Corporação
Em linguagem popular, corporação é um modo de se referir a grandes empresas ou a organizações.
Imagem: Governo do Estado de São Paulo · BY · Openverse
As corporações se originaram como comendas estatais para funções de interesse público. Tratava-se de um privilégio concedido a empresas durante o período em que prestavam serviços ao poder público como garantia para investimentos arriscados voltados ao interesse público, em geral. obras públicas. Durante a construção de uma ponte, por exemplo, qualquer grande imprevisto financeiro poderia arruinar o patrimônio do(s) proprietários da empresa que prestasse o serviço pois seriam eles os responsáveis pelo prejuízo; em uma corporação, os proprietários não possuem essa responsabilidade - ela é direcionada aos gestores. A incorporação se deu através de registro como direito para qualquer atividade no séc XIX na Inglaterra. A acumulação de capital gerada pela produção resulta em necessidade de novos tipos de investimentos e estes interesses econômicos pressionam mudanças legislativas. Com as corporações nasce o mercado de ações, também conhecido como mercado de capital aberto.
Imagem: Embaixada dos EUA - Brasil · PDM · Openverse
As corporações, assim como as pessoas que as compõem, possuem também uma identidade orgânica capaz de alterar e influenciar a sociedade na qual estão inseridas. Possuem contatos, formam alianças e desenham estratégias capazes de redefinir os processos políticos e as diretrizes econômicas do sistema na qual estão inseridas na busca de seus interesses. Podemos dizer, então, que as corporações se unem em laços particulares, que são definidos como: “... relações para explorar oportunidades de mercado ou para influenciar determinadas decisões de interesse.” Na busca de maior investimento e crescimento, as empresas se aliam a atores de diversos modos, podendo criar irregularidades no mercado, como os oligopólios ou lobbies. Nesses casos, essas irregularidades no mercado são negativas, e podem gerar problemas sociais drásticos, como o agravamento da desigualdade social e o aprofundamento da luta de classes. Portanto, negativamente, estes relacionamentos podem acabar deixando o cenário político à mercê das estratégias de grandes corporações, como um jogo de influência.
Imagem: Embaixada dos EUA - Brasil · PDM · Openverse
Desde meados do século XX que existe uma tendência de financeirização da economia mundial que impacta todos os setores da sociedade, inclusive as corporações. Essa “perda de interesse” no capital industrial e comercial se deu por diversos fatores, mas podemos colocar como exemplo o caso brasileiro, estudado pelo autor Roberto Grun. Segundo este autor, a sociedade deixou de sentir credibilidade e confiança nas empresas estatais, em seguida na indústria local e por fim no próprio conceito de “corporação”. Ou seja, já não se vislumbrava mais lucrar com essas instituições, pois cada vez mais isso se mostrava não vantajoso. Essa situação se somou com a melhora da imagem negativa que existia do mercado financeiro e da Bolsa de Valores, que anteriormente eram comumente relacionados com jogos de azar e cassinos. A partir disso, se dava a situação perfeita para que esse novo modelo de acúmulo de capital se estabelecesse no país.
Imagem: Embaixada dos EUA - Brasil · PDM · Openverse
Com a financeirização da economia mundial e a tendência a abertura de capital das corporações, se fez necessário desenvolver uma nova cultura dentro dessas empresas a fim de aplicar práticas que visassem satisfazer os interesses dos acionistas. É nesse momento que o conceito de governança corporativa aparece, com um conjunto de práticas que podem ser consideradas as mais ideais dentro de empresa de capital aberto. Um dos principais pontos dentro das práticas da governança corporativa é a transparência contábil, fator muito importante entre a corporação e seus stakeholders, principalmente para os acionistas. Diversos escândalos de corrupção na história do Brasil e de todo o mundo mostram que as corporações que são transparentes em relação aos seus resultados financeiros são bem vistas, na medida em que não há nenhuma abertura aparente para casos de corrupção ou lavagem de dinheiro, por exemplo.


