Língua tcheca
O tcheco (português brasileiro) ou checo (português europeu) é uma língua da família eslava ocidental, falada principalmente na Tchéquia (Chéquia), onde é língua oficial, e na Eslováquia. Como a Tchéquia faz parte da União Europeia, o tcheco constitui uma de suas 24 línguas oficiais.
Tanto o nome ''tcheco'' quanto o nome čeština, em tcheco, derivam de uma antiga tribo eslava (Čech, pl. Češi) que habitavam a Boêmia Central e uniram tribos eslavas vizinhas sob o reinado da dinastia Premíslida (Přemyslovci) no final do século IX. A etimologia do nome em si, porém, é incerta, apesar de haver muitas hipóteses divergentes nesse âmbito. A primeira tentativa acadêmica de explicar a etimologia do nome "tcheco" foi feita por Josef Dobrovský (1782), que argumentou que o nome derivaria do verbo ''começar'' (em tcheco: začíti), se referindo especificamente à partícula -čí, originalmente -če, sob a percepção de que os tchecos houvessem sido os primeiros a chegar às regiões ocidentais. Essa hipótese, porém, foi contrariada por Jungmann (1835), que afirmou que os tchecos não ''começaram'' o processo de imigração para a região, além de apontar algumas incoerências da teoria de Dobrovský (1782) no âmbito linguístico.
Nas duas províncias da Boêmia e Morávia e na parte meridional da Silésia, o idioma é falado por cerca de 9,5 milhões de pessoas. Há também comunidades de falantes em outros países, em sua maioria europeus, sendo as mais significativas presentes na Eslováquia (com 22,9 porcento da população); na Itália (1,1 porcento) e na Áustria (1,0 porcento). Durante o período entre 1848 e 1914, uma população de aproximadamente 350 mil tchecos migrou para os Estados Unidos da América, se estabelecendo principalmente nos estados do Texas, Nebraska e Wisconsin. Com o decorrer do tempo, questões como a aculturação e políticas para o uso único da língua inglesa em escolas levaram à perda da língua tcheca nessas comunidades, mesmo assim, há múltiplas sociedades, como a Czech Heritage Society of Texas (em português: Sociedade da Herança Tcheca do Texas) que ativamente trabalham para a preservação da herança tcheca nos Estados Unidos, a fim de manter a língua e cultura de seus ancestrais.
Dialetos
Apesar de a grande maioria das zonas periféricas da Tchéquia não pertencerem a um dialeto específico, muitos dos dialetos tchecos se dividem em dois grandes grupos: • Dialetos da Boêmia, onde se incluem os dialetos não muito peculiares da zona que margeia a Boêmia Central, englobando o dialeto conhecido como "tcheco comum" utilizado sobretudo em Praga. • Dialetos Hanák da Morávia, que englobam diversos subgrupos de dialetos presentes na região da Morávia. Esses grupos podem ser facilmente diferenciados por meio do seu tratamento de certas vogais longas, uma vez que os dialetos hanák tornaram abertas algumas vogais longas originalmente fechadas, enquanto o boêmio as transformou em ditongos.
Línguas relacionadas
O Tcheco faz parte da família linguística eslava ocidental, uma ramificação da família das línguas eslavas. .mw-parser-output table.clade{border-spacing:0;margin:0;font-size:100%;line-height:100%;border-collapse:separate;width:auto}.mw-parser-output table.clade table.clade{width:100%;line-height:inherit}.mw-parser-output table.clade td.clade-label{width:0.7em;padding:0 0.15em;vertical-align:bottom;text-align:center;border-left:1px solid;border-bottom:1px solid;white-space:nowrap}.mw-parser-output table.clade td.clade-fixed-width{overflow:hidden;text-overflow:ellipsis}.mw-parser-output table.clade td.clade-fixed-width:hover{overflow:visible}.mw-parser-output table.clade td.clade-label.first{border-left:none;border-right:none}.mw-parser-output table.clade td.clade-label.reverse{border-left:none;border-right:1px solid}.mw-parser-output table.clade td.clade-slabel{padding:0 0.15em;vertical-align:top;text-align:center;border-left:1px solid;white-space:nowrap}.mw-parser-output table.clade td.clade-slabel:hover{overflow:visible}.mw-parser-output table.clade td.clade-slabel.last{border-left:none;border-right:none}.mw-parser-output table.clade td.clade-slabel.reverse{border-left:none;border-right:1px solid}.mw-parser-output table.clade td.clade-bar{vertical-align:middle;text-align:left;padding:0 0.5em;position:relative}.mw-parser-output table.clade td.clade-bar.reverse{text-align:right;position:relative}.mw-parser-output table.clade td.clade-leaf{border:0;padding:0;text-align:left}.mw-parser-output table.clade td.clade-leafR{border:0;padding:0;text-align:right}.mw-parser-output table.clade td.clade-leaf.reverse{text-align:right}.mw-parser-output table.clade:hover span.linkA{background-color:yellow}.mw-parser-output table.clade:hover span.linkB{background-color:green}
As primeiras documentações do tcheco como língua escrita ocorreram em 862, quando dois missionários Bizantinos foram à Morávia a fim de catequizar a população e traduzir textos litúrgicos para o eslavo antigo, uma língua considerada inteligível por todos os povos eslavos na época, utilizando o alfabeto glagolítico. O propósito dos missionários, porém, não pôde se estender, pois não muito tempo depois, o Papa Estêvão V restringiu o uso de línguas diferentes do latim ou grego para a leitura e divulgação de serviços cristãos, o que fez com que o povo precisasse se adaptar a um novo sistema de escrita: o alfabeto latino. Posteriormente, marcas diacríticas foram incorporadas ao novo alfabeto a fim de torná-lo mais versátil. Em 1526, Fernando I foi coroado rei da Boêmia, dando início ao período de controle da dinastia Habsburgo sobre a Tchéquia, que impôs o uso de alemão em detrimento do tcheco no país por um estendido período de tempo.
Consoantes
As consoantes do tcheco possuem um grupo distinto denominado consoantes suaves (em tcheco: měkké souhlásky), composto de nove consoantes: /t͡s/, /t͡ʃ/, /ɟ/, /j/, /ɲ/, /r̥/, /ʃ/, /c/ e /ʒ/, todas as outras estão englobadas no grupo geral de consoantes.
Vogais
O tcheco possui cinco vogais curtas /a/, /ɛ/, /ɪ/, /o/ e /u/ (escritas como a, e, i/y, o e u), e suas correspondentes vogais longas /a:/, /ɛ:/, /i:/, /o:/ e /u:/ (escritas como á, é, í/ý, ó e ú/ů). O tcheco tende a não apresentar cadeias vocálicas, porque essas não constavam nas línguas nativas das quais se derivou o tcheco. O ditongo ou, porém, é uma exceção a essa regra, e algumas palavras estrangeiras introduziram os ditongos au e eu à língua. Há no tcheco seis ditongos terminados em j: aj, ůj, ej, oj e uj. As consoantes r, l e m podem ser vocálicas. Tanto o r quanto o l ocorrem como vogais quando entre dois elementos não vocálicos e como consoantes em qualquer outra instância. O m vocálico, por outro lado, só é possível em duas palavras: sedm (em português: sete) e osm (oito).
Transformações fonológicas
Apesar de equivaler foneticamente à vogal e, uso do ě em uma palavra influencia a pronúncia da sílaba de acordo com a consoante que a antecede. Além disso, é importante apontar que a vogal ě não ocorre fora dos casos mencionados a seguir. Algo parecido ocorre com as vogais i e y, que são pronunciadas da mesma maneira individualmente, mas a vogal i causa modificações nas vogais n, d e t. Somente palavras estrangeiras são exceções a essa regra. No tcheco, as consoantes sonoras b, d, d', g, v, z, ž e h não podem ser pronunciadas no final de uma palavra, se ocorrerem nessa posição na forma escrita, devem ser pronunciadas como suas equivalentes surdas (p, t, t', k, f, s, š, ch).
Fonotática
Apesar de apresentar majoritariamente sílabas comuns CV, o tcheco permite até quatro consoantes numa sílaba de ataque e três em uma coda. Muitas cadeias consonantais do tcheco violam a hierarquia da sonoridade, mas o nível de complexidade dessas estruturas tende a reduzir quando pronunciadas. A estrutura CV também é evidente em estratégias de reparação de sílabas sem ataque. Na estrutura MC, a coda da sílaba anterior geralmente substitui o ataque em sua ausência, se não, uma oclusiva glotal (ʔ) é utilizada. Na estrutura BC, a ressignificação de sílabas como ocorre na MC é menos frequente, dando preferência ao uso da oclusiva glotal.
Prosódia
A tonicidade (ou stress) do tcheco sempre cai sobre a primeira sílaba, independente da duração das vogais. Algumas preposições são capazes de atrair a tonicidade da palavra seguinte, resultando na pronúncia da preposição e da sílaba que a procede como uma unidade. Se a preposição for seguida de uma palavra que se inicia com uma vogal, ela é separada da palavra por uma oclusiva glotal, que se comporta como uma consoante surda, com a capacidade de assimilação da consoante que a antecede. As proposições během, kromě, vedle, kolem, okolo, blízko, podle, místo, proti, naproti, kvůli e mezi, porém, não atraem a tonicidade da palavra seguinte, mantendo o stress na primeira sílaba. Há também algumas palavras que não apresentam tonicidade, em específico algumas enclíticas (que sucedem uma palavra com tonicidade) e proclíticas (que precedem uma palavra com tonicidade).
Variações
Os fonemas consonantais não apresentam variações significativas entre os dois principais grupos dialetais do tcheco e o chamado tcheco comum, mas há algumas variações no que se diz respeito às vogais, em especial os fonemas /ɪ/ e /i:/.
Originalmente, a escrita em tcheco utilizava o alfabeto glagolitico, criado por volta de 862 d.c. para a tradução de textos litúrgicos para o eslavo antigo de forma a torná-los mais acessíveis ao povo da Morávia. A partir dele foi criado, posteriormente, o alfabeto cirílico arcaico, considerado mais prático. Esse sistema de escrita caiu, porém, após a ordem do Papa Estêvão V de que todos os serviços cristãos deveriam ser feitos em grego ou latim. Atualmente, utiliza-se o alfabeto latino com sinais diacríticos para a escrita em tcheco, que é feita horizontalmente e partindo da esquerda e de cima. A ortografia foi racionalizada primeiro por Jan Hus no século XIV, e em seguida pelos monges tchecos no século XVI para fazer sua tradução da Bíblia. Uma característica marcante do tcheco é o uso do caron ou háček (◌̌), adicionado à ortografia para a adaptação do alfabeto latino à língua, tornando-o mais acessível. Esse sinal diacrítico ocorre nas letras č, ě, ň, ř, š, ž, d' e t', sendo adaptado na forma minúscula das duas últimas por conta de sua altura. Há também o uso do acento agudo para a marcação de vogais longas.
Artigos
O tcheco não possui artigos. Em algumas instâncias, os numerais jeden, jedna e jedno (em português: um, uma) podem equivaler a pronomes indefinidos e os pronomes demonstrativos ten, ta e to (isso ou aquilo) podem equivaler a pronomes definidos. A escolha entre essas formas deve ser feita em concordância com o gênero gramatical do substantivo, sendo jeden e ten masculinos, jedna e ta femininos e jedno e to neutros.
Pronomes
No tcheco, os pronomes pessoais variam em caso, pessoa e número, e na terceira pessoa, variam adicionalmente em gênero. Eles podem variar também quanto as preposições, tendo formas diferentes se ocorrem sem preposição (não enclíticos) ou após uma preposição (enclíticos). A inicial j- nos casos genitivo, dativo, acusativo e instrumental é substituída por n- quando o pronome antecede uma preposição, porque o caso locativo ocorre somente acompanhado de uma preposição, esse não apresenta variações quanto à inicial. No plural, só há distinção de gênero no caso nominativo, no qual oni é masculino, ony é feminino e ona é neutro.
Substantivos e adjetivos
Os substantivos e adjetivos do tcheco variam em gênero (feminino, masculino e neutro), número (singular e plural) e caso (nominativo, genitivo, dativo, acusativo, locativo e instrumental). A língua tcheca possui três gêneros: masculino, feminino e neutro, que, como no português, vêm naturalmente aos falantes nativos da língua. Há, porém, alguns padrões e tendências, em geral na terminação de palavras, que podem ajudar um estudante de tcheco a inferir o gênero do substantivo: O gênero dos adjetivos deve estar em concordância com o do sujeito, mas varia também de acordo com a classificação entre adjetivos duros e suaves e, dentro dessas categorias, em caso e número. Para o reconhecimento do gênero de um adjetivo, pode-se usar sua terminação, mas porque essa é afetada não somente pelo gênero, é necessário analisar todas as variações dos adjetivos.
Verbos
Os verbos no tcheco variam em pessoa (primeira, segunda e terceira), número (singular e plural), tempo (pretérito, presente e futuro), aspecto (perfeito, imperfeito e repetitivo), modo (indicativo, imperativo e condicional) e voz (ativa e passiva). Tradicionalmente, o tcheco é descrito como tendo três tempos verbais (pretérito, presente, futuro), a complexidade da forma como se dão as ações é expressa pelo aspecto: Após a combinação entre esses dois parâmetros, pode-se dizer que o tcheco possui oito tempos verbais, cada um capaz de expressar mais de uma função. Os três tempos verbais no passado possuem verbos na forma -l, equivalente à forma -ed no inglês, são formados retirando o -t em verbos no infinitivo e substituí-lo pelo -l e suas variações quanto ao gênero.
Sentenças
Quanto à ordem frasal, ambas SVO (substantivo, verbo, objeto) e OVS (objeto, verbo, substantivo) ocorrem com grande frequência, sendo a ordem OVS geralmente associada a uma estrutura de passividade do sujeito. As estruturas SOV e OSV, apesar de muito menos frequentes, podem ocorrer. Por fim, VSO e VOS são comumente utilizadas em frases interrogativas, mas também podem ocorrer em frases declarativas. Em seguida, há uma tabela comparativa do uso das diferentes ordens frasais em uma mesma frase, contendo os elementos Anna (nome próprio, sujeito), už (em português: já, advérbio), napsala (escreveu, verbo) e tu disertaci (a dissertação, objeto).
Numeração
O tcheco utiliza um sistema de numeração com base 10. Todos os numerais cardinais variam em caso, os números um e dois variando também de acordo com o gênero. Para os números 11 a 19, o sufixo -náct é adicionado aos números de 1 a 9, por exemplo: jedenáct (11), dvanáct (12), třináct (13). Os numerais 14, 15 e 19, porém, apresentam uma leve variação, uma vez que há uma alteração no número utilizado como base: čtrnáct (14), patnáct (15) e devatenáct (19). Os múltiplos de 10 são formados pela adição do sufixo -cet aos números de 2 a 4, e do sufixo -desát aos números de 5 a 9, por exemplo: dvacet (20), třicet (30), padesát (50), devadesát (90). Os números na casa das centenas são formados pela adição da partícula stě, no caso do 200, sta, para os números 300 e 400 e set para os demais: dvě stě (200), tři sta (300), pět set (500), devět set (900). O número 100 é escrito como sto.
Hino Nacional da República Tcheca
O hino atual da Tchéquia era originalmente parte da trilha sonora da comédia Fidlovačka aneb Žádný hněv a žádná rvačka (em português: Violinista ou Sem raiva e sem luta), utilizado durante a dominação da Dinastia Habsburgo como um hino não oficial. Posteriormente, a música passou a ser o primeiro verso do hino da Tchecoslováquia e, após sua separação, o hino nacional da Tchéquia, que optou por mantê-lo como somente um verso. No pomar, flores da primavera florescem,
Lista de Swadesh
A lista de Swadesh é uma lista elaborada por Morris Swadesh na tentativa de estabelecer uma lista de palavras de caráter universal que pudesse ser utilizada para o estudo comparativo das línguas. Essa lista apresenta as palavras presentes originalmente na lista (em inglês), suas traduções para o português e suas correspondentes no tcheco.
O idioma tcheco contribuiu para a ficção científica com a criação, pelos irmãos Čapek, da palavra "robô" (de robota = "trabalho forçado"). Palavra "criada" por Josef Čapek e utilizada pela primeira vez em 1920, quando seu irmão, Karel Čapek, publicou a obra R.U.R.


