The Circus Starring Britney Spears
The Circus Starring Britney Spears foi a sétima turnê da artista musical estadunidense Britney Spears, em suporte de seu sexto álbum de estúdio Circus (2008). Após o lançamento do quinto disco de Spears Blackout em outubro de 2007, circularam rumores de que Spears estaria planejando uma turnê mundial; contudo, foi cancelada por razões desconhecidas. A digressão foi oficialmente anunciada em dezembro de 2008, com datas das etapas norte-americanas e britânicas sendo reveladas. O palco era composto de três anéis e definido como in-the-round para se assemelhar a um circo real. Os designers de moda Dean e Dan Caten criaram os figurinos da excursão. Uma tela cilíndrica gigante foi feita acima do palco como um dos planos de fundo, onde eram transmitidos interlúdios. Os efeitos especiais foram fornecidos por Solotech. O mágico Ed Alonzo fez parte da turnê durante o seu segundo segmento. O repertório foi composto geralmente por faixas dos álbuns In the Zone, Blackout e Circus. Spears anunciou que ela faria uma turnê pela Austrália pela primeira vez em Junho de 2009.
Em 9 de setembro de 2007, Spears abriu os MTV Video Music Awards de 2007 com uma apresentação de "Gimme More", primeira faixa de trabalho de seu quinto álbum de estúdio Blackout (2007). Sua última interpretação ao vivo ocorreu em maio do mesmo ano durante a turnê residencial The M+M's Tour. Os vocais, os passos de dança e o figurino de Spears foram comentados negativamente, com muitos considerando que foram prejudiciais à sua carreira. Nas semanas iniciais do mês seguinte, foi relatado por periódicos como a Rolling Stone e o The Hollywood Reporter que Spears estaria planejando uma turnê mundial em razão de divulgação do disco, cuja notícia foi negada pela então gravadora de Spears, Jive Records. Em fevereiro do ano seguinte, foi noticiado que Spears já ensaiado em particular por um mês no Millenium Dance Complex — situado em Los Angeles, Califórnia — e que estaria deixando a Europa nas semanas seguintes para uma digressão mundial. Entretanto, tal excursão foi cancelada, cujos motivos não foram revelados. Após a rádio nova-iorquina Z100 estrear seu single "Womanizer" em 26 de setembro de 2008, Spears apareceu inesperadamente no programa radiofônico que estreou a faixa, e anunciou que iria embarcar em uma turnê mundial no ano de 2009, em suporte de seu sexto álbum de estúdio, Circus (2008). Os concertos foram promovidos pela AEG Live. O coreógrafo australiano Wade Robson (que havia trabalhado com Spears em outras turnês) disse que a turnê visitaria os Estados Unidos, o Reino Unido, e possivelmente, a Austrália.
Em outubro de 2008, Spears contratou Wade Robson — que já havia trabalhado como coreógrafo do vídeo musical de "I'm a Slave 4 U" e diretor da excursão Dream Within a Dream Tour — para dirigir a turnê; ele anunciou que os ensaios teriam início em janeiro. Sua esposa, Amanda Robson, foi contratada como co-diretora criativa. Andre Fuentes foi escolhido como o coreógrafo principal. No entanto, em 23 de dezembro de 2008, Robson e Fuentes foram substituídos por motivos desconhecidos por Jamie King, que já colaborou com Spears na Oops!... I Did It Again World Tour, sua primeira digressão mundial. Ele concebeu o elenco dos bailarinos e dos acrobatas, e trabalhou com Spears na seleção do repertório e nas coreografias. King descreveu o show como "sensual, divertido, explosivo e cheio de surpresas. Evitando tais elementos circenses tradicionais, como animais vivos, nós criamos algo inovador e emocionante usando contorcionistas, dançarinos, iluminação, fogo e outros efeitos especiais". Simon Ellis foi contratado como o diretor musical. O design de produção foi feito pela equipe Road Rage, formada por Nick Whitehouse, Bryan Leitch, William Baker e Steve Dixon. O design de iluminação foi feito pela Light Visual, formada por Whitehouse e Leitch. O palco foi desenhado por Road Rage e definido como in-the-round, com um grande círculo pintado no centro para parecer um alvo. Também havia dois satélites nas laterais, unificados por pequenas passarelas para se assemelhar a um verdadeiro circo. O palco foi construído pela Tait Towers e incluiu nove elevadores, que custaram um total de US$ 10.000.000. 3.000 bolas rolantes estiveram no palco, embaladas em 32 semis; foi necessária uma equipe de 150 pessoas para configurá-las. Uma tela semitransparente de cilindro Element Labs Stealth estava acima do palco, comprimindo 960 painéis que a Solotech construiu em molduras personalizadas. Os cenários foram desenhados por Dirk Decooedt. Três interlúdios foram filmados exclusivamente para a turnê: um vídeo de abertura com Perez Hilton, um vídeo de Spears regravando a versão de Marilyn Manson da canção "Sweet Dreams (Are Made of This)" e uma montagem final. Os três vídeos foram criados por Veneno. Os objetos contidos no palco, incluindo balanços, sofás, monociclos, postes de strip-tease, uma gaiola dourada e molduras gigantes, foram desenhados pela ShowFX Inc., que também forneceu sofás VIP customizados e forrados que limitaram o perímetro do palco. A VYV providenciou o controle de vídeo, que incluiu dois Photon, servidores de mídia de shows, além de dois controladores de fóton. Os servidores levaram timecodes para os espetáculos e envolveram as imagens ao redor da tela de discrição. Emric Epstein, membro da equipe, explicou que "os servidores e os softwares nos permite controlar um grande número de camadas de vídeo no telão de LED de 360º, composto das camadas em tempo real, e que transformam o resultado final, de modo que tudo pareça perfeito depois de passar os controladores de LED. Há também uma pré-visualização 3D surpreendente do palco e telões de vídeo do software para que você possa controlar ou reprogramar o show sem estar dentro da arena".
Os espetáculos foram divididos em quatro segmentos, todos com temas diferentes: The Circus, House of Fun (Anything Goes), Freakshow-Peepshow, Electro Circ e terminou com o bis. O show se iniciou com "Welcome to the Circus", um interlúdio em que Perez Hilton apareceu fantasiado como a rainha Elizabeth I. No meio do vídeo, a tela cilíndrica começou a subir, enquanto Spears apareceu no vídeo e atirou em Hilton com uma besta, fazendo-o cair de costas no chão. Ao passo em que o vídeo terminou, Spears desceu do teto em uma plataforma suspensa, usando um cocar, uma jaqueta de mestre de cerimônias e shorts pretos, além de botas de salto alto e carregando um chicote. Ela iniciou o concerto com uma performance de "Circus", que contou com acrobatas que tomaram o palco e giravam em anéis gigantes no ar. A apresentação terminou com Spears tirando sua jaqueta para revelar um espartilho cristalizado com diamantes Swaroski e, depois, correu para o centro do palco principal, onde ela estava cercada por jatos de fumaça. Ela entrou em uma gaiola dourada, onde apresentou "Piece of Me". Dentro da jaula, ela dançava e tentava escapar de seus dançarinos. Seguiu-se um breve interlúdio, com uma apresentação de acrobatas girando a partir de tecidos suspensos, simulando uma tempestade. Após o interlúdio, Spears entrou no palco em "Radar", que contou com danças em postes de strip-tease em cada um dos anéis do palco. O primeiro intermezzo apresentou seus dançarinos fazendo danças inspiradas por artes marciais no remix de LAZRtag feito para "Gimme More". No segundo bloco, o mágico Ed Alonzo subiu ao palco e Spears interpretou sua assistente em "Ooh Ooh Baby", entrando em uma caixa com seu corpo sendo serrado pela metade. Depois que ela saiu da caixa, uma outra caixa entrou no meio do palco. A performance terminou com Alonzo soltando as cortinas, mostrando que Spears tinha fugido dele, enquanto a parte superior da caixa explodiu em uma chuva de faíscas. Ao mesmo tempo, Spears reapareceu com quatro dançarinas em um dos satélites na performance de "Hot as Ice". A música seguinte foi a versão Co-Ed remix de "Boys", que Spears realizou vestida em um traje militar, enquanto estava cercado por seus dançarinos, em que alguns deles andavam de bicicleta. No final da canção, ela realizou um exercício militar com seus dançarinos antes de seguir-se "If U Seek Amy", que apresentou Spears empurrando seus dançarinos com uma rosa gigante, de um modo semelhante à Whac-A-Mole. Depois de um breve intervalo, Spears retornou para continuar o ato com um remix de "Me Against the Music" inspirado por Bollywood. Ela falou brevemente com os espectadores antes de sentar-se na haste de um guarda-chuva gigante, sendo levantada no ar para executar "Everytime".
Stacey Plaisance, da Associated Press, comentou que a turnê foi "mais um grande passo na direção certa" e que Spears fez uma "uma força coreografada, se [as performances] foram superficiais". Ann Powers, periodista do Los Angeles Times, afirmou que "apesar dos tropeços na primeira noite e [os] vários números em que sua dança não era mais do que adequada, Spears pode chamar de forma segura que esta performance um sucesso". Jon Caramanica, do The New York Times, disse que "[o show] foi menos um show do que uma revista de estilo de complexidade intimidadora de Las Vegas. Durante todo [o concerto], embora ela fale pouco, a Sra. Spears apareceu radiante e sem restrições, muitas vezes sorrindo e nunca descompromissada". Dixie Reid, do The Sacramento Bee, comentou que o show foi "uma grande produção hipnotizante com vídeos de entretenimento [incluindo o infame beijo entre Spears e Madonna], confetes, estrelinhas e até mesmo um andador-pernilongo. Quem poderia pedir mais? Todos pareciam ter [passado] um bom tempo no circo". Neil McCormick, do jornal The Daily Telegraph, disse que Spears é "a rainha da linha de produção pop e recupera a coroa de diamantes com o espetáculo pop perfeitamente plástico mais organizado de todos os tempos alguma vez".
Antes que o primeiro dos shows australiano tivesse início, Virginia Judge, ministra da Fair Trading, disse que estava ciente de que Spears iria utilizar playback durante os concertos e que estaria pensando em incluir isenções em materiais promocionais e ingressos, indicando que partes do espetáculo seria pré-gravado. Estas medidas significariam uma mudança na legislação do país semelhante ao desastre da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2008. Judge explicou ainda a sua posição, dizendo: "Vamos ser claros — ao vivo significa ao vivo. Se você está gastando até US$ 200, eu acho que você merece coisa melhor do que um clipe de filmes". Steve Dixon, diretor da turnê, defendeu Spears, dizendo: "Este é um espetáculo pop, este é um show muito bom. Você vem pela experiência. Há muito para se ver neste concerto, não há nada como isso no mundo. Britney Spears vai entreter você, é por isso que as pessoas vêm. Nós absolutamente vamos dar-lhes um show". Depois de abrir a noite em Perth , o escritor anunciante Rebekah Devlin relatou que um número de fãs haviam saído do espetáculo. Eles ficaram aparentemente desapontados e indignados em relação a sincronização labial de Spears e seus passos de dança moderados. Promotor da etapa australiana da digressão, Paul Dainty falou sobre a situação, dizendo:
Durante a turnê, surgiram especulações de que os concertos feitos em Las Vegas nos dias 26 e 27 de setembro de 2009 seriam gravados e registrados no formato normal e também em 3D. Também surgiu uma filmagem profissional na Internet, originária do espetáculo feito em Copenhague. Em 12 de novembro de 2009, Adam Leber, empresário de Spears, divulgou através de seu Twitter que "(...) não há planos para um DVD da turnê Circus no momento". Em 26 de junho de 2012, surgiram rumores no página de Perez Hilton de que havia um DVD a ser lançado após uma suposta prévia de um concerto ter sido publicada na Internet. Entretanto, nenhum DVD oficial ou gravação promocional da turnê foi confirmado por Spears ou sua equipe.
O repertório abaixo é constituído pelo repertório no primeiro show da turnê em Nova Orleans, não sendo representativo de todos os shows. Segmento 2: House of Fun (Anything Goes)
Uma semana depois da turnê ser anunciada, 400 mil ingressos foram comprados para os shows norte-americanos, o que levou a adição de mais sete datas em Los Angeles, Toronto, Nova Jersey, Chicago, Long Island, Anaheim e Montreal. Devido a grande procura de ingressos dos espetáculos na Inglaterra, mais seis concertos foram adicionados a uma agenda com apenas dois shows no país, vendendo mais de 100.000 ingressos em uma semana. A performance de Spears no American Airlines Arena quebrou o recorde de maior público, anteriormente detido por Celine Dion, com um público de 18.644 pessoas. A primeira etapa norte-americana, que teve todos os seus ingressos vendidos, resultou em uma média de 20.498 ingressos por espetáculo e uma receita de 61.600 mil dólares, tornando-se a turnê com bilheteria no primeiro semestre de 2009 no continente. Além disso, a turnê arrecadou US$ 13.000.000 nos shows de Londres, Manchester e Dublin, com uma receita total de US$ 74.600.000, tornando-a como a terceira turnê com maior bilheteria mundialmente. O concerto feito no Estádio Parken, em Copenhague, reuniu 40.000 pessoas, o maior público de Spears desde seus concertos em 2002 na Cidade do México.


