Convênio de Taubaté
Convênio de Taubaté. assinado em 26 de fevereiro 1906, foi um acordo firmado entre os governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro prevendo a colheita de uma safra recorde. Agregado dentro dos princípios da "política dos governadores", acordou-se uma intervenção do governo federal em benefício da classe dos cafeicultores de determinadas regiões do Brasil.
Antecedentes
No início do século XX, quando se configurou a crise da superprodução do café no Brasil, o seu preço no mercado internacional caía sensivelmente. A sensibilidade internacional dos preços do café à produção brasileira era possível graças ao seu domínio na produção internacional, onde o país, sozinho, controlava três quartos da oferta mundial. Já a partir da crise de 1893, que atingiu particularmente os Estados Unidos, principal comprador do café brasileiro, o preço do café caiu 1/3 do valor daquele ano: de 4,09 libras a saca para 1,48 libras em 1899. Em 1902, o governo do estado de São Paulo proibiu ao estabelecimento de novas plantações, temendo mais quedas no preço. A crise mobilizou os cafeicultores, que se reuniram para a criação de uma estratégia que mantivesse o preço do produto valorizado em momentos de crise. Essa estratégia firmou-se no Convênio de Taubaté.
O Convênio de Taubaté
Em fevereiro de 1906, reuniram-se em Taubaté os governadores dos estados de São Paulo, Jorge Tibiriçá Piratininga, de Minas Gerais, Francisco Antônio de Sales, e do Rio de Janeiro, Nilo Procópio Peçanha (posteriormente substituído no cargo por Alfredo Backer), e como resultado assinaram, no nono dia desse mês, um convênio que estabelecia as bases de uma política conjunta de valorização do café, condicionado à aprovação pelo presidente da República. Entretanto, o presidente Rodrigues Alves iria se recusar a assinar o acordo, que foi ratificado, então, pelo seu sucessor, Afonso Pena. Celso Furtado, em sua obra Formação Econômica do Brasil, assim resumiu essas medidas:
Ainda de acordo com Celso Furtado, a maior falha dessa política de valorização artificial do café foi não ter incentivado a diversificação da pauta de exportações brasileiras, por meio de subsídios, para assim aliviar a pressão da oferta interna sobre a tendência da queda de preços verificada na época. Contudo, ele próprio concorda que tal ação governamental seria bastante dificultada por não corresponder aos interesses políticos predominantes na época, vinculados à exportação do café. Para Rodrigo Goyena, autor do livro Entre Oligarquias, por esse meio acontecia a socialização das perdas: enquanto que os lucros da café permaneciam em mãos privadas, o país era privado de outros investimentos para sustentar os cafezais. O Convênio de Taubaté foi uma forma usada para enriquecer os proprietários de café, alguns dos quais investiram na industrialização de São Paulo, já que a produção tinha venda garantida. Vendo a impossibilidade de pagar as dívidas que o governo paulista contraiu no exterior após a crise de 1929, em 1930, o governo nacional de Vargas assumiu todas as dívidas, as nacionalizando.


