...Baby One More Time
...Baby One More Time é o álbum de estreia da artista musical estadunidense Britney Spears. O seu lançamento ocorreu em 12 de janeiro de 1999, através da Jive Records. Em junho de 1997, enquanto Spears negociava com o empresário Lou Pearlman a sua entrada no grupo feminino Innosense, sua mãe pediu a opinião do advogado de entretenimento e amigo da família Larry Rudolph e enviou-lhe uma fita demo de Spears cantando uma canção de Whitney Houston em um karaokê. Rudolph decidiu entregá-la para gravadoras, e enviou-a juntamente a uma fita demo contendo uma faixa não usada por Toni Braxton. A Jive acabou interessando-se e indicou o produtor Eric Foster White para trabalhar com ela. Depois de ouvir o material gravado, a gravadora contratou Spears em um acordo de diversos álbuns. Ela viajou para a Suécia para trabalhar com outros produtores, como Max Martin, Denniz Pop e Rami Yacoub. O primeiro mostrou-lhe uma faixa chamada "Hit Me Baby One More Time", que havia sido originalmente escrita para o grupo feminino TLC, a qual rejeitou-a. O trabalho foi concluído em junho de 1998.
"Eu estava no estúdio há seis meses, ouvindo e gravando material, mas eu ainda não tinha ouvido um sucesso. Quando eu comecei a trabalhar com Max Martin na Suécia, ele tocou a demo de 'Baby One More Time' para mim, e eu sabia desde o começo que era uma daquelas músicas que você quer ouvir de novo e de novo. Ela parecia ótima. Eu estava no estúdio e a fiz do meu próprio jeito, tentando dar para ela um pouco mais de atitude do que a versão demo. Em 10 dias, eu já não estava mais na Suécia. Nós estávamos muito ocupados". —Spears falando sobre a sua sensação ao ouvir a faixa-título. Nascida em McComb, Mississippi no dia 2 de dezembro de 1981, Spears fez a sua estreia nos palcos locais aos cinco anos, cantando "What Child is This?", de Johnny Mathis, em sua formatura do jardim de infância. Em uma entrevista, ela falou acerca de suas ambições quando criança: "Eu estava no meu próprio mundo. [...] Eu descobri o que queria fazer em uma idade precoce". Aos oito anos, ela e sua mãe viajaram para Atlanta, Geórgia na intenção de fazer um teste para a nova versão do programa infantil The Mickey Mouse Club. O diretor de elenco Matt Casella rejeitou-a por ser muito jovem para fazer parte da série na época, mas enviou-a para Nancy Carson, uma agente de talentos nova-iorquina. Carson ficou impressionada com os vocais de Spears e sugeriu que ela fosse matriculada na escola Professional Performing Arts School; pouco depois, Lynne e suas filhas se mudaram para uma sublocação em Nova Iorque. Spears foi contratada para o seu primeiro papel profissional como substituta da então protagonista Tina Denmark no musical Ruthless!. Ela também apareceu como concorrente no popular programa televisivo Star Search e participou de numerosos comerciais. Em dezembro de 1992, finalmente fez parte do The Mickey Mouse Club, mas retornou a Kentwood depois que o programa foi cancelado em 1994. Então, foi matriculada na Parklane Academy em McComb, Mississippi. Embora tenha feito amizades com grande parte de seus colegas de classe, ela comparou o colégio com "a cena inicial de Clueless com todos os grupinhos. [...] Eu estava muito entediada. Eu era a armadora do time de basquete. Tinha meu namorado, e fui aos bailes natalinos e formais. Mas eu queria mais". Quando adolescente, Spears foi diagnosticada com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, e teve de tomar remédios prescritos para se tratar.
"Definitivamente. Quando assinei o contrato, estávamos tentando encontrar que tipo de material eu precisava, tentando começar, mas depois de seis meses, quando realmente comecei a perceber que precisava começar a escrever, já era tarde demais. Eles já tinham a maioria das músicas escolhidas para o álbum". —Spears em uma entrevista , na qual explica a ausência de participações sua nas letras do álbum. Os executivos da Jive sugeriram que Spears trabalhasse com o produtor Eric Foster White por um mês, o que poderia transformar seu alcance vocal de "inferior e menos pop" para "[uma voz] distinta e inequivocamente Britney". Após ouvir o material gravado, o presidente Clive Calder ordenou um álbum completo. Ela voou para os Cheiron Studios em Estocolmo, Suécia. Lá, a artista gravou metade do projeto entre março e abril de 1998, ao lado de produtores como Max Martin, Denniz PoP e Rami Yacoub. Spears gravou dez canções com White, incluindo "Autumn Goodbye", "E-Mail My Heart", "From the Bottom of My Broken Heart", "I'm So Curious", "I Will Still Love You", "Soda Pop" e "Thinkin' About You". Ela também regravou "The Beat Goes On", single lançado em 1967 por Sonny & Cher. O produtor responsabilizou-se pela gravação vocal e produção da faixa, enquanto o grupo musical inglês The All Seeing I encarregou-se da produção adicional. Martin mostrou à Spears e sua gestão uma faixa intitulada "Hit Me Baby One More Time", que havia sido originalmente escrita para o grupo estadunidense TLC, o qual acabou rejeitando-a. Mais tarde, Spears declarou que sentiu-se animada quando a ouviu, e que sabia que seria um sucesso. Embora não tenha participado da composição de nenhuma das faixas do álbum, a cantora opinou nas letras de algumas faixas, como "Born To Make You Happy", conforme explicou à Rolling Stone; "Pedi que mudassem a letra. Era uma música sexual. Eu disse: 'Isso pode ser um pouco constrangedor para mim'. Por causa da questão da imagem, não quero exagerar. Se eu for tachada de a Miss Prima Donna, isso não será inteligente. Quero crescer no meu tempo". Ela havia inicialmente se imaginou desenvolvendo "uma música [similar a] de Sheryl Crow, mas mais jovem e mais contemporânea para adultos", mas ela foi motivada pelos produtores de sua gravadora a aderir a música pop, o que ela ficou feliz, dizendo: "Fazia mais sentido ir para o pop, porque eu posso dançar com isso- é mais [haver] comigo". Ao analisar o projeto, Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados AllMusic, descreveu sua sonoridade como uma "mistura de dance-pop contagiante com influências de rap e baladas suaves". A jornalista Annie Zaleski, do Stereogum, sentiu "que Spears está experimentando diferentes personas sonoras para ver do que ela gosta, semelhante a alguém experimentando roupas diferentes antes de um encontro". No âmbito lírico, a maioria de suas canções abordam temas como amor e relacionamentos do ponto de vista de um adolescente.
A promoção de ...Baby One More Time começou em maio de 1998, quando Spears tocou "...Baby One More Time", "Sometimes" e "You Got It All" no festival Singapore Jazz Festival. Posteriormente, ela embarcou em uma turnê promocional patrocinada pela L'Oréal, intitulada Hair Zone Mall Tour, que visitou praças de alimentação de shoppings em toda a América do Norte de junho a agosto, onde cantava sucessos de seu álbum para que ao final do espetáculo seus fãs fossem estimulados a comprá-lo nas lojas do shopping, podendo receber autógrafos, brindes e tirar fotos com a cantora. Em dezembro, o vídeo musical de "...Baby One More Time" apareceu pela primeira vez entre os mais solicitados pela audiência da MTV e The Box. Nos Estados Unidos, o álbum em si foi originalmente programado para ser lançado em outubro de 1998, mas foi adiado para 12 de janeiro de 1999, devido a questões de marketing, com seu lançamento internacional ocorrendo nos três meses seguintes. Sua distribuição inicial ocorreu nos formatos CD e fita cassete, enquanto sua edição em vinil só foi distribuída em 3 de novembro de 2017. Para a foto que ilustra a capa do material foram selecionadas duas imagens distintas; a edição estadunidense do produto contém um fundo rosa, exibindo a artista de corpo inteiro, com as pernas dobradas e sustentando o corpo com as mãos. Spears, sorridente, usa uma saia curta, sapatos de salto alto, camiseta branca e colete vermelho, sem muita sofisticação. A qual a acadêmica Priscila Biancovilli, autora do artigo It's Britney bitch: O Poder da Mídia na Construção e Destruição de Celebridades, sentiu "como se transmitisse a noção de que a cantora é uma adolescente normal, não muito diferente de qualquer menina da mesma idade". A segunda capa — estampada nas prensagens do restante do mundo —, possui fundo branco e uma foto de Spears em que aparece seu rosto e as mãos unidas como em uma prece. Ela veste uma camiseta branca — também sem maiores sofisticações —, e apresenta um semblante mais sério. Biancovilli opina; "Talvez a utilização da cor branca e das mãos unidas em frente ao rosto tenha como objetivo transmitir uma ideia de inocência, noção bastante explorada nas letras e videoclipes deste álbum".
Crítica profissional
...Baby One More Time recebeu análises geralmente mistas de críticos musicais especializados, em que alguns prezaram a sua produção e sua natureza pop, enquanto outros consideraram-no "prematuro". Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados Allmusic, deu ao álbum quatro de cinco estrelas totais e comentou que nele está a mesma "mistura de dance-pop contagiante com influências de rap e baladas suaves" que impulsionou para o sucesso a banda New Kids on the Block e a cantora Debbie Gibson. Prezando, ainda, a produção de Martin, a quem considerou ter um "talento especial para refrões e melodias cativantes" e o singles que, somados ao carisma de Spears, "compensam a cota de preenchimento" presente em uma parte da obra. Numa resenha para a sua página, Robert Christgau comentou que, no disco, Spears soa como uma "nova Madonna", especialmente em canções como "…Baby One More Time" e "Soda Pop", enquanto que Craig McDennis, do jornal The Hamilton Spectator, resumiu seu conteúdo como "um compêndio simples de soul/pop clichês, servido com um entusiasmo vertiginoso e acelerado que lembra Debbie Gibson".
Prêmios e indicações
Em 1999, ...Baby One More Time venceu o prêmio de melhor álbum nos Teen Choice Award, enquanto nos Juno Award faturou uma indicação não vitoriosa a Álbum Mais Vendido (estrangeiro ou nacional). Contudo, a artista recebeu o troféu de Artista Feminina de Álbuns do Ano nos Billboard Music Award. No ano seguinte, o trabalho foi nomeado a Álbum pop/rock Favorito e CD Favorito, nos American Music Awards e Blockbuster Entertainment Award, respectivamente, não conquistando nenhum. A obra ainda rendeu duas indicações a intérprete durante a 42.ª edição dos Grammy Awards; Artista Revelação, a qual perdeu para Christina Aguilera, e Melhor Performance Pop Vocal Feminina, com a faixa-título do disco perdendo para "I Will Remember You (Live)", de Sarah McLachlan.
A faixa-título foi lançada como o primeiro single de ...Baby One More Time e da carreira de Spears em 10 de setembro de 1998. Recebeu críticas geralmente favoráveis da mídia especializada, a qual prezou sua composição, seu som e sua produção. Em retrospecto, foi listada como uma das 500 melhores canções de todos os tempos pela revista Rolling Stone e qualificada pelo canal VH1 como a segunda melhor canção dos anos 1990. No âmbito comercial, converteu-se em um enorme sucesso na maior parte do mundo; culminou nas tabelas musicais de 20 países, incluindo os mercados musicais mais importantes como Alemanha, Austrália, Canadá, França e Reino Unido. Nos Estados Unidos, tornou-se a primeira canção da cantora a liderar a Billboard Hot 100, onde permaneceu por duas semanas consecutivas. Mundialmente, comercializou mais de dez milhões de unidades, sendo um dos singles mais vendidos de todos os tempos. O vídeo musical correspondente foi dirigido por Nigel Dick e lançado em novembro de 1998. Apresenta cenas de Spears como uma estudante do ensino médio que começa a cantar e dançar pela escola, enquanto observa de longe seu interesse amoroso.
"O álbum lançou mais do que apenas uma única estrela — com Spears, inaugurou uma era inteira de tudo, desde classificações da realeza pop ao caos dos paparazzi e mudanças de atitudes sobre feminilidade e doenças mentais. Tanta coisa que conhecemos e falamos sobre a música pop e o assunto ao redor dos tablóides foi influenciado em parte por Spears". Spears se tornou um ícone internacional da cultura pop imediatamente após o lançamento de ...Baby One More Time e da canção de mesmo nome. A Rolling Stone a considerou "inquestionavelmente uma das cantoras mais controversas e bem-sucedidas do século XXI" e que, com o álbum, ela "provou que veio para ficar". Pensamento ecoado por Dave Holmes, da Esquire, que, após 20 de seu lançamento, sentiu que o mesmo "deu início à última mega tendência dominante da monocultura". O Los Angeles Daily News observou que a obra tornou a cantora "a adolescente mais famosa do mundo" na época. Barbara Ellen, do The Observer, relatou: "Spears é notoriamente uma das mais maduras adolescentes que já existiram. [...] Em termos de foco e determinação. Muitos jovens de 19 anos ainda nem começaram a trabalhar, ao passo que Britney, ex-Mouseketeer, era o mais incomum e volátil dos fenômenos americanos — uma criança com uma carreira em tempo integral. Enquanto outras meninas colocavam pôsteres em suas paredes, Britney queria ser o pôster na parede. Enquanto outras crianças se desenvolvem em seu próprio ritmo, Britney estava se desenvolvendo em um ritmo definido pela ferozmente competitiva indústria do entretenimento americana". Escrevendo para o canal Logo TV, Lester Fabian Brathwaite elaborou: "Imagine se o primeiro álbum de Michael Jackson fosse Thriller (1982). Se ele simplesmente aparecesse, aparentemente do nada, com "Beat It" e se tornasse um superstar instantâneo. Isso é o que …Baby One More Time foi para Spears. Ela foi um sucesso na primeira tentativa".
Imagem: Cesar Pics · BY-NC-SA · Openverse
Todo o processo de elaboração de ...Baby One More Time atribui os seguintes créditos:
Nos Estados Unidos, país nativo de Spears, na edição de 30 de janeiro de 1999, ...Baby One More Time debutou diretamente no topo da Billboard 200. Isso, após vender 120 mil e 500 cópias em sua primeira semana no país e após desbancar Flesh of My Flesh, Blood of My Blood, do rapper DMX, que nele permanecia nas últimas quatro semanas consecutivas. Ao mesmo tempo, naquela atualização, " ...Baby One More Time " subiu para o primeiro lugar na Billboard Hot 100. Com isso, Spears converteu-se no primeiro artista a ocupar o cume simultaneamente de ambas as tabelas musicais mais importantes da nação com um álbum e single de estreia desde que a dupla Kris Kross o fez em 1992. Embora seu então único single tenha permanecido firme na liderança da Billboard Hot 100 na atualização seguinte, a estreia de Made Man, de Silkk The Shocker, forçou ...Baby One More Time a ceder a posição máxima na Billboard 200. No entanto, uma semana depois, veio arrebatá-lo novamente de Chyna Doll, de Foxy Brown, e permaneceu lá por mais duas edições. Em 13 de março, a estreia de FanMail, de TLC, o deslocou do posto, a qual manteve durante as suas primeiras quatro semanas. Até que, em 10 de abril, ...Baby One More Time conseguiu recuperar novamente o ápice do períodico, impedindo que The Slim Shady LP, de Eminem, ocupasse essa posição.


