Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra
O CITAC - Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra é um organismo autónomo da Associação Académica da Universidade de Coimbra vocacionado para o teatro experimental.
A pré-formação do grupo começa em 1954 no Liceu João III, em Coimbra, sob o nome de CAIT. Inicialmente, os membros se juntavam para escutar música na casa dos seus professores (algo incomum para a época), e logo passaram a trocar ideias também sobre teatro. Decididos a solidificar as actividades do grupo na área, entraram em contacto com Miguel Torga e Andrée Crabbé Rocha, que propôs o ensaio do texto "O Dia Seguinte", de Luís Francisco Rebelo. A peça foi vetada pelos Serviços de Censura, o que de certa forma motivou a forte acção política do CITAC. Em 1956, convocam uma Assembleia Magna para conseguir o estatuto de organismo autónomo da Associação Académica. Após a aprovação, o nome do grupo passa a ser Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra. Inicialmente, o modelo teatral era voltado ao público geral, recorrendo a clássicos e a textos modernos simultaneamente. A vertente experimental surgiu depois, especialmente com a chegada do argentino Víctor García.
Anos 60
A contratação de encenadores que apostavam em ensaios mais profissionais, bem como o investimento em cenógrafos e em produção musical, acabaram por melhorar a qualidade das produções do CITAC. Para o espectáculo "Bodas de Sangue", o encenador Carlos Avilez convida Carlos Paredes e Fernando Alvim para produzir a música. Paredes tocava ao vivo para o espectáculo. Em 1962, a Real República Prá-Kys-Tão recebeu o 1º Encontro Nacional de Estudantes, que também seria proibido posteriormente. O evento mobilizou estudantes de todo o país que viajaram para discutir ideias durante quase uma semana. Muitos citaquianos participaram activamente no programa, trocando ideias com outros estudantes e contagiando-se pelas tendências progressistas que surgiam na juventude portuguesa. Pouco depois, Hélder Costa, citaquiano desde 1959 que havia participado do Encontro, foi mobilizado para ir à Companhia Disciplinar de Penamacor. O espaço, que originalmente serviria para detenção de criminosos, recebia presos políticos - muitos deles estudantes.
Através de Alain Oulman, compositor de um dos grandes sucessos da fadista Amália, os citaquianos conseguem entrar em contacto com o encenador argentino Victor García, que estava chegando em Coimbra vindo de Paris, e o contratam. García é apontado por muitos antigos membros como o introdutor do experimentalismo no grupo, já que trazia didáticas completamente diferentes das tendências no país (propunha viagens a áreas menos populosas do país para observar as rotinas e colectar objetos, por exemplo). Como primeiro resultado, produziram "O Grande Teatro do Mundo", espectáculo que chama a atenção da 5ª Bienal de Paris e de periódicos franceses como o Le Monde e o Le Nouvel Observateur. O então diretor dos teatros nacionais de França, Jean-Louis Barrault, convida-os para realizar uma turnê no território em nome do Governo Francês, mas o Estado Português não autoriza a permanência do grupo no país.
Ao longo da história, passaram pelo CITAC várias gerações de membros. Alguns posteriormente seguiram carreira no mundo artístico, enquanto outros passaram a trabalhar em outras esferas. Há citaquianos reconhecidos na poesia, como os fundadores Yvette Centeno e Manuel Alegre; nas artes cénicas (Sinde Filipe, Carla Bolito, Hélder Costa, Ricardo Pais, Leandro Vale); na política (Catarina Martins, António Barreto, Rui Vilar); no cinema (João Botelho); na investigação (Joaquim Pais de Brito) e na música (Adriano Correia de Oliveira).
Passaram pelo CITAC encenadores como Miguel Torga, Paulo Quintela, Luís de Lima, Victor García, Ricard Salvat, Carlos Avilez, António Pedro, Fernando Gusmão e Jacinto Ramos.


