráveis à organização; defendem que a transformação social só pode se dar pelo protagonismo dos movimentos populares, sejam eles construídos nos locais de trabalho ou na comunidades. Entretanto, houve alguns casos de antiorganizacionistas que se vincularam ao anarquismo social ou de massas, embora constituam exceção.

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Debates contemporâneos

Imagem: Unknown authorUnknown author · BY-SA · Openverse

Iain McKay, autor de An Anarchist FAQ, discutiu de maneira bastante aprofundada os debates anarquistas e chegou em algumas correntes fundamentais. Para ele, assim como para Guérin e Marshall, haveria uma divisão fundamental entre anarquismo individualista, representado por autores como Stirner e Tucker, e o anarquismo social, representado por autores como Bakunin e Kropotkin. Para McKay, haveria basicamente duas diferenças entre esses "dois tipos de anarquismo": aquelas relativas à estratégia — com os primeiros priorizando a educação e a propaganda e os segundos priorizando as intervenções econômicas e políticas na busca por uma revolução — e aquelas relativas à economia de uma possível sociedade futura baseada nos princípios libertários — com os primeiros defendendo um mercado anticapitalista e os segundos um socialismo sem mercado —; podendo ser definidas, dentro do anarquismo social, algumas correntes internas, como o mutualismo, coletivismo, comunismo e sindicalismo, todas definidas de acordo com Nettlau e Woodcock.

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