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Cipião Africano

Públio Cornélio Cipião Africano, mais conhecido apenas como Cipião Africano, foi um general, estadista e político romano da família dos Cipiões da gente Cornélia da República Romana eleito cônsul por duas vezes, em 205 e 194 a.C., com Públio Licínio Crasso Dives e Tibério Semprônio Longo respectivamente. Um dos maiores generais romanos de toda a história, derrotou Aníbal na Batalha de Zama, encerrando a Segunda Guerra Púnica. Quando Cipião morreu em meio a acusações de seus rivais de ter aceitado suborno do rei da Síria selêucida, Antíoco III, a quem havia derrotado na Ásia Menor, auto-exilado em sua villa na Campânia, teria dito que Minha pátria ingrata não terá meus ossos antes de morrer.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 24/07/2026
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Primeiros anos

Família

Cipião era membro da gente Cornélia, uma das mais antigas e poderosas famílias patrícias de Roma e era filho do cônsul de 218 a.C., Públio Cornélio Cipião, morto em combate contra os cartagineses na Hispânia com o irmão (e tio de Cipião), Cneu Cornélio Cipião Calvo. Casou-se com Emília Paula, filha do cônsul Lúcio Emílio Paulo e irmã de Lúcio Emílio Paulo Macedônico. Teve dois filhos conhecidos, Públio Cornélio Cipião, que foi pretor em 174 a.C., e Cornélia, famosa por ter sido a mãe dos irmãos Gracos. Segundo uma lenda contada por Tito Lívio, Cipião teria nascido, assim como Alexandre, o Grande, da união com uma grande serpente que se materializava no leito de sua mãe e que desaparecia sempre que ouvia a aproximação de alguém.

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Segunda Guerra Púnica

Sob o comando do pai (218 a.C.)

A primeira notícia sobre a vida pública de Cipião data de 218 a.C., quando, com apenas dezessete anos, serviu no exército do pai na desastrosa Batalha de Ticino. Aníbal havia acabado de cruzar os Alpes e encontrou o exército do cônsul Públio Cornélio Cipião, pai de Cipião Africano, que foi derrotado e gravemente ferido, sendo salvo, segundo Tito Lívio, pelo filho : O pai, cônsul e comandante das forças militares romanas na região, quis, por conta do comportamento heroico demonstrado pelo filho, recompensá-lo com a coroa cívica, mas Cipião recusou dizendo "que seu ato foi recompensado por si". Seja como for, o ato lhe valeu uma fama de valoroso e bravo entre os romanos. Políbio conta que, a partir de então, em suas batalhas seguintes, Cipião raramente arriscava a própria vida quando as esperanças de sucesso de sua pátria estavam em suas mãos:

Batalha de Canas (216 a.C.)

Dois anos depois, em 216 a.C., os romanos foram novamente derrotados na desastrosa Batalha de Canas, mas os historiadores antigos nada dizem sobre a participação de Cipião. De Tito Lívio, sabemos que ele era, na época, um tribuno militar. Nesta batalha, morreu seu futuro sogro, o cônsul Lúcio Emílio Paulo, que, segundo a tradição polibiana, era contrário ao enfrentamento. Também morreram os dois ex-cônsules, Cneu Servílio Gêmino (217 a.C.) e Marco Minúcio Rufo (221 a.C.), que comandavam o centro das fileiras romanas, noventa oficiais pertencentes às grandes famílias romanas e das cidades aliadas, incluindo cônsules, pretores e senadores; no total, segundo Políbio, foram 70 000 mortos e 10 000 capturados. Eutrópio cita 43 000 mortos e Lívio, 45 000 mortos e 19 000 prisioneiros. O cônsul com Emílio Paulo, Caio Terêncio Varrão, responsabilizado por Políbio pela derrota, conseguiu liderar cercar de 10 000 sobreviventes até a cidade de Venúsia. Entre eles estava o jovem Cipião.

Eleição para edil (213 a.C.)

Segundo Políbio, em 213 a.C., nas eleições para edil, seu irmão mais velho (na verdade, mais novo), Lúcio, era candidato, mas com poucas esperanças de sucesso. Públio, percebendo que sua mãe ia de um templo para outro realizando sacrifícios aos deuses em favor de seu irmão, disse para ela ter tido por duas vezes um sonho no qual era eleito edil com o irmão. E, para agradar sua mãe, decidiu apresentar sua própria candidatura para ajudar a do irmão tendo em vista seu sonho. Sua mãe então pegou a toga branca, utilizada pelos candidatos aos cargos públicos, e a deu ao filho, que se apresentou no Fórum. O povo, que adorava o jovem Públio, o recebeu com entusiasmo e, quando foi se colocou no local onde ficavam os candidatos, Públio postou-se ao lado de Lúcio. Ambos acabaram eleitos e correram para casa para dar a boa notícia à mãe. Dali em diante, todos começaram a acreditar que os deuses falaram diretamente com Públio através de seus sonhos e que suas ações foram inspiradas por eles. Públio não desmentiu mais esta crença e utilizou-a habilmente nos momentos mais críticos, fazendo crer aos homens que suas ordens eram oriundas de uma intervenção divina.

Comando na Hispânia (210-206 a.C.)

No início de 211 a.C. chegou da Hispânia a triste notícia de que seu pai, Públio, e seu tio, Cipião Calvo, haviam sido derrotados e mortos pelas forças cartaginesas depois de vários anos comandando a guerra na região. Naquele ano, a Hispânia provavelmente teria sido perdida se não fosse a intervenção de um obscuro equestre chamado Lúcio Márcio Sétimo, que conseguiu reorganizar as divisões sobreviventes do exército romano na região e conteve o avanço cartaginês conseguindo uma inesperada vitória na Batalha do Bétis Superior. Mesmo assim, o Senado recusou-se a confirmar formalmente seu comando, apesar de que nenhum outro general queria ir para a Hispânia. Uma nova expedição romana foi enviada à Hispânia sob o comando de Caio Cláudio Nero, mas, no final do ano, o senado romano decidiu incrementar as forças militares na região e substituir Nero por um novo comandante. Havia, porém, uma grande indecisão, pois o novo general estava destinado a suceder a dois Cipiões e devia ser escolhido com grande cuidado.

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Anos finais (200 - 188 a.C.)

Retorno a Roma (200-192 a.C.)

Em 200 a.C., livre da ameaça cartaginesa, Roma parte para a conquista do oriente helênico, uma política liderada por Tito Quíncio Flaminino. Admirador da cultura grega, Flaminino tentou proteger a independência das cidades-estado gregas impondo um protetorado romano do qual derivava vantagens econômicas e políticas. Foi eleito censor em 199 a.C. com Públio Élio Peto, mesmo ano no qual foi príncipe do senado. Foi eleito cônsul novamente em 194 a.C. com Tibério Semprônio Longo. Por coincidência, seus pais foram cônsules juntos durante a Segunda Guerra Púnica (218 a.C.). Durante seu mandato, o Senado decide que, na ausência de perigo iminente fora de seus domínios, os cônsules deveriam permanecer na Itália. Cipião opõe-se ferozmente a essa decisão, declarando que "era iminente uma grande guerra contra Antíoco", da Síria selêucida, que havia recebido Aníbal como exilado. Mas o Senado ignora seus apelos e decreta o retorno do exército romano na Macedônia. Os acontecimentos posteriores confirmariam mais uma vez as previsões de Cipião. Ao final de seu consulado, Cipião retira-se para uma vida privada, algo raro numa época em que os ex-cônsules optavam geralmente pelo governo de uma província estrangeira.

Crise síria (192 - 188 a.C.)

Antíoco III da Síria selêucida, depois de ter conquistado toda a Ásia Menor e invadido a Trácia, estava agora na Grécia, para onde havia sido convidado pelos etólios, inimigos dos romanos. Aníbal, exilado na Síria, havia proposto uma invasão da Itália, a única solução, em sua opinião, para derrotar Roma. Segundo seu plano, à frente de tropas fornecidas por Antíoco, ele próprio desembarcaria na África para sublevar os cartagineses. Em paralelo, Antíoco conquistaria a Grécia e se prepararia para invadir a Itália no momento mais oportuno. Ele ocupa Éfeso, mas perde tempo numa campanha estrategicamente inútil contra a Pisídia. Roma, exausta por anos de guerra, tentou resolver a questão diplomaticamente enviando uma embaixada a Éfeso que incluía Cipião, o Africano. Ali, os embaixadores romanos conversaram com Aníbal.

Declínio político e morte (188–183 a.C.)

A vitória proporcionou a Roma não apenas imensas riquezas, mas também o domínio do mar Egeu. Cipião, porém, nada ganhou com a vitória. Ao retornarem a Roma, os dois irmãos foram vítimas de uma campanha difamatória com acusações de corrupção, especialmente contra Lúcio, por parte de seus adversários políticos, que estavam desapontados pelas condições brandas impostas na paz em Magnésia e bastante alarmados pelo poder, riqueza e influência dos irmãos sobre a população romana. Os dois foram formalmente acusados de se apropriarem das enormes riquezas de Antíoco III sem entregarem ao Erário público a sua parte devida. Depois de ter reafirmado duramente seu relato afirmando que sua palavra deveria ser suficiente, Públio retirou-se para sua villa em Literno, na Campânia. Conta-se que foi nesta ocasião que teria dito uma de suas mais famosas frases, "Pátria ingrata, não terás sequer os meus ossos!". Em 183 a.C., muito doente, Públio morreu, aos 52 anos, em Literno. Tradicionalmente se acredita que sua morte tenha ocorrido na mesma época que, em Libissa, na margem oriental do mar de Mármara, teria se suicidado o seu grande inimigo Aníbal.

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Túmulo de Cipião

Os arqueólogos ainda não conseguiram determinar onde foi sepultado Cipião, o Africano. A Tumba dos Cipiões foi descoberta e está aberta a visitação, mas não se acredita que o Africano esteja lá. A possibilidade existe de que seus restos tenham sido levados para Roma e depositados ali em alguma cripta ainda não identificada. Lívio afirma que as estátuas de Cipião, o Africano, Lúcio Cipião e do poeta Ênio (amigo da família) estavam na Tumba quando ele a visitou, mas Sêneca, depois de mudar-se para a villa em Literno que pertencia a Cipião, diz: "reverenciei seu espírito e um altar que estou inclinado a acreditar que é o túmulo do grande guerreiro". Isto sugere que se sabia que Cipião não estava enterrado em Roma e é possível que seu sarcófago de fato se pareça com um altar (embora não haja evidências disto), dado que o túmulo do fundador dos Cipiões, Lúcio Cornélio Cipião Barbato, que está no Tumba dos Cipiões, de fato se parece com um.

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Fontes e análises

Fontes perdidas

Conta-se que Cipião teria escrito suas memórias em grego, mas elas perderam-se (ou foram destruídas) juntamente com a história escrita por seu filho mais velho, Públio Cornélio Cipião, o pai adotivo de Cipião Emiliano. Como resultado, os relatos da época sobre sua vida, particularmente sua infância e juventude são praticamente inexistentes. Mesmo o relato de Plutarco sobre sua vida, que escreveu muito depois, perdeu-se. O que restou são os relatos de seus feitos nas obras de Políbio, Lívio (que pouco fala sobre sua vida pessoal), suplementados pelas histórias de Apiano e Dião Cássio, além da anedota relatada por Valério Máximo. Desses, Políbio era o que estava mais próximo de Cipião, o Africano, na idade e nas conexões, mas sua narrativa pode ser enviesada por sua amizade com os parentes próximos de Cipião e pelo fato de que sua principal fonte de informação sobre ele foi um dos seus melhores amigos, Caio Lélio.

Historiadores antigos

Políbio, ao descrever seu caráter e seu comportamento, conta que ele: Ele afirma ainda que Cipião era uma pessoa extremamente pensativa e dotada de grande inteligência. E acrescenta: Políbio estava, porém, em desacordo com os historiadores que creditavam o sucesso de Públio, como a conquista de Nova Cartago, não tanto às suas próprias ações, mas sim ao favorecimento dos deuses e da Fortuna.

Historiografia

O outro grande protagonista da Segunda Guerra Púnica, além de Aníbal, a ter deixado sua marca nesta história é Cipião, o Africano, o primeiro comandante militar romano a ser homenageado com o nome de povo que conquistou. Conta-se que o entusiasmo do povo romano, depois de seu retorno a Roma da África, foi tão grande que o povo tentou aclamá-lo cônsul e ditador perpétuo, mas Cipião recusou. Essa moderação que lhe valeu a admiração de Cícero, mas que não se confirmou em sua conduta política, que, apesar de respeitar formalmente as instituições republicanas, conseguiu eleger ao consulado sete membros de sua família, além de ter entre os senadores dois clientes, obtendo o controle quase total da política romana.

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Influência

Opinião dos romanos sobre Cipião

Cipião era um homem muito inteligente e culto, fluente em grego, língua que escolheu para escrever suas memórias, e ficou famoso por introduzir a moda do rosto barbeado entre os romanos, seguindo o exemplo de Alexandre, o Grande. Essa moda masculina perduraria até a época do imperador romano Adriano e seria revivida novamente por Constantino, o Grande. Ele também gostava de sua própria reputação como orador e considerava que o segredo de seu carisma era sua profunda auto-confiança e seu radiante senso de justiça. Seu estilo de vida helenófilo (filelenismo) e sua forma pouco convencional de usar a toga, que provocou críticas entre os senadores romanos, como Catão, o Velho, que acreditava que a influência grega estava destruindo a cultura romana. Ele e seu aliado, Fábio Máximo, como questores de Cipião na Sicília em 204 a.C. para investigarem acusações de indisciplina militar, corrupção e outras acusações contra Cipião, mas nenhuma das acusações foi confirmada pelos tribunos da plebe que acompanharam Catão. É possível que esse fato esteja relacionado a que Catão, como censor, anos depois, expulsou o irmão de Cipião, o Africano, Cipião, o Asiático, do Senado. É certamente verdadeiro que os romanos da época consideravam Catão (e Fábio) como representantes da velha guarda romana e Cipião e seus aliados como helenófilos.

Cultura

Dante o representa no Convivio, na Monarquia e no cântico do Inferno da Divina Comédia, como alguém que a divina providência havia transformado em um instrumento de seus próprio projeto de conferir a Roma o maior império do mundo. Cipião é também o herói de Petrarca no poema em latim "África", que reproduz a visão positiva de Lívio sobre o general romano. No célebre "O Príncipe", Maquiavel menciona Cipião no capítulo XVII, "Da Crueldade e da Piedade. Sobre se é melhor ser mais amado que temido ou mais temido que amado", descrevendo o general romano como uma figura muito complacente que havia concedido aos seus comandados "mais liberdades do que previa a disciplina militar". Esta mesma piedade, segundo Maquiavel, teria sido a causa da revolta de suas legiões na Hispânia e da falta de punição de seu comandado que o havia fraudado em Locri. Maquiavel afirma que a piedade, se utilizada em demasia, é uma qualidade danosa e que, no caso de Cipião, só foi motivo de prestígio e glória porque ele vivia sob a proteção do Senado. John Milton o mencionou no livro IX de "Paraíso Perdido", afirmando que ele e Alexandre, o Grande, que se auto-atribuíam uma origem divina, haviam sido gerados por Júpiter transformado em serpente, um tema abordado por Lívio.

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Árvore genealógica

Cipião casou-se com Emília Paula Tércia, filha de Lúcio Emílio Paulo, e teve quatro filhos:

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Fontes consultadas

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