Club de Regatas Vasco da Gama
O Club de Regatas Vasco da Gama é uma entidade sócio-poliesportiva brasileira sediada na cidade do Rio de Janeiro, fundada em 21 de agosto de 1898 por um grupo de remadores, inspirados pelas celebrações do quarto centenário da expedição que estabeleceu a primeira rota marítima direta entre a Europa e a Índia, liderada pelo navegador português Vasco da Gama. Embora tenha se originado nas regatas, o clube passou a atuar em diversas modalidades esportivas, como atletismo, basquete, futebol de areia e futebol americano, tendo o futebol como sua principal modalidade. Além disso, é a agremiação brasileira cujos atletas conquistaram o maior número de medalhas em Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
No ano de 2008, o clube sofreu seu primeiro rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Na sequência, retornou à primeira divisão ao vencer o América de Natal, no Maracanã. Em ambos os anos, chegou às semifinais da Copa do Brasil, sendo eliminado por Sport e Corinthians, que acabariam campeões das respectivas edições. No ano de 2011, o cruzmaltino conquistou a Copa do Brasil, contra o Coritiba no Couto Pereira, e foi ainda vice-campeão brasileiro. No mesmo período, chegou às semifinais da Copa Sul-Americana, após viradas contra Aurora e Universitario, sendo eliminado pela campeã Universidad de Chile. Na Copa Libertadores de 2012, foi eliminado nas quartas de final para o Corinthians, que também se tornaria campeão do torneio, em jogo marcado pela oportunidade de gol desperdiçada pelo atacante Diego Souza. No ano seguinte, sofreu novo descenso, em partida marcada pela briga generalizada entre torcedores vascaínos e do Athletico Paranaense. Em 2014, terminou na terceira colocação a Série B e assegurou nova promoção.
1898–1915: Fundação
O Club de Regatas Vasco da Gama foi fundado como um clube de remo em 21 de agosto de 1898 por um grupo de 62 jovens imigrantes portugueses e luso-descendentes, reunidos no bairro da Saúde, no Rio de Janeiro. O nome foi escolhido em referência às comemorações dos quatrocentos anos da viagem do almirante homônimo à Índia, celebradas naquele ano. Já filiado à União de Regatas Fluminense, o clube estreou em competições oficiais na enseada de Botafogo, em 4 de junho de 1899. Na ocasião, a baleeira Volúvel, de seis remos, venceu o primeiro páreo na categoria júnior, conquistando a primeira vitória do Vasco no remo. Em 24 de novembro de 1905 o Vasco conquistou seu primeiro Campeonato Carioca de Remo, em uma competição que contou com a presença do presidente da República Rodrigues Alves entre os espectadores. No ano seguinte, sagrou-se bicampeão estadual. Até 2012 o clube havia conquistado o campeonato em 46 oportunidades.
1922–1934: Camisas Negras e a luta contra o racismo
Desde aquela época, o clube incorporava aos seus quadros atletas de diferentes origens étnicas e sociais. Em 1922, conquistou seu primeiro título da Série B estadual, o que lhe garantiu o acesso à primeira divisão da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). O elenco vascaíno era bastante diverso, contando com negros, pardos, portugueses e brancos pobres da classe operária. Embora houvesse outros clubes com jogadores dessas características, essa foi a primeira vez que equipes de maior poder financeiro da cidade enfrentaram uma equipe equivalente oriunda da periferia. Em 1923 o Vasco conquistou, logo em seu ano de estreia, o primeiro título da elite do Campeonato Carioca. Porém, em 1924 os clubes da Zona Sul (área de maior prestígio socioeconômico do Rio de Janeiro) uniram-se, deixaram a LMDT e fundaram a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA). O Vasco somente poderia filiar-se à nova entidade caso dispensasse doze de seus atletas, todos negros, sob a alegação de que exerciam "profissão duvidosa". Diante da exigência, o presidente cruzmaltino José Augusto Prestes enviou uma carta à AMEA recusando-se a aceitar a condição imposta e abrindo mão da filiação. O documento, conhecido como "Resposta Histórica", é considerado um marco na discussão sobre o racismo no futebol brasileiro.
1942–1954: Expresso da Vitória
Em meados de 1942 o Vasco formou o elenco que ficaria conhecido como Expresso da Vitória, liderado pelo atacante Ademir de Menezes. Em 1944 conquistou o Torneio Relâmpago, superando os outros quatro grandes clubes da cidade. Na sequência, venceu o Torneio Municipal, repetindo o feito nos três anos seguintes e tornando-se o único tetracampeão da competição. No mesmo período, conquistou ainda outros dois Campeonatos Cariocas de forma invicta, em 1945 e 1947. O título estadual de 1947 garantiu ao clube um convite para disputar o Campeonato Sul-Americano de Campeões, considerado precursor da Copa Libertadores da América e que chegou a ser reconhecido pela CONMEBOL em momentos diferentes como de igual valor. Após a conquista do torneio, em Santiago, no Chile, em 18 de março de 1948, mais de 200 mil pessoas — cerca de 10% da população do Rio de Janeiro à época — tomaram as ruas da cidade para recepcionar a delegação vascaína, então denominada "Campeões dos Campeões do continente".
1955–1969: Geração supercampeã e crise política
Em 14 de junho de 1957, o cruzmaltino venceu o Real Madrid de Di Stéfano, Kopa, Paco Gento, e conquistou a primeira edição do Torneio de Paris, no Parc des Princes, com uma apresentação elogiada pela imprensa europeia. O jornal France Soir chegou a afirmar: "O Real Madrid não é o maior time do mundo. Sobre isso, falem com o Vasco da Gama". O confronto, considerado pela FIFA como "o mais notável encontro de clubes de dois continentes antes de 1960", inspirou a criação da Copa Intercontinental, sendo a primeira competição da história a reunir, nos mesmos moldes, os campeões continentais da Europa e América, apontadas como as melhores equipes do mundo à época. Ao derrotar a equipe madrilenha, o Vasco da Gama se tornou ainda o primeiro e único clube não europeu a superar um campeão vigente da Liga dos Campeões da UEFA até a disputa inaugural da Copa Intercontinental.
1970–1991: Era Dinamite e a SeleVasco
A década de 1970 foi marcada pelo surgimento de Roberto Dinamite como ídolo do clube e pela chegada do goleiro argentino Andrada. No círculo estadual, o Vasco da Gama conquistou o Campeonato Carioca em 1970 e 1977. Nesta última campanha, houve grande protagonismo do sistema defensivo, formado por Orlando Lelé, Abel Braga, Geraldo e Marco Antônio, o qual auxiliou o goleiro Mazarópi a chegar ao recorde mundial de maior tempo sem sofrer gols. Já em âmbito nacional, o clube foi campeão brasileiro pela primeira vez em 1974, tornando-se a primeira equipe do estado do Rio de Janeiro a vencer a competição, com Roberto Dinamite como o artilheiro do certame.
1992–2007: Centenário e conquista da Copa Libertadores
A década de 1990 ficou marcada no clube pela aposentadoria de Roberto Dinamite no ano de 1993, e pela revelação de novos expoentes como Edmundo, Felipe, Pedrinho, Carlos Germano, Pimentel, Dener, Valdir Bigode e Juninho Pernambucano. Além de conquistar um tricampeonato estadual (nos anos de 1992, 1993 e 1994), o clube venceu também o Torneio João Havelange em 1993 e o Campeonato Carioca de 1998. Ainda em 1997, sagrou-se campeão Brasileiro pela terceira vez, ocasião em que Edmundo quebrou recordes de gols na competição. Em 1998 o Vasco da Gama completou cem anos de fundação. O centenário foi o tema do carnaval da Unidos da Tijuca, que compôs um samba-enredo que passou a ser cantado também pela torcida cruzmaltina. Além de campeão carioca, o clube ainda conquistou a Copa Libertadores da América, em 26 de agosto, cinco dias após seu aniversário. Nesse período, jogadores de ampla projeção nacional integravam o elenco, como o lateral Jorginho, os zagueiros Mauro Galvão e Júnior Baiano, os meias Ramon Menezes, Vágner e Juninho Paulista, e os atacantes Evair, Donizete, Luizão, Euller e Viola. Muitas das contratações foram possíveis devido ao patrocínio do NationsBank (posteriormente Bank of America), assinado em meados de 1998. O contrato durou até 2000, tendo sido rompido devido ao não cumprimento por parte do banco norte-americano.
Sedes antigas
O Vasco da Gama foi fundado em um sobrado localizado na rua da Saúde, n.º 293 (n.º 345 da rua Sacadura Cabral contemporaneamente). Em 2020 o local foi reformado por torcedores e passou a abrigar o Espaço Candinho. A primeira sede, porém, situava-se em frente ao Largo da Imperatriz, atual praça dos Estivadores. Tratava-se de uma instalação provisória, alugada por Francisco do Couto Júnior, primeiro presidente cruzmaltino. Nesse imóvel, o clube organizou serviços administrativos, como secretaria e tesouraria, além de sua primeira escolinha de remo, aproveitando o acesso ao mar pelo cais do Largo. Em assembleia geral realizada em 7 de setembro de 1898, a diretoria vascaína escolheu o local da nova sede definitiva: a Praia Formosa, situada na Ilha das Moças. Ali foi construído um amplo barracão em formato de chalé. Para facilitar o acesso à ilha, sócios do Vasco construíram uma ponte de madeira que a ligava ao continente. A Ilha das Moças não existe mais, tendo sido aterrada com a conclusão da avenida Francisco Bicalho; em seu lugar, encontra-se a Rodoviária Novo Rio. Já a Praia Formosa localizava-se onde está a Estação Barão de Mauá.
Sedes sociais
Inaugurada em 18 de agosto de 1950, a Sede Náutica da Lagoa foi construída para abrigar os esportes náuticos, quando as regatas passaram da Baía de Guanabara para a Lagoa Rodrigo de Freitas. Tombada desde 2002, por decreto do então prefeito César Maia, o local também recebe cerimônias oficiais do clube e as reuniões do Conselho Deliberativo. Em suas paredes externas, há revestimentos e composições em azulejo idealizados pelo paisagista Burle Marx. Situada no centro do Rio de Janeiro, próxima ao Aeroporto Santos Dumont e ao Museu de Arte Moderna, está localizada a Sede do Calabouço. Construída nos anos 60, a sede é destinada ao lazer dos associados, contando com piscinas, saunas, quadras esportivas, salão de eventos e restaurante. Durante as Olimpíadas de 2016, foi usada pelo Comitê Olímpico da Dinamarca, servindo de setor administrativo para os atletas e membros da comissão técnica.
Estádio Vasco da Gama
Inaugurado em 21 de abril de 1927, o Estádio Vasco da Gama foi construído através de arrecadação popular entre os torcedores cruzmaltinos. Apesar de seu nome oficial, tornou-se popularmente conhecido como São Januário, em referência à rua homônima localizada ao lado do estádio. O apelido "Gigante da Colina" deriva da antiga Colina Histórica, que se iniciava em um plano inclinado a partir do terreno do estádio e se estendia em direção à comunidade hoje existente da Barreira do Vasco, formando um arco até o Morro do Pedregulho, onde passa a rua Ricardo Machado. À época de sua inauguração, São Januário foi considerado o maior estádio das Américas, condição mantida até a construção do Estádio Centenário, sede da final da primeira Copa do Mundo, e o maior do Brasil até a inauguração do Pacaembu, em São Paulo. Segundo registros frequentemente citados, o recorde de público do estádio ocorreu em 25 de maio de 1949, quando mais de sessenta mil pessoas assistiram à vitória do Vasco sobre o então campeão inglês Arsenal.
Complexo de São Januário
Situado em uma área de mais de 80 mil metros quadrados, o Complexo Esportivo de São Januário não compreende apenas o estádio de futebol, mas é composto também pelo Parque Aquático Vasco da Gama, os Ginásio Cyro Aranha e Ginásio Antônio Soares Calçada, o Complexo João da Silva e pelo Centro Avançado de Prevenção, Recuperação e Rendimento Esportivo (Caprres). Para além das instalações esportivas, também se destacam o Colégio Vasco da Gama, único fundado e mantido por um clube brasileiro, a Capela de Nossa Senhora das Vitórias, padroeira da instituição, o Espaço Experiência, situado no antigo Salão de Troféus, e o Centro de Memória, responsável pelo maior acervo esportivo digital no mundo.
Centros de treinamento
Localizado na região da Barra da Tijuca, está o principal centro de treinamento do Vasco da Gama. Inaugurado em 11 de setembro de 2020, sob financiamento coletivo dos torcedores, seu projeto final prevê a construção de seis campos e um mini estádio. O nome do local presta homenagem a Moacyr Barbosa, goleiro do Expresso da Vitória. Às margens da Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias, situa-se o CT do clube destinado às categorias de base e ao futebol feminino. O centro esportivo foi batizado em memória ao Almirante Heleno de Barros Nunes, vascaíno e ex-presidente da antiga CBD, que foi importante na aquisição do terreno, ocorrida em 1976. Ainda em desenvolvimento, o espaço de 130 mil metros quadrados contará com diversos campos de futebol, dois ginásios e um hotel-concentração.
SAF
A sociedade anônima do futebol do Vasco é responsável pela gestão do futebol profissional e das categorias de base do clube. Fundada em 2022, foi criada com base na lei da SAF, promulgada no ano anterior, que permitiu aos clubes brasileiros adotarem o modelo empresarial. A transição para o modelo de clube-empresa ocorreu em meio ao processo de reestruturação financeira da agremiação. Em agosto de 2022, os sócios aprovaram a venda de 70% das ações da SAF à 777 Partners por 700 milhões de reais, além da assunção de parte das dívidas do clube associativo. A parceria enfrentou sucessivas crises em razão do descumprimento de aportes financeiros e dos problemas jurídicos da 777 Partners. Em maio de 2024, por decisão da Justiça do Rio de Janeiro, o controle da SAF foi provisoriamente devolvido ao clube associativo após ação movida pela diretoria vascaína.
Ao mesmo tempo em que é reconhecido por sua diversidade e tolerância religiosa, homenageando figuras como o massagista Pai Santana e o zagueiro Jahu em sua história, o Vasco da Gama também é considerado o clube mais católico do Brasil. Essa reputação se deve às raízes históricas da instituição, fortemente ligadas à cultura portuguesa e ao catolicismo, que permeiam práticas como realização de missas campais no estádio de São Januário, a guarda de dias santos e a recepção da delegação vascaína pelo Papa Pio XII, em 1956 no Vaticano. A padroeira oficial do clube é Nossa Senhora das Vitórias. A sua devoção institucional remonta aos anos iniciais da fundação, e se intensificou em 1923, quando os Camisas Negras entraram em campo com medalhas da santa, na partida final do Campeonato Carioca, e se sagraram campeões pela primeira vez. Já no ano de 1961, foi inaugurada nas dependências do complexo de São Januário uma capela dedicada à padroeira, cuja festa é comemorada a 15 de agosto.
Cruz de Cristo
Desde a fundação do clube, houve a intenção de homenagear Vasco da Gama e as Grandes Navegações. Em razão disso, a instituição adotou, desde sua origem, o símbolo de uma caravela, em alusão às embarcações portuguesas, como forma de representar a união entre duas tradições que marcaram sua identidade: a do remo e a herança lusitana. A cruz estampada nos uniformes e no escudo do Vasco corresponde à Cruz Pátea, embora seja amplamente conhecida entre os torcedores e o público em geral como Cruz de Malta. Essa divergência decorre de um estrangeirismo difundido no Brasil, mas não em Portugal, segundo o qual, nas línguas inglesa e francesa, diferentes variantes de cruzes páteas passaram a ser designadas, de forma imprecisa, como Cruz de Malta (Maltese Cross e Croix de Malte).
Escudos
O escudo original do Vasco, adotado em 1899, consistia em uma caravela inserida em um brasão circular. A primeira modificação ocorreu em 1903, durante a gestão do presidente Alberto Carvalho, quando foram acrescentados um fundo negro e as iniciais do clube, CRVG, separadas por seis cruzes da Ordem de Cristo que circundavam o escudo. Na década de 1920 foi adotado o escudo em seu formato contemporâneo, posteriormente submetido a pequenas alterações ao longo do tempo. Nele estão inscritas as iniciais, além da representação de uma caravela, símbolo das navegações portuguesas. Em suas velas figura a cruz, principal símbolo do clube, de forte simbolismo religioso, em referência à Ordem Militar de Cristo, instituição de caráter simultaneamente religioso e militar. Esses elementos estão dispostos sobre um fundo negro, atravessado por uma faixa diagonal branca.
Uniformes
Os uniformes do Vasco da Gama são reconhecidos nacional e internacionalmente. O primeiro uniforme vascaíno era composto por uma camisa preta com faixa branca transversal e a Cruz de Cristo, em vermelho, ao centro. Em 1899, em decorrência da cisão social no clube, a orientação da faixa foi alterada, passando a partir do ombro direito, em sentido oposto ao adotado atualmente. Segundo a simbologia tradicional do clube, a faixa representa o caminho percorrido pelas caravelas portuguesas rumo à Índia, enquanto o fundo negro simboliza os mares "nunca dantes navegados", as tormentas e o abismo. A Cruz de Cristo, por sua vez, representa o povo português e sua fé.
Bandeiras
Assim como no uniforme, originalmente o Vasco adotou uma faixa branca horizontal sobre um fundo negro, com a cruz ao centro. Posteriormente, no contexto da primeira cisão social do clube, em 1899, ocorreu a mudança para a faixa transversal, que se consolidou e permanece estampada no pavilhão cruzmaltino. Ainda nas décadas iniciais, o clube ostentava uma bandeira náutica em sua antiga sede, na rua Santa Luzia. Símbolo da ligação com a Federação Brasileira das Sociedades de Remo, ela apresenta os elementos do código de regatas, desde a âncora e a boia salva-vidas até o croque e o remo. Com o passar do tempo, a maior dedicação do clube a outras modalidades e as mudanças de sede contribuíram para a descontinuação de seu uso. Após pesquisa iconográfica realizada em 2018, contudo, o desenho desse estandarte foi resgatado, reproduzido e instalado na atual Sede Náutica da Lagoa.
Hinos
O Vasco possui três hinos reconhecidos. O primeiro foi o "Hino Triunfal do Vasco da Gama", composto em 1918, com letra e música de Joaquim Barros Ferreira da Silva, em homenagem ao vigésimo aniversário de fundação do clube. Posteriormente, em 1930, foi gravado pelo Orfeão de Portugal na gravadora Brunswick. O segundo hino, intitulado "Meu Pavilhão", teve a música composta por Ernani Corrêa e a letra escrita por João de Freitas. A canção foi concebida em 1942 para participar de um concurso musical promovido pelo clube em conjunto com a torcida organizada Legião da Vitória. Embora não tenha vencido a competição, a obra de Freitas e Corrêa foi incluída em um dos lados do disco gravado após o concurso e tornou-se mais popular entre os torcedores vascaínos do que a composição vencedora. Em 1974 os atletas da equipe campeã brasileira gravaram uma versão do hino, cuja renda obtida com a venda dos discos foi destinada à premiação pelo título.
Mascotes
O primeiro mascote do Vasco da Gama foi o Almirante, criado pelo argentino Lorenzo Molas em homenagem ao navegador português. As primeiras charges retratavam o personagem como um português gordo, careca e de longos bigodes. Em 30 de junho de 1944 o Jornal dos Sports publicou a primeira charge em que o personagem aparecia como um almirante português na proa de uma caravela com a cruz de Cristo. A partir de então, o Almirante tornou-se presença constante nas charges de Molas. O Jornal dos Sports o descreveu como um “verdadeiro lobo do mar, em sua nau, sempre pronto a navegar e enfrentar todas as tormentas”. Com o tempo, o personagem ganhou diferentes versões, desde representações de traços infantis até uma expressão mais séria, conhecida como "Almirante Pistola". Na década de 1960 o cartunista Henfil criou o personagem Bacalhau, de feições semelhantes às do Almirante, em referência às ligações entre o clube e Portugal.
A torcida cruzmaltina é uma das maiores do Brasil. Segundo as pesquisas atuais, ela oscila entre a terceira e quinta maior do país, junto com São Paulo e Palmeiras. Alguns dos motivos atribuídos para essa fama são as causas sociais, com as quais a população se identificou, como ter sido um dos primeiros clubes a aceitar e defender atletas negros. O Gigante da Colina possui ainda diversas torcidas organizadas, com membros fora do país. Sua organizada com mais integrantes atualmente é a Força Jovem do Vasco. Além dela, destacam-se também a Ira Jovem, TOV, Torcida Rasta, Mancha Negra, Guerreiros do Almirante, entre outras.
Confrontos nacionais
O confronto contra o Flamengo, chamado de Clássico dos Milhões por conta da magnitude de ambas torcidas, é o maior clássico do Rio de Janeiro e considerado um dos principais duelos do mundo. A rivalidade advém desde os anos 1900, atraindo grande público nas competições de remo. Contudo, com a ascensão do Vasco à primeira divisão do futebol na década de 1920, o embate se intensificou e ganhou maior relevância nos gramados. Esse é confronto futebolístico que registra o maior número de públicos acima de 100 mil pessoas na história do futebol, além de possuir a maior média de público da história do Campeonato Brasileiro. O clássico centenário, presente entre os dezessete mais antigos do Brasil, teve sua primeira partida oficial realizada em 29 de abril de 1923, em vitória vascaína por 3 a 1 no Campo da Rua Paissandu. Já a maior goleada do confronto ocorreu em 1931, quando o Vasco da Gama venceu por 7 a 0 o Flamengo. O principal artilheiro do clássico é Roberto Dinamite com 27 gols, seguido por Romário e Zico, ambos com 19 gols marcados.
Confrontos internacionais
Em termos de rivais internacionais, o River Plate enfrentou o Vasco da Gama em suas três campanhas vitoriosas em competições continentais: o Campeonato Sul-Americano de Campeões, a Copa Libertadores de 1998 e a Copa Mercosul de 2000, sendo frequentemente citado como o principal adversário nessas conquistas. Na Supercopa Libertadores de 1997, que marcou o reconhecimento definitivo do torneio de 1948 pela CONMEBOL, Los Millonarios eliminaram a equipe cruzmaltina ainda na fase de grupos e sagraram-se campeões. Entretanto, no retrospecto geral do confronto, o Vasco possui mais vitórias que o River Plate. Contra o Real Madrid, o Vasco da Gama disputou partidas marcantes, como as finais da Copa Intercontinental de 1998 e do Torneio de Paris de 1957, seu antecessor, além do confronto pela Pequena Taça do Mundo de 1956. Entre outros encontros, em 1956 o clube foi convidado para a partida de despedida oficial do ídolo merengue Luis Molowny, realizada no Estádio Santiago Bernabéu. Na ocasião, László Kubala e Enrique Collar, ídolos de Barcelona e Atlético de Madrid, respectivamente, atuaram pelo Real Madrid. Em 1961 o clube espanhol visitou o Vasco no Maracanã, diante de um público superior a 140 mil pessoas, em sua primeira excursão ao Brasil.
Na sua principal modalidade, o Vasco da Gama revelou e abrigou alguns dos grandes nomes do esporte. O principal ídolo da história do clube é Roberto Dinamite, artilheiro cruzmaltino com 708 gols marcados, é também o maior goleador dos Campeonatos Brasileiros e Cariocas, e 22.º maior artilheiro do futebol mundial em jogos oficiais. Dentre os que mais se destacaram estão Ademir de Menezes, eleito o melhor futebolista do mundo em 1950 pelo Mundo Deportivo; Romário, formado no clube, também escolhido o jogador do ano em 1994 pela FIFA; os frequentemente citados como os maiores cobradores de falta da história, Juninho Pernambucano, Roberto Dinamite e Marcelinho Carioca; e o goleiro Mazarópi, que alcançou o recorde mundial sem sofrer gols com a camisa vascaína. Além deles, diversos estrangeiros marcaram passagem pelo cruzmaltino, com destaque para Adão Antônio Brandão, autor do primeiro gol do clube, os goleiros Edgardo Andrada e Martín Silva, e os atacantes Segundo Villadóniga e Pablo Vegetti.
Fundado em 26 de novembro de 1915, o departamento de futebol cruzmaltino era, nos primeiros anos, conduzido pelo chamado Ground Committeé, composto por comissões temporárias e geralmente improvisadas. Apenas no começo de 1922, houve a institucionalização do cargo de treinador de futebol no Vasco da Gama. O primeiro técnico oficial do clube foi o uruguaio Ramón Platero, comandante dos Camisas Negras, e que chegou a ter passagens pelas Seleções Brasileira e Uruguaia. Ao longo da história, mais de 100 treinadores diferentes dirigiram a equipe principal do Vasco da Gama. Entre os mais notáveis, estão os campeões da América Flávio Costa e Antônio Lopes, o uruguaio Ondino Vieira idealizador do Expresso da Vitória, Martim Francisco, Mário Travaglini, Nelsinho Rosa e ainda Joel Santana e Alcir Portella, campeões brasileiros tanto como atletas quanto na comissão técnica. O técnico que por mais tempo esteve à frente do futebol vascaíno foi o inglês Harry Welfare, permanecendo no cargo durante 4391 dias, o equivalente a mais de 12 anos, em três passagens entre 1926 e 1943. Por outro lado, o recorde de jogos dirigindo a equipe pertence a Antônio Lopes, somando 614 partidas ao longo de seis passagens entre 1981 e 2008.
O primeiro presidente do Vasco da Gama foi empresário português Francisco Gonçalves do Couto Junior. Ao longo da história do clube, seu compatriota Antônio Soares Calçada foi quem permaneceu por mais tempo no cargo. Considerado um dos dirigentes mais vitoriosos da história vascaína, exerceu a presidência por dezoito anos, distribuídos em seis mandatos consecutivos, entre 1983 e 2000. Na sequência, o segundo presidente mais longevo foi o advogado brasileiro Agathyrno da Silva Gomes, que dirigiu a entidade de 1969 a 1979. Entre os presidentes que exerceram papel de destaque na história cruzmaltina estão Cândido José de Araújo, o primeiro presidente negro de um clube esportivo brasileiro; José Augusto Prestes, responsável pela elaboração da Resposta Histórica; e Cyro Aranha, idealizador do Expresso da Vitória. Também se destacam Eurico Miranda, frequentemente associado a controvérsias durante sua atuação no clube; os irmãos Antônio e Raúl da Silva Campos, protagonistas da era dos Camisas Negras e da construção do estádio de São Januário; e os ex-jogadores Roberto Dinamite e Pedrinho.
Dispõe do estatuto que "o Vasco da Gama se orientará sempre no sentido de permanecer como instrumento de aproximação entre brasileiros e portugueses". Desde sua fundação, houve intensa ligação lusitana: com a maioria dos fundadores portugueses, o nome da agremiação homenageia um importante personagem e evento histórico de Portugal. Inicialmente, chegou-se a cogitar uma bandeira azul e branca, em alusão à bandeira portuguesa da época. No hino cruzmaltino é cantado que o futebol da equipe é "um traço de união Brasil-Portugal". Além disso, o clube celebra o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas e as reuniões do Conselho Deliberativo são iniciadas com A Portuguesa, e só então é executado o hino nacional brasileiro. Segundo o Correio da Manhã, "no estádio de São Januário respira-se Portugal em todos os cantos". Já para o jornalista esportivo Luiz Ceará, "o Vasco da Gama é Portugal dentro do Brasil".
O departamento de futebol feminino cruzmaltino teve início em 23 de agosto de 1923, quando um grupo de sócias e torcedoras fundou o Sport Club Feminino Vasco da Gama. Inspiradas pelo sucesso dos Camisas Negras, a pioneira equipe feminina disputou jogos e utilizou das dependências de São Januário até o ano de 1941, quando o houve a proibição da prática do futebol feminino no Brasil pelo governo de Getúlio Vargas. Na década de 1990, a modalidade atingiu seu auge, com a conquista do tetracampeonato brasileiro (em 1993, 1994, 1995 e 1998), e tendo revelado importantes jogadoras para a Seleção Brasileira, tais como: Pretinha e Marta – amplamente considerada a melhor de todos os tempos. Nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, a equipe vascaína chegou a contar com oito atletas convocadas, que terminaram na quarta colocação do torneio. O ano de 2009 foi marcado pela reativação da seção feminina de futebol e pelo início da parceria com a Marinha do Brasil, que rendeu uma série de títulos ao clube, incluindo três conquistas do Campeonato Mundial Militar (em 2009, 2010 e 2011), um título do Circuito Nacional de Futebol Social e o tricampeonato Carioca nos anos de 2010, 2012 e 2013. Além disso, ainda em 2012, o Vasco da Gama se tornou a primeira equipe brasileira a conquistar um campeonato mundial nas categorias de base, derrotando o Atlético de Madrid na Ibercup Sub-17.


