Polônia do Congresso
Polônia do Congresso ou Polónia do Congresso, também informalmente conhecido como Polônia Russa, foi a união constitucional da Polônia com o Império Russo, criada em 1815 pelo Congresso de Viena. Foi depois substituída pelos Impérios Centrais, em 1915, pelo Reino da Polônia. Embora oficialmente a Polônia do Congresso tivesse iniciado como Estado com uma considerável autonomia política, o Czar russo não aceitava restrições ao seu poder, além de ter reduzido severamente os poderes autônomos depois das revoltas de 1830-31 e de 1863, fazendo da Polônia, novamente um estado fantoche do Império russo, que depois foi dividido em províncias. Assim desde o começo, a autonomia polonesa não foi nada mais do que ficção.
Embora o nome oficial do estado fosse "Monarquia da Polônia", na prática isto não foi usado. Em vez disso, para distingui-lo de outro Reinos da Polônia, foi então chamado Polônia do Congresso. Em todas as partes do século XIX, o termo Polônia do Congresso continuou sendo usado em relação a estes territórios, embora a entidade política deles unidos não existisse mais.
A "Polônia do Congresso" foi criada fora do Ducado de Varsóvia no Congresso de Viena em 1815, quando os Estados Europeus reorganizaram a Europa depois da guerra napoleônica A criação da Polônia do Congresso originou uma partição de terras polonesas nas quais o estado foi dividido e governado entre Império Russo, Áustria e Prússia. O Congresso de Viena foi importante o suficiente na criação deste estado que o novo país incorporou o seu nome. A Polônia do Congresso perdeu seu estatuto como estado soberano em 1831, quando este estado foi reorganizado com uma nova divisão administrativa. O nome era de tal forma marcante que permaneceu em uso oficial russo, apesar de, nos últimos anos do poder russo, ter sido normalmente substituído extraoficialmente, por País Vistulano (em russo: Privislyansky Krai). Na sequência da derrota da Revolta de Novembro suas distintas instituições e acordos administrativos foram abolidos, como parte de um aumento de russificação, de forma a ser mais estreitamente integrado com o Império Russo. No entanto, mesmo após esta anexação formal, o território manteve alguma forma de distinção e continuou a ser chamado informalmente de Congresso Polônia até a dominação russa terminar, como resultado do avanço dos exércitos das Impérios Centrais em 1915 durante a Primeira Guerra Mundial.
Independência inicial
Teoricamente a Polônia do Congresso, na sua forma original, era uma forma semiautônoma de estado unido com a Rússia através do domínio do czar russo. O estado possuía a Constituição do Reino da Polônia, uma das mais liberais da Europa no século XIX, um parlamento (Sejm) responsável por votar leis, um exército independente, moeda, orçamento, Código Penal e uma alfândega na fronteira que a separava do resto do território russo. A Polônia também teve tradições democráticas (Liberdade dourada) e a nobreza polonesa valorizando profundamente a liberdade pessoal. Na realidade, o czar tinha poder absoluto e o título formal de autocrata, e não queria restrições ao seu poder. Toda a oposição ao imperador era perseguida, as liberdades individuais sendo desrespeitadas à vontade pelos funcionários russos. apesar da Rússia exigir o domínio absoluto, isto era difícil de ser estabelecido na Polônia do Congresso por causa das tradições e instituições liberais.
Revoltas e perda de autonomia
O sucessor de Alexandre I, Nicolau I foi coroado Rei da Polônia em 24 de maio de 1829, em Varsóvia, mas ele se negou a jurar obediência à Constituição e continuou a limitar a independência da Polônia do Congresso. O governo de Nicolau representava a ideia de Nacionalidade Oficial, que é ortodoxia, autocracia e nacionalidade. Em relação aos poloneses, estas ideias implicaram na meta de assimilação, com objetivo de transformá-los em fiéis ortodoxos russos. O princípio da ortodoxia, foi o resultado especial do papel que desempenhava a Igreja no Império Russo, tornando-se de fato um departamento do estado, sendo outras religiões discriminadas, por exemplo as bulas papais não podiam ser lidas no Congresso da Polônia sem autorização do governo russo. O Estado de Nicolau também significou o fim da tradição política na Polônia, tendo acabado com a existência de instituições democráticas, introduzido a administração centralizada, que não era eleita, mas sim nomeada. Ele tentou também mudar as relações entre o Estado e o indivíduo. Todo este descontentamento e levou a resistência entre a população polonesa. Em janeiro de 1831 a Sejm depôs o Czar como Rei da Polônia, em resposta aos seus reiterados atentados aos direitos constitucionais. O Czar russo reagiu através do envio de tropas para a Polônia e então a Revolta de Novembro eclodiu. depois de 11 meses de campanha militar o Congresso Polônia perdeu sua semi-independência e foi, posteriormente, muito mais rigidamente integrado ao Império Russo. Este foi formalizado através da emissão do Estatuto Orgânico do Reino da Polônia pelo Imperador em 1832, que aboliu a Constituição, o exército e a assembleia legislativa. Nos próximos 30 anos uma série de medidas vinculou o Congresso Polônia cada vez mais estreitamente com a Rússia. Em 1863 a Revolta de Janeiro eclodiu, mas foi esmagada em 1865. Como resultado todos os diretos restantes de Estado separado do Congresso Polônia foram removidos e a entidade política foi diretamente incorporada ao Império russo.
Governo
O Governo da Polônia do Congresso foi delineado na Constituição do Reino da Polônia em 1815. O Imperador da Rússia era o chefe de Estado oficial, com o título de Rei da Polônia, com o governo local, liderado pelo Namestnik do Reino da Polônia, Conselho de Estado e Conselho Administrativo, além de uma das Sejm. Em teoria a Polônia do Congresso possuía um dos governos mais liberais do seu tempo, na Europa, mas, na prática, a área era um estado fantoche do império russo. As disposições liberais da Constituição e o alcance da autonomia eram frequentemente ignoradas pelos funcionários russos.


