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Complexidade especificada

A complexidade especificada é um argumento proposto por William Dembski e usado por ele e outros para promover a pseudociência do design inteligente. De acordo com Dembski, o conceito tem a intenção de formalizar uma propriedade que destaque padrões que sejam tanto específicos quanto complexos. Dembski defende que a complexidade especificada é uma ferramenta confiável para identificar sinais de design realizado por um designer inteligente, um princípio central do design inteligente que Dembski defende em oposição à teoria da evolução moderna. O conceito de complexidade especificada é amplamente considerado matematicamente frágil e até hoje não foi utilizado como base para trabalhos independentes posteriores, seja nas áreas da teoria da informação, teoria da complexidade, ou na biologia. A complexidade especificada é um dos dois principais argumentos utilizados pelos defensores do design inteligente, sendo o outro a complexidade irredutível.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Definição

Emprego original do termo por Orgel

O termo "complexidade especificada" foi cunhado originalmente pelo pesquisador da origem da vida Leslie Orgel para denotar o que distingue as coisas vivas das não vivas: Em resumo, os organismos vivos se distinguem por sua complexidade especificada. Os cristais usualmente são tomados como protótipos de estruturas simples bem especificadas, porque elas consistem de uma quantidade muito grande de moléculas idênticas agrupadas de maneira uniforme. Pedaços de granito ou misturas aleatórias de polímeros são exemplos de estruturas que são complexas mas não especificadas. Os cristais não se qualificam como vivos porque lhes falta complexidade; as misturas de polímeros não se qualificam porque lhes falta especificidade.

A definição de Dembski

Para Dembski, a complexidade especificada é uma propriedade que pode ser observada nas coisas vivas. Porém, enquanto Orgel usou o termo para se referir a características biológicas que na ciência se considera que tenham surgido através de um processo de evolução, Dembski diz que ela descreve características que não podem se formar através de evolução "não guiada" — e conclui que isso permite inferir design inteligente. Enquanto Orgel empregou o conceito de maneira qualitativa, o uso de Dembski pretende ser quantitativo. O uso do conceito por Dembski remonta à sua monografia de 1998 intitulada The Design Inference. A complexidade especificada é fundamental à sua abordagem do design inteligente, e cada um de seus livros subsequentes também tratou substancialmente do assunto. Ele declarou que, em sua opinião, "se houver uma maneira de detectar design, complexidade especificada é ela."

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Lei da conservação da informação

Dembski formula e propõe uma lei da conservação da informação nos seguintes termos: Esta forte alegação proibitiva, de que as causas naturais só podem transmitir ICE mas nunca originá-la, eu chamarei de Lei da Conservação da Informação. Corolários imediatos da lei proposta são os seguintes: Dembski nota que o termo "Lei da Conservação da Informação" foi previamente empregado por Peter Medawar em seu livro The Limits of Science (1984) "para descrever a alegação mais fraca de que leis determinísticas não podem produzir nova informação." A validade e utilidade reais da lei proposta por Dembski são incertas; ela nem é usada amplamente pela comunidade científica nem é citada na literatura científica convencional. Um ensaio de Erik Tellgren forneceu uma refutação à lei de Dembski e conclui que ela é "matematicamente infundada".

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Especificidade

Em um artigo mais recente, Dembski fornece uma explicação que ele alega ser mais simples e estar em maior conformidade com a teoria do teste estatístico de hipóteses tal como formulada por Ronald Fisher. Em termos gerais, Dembski propõe enxergar a inferência do design como um teste estatístico para rejeitar uma hipótese aleatória P em um espaço de resultados Ω. O teste proposto por Dembski se baseia na Complexidade de Kolmogorov de um padrão T que é exibido por um evento E que ocorreu. Matematicamente, E é um subconjunto de Ω, o padrão T especifica um conjunto de resultados em Ω e E é um subconjunto de T. Citando Dembski Assim, o evento E poderia ser um lançamento de dado que resulta em seis e T poderia ser o evento composto consistindo de todos os lancamentos de dados que resultam numa face par. A complexidade de Kolmogorov fornece uma medida dos recursos computacionais requeridos para especificar um padrão (tal como uma sequência de DNA ou uma sequência de caracteres alfabéticos). Dado um padrão T, o número de outros padrões que podem ter complexidade Kolmogorov não maior do que a de T é denotado por φ(T). O número φ(T) assim fornece uma graduação de padrões do mais simples ao mais complexo. Por exemplo, para um padrão T que descreve o flagelo bacteriano, Dembski alega obter o limite superior φ(T) ≤ 1020.

A explicação de Dembski para a complexidade especificada

A expressão σ de Dembski não tem relação com nenhum conceito conhecido na teoria da informação, embora ele alegue que pode justificar sua relevância deste modo: Um agente inteligente S testemunha um evento E e lhe atribui alguma classe referencial de eventos Ω e dentro desta classe referencial considera que ele satisfaz uma especificação T. Agora considere a quantidade φ(T) × P(T) (onde P é a hipótese "aleatória"): Pense em S como se estivesse tentando determinar se um arqueiro, que acabou de atirar uma flecha contra um grande muro, calhou de acertar um minúsculo alvo naquele muro por acaso. A flecha, digamos, está de fato cravada exatamente neste pequeno alvo. O problema, entretanto, é que há vários outros alvos minúsculos no muro. Uma vez que todos esses outros alvos sejam contabilizados, ainda é improvável que o arqueiro pudesse acertar qualquer um deles por acaso?

O cálculo da complexidade especificada

Até agora, a única tentativa de Dembski de calcular a complexidade especificada de uma estrutura biológica de ocorrência natural está em seu livro No Free Lunch, para o flagelo bacteriano da E. coli. Esta estrutura pode ser descrita pelo padrão "propulsor bidirecional rotatório impulsionado por motor". Dembski estima que haja no máximo 1020 padrões descritos por quatro conceitos básicos ou menos, e então seu teste para o design se aplicará se Todavia, Dembski diz que o cálculo preciso da probabilidade relevante "ainda deve ser feito", embora ele também alegue que alguns métodos para calcular estas probabilidades "já existem". Estes métodos assumem que todas as partes constituintes do flagelo devem ter sido geradas completamente ao acaso, um cenário que os biólogos não consideram seriamente. Ele justifica esta abordagem apelando ao conceito de "complexidade irredutível" (CI) de Michael Behe, que o leva a assumir que o flagelo não poderia ter surgido por qualquer processo gradual ou em etapas. A validade do cálculo particular de Dembski é assim completamente dependente do conceito de CI de Behe, e portanto suscetível a suas críticas, que são muitas.

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Críticas

A solidez do conceito de complexidade especificada proposto por Dembski e a validade dos argumentos baseados neste conceito são amplamente contestadas. Uma crítica frequente (vide Elsberry e Shallit) é que Dembski empregou os termos "complexidade", "informação" e "improbabilidade" indiferentemente. Estes números medem propriedades de coisas de tipos diferentes: A complexidade mede o quão difícil é descrever um objeto (tal como uma cadeia de bits), a informação mede o quão próximo de uniforme uma distribuição de probabilidade aleatória está, e a improbabilidade mede o quão improvável é um evento dada uma distribuição de probabilidade. Dembski frequentemente se esquiva destas críticas respondendo que ele não está "ocupado em oferecer uma prova matemática estrita para a incapacidade de mecanismos materiais gerarem complexidade especificada". Na página 150 de No Free Lunch ele alega que pode demonstrar sua tese matematicamente: "Nesta seção eu apresentarei um argumento em princípio matemático para por que causas naturais são incapazes de gerar informação complexa especificada." Outros indicaram que um cálculo crucial na página 297 de No Free Lunch está errado por um fator de aproximadamente 1065.

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Fontes consultadas

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