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Igreja e Torre dos Clérigos

A Igreja e Torre dos Clérigos é um notável conjunto arquitetónico situado na cidade do Porto, Portugal, sendo considerado o cartão-postal dessa cidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Historial

A história do conjunto arquitetónico dos Clérigos prende-se com a Irmandade dos Clérigos, uma associação de fiéis que foi fundada no início do século XVIII com o objetivo de prestar assistência ao clero. A criação efetiva desta irmandade teve lugar entre abril e junho de 1707 e resultou da fusão de três confrarias portuenses de clérigos seculares que tinham como missão comum ajudar os clérigos na pobreza, na doença e na morte: a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia dos Clérigos Pobres, a Congregação de São Filipe Néri e a Irmandade de São Pedro «ad Vincula» (São Pedro acorrentado). A Irmandade dos Clérigos teria como padroeiros Nossa Senhora da Assunção (padroeira principal), São Pedro e São Filipe Néri, o que se reflete na configuração do brasão da Irmandade, que conjuga o monograma de Maria (AM), as chaves e a tiara papal de São Pedro e a açucena de S. Filipe Néri. Num tempo em que em Portugal o clero era muito numeroso, muitos dos seus membros enfrentavam grandes dificuldades ao longo da vida, pelo que a concentração de toda a assistência numa única instituição representou um assinalável volume de serviços e uma dinâmica que rapidamente tornou clara a insuficiência das instalações iniciais, localizadas em casa emprestada: a Igreja da Misericórdia. Na década de 1720 começou a ser equacionada a construção de instalações próprias, o que viria a concretizar-se na década seguinte na sequência da doação de um terreno no então designado lugar da Cruz da Cassoa, uma zona com conotações negativas devido à proximidade do Adro dos Enforcados, local de execução de sentenças de morte e sepultamento dos condenados.

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Igreja dos Clérigos

As obras de construção da igreja foram demoradas. Tiveram início em 1732, prolongando-se até 1749, com uma interrupção entre 1734 e 1745 e mudanças de rumo quanto a alguns aspetos estruturais e da configuração final do edifício, ficando a fachada terminada em 1750. A primeira missa foi celebrada em 1748, com o templo ainda por terminar, mas a sagração só teria lugar muitos anos depois de terminado o conjunto, em 1779. A igreja foi construída essencialmente em granito e apresenta uma nave única, coberta por cúpula, com o brasão da Irmandade dos Clérigos ao centro. A planta é elíptica e nas duas paredes laterais abrem-se dois púlpitos de pregação e quatro altares — altar do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora das Dores (ou do Senhor morto), de Santo André Avelino e de São Bento. A opção pelo abandono de duas torres laterais, inicialmente previstas no alinhamento dos púlpitos, obrigou a um reforço estrutural, determinando a construção de paredes exteriores duplas, mais estáveis, com corredores de passagem em serventia rodeando a nave, que permitem aceder a zonas mais elevadas como o coro-alto e disfrutar da visão interior da nave e da capela-mor a partir de pontos de vista inesperados. A capela-mor, oblonga, foi alvo de diversas modificações importantes a partir de 1750 — aquando da construção do corpo central, entre a igreja e a torre —, e acolhe um altar-mor em mármore de várias cores, de inspiração rococó e com risco de Manuel dos Santos Porto (executado entre 1767 e 1780 pelo canteiro Joaquim da Silva Mafra), onde se destaca, ao centro em posição elevada, a imagem de Nossa Senhora da Assunção e, nos flancos, as imagens em madeira policromada de São Pedro ad Vincula e S. Filipe Néri. De um lado e de outro da capela-mor localizam-se, em posição simétrica, cadeirais em madeira de Jacaranda ricamente trabalhada (1774-1777) e, acima deles, dois órgãos ibéricos de talha barroca (1774-1779) que permanecem funcionais no presente.

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Casa da Irmandade

Concluída a igreja, a irmandade começou a pensar na necessidade de se construírem instalações adicionais capazes de viabilizar a ampliação da capela-mor e de acolher um conjunto de serviços imprescindíveis. Em 1750 a Irmandade adquire o terreno denominado Adro dos Enforcados e, três anos mais tarde, com a doação do restante terreno necessário, têm início as obras de construção da Casa da Irmandade, que se prolongam até 1758. Este edifício apresenta uma sobriedade em tudo distinta da sobrecarga decorativa da igreja. Nasoni opta por um esquema arquitetónico mais tradicional, com uma planta de paredes retas dispostas ortogonalmente, exceto na zona de afunilamento que faz a transição para a torre. Genericamente, foram quatro as valências consideradas para o novo edifício: residência do reitor, salão nobre e arquivo, enfermaria e residência para padres necessitados. Esta foi, por assim dizer, a primeira casa sacerdotal do país.

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Torre dos Clérigos

No ano de 1753, a pedido da Irmandade dos Clérigos, Nicolau Nasoni apresentou o projeto para uma torre sineira para o conjunto dos Clérigos, que haveria de substituir as duas torres inicialmente previstas para as fachadas laterais da igreja. No ano seguinte iniciavam-se as obras daquela que viria a ser "a mais bela e altaneira Torre, dominando toda a paisagem urbana do Porto". Em 1763, depois de colocadas a cruz de ferro no topo e a imagem de São Paulo no nicho sobre a porta, as obras desta obra maior do arquiteto italiano e verdadeiro ex-libris da cidade do Porto foram dadas por concluídas. Construída em granito, as características estilísticas Torre dos Clérigos são consideradas exemplares da espetacularidade do barroco. Segundo Vítor Serrão, esta obra assemelha-se no perfil e na linguagem barroco-romana à Torre Nueva da Sé de Saragoça do italiano Giovan Battista Contini, que Nasoni pode não ter conhecido, mas que revela o domínio das mesmas fontes do classicismo romano do século XVII. A Torre dos Clérigos ergue-se a uma altura de 75 metros e é escalonada em seis andares de escala diversa, terminando num belo e audacioso coroamento. Na fachada frontal abre-se a porta de entrada, encimada por um nicho com a imagem de São Paulo [nota 2] . Possui dois campanários e um carrilhão com 49 sinos, um dos maiores do país (adquirido em 1995). A comunicação vertical realiza-se através de uma escada interior com um total de 225 degraus, que dá acesso a dois varandins, em níveis diferenciados, de onde se disfruta uma ampla vista panorâmica sobre a cidade do Porto e arredores. "Numa perspetiva a 360°, o visitante frui de um momento único, quer de dia ou de noite, quando em épocas especiais, a torre abre as suas portas até às 23h00. A Torre dos Clérigos é incontestavelmente o ex-líbris da cidade, e um excelente miradouro sobre esta".

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Impacto

O conjunto dos Clérigos é consensualmente considerado uma obra de referência, não apenas no que respeita ao período barroco em território português, mas no próprio âmbito do rico e diversificado património arquitetónico da cidade do Porto. Ouçamos as palavras do historiador Paulo Pereira: O conjunto foi alvo de um importante programa de restauro já no século XXI, tendo sido reinaugurado a 12 de dezembro de 2014, com missa solene e a presença do primeiro ministro de Portugal. O Restauro e Recuperação da Igreja e Torre dos Clérigos, da autoria do Arq.º João Carlos dos Santos, recebeu desde então diversos prémios: menção honrosa no prémio IHRU 2015; Prémio Vasco Vilalva para a recuperação e valorização do património 2015; Prémio da União Europeia para o Património Cultural / Prémios Europa Nostra 2017. Em dezembro de 2015 a Irmandade ofereceu a chave dos Clérigos ao presidente da Câmara do Porto, num gesto simbólico de abertura à comunidade.

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