Conquista do Império Asteca
A Conquista espanhola do Império Asteca foi um evento pivotal na história das Américas, marcado pelo choque entre a Tríplice Aliança Asteca e o Império Espanhol e seus aliados indígenas. Ocorrida entre 1519 e 1521, este evento testemunhou o conquistador espanhol Hernán Cortés e seu pequeno exército de soldados europeus e numerosos aliados indígenas derrubarem um dos impérios mais poderosos da Mesoamérica.
Os espanhóis estabeleceram um assentamento permanente na ilha de Hispaniola em 1493, na segunda viagem de Cristóvão Colombo. Houve novas explorações e assentamentos espanhóis no Caribe e na região de Tierra Firme (as partes do Império Espanhol que ficavam no continente americano e tinham litoral no Mar do Caribe ou no Golfo do México), em busca de riqueza na forma de ouro e acesso à mão de obra indígena para minerar ouro e outros trabalhos manuais. Vinte e cinco anos após o primeiro assentamento espanhol no Novo Mundo, expedições de exploração foram enviadas à costa do México. Em 1517, o governador de Cuba, Diego Velázquez, enviou Francisco Hernández de Córdoba para explorar a península de Yucatán, onde os espanhóis tiveram o primeiro contato com os maias, chegaram a capturar dois prisioneiros que serviram como intérpretes e receberam informações, corretas ou não, sobre a existência de ouro. Após um ataque liderado pelo chefe maia Mochcouoh, Córdoba foi mortalmente ferido e apenas parte da tripulação retornou a Cuba. Embora essa expedição tenha marcado o início do interesse espanhol na região, a conquista efetiva de Yucatán foi muito mais lenta do que a do centro do México, estendendo-se por mais de 170 anos e envolvendo alianças com povos locais, como os Xiu maias. O domínio espanhol só foi consolidado em 1697, com a queda do último estado maia em Tayasal, na região do Petén.
A conquista espanhola do Império Asteca, concluída em 1521 com a queda de Tenochtitlán, transformou radicalmente a vida política, social e cultural, da Mesoamérica. Após a vitória, os espanhóis impuseram um sistema de dominação marcado pela violência e pela desestruturação das antigas organizações políticas. Rebeliões indígenas ocorreram em diversas regiões, já que muitos povos não aceitaram passivamente o controle europeu, mas, devido à superioridade militar espanhola e às doenças trazidas do Velho Mundo, como a varíola, tais resistências foram rapidamente reprimidas e resultaram em pesadas perdas humanas. Historiadores estimam que entre 80% e 90% da população indígena da Mesoamérica (México e América Central) morreu entre o século XVI e o XVII. A maior causa foram as doenças trazidas pelos europeus — como varíola, sarampo, gripe e tifo — contra as quais os povos locais não tinham imunidade. Só a primeira epidemia de varíola no México (1520–1521) teria matado quase metade da população da região América Central em poucos anos. Esse impacto foi ainda maior que as mortes por guerras ou trabalho forçado.


