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Alexander Berkman

Alexander Berkman foi um escritor e ativista nascido em Lituânia, figura de destaque no movimento anarquista dos Estados Unidos no início do século XX.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Biografia

Em setembro de 1913, o Sindicato dos Mineradores iniciou uma greve contra as companhias mineradoras de carvão em Ludlow, Colorado. Dentre elas, estava a Colorado Fuel and Iron Company, propriedade da família Rockefeller. No dia 20 de abril de 1914, a Guarda Nacional do Colorado reprimiu duramente os grevistas em um confronto que resultou em 26 mortes, incluindo a de 11 crianças. O episódio ficou conhecido como Massacre de Ludlow. Durante a greve, Berkman organizou uma série de manifestações em Nova Iorque em apoio aos mineradores. Entre maio e junho de 1914, ele e outros anarquistas lideraram uma série de protestos contra John D. Rockefeller Jr. Alguns desses protestos ocorreram em Tarrytown, Nova Iorque, cidade onde residia John D. Rockefeller Jr. Tais protestos resultaram na prisão e espancamento de vários militantes anarquistas. Os anarquistas do Ferrer Center começaram a planejar um atentado em resposta à repressão policial aos protestos de Tarrytown. Em julho, três amigos de Berkman — Charles Berg, Arthur Caron e Carl Hanson — adquiriram dinamite para a realização do atentado. A dinamite era escondida na casa de Louise Berger, que também participava do plano. Charles Plunklett, que também tomou parte na trama, afirmou que Berkman era o seu principal arquiteto, já que era o mais velho e experiente membro do grupo, porém o próprio Berkman negou qualquer envolvimento no plano.

Primeiros anos

Alexander Berkman, nascido Ovsei Osipovich Berkman, na cidade lituana de Vilnius (na época pertencente ao Império Russo), era o filho mais novo de uma abastada família judaica. Seu pai, Osip Berkman, era um bem sucedido empresário, enquanto sua mãe, Yetta Berkman, era oriunda de uma família próspera. Dado seu sucesso nos negócios, foi concedido à Osip Berkman o direito de se mudar da zona de assentamento judeu na Rússia em 1877. A família então se mudou para São Petersburgo, onde Ovsei adotou o nome russo Alexander. Ele ficou conhecido entre a família e amigos como Sasha (diminutivo de Alexander). Os Berkmans viviam confortavelmente, com criados e uma casa de verão à disposição. Alexander iniciou seus estudos em um ginásio, onde recebeu uma educação clássica junto dos jovens da elite de São Petersburgo.

Nova Iorque

Quando chegou em Nova Iorque, Berkman ainda não falava inglês e não conhecia ninguém. Porém, logo se tornou um anarquista ao se envolver com grupos que militavam pela liberdade dos homens condenados em 1886 pelo atentado à bomba ocorrido na Revolta de Haymarket e ingressou no Pioneers of Liberty, o primeiro grupo de anarquistas judeus dos Estados Unidos. O grupo era filiado à Internacional Negra, organização a qual pertenciam os réus indiciados pelo atentado em Haymarket. Como a maioria dos seus membros trabalhavam na indústria têxtil, o Pioneers of Liberty participou de várias greves contra as sweatshops e ajudou na formação de alguns dos primeiros sindicatos de trabalhadores judeus da cidade. Em pouco tempo, Berkman se tornou um dos mais proeminentes membros da organização.

Atentado

Em 1892, Berkman, Goldman e Aronstam se mudaram para Worcester, Massachusetts, onde trabalharam em uma lanchonete. No final do mês de junho, Goldman leu uma manchete de jornal, a respeito da greve de Homestead, que lhe chamou a atenção. O trio viu ali sua primeira oportunidade para a realização de uma ação política. Em junho de 1892, uma metalúrgica de aço em Homestead, Pensilvânia, se tornou o foco da atenção nacional quando foram rompidas as negociações entre a Companhia de Aço Carnegie e a Associação dos Trabalhadores do Ferro, Aço e Amalgamatados. O gerente da fábrica era Henry Clay Frick, notório antissindicalista. Quando as negociações finais falharam ao fim de junho, a administração fechou a metalúrgica realizando um locaute, levando os trabalhadores à greve. Fura-greves foram trazidos para dentro da fábrica e a companhia contratou seguranças da Agência de Detetives Pinkerton para protegê-los. No dia 6 de julho houve um tiroteio entre trezentos seguranças e uma multidão de trabalhadores sindicalizados. Durante onze horas de tiroteio quatro guardas e nove grevistas foram mortos.

Julgamento

Berkman recusou a defesa de um advogado em seu julgamento. O diretor o advertiu contra a sua escolha, porém o anarquista argumentou dizendo que "não acreditava nas leis", que "não reconhecia a autoridade dos tribunais" e que era "moralmente inocente". Bauer e Nold o visitaram com os seus advogados, que se ofereceram para defendê-lo sem nenhum custo, porém Berkman recusou a proposta. Como o julgamento se aproximava, ele elaborou um discurso para ser lido no tribunal. O discurso tinha cerca de 40 páginas e foi escrito em alemão, pois ele ainda tinha dificuldades com o inglês, e no dia do julgamento levou cerca de duas horas para ser lido. Berkman não foi informado sobre a data de seu julgamento, que permaneceu em segredo, dado o temor acerca da possibilidade de um ataque por parte de seus companheiros. Ele soube o dia de seu julgamento apenas quando o levaram ao tribunal.

Prisão

Poucas semanas após chegar na prisão, Berkman começou a planejar o seu suicídio. Ele tentou afiar uma colher para que ela servisse como uma lâmina, porém, seu plano foi descoberto por um dos guardas da prisão. Também lhe ocorreu bater a cabeça contra as grades de sua cela, porém temia a possibilidade de continuar vivo e com sequelas, caso o plano falhasse. Por fim, escreveu uma carta para Goldman, pedindo-lhe para trazer uma cápsula de dinamite. A carta foi enviada e ela foi visitá-lo em novembro de 1892, passando-se por sua irmã. Goldman, no entanto, não atendeu ao pedido de Berkman. Em seus primeiros anos na prisão, Berkman passou a refletir sobre questões relativas à homossexualidade, questionando-se acerca da possibilidade de haver amor mútuo entre dois homens. Ele estava ciente de que os incidentes de estupro ou de tentativa de estupro eram comuns na prisão, e que ocorriam "quase todas as semanas, mas ninguém jamais foi levado ao tribunal sob essas acusações". Berkman manteve algumas relações homossexuais na prisão e tornou-se íntimo de um prisioneiro, Johnny, quando ambos estiveram confinados no calabouço, e também discutiu sobre homossexualidade com outro prisioneiro, George, um ex-médico divorciado que o contou sobre suas experiências homossexuais na prisão.

Liberdade

Berkman foi solto no dia 18 de maio de 1906, após cumprir 14 anos de sua pena. Nos portões da casa de correção, ele encontrou-se com alguns jornalistas e policiais, que lhe recomendaram para que deixasse a área, e então pegou um trem para Detroit, onde Goldman o encontraria. Ao vê-lo em um estado físico tão debilitado, Goldman viu-se "tomada de terror e piedade". Mais tarde, na casa de um amigo, Berkman sentiu-se oprimido com a presença de simpatizantes. Ele havia se tornado um claustrofóbico com fortes tendências suicidas. Apesar disso, topou realizar uma série de palestras junto com Goldman ao redor do país. De volta a Nova Iorque após realizar tais palestras, Berkman e Goldman tentaram reatar o antigo relacionamento, porém, eles já não sentiam mais a mesma paixão um pelo outro. Berkman estava interessado em mulheres mais jovens e logo iniciou um relacionamento com Becky Edelsohn, uma jovem militante anarquista.

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Fontes consultadas

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