Conflito georgiano-osseta
O conflito georgiano-osseta refere-se ao conflito étnico-político na República auto-declarada da Ossétia do Sul, que evoluiu em 1989 e desenvolveu-se na Guerra na Ossétia do Sul (1991-1992). Apesar de um cessar-fogo declarado e numerosos esforços de paz, o conflito continua sem solução, e pequenos incidentes armados persistem. Em agosto de 2008, as tensões diplomáticas e conflitos entre a Geórgia e a Ossétia do Sul entraram em erupção com a Guerra na Ossétia do Sul em 2008, atualmente é um Conflito congelado.
O conflito entre ossetas e georgianos remonta pelo menos até 1918. No rescaldo da Revolução Russa, a Geórgia permaneceu controlada pelos mencheviques, enquanto os bolcheviques tomaram o controle da Rússia. Em junho de 1920, uma força da Ossétia patrocinada pelos russos atacou o exército da Geórgia e a Guarda Popular. A Geórgia reagiu de forma enérgica e derrotou os rebeldes, com várias aldeias da Ossétia sendo queimadas e 20 mil ossetas deslocados na União Soviética . Oito meses depois, o Exército Vermelho invadiu com sucesso a Geórgia e em 1922 foi criado o Oblast Autônomo da Ossétia do Sul. Na década de 1980 a política da perestroica, iniciada por Mikhail Gorbachev, causou aumento do nacionalismo na República Socialista Soviética da Geórgia (SSR) e o país passou para a independência, que foi rejeitada pela organização nacionalista osseta, Ademon Nykhas (Frente Popular). Criada em 1988, a Ademon Nykhas exigia maior autonomia para a região e, finalmente, a unificação com a Ossétia do Norte da Rússia. Em 10 de novembro de 1989, o Soviete Supremo da Ossétia do Sul aprovou a decisão de unir a Ossétia do Sul com a Ossétia do Norte, então parte da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. No entanto, um dia depois, o Soviete Supremo da RSS da Geórgia revogou a decisão e, em 23 de novembro, milhares de nacionalistas georgianos liderados por Zviad Gamsakhurdia e outros líderes da oposição marcharam para Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul, para realizar uma reunião lá. Os ossetas mobilizaras bloqueando estradas e só a interferência de unidades do exército soviético evitou um confronto entre as duas manifestações. Os comandantes soviéticos fizeram os manifestantes georgianos voltar. No entanto, várias pessoas ficaram feridas em confrontos posteriores entre georgianos e ossetas.
Conflito na Ossétia do Sul de 1918-1920
O conflito georgiano-osseta de 1918-1920 compreendeu uma série de revoltas, que ocorreram em áreas habitadas por ossetas da atual Ossétia do Sul, uma república separatista da Geórgia, contra a República Democrática Federativa Transcaucasiana e depois a República Democrática da Geórgia (esta última sob domínio dos mencheviques), que causou perdas de várias milhares de vidas.
Guerra na Ossétia do Sul de 1991-1992
A tensão na região cresce ao mesmo tempo que o aumento dos nacionalismos georgiano e osseta, em 1989. Anteriormente, com a exceção do conflito de 1920, as duas comunidades conviveram pacificamente com um alto grau de interação e uma alta taxa de casamentos inter-étnicos. No mesmo ano, a influente Frente Popular da Ossétia do Sul (Ademon Nykhas) convoca para a unificação com a Ossétia do Norte, a fim de defender a autonomia da Ossétia. Em 10 de Novembro de 1989, o Soviete Supremo da Ossétia do Sul votou a favor da unificação com a Ossétia do Norte, uma unidade da República Federativa Socialista da Rússia. No dia seguinte, o parlamento da Geórgia revogou a decisão e aboliu a autonomia da Ossétia do Sul. Além disso, o parlamento autorizou a supressão de jornais e manifestações.
Enfrentamento armado georgiano-osseta de 2004
Desde então e até meados de 2004, a Ossétia do Sul foi em geral pacífica. Em junho de 2004, graves tensões começaram a aumentar à medida que as autoridades georgianas reforçaram os seus esforços para trazer de volta a região sob o domínio de Tbilisi, através do estabelecimento de um governo alternativo pró-georgiano para a Ossétia do Sul em Tbilisi. A Geórgia também chamou a polícia para fechar um vasto complexo de mercado negro, que era uma das principais fontes de renda da região, levando a um combate entre soldados georgianos e tropas da manutenção da paz contra os rebeldes da Ossétia do Sul e combatentes independentes da Rússia. Sequestros, tiroteios e explosões ocasionais deixaram dezenas de mortos e feridos. Um acordo de cessar-fogo foi alcançado em 13 de agosto apesar de ter sido repetidamente violado.
Ascensão ao poder de Mikhail Saakashvili
Em 2004, Shevardnadze foi derrubado e, Mikheil Saakashvili, venceu as eleições revivendo a mensagem nacionalista georgiana. Em 12 de novembro de 2006 o referendo sobre a independência da Ossétia do Sul foi vencido por uma maioria. O presidente da Geórgia, Saakashvili fez uma acordo de paz definitivo com a Ossétia do Sul, em que teria um elevado grau de autonomia dentro do Estado federal. A oferta foi rejeitada pelo presidente osseta, Eduard Kokoity, já que sua aspiração era a total independência. Relaciona-se com a tensão dos últimos meses antes do conflito de 2008 com a cúpula da Otan, em abril de 2008, realizada em Bucareste, que estabeleceu a aprovação para a entrada da Geórgia e da Ucrânia na OTAN, sem um calendário concreto . A reação da Rússia foi fortalecer os laços com as regiões separatistas da Geórgia: a Abecásia e a Ossétia do Sul, através da distribuição de passaportes russos , aproximação que já havia começado após a declaração de independência do Kosovo. Em maio de 2008, a Rússia e a Geórgia aumentam sua presença militar na Ossétia do Sul. A existência de uma relação entre a possível entrada na OTAN da Geórgia e o conflito atual, é uma das razões apresentadas pelo Governo da Geórgia.
Guerra na Ossétia do Sul de 2008
A tensão na região, que se acumulava durante meses , e o desejo, de acordo com alguns analistas, da Geórgia em terminar rapidamente com a independência de facto das repúblicas separatistas da Abcásia e da Ossétia do Sul, a fim aderir à OTAN, desencadeou na noite de 7 a 8 de agosto 2008, uma guerra com a Ossétia do Sul e forças de paz russas, que velavam pela paz na região. Durante os dias anteriores a guerra, Tskhinvali ficou sob atiradores georgianos. Parte da população da cidade foi evacuada para a Rússia. Os primeiros confrontos eclodiram quando o presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, ordenou que seu exército retomasse o controle do enclave da Ossétia independente de facto desde 1992, mas descrito pela Geórgia como rebelde e pertencente de jure ao seu território. Em conformidade com os acordos a paz que puseram fim à Guerra Civil Georgiana, estavam presentes na república separatista as forças de paz russas. Estas tropas tomaram armas do lado da Ossétia desencadeando logo após combates, e novas divisões do exército russo cruzaram a fronteira internacional o que constitui, de acordo com a Geórgia, uma declaração de guerra implícita contra seu país. No mesmo campo que forças russas e da Ossétia do Sul participaram a república separatista da Abecásia, tanto na Ossétia do Sul, através do envio de voluntários para lutar contra os georgianos, como na própria Abecásia.


