Consulta Popular
A Consulta Popular é uma organização política e movimento social de cunho socialista. Foi fundada em 1997 por militantes de 350 movimentos populares atuantes no Brasil. Próximos do PT e do MST, mas com um distanciamento crítico em relação às estratégias eleitorais petistas, seus idealizadores julgavam ser necessário mobilizar a sociedade brasileira em torno de um projeto de esquerda para além das eleições. Dentre seus fundadores figuram personalidades como João Pedro Stédile, Plínio de Arruda Sampaio e César Benjamin.
A partir de 2012, o setor de juventude da Consulta Popular passou a se organizar no chamado Levante Popular da Juventude. O principal objetivo do grupo seria o de organizar politicamente a juventude das periferias das grandes cidades e do campo, vista por seus militantes como sem voz. No contexto de instalação da Comissão Nacional da Verdade e dos cinquenta anos do golpe de 1964, alguns dos primeiros atos desse coletivo foram a organização de escrachos públicos contra antigos torturadores atuantes durante o regime militar, notadamente Dulene Aleixo Garcez dos Santos, Aparecido Laertes Calandra e Carlos Alberto Brilhante Ustra. Também sofreram escrachos do grupo o médico legista Harry Shibata, os deputados federais Jair Bolsonaro, André Moura e Eduardo Cunha, e o presidente Michel Temer. Ao longo de sua trajetória, o Levante se notabilizou nacionalmente por resgatar os escrachos como forma de luta, bem como pela ênfase nas técnicas de agitação e propaganda (como as batucadas, as músicas e as performances nos atos, etc.) contribuindo para a construção de uma cultura de manifestação política que até então fugia à tradição brasileira.
História
Desde o final dos anos 90, os movimentos populares hoje ligados à Via Campesina (MST, MPA, MMC, MAB) percebiam a necessidade de fortalecer o processo de organização da juventude dentro dos seus próprios movimentos, na perspectiva da formação de uma nova geração de militantes. Em 2005 a Consulta Popular, instrumento político de referência para grande parte dos militantes desse campo político, define em Assembleia Nacional a resolução “organizar a juventude da classe trabalhadora e, em especial, os jovens da periferia urbana”. A leitura da Consulta era de que seria indispensável para a construção de um projeto contra-hegemônico no Brasil a inserção na juventude trabalhadora, principalmente nas massas das grandes periferias. Ao longo dos anos 2000, em diversos estados esse campo político desenvolve experiências de organização da juventude.
Prêmios
Na 18ª edição do Prêmio Direitos Humanos em 2012, o movimento recebeu menção honrosa das mãos da então presidente Dilma Rousseff. O prêmio foi um reconhecimento pela ação do Levante dos escrachos aos torturadores da ditadura militar no Brasil. A indicação ao prêmio foi uma iniciativa de Maria Amélia Teles, Fábio Konder Comparato, Perly Cipriano, Paulo Henrique Amorim, Fernando Morais e João Pedro Stédile. Em 2019 Levante foi vencedor do Prêmio Fotográfico “Combater os Retrocessos: Existir e Resistir à Retirada de Direitos”. O concurso foi promovido pelo Fundo Brasil para incentivar o uso da fotografia na luta pela defesa de direitos. A imagem “O Silêncio da Terra”, do fotógrafo Matheus Alves, recebeu o maior número de menções em votação popular. Mostra Anna Terra Yawalapiti, liderança indígena do Xingu, pedindo o fim da repressão policial durante manifestação do Acampamento Terra Livre, em Brasília (DF).
Atuação na UNE
O Levante participa da União Nacional dos Estudantes. Em 2015 assumiu a secretaria-geral da entidade, onde defendeu a tese “É pra mudar a UNE: reverter os cortes na educação e construir a reforma universitária popular”. Já em 2017 assume a vice-presidência da entidade com a Jessy Dayane e novamente em 2019, posição ocupada atualmente por Élida Elena.


