Pesquisa · Mapa mental

Ademir de Menezes

Ademir Marques de Menezes foi um futebolista brasileiro que atuou como atacante. Foi o primeiro jogador a marcar um gol na Copa do Mundo de 1950.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 07/07/2026
01

Carreira

Imagem: Mílton Jung · BY · Openverse

Em 1994, Ademir descobriu que tinha um câncer de medula e passou a travar uma luta contra a doença. Chegou a ser internado várias vezes. Em 11 de maio de 1996, Ademir morreu devido ao câncer de medula, após ter passado cinco dias internado no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro. Foi enterrado no Cemitério São João Baptista, na Zona Sul do Rio.

Início no Sport

Filho do casal pernambucano Antônio Rodrigues Menezes e Otília Marques Menezes, Ademir iniciou sua carreira de futebolista nas peladas na Praia do Pina, localizada na zona sul da capital pernambucana, onde nasceu. Em 1938 jogou no infanto-juvenil do Sport. Com seu talento no futebol, conquistou os títulos pernambucanos de 1938 e 1939 da categoria. Não demorou muito e o garoto foi promovido à equipe principal. Estreou no elenco profissional em 1939, aos 16 anos de idade, em um jogo contra o extinto Tramways pelo Campeonato Pernambucano. Aos poucos começou a ganhar espaço na equipe principal. Disputou vários amistosos como titular do time. Em 1940, apesar de ter participado de diversas partidas, na grande maioria delas entrou como suplente. Em 1941 decidiu mostrar todo seu talento para o futebol. O Sport foi campeão estadual invicto com 11 vitórias e um empate em 12 jogos, e Ademir tornou-se o artilheiro do time e da competição com 11 gols, um feito notável para um jovem de apenas 18 anos. Mesmo com pouca idade, conquistou a titularidade absoluta e o status de craque do time. Levantou a taça do Pernambucano. Foi neste campeonato que Ademir fez seu único hat-trick com a camisa rubro-negra. A vítima foi o Náutico, numa goleada por 8–1. No ano seguinte, o Sport partiu para sua excursão no Sul e Sudeste do Brasil, jogando no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e vencendo times de grande importância do futebol nacional. Esta excursão ficou marcada na história do clube pernambucano pelos excepcionais resultados obtidos pelo "Leão da Ilha", inclusive contra o Vasco da Gama. Ademir marcou três gols e deu uma assistência. A partida terminou Sport 5–3 Vasco da Gama, chamando a atenção dos dirigentes vascaínos para o “garoto de queixo avantajado”. Após grande exibição contra o Gigante da Colina, os dirigentes contrataram a jovem revelação pernambucana. Após contratação do Cruzmaltino, Ademir jogou dois jogos de despedida pelo Sport e partiu para o Rio de Janeiro, onde participou de um dos maiores times da história do Vasco: conhecido como o "Expresso da Vitória". Alcunha teria surgido num programa de rádio, quando um cantor disse que dedicaria a música ao Vasco, o chamando de "Expresso da Vitória", pela maneira que ganhava atropelando seus adversários.

Vasco da Gama

Em 1942 chega ao Vasco e em suas primeiras partidas pelo Gigante da Colina, mostrou que realmente era um jogador a frente do seu tempo. Não só finalizava bem dentro e fora da área com as duas pernas como também criava jogadas para os companheiros e chamava a marcação para si. Ademir guardava em sua memória os gestos, caretas e movimentos dos zagueiros que enfrentava. Razão: através dessas observações ele sabia quais eram seus pontos fracos e triunfava sobre eles, como ele mesmo falou: — Ademir de Menezes, em entrevista publicada no especial “As Maiores Torcidas do Brasil – Vasco”, da revista Placar, em 1989 A estreia do Queixada foi contra o América-RJ no campo do Botafogo, em março de 1942. Estava em disputa o Troféu da Paz e o Vasco o conquistou ao vencer por 2–1, gols de Viladônica (2) e Nelsinho para os rubros. A partir de então, os confrontos envolvendo Vasco e América ficaram sendo conhecidos como Clássico da Paz.

Ida para o Fluminense

Encantado com o futebol apresentado por Ademir no estadual 1945, o técnico do Fluminense na época, Gentil Cardoso - pensando na temporada seguinte -, desafiou os dirigentes do Tricolor das Laranjeiras ao dizer: “Deem-me Ademir que eu lhes darei o campeonato”. Embora esta frase não tenha sido dita desta maneira, o que Gentil queria mesmo era contar com o “Queixada” no seu time. No dia 29 de março, o Globo Esportivo divulgava os valores incríveis da negociação. Foram 35 mil cruzeiros pelo passe, 80 mil de luvas e mais 85 mil arrecadados por sócios mais endinheirados do Fluzão. O valor total era de 200 mil, o preço de um apartamento de três quartos na Zona Sul carioca na época.

Retorno ao Vasco da Gama

De volta ao "Expresso da Vitória", viu um time embalado, entrosado, encaixado e jogando com maestria. A equipe tinha um padrão de jogo fantástico e simplesmente atropelava seus adversários com uma qualidade impressionante para a época. O troféu de boas-vindas do craque foi o melhor e um dos mais importantes do clube: o Campeonato Sul-Americano de Campeões de clubes, num empate em 0–0 com o River Plate de Alfredo Di Stéfano. Título equivalente ao da Copa Libertadores da América atual. Ademir deixou sua marca na goleada sobre o Nacional-URU, mas acabou machucando o tornozelo e ficou de fora das partidas seguintes que consolidaram a histórica conquista internacional do clube carioca.

Final de carreira no Sport

Em 1957, Ademir retornou ao Sport, clube que o revelou, para encerrar sua carreira. Despediu-se do futebol vestindo a camisa do clube pelo qual admitia torcer desde criança. Seu último jogo foi um amistoso entre Sport e Bahia, na Ilha do Retiro, no dia 10 de março daquele ano. Ademir explicou o encerramento de sua carreira dizendo uma simples frase: Segundo ele, quando um jogador encerra sua carreira, ele está contrariando a ele mesmo, por isso é tão difícil parar. Com as duas passagens pela Ilha do Retiro, Ademir marcou 27 gols pelo Leão. No total, somando clubes e Seleção, foram 430 gols em toda a carreira.

Em São Januário novamente, agora como técnico

Após se aposentar, Ademir de Menezes, que tantas alegrias havia dado à imensa torcida vascaína como jogador, assumiu o cargo de treinador do Vasco da Gama no ano de 1967, estreitando ainda mais seus laços com o clube da Colina. A carreira de Ademir como técnico, porém, não chegou nem perto de ser bem sucedida como sua carreira de jogador, e o ex-atacante ficou menos de um ano no comando do Vasco. Após a experiência, Ademir tornou-se comentarista.

02

Seleção Nacional

Imagem: Emerson Júnior Gonçalves da Silva Figueiredo · BY · Openverse

Pela Seleção Brasileira, foi campeão campeão sul-americano em 1949 e artilheiro da Copa do Mundo de 1950, com nove gols. Faz parte de um grupo seleto, junto com Gabriel Batistuta, José Manuel Moreno, Jair e Héctor Scarone, sendo o terceiro maior artilheiro da Copa América, com 13 gols marcados. Vestindo a camisa do Brasil, participou de várias competições, disputando a Copa América, Copa Rocca, Copa do Mundo FIFA, Copa Rio Branco, Copa Oswaldo Cruz e Torneio Pan-Americano. Os números foram: 41 jogos, 30 vitórias, cinco empates e seis derrotas, um rendimento de 77,20%. Estreia: 21 de janeiro de 1945 (Brasil 3–0 Colômbia – Copa América, Santiago do Chile) Despedida: 15 de março de 1953 (Brasil 1–0 Uruguai – Copa América, Lima). Existe uma grande controvérsia quanto aos gols que Ademir marcou pela Seleção Brasileira. Algumas fontes citam 32, outras 33 e algumas 37 gols em 41 ou 39 jogos pelo Brasil. Porém, no site oficial da entidade máxima do futebol, a FIFA diz que Ademir tem 31 gols e 39 partidas pelo Brasil.

A revanche de 1950

O Peñarol era a base da Seleção Uruguaia de 1950 (nove jogadores), e em 1951 o Vasco teve o gosto da vingança, principalmente para Maneca, que ficou de fora da decisão por contusão. Para os vascaínos, era uma questão de honra. Maneca foi o destaque do jogo de 8 de abril de 1951, que entrou para a história como o "Jogo da Vingança", diante de 65 mil pessoas no Estádio Centenario, no Uruguai. Sua atuação foi considerada tão fantástica que a torcida do Peñarol aceitou a derrota por 3–0, e os jornais brasileiros e uruguaios só falavam em seu nome no dia seguinte. Ademir marcou o segundo e Ipojucan o terceiro aos 38' do segundo tempo. Duas semanas depois, no Rio, no dia 22 de abril, o Peñarol perdeu a revanche, o Vasco venceu novamente, desta vez por 2–0.

03

Estilo de jogo

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

Seu estilo de jogo deu origem à posição de “ponta de lança”; sua versatilidade em atuar em qualquer posição do ataque e sua habilidade nas arrancadas a caminho do gol obrigou a adoção de novos sistemas de jogo pelos técnicos para tentar contê-lo. Não tomava grande distância da bola para chutar, sem mudar o passo, partia para bola surpreendendo muitas vezes o goleiro. No time que jogava, longos lançamentos eram feitos para aproveitar sua velocidade. No Vasco teve lançadores como Ipojucan e Danilo (“o Príncipe”).

04

Curiosidades

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

Uma final entre Vasco e Flamengo correspondeu a uma final de Copa do Mundo FIFA: “A tensão nervosa é a mesma. Eu posso falar, pois já participei das duas. Ninguém consegue dormir direito, pois todos estão pensando no jogo do dia seguinte. Os jogadores só conseguem controlar seus nervos após o início da partida. Aí sim, ele esquece de tudo e só pensa em vencer. Com a bola rolando acaba a tensão e o jogador só escuta os gritos das torcidas, que fazem uma partida extra nas arquibancadas.” Em 1949, jogando o Sul-Americano pela Seleção Brasileira, Ademir marcou quatro gols no goleiro paraguaio Garcia. Algum tempo depois, quando Garcia se transferiu para o Flamengo, Ademir sempre conseguia marcar no mínimo um gol. “Não que o Garcia não fosse bom goleiro, até pelo contrario. Ele era um ótimo goleiro, apenas eu dava sorte quando jogava contra ele”. Por isso Ademir chegou a ser chamado de "Carrasco do Flamengo".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando