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Cimérios

Os cimérios foram um antigo povo indo-europeu que viveu ao norte do Cáucaso e do mar de Azov por volta de 1300 a.C., até que foram expulsos para o sul, pelos citas, chegando à Anatólia por volta do século VIII a.C. Linguisticamente costumam ser classificados como iranianos, ou, possivelmente, trácios governados por uma classe dominante iraniana.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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História

Origem

A origem dos cimérios é incerta. Supostamente teriam algum tipo de parentesco com povos que falavam línguas iranianas ou trácias, ou que ao menos teriam sido governados por uma elite iraniana. De acordo com o historiador grego Heródoto, do século V a.C., os cimérios habitavam originalmente a região ao norte do Cáucaso e do Mar Negro, durante os séculos VIII e VII a.C., na atual Ucrânia e Rússia. A arqueóloga alemã Renate Rolle argumentou, no entanto, que ninguém ainda demonstrou com evidências arqueológicas a presença dos cimérios nas partes meridionais da Rússia. Embora o artigo de 2006 da Encyclopædia Britannica corrobore Heródoto — ainda que afirmando que "[os cimérios] provavelmente habitavam a região ao norte do Mar Negro, porém as tentativas de se definir sua terra de origem de maneira mais precisa, através de métodos arqueológicos, ou de até mesmo se fixar com precisão a data de sua expulsão daquela região pelos citas, ainda não foram totalmente bem-sucedidas" — estudos acadêmicos recentes utilizaram-se de documentos que datam de séculos antes de Heródoto, tais como relatórios feitos a Sargão, para apontar que estas obras situavam os cimérios a sul, e não a norte do Mar Negro.

Primeira aparição histórica

O primeiro registro histórico dos cimérios se dá nos anais assírios, no ano de 714 a.C.; eles descrevem como um povo denominado Gimirri ajudou as tropas de Sargão II a derrotar o reino de Urartu. Sua terra de origem, chamada no texto de Gamir ou Uishdish,[carece de fontes?] parece ter se localizado dentro do "estado tampão" de Manas (Mannai ou Mannae). O geógrafo grego Ptolemeu, escrevendo nos séculos I-II d.C., situou a cidade ciméria de Gomara nesta região. Após as conquistas da Cólquida e da Ibéria, ocorridas no primeiro milênio a.C., os cimérios também passaram a ser conhecidos como Gimirri no idioma georgiano. De acordo com historiadores da Geórgia, os cimérios tiveram um papel de grande influência no desenvolvimento da cultura colca e ibérica. A palavra georgiana para "herói", გმირი, gmiri, vem do termo Gimirri, que se referia aos cimérios que habitaram a região após as primeiras conquistas.

Possíveis descendentes

Heródoto acreditava que os cimérios e os trácios eram parentes próximos, e que ambos habitavam originalmente a costa setentrional do Mar Negro, de onde teriam sido expulsos por volta de 700 a.C. por invasores vindos do Oriente. Enquanto os cimérios teriam então partido de sua terra natal para o leste e o sul, cruzando o Cáucaso, os trácios teriam migrado para o sudoeste, adentrando os Bálcãs, onde estabeleceram então uma cultura duradoura e bem-sucedida. Os tauros, habitantes originais da Crimeia, por vezes são identificados como tendo parentesco com os cimérios e, posteriormente, com os tauriscos. Alguns historiadores pré-modernos afirmam que os cimérios seriam antepassados dos celtas ou dos povos germânicos, utilizando como argumento a semelhança do termo latino Cimmerii com cimbros (cimbri, antigo povo germânico) ou Cymry (nome do País de Gales em galês). É improvável, no entanto, que tanto o proto-celta quanto o proto-germânico tenham entrado na Europa Ocidental no final do século VII a.C.; a formação de ambos costuma estar associada às culturas Urnfield, da Idade do Bronze, e à Idade do Bronze Nórdica, respectivamente. Não é inconcebível, no entanto, que migração "traco-ciméria" de pequena escala (em termos populacionais) ocorrida no século VIII possa ter desencadeado mudanças culturais que contribuíram para que a cultura Urnfield se transformasse na cultura de Hallstatt C, trazendo consigo o advento da Idade do Ferro europeia. Posteriormente, estes grupos cimérios restantes poderiam ter se deslocado e atingido os países nórdicos e o rio Reno. Um exemplo seria justamente a tribo dos cimbros, cuja origem estaria na região de Himmerland (em dinamarquês antigo, Himber sysæl), no norte da Dinamarca.

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Menções na mitologia de outros povos

Nas fontes surgidas a partir dos Anais Reais Frâncicos, os reis merovíngios dos francos tradicionalmente apontavam a origem de sua linhagem a uma tribo pré-frâncica conhecida como sicambros (Sicambri ou Sugambri, em latim), mitificadas como "cimérios" cuja origem seria a foz do Danúbio, mas que na realidade teriam vindo da região de Guéldria, nos atuais Países Baixos, cujo nome tem a mesma origem do rio Sieg. Ou que se teriam originado dos Cimbros com os nomes de seus chefes acabarem no mesmo sufixo -rix. Outra associação possível entre os cimérios dos rios Tiras e Tánais e os países nórdicos e, possivelmente, os sicambros do baixo Reno, estaria no fato de que a rota oriental do âmbar era uma rota comercial que ligava o Mar Báltico e o Mar Negro, e através do qual diversas culturas foram difundidas. Esta rota já estaria em plena atividade por volta de 1800 a.C., e cruzava os rios Dniepre, Pripyat, Bug Ocidental e o Vístula. Também existem evidências arqueológicas no sul da Escandinávia de que uma cultura invasora estava chegando à costa do Mar Báltico por volta de 1 200 a.C., aproximadamente o mesmo período do início da Idade do Bronze Nórdica. Esta cultura recém-chegada teria abrangido um território que ia do estuário do Vístula até a Escânia, Zelândia, Fiônia e Himmerland, na Jutlândia do Norte e na Heligolândia, um arco que contém os depósitos mais ricos de âmbar da Europa. Graças ao cartógrafo grego Pitéas, de Massília, que escreveu por volta de 330 a.C., este arco seria habitado por um povo conhecido como gotões (Gotones). Pitéas também menciona que estes gotões eram vizinhos dos teutões (teutones) que habitavam as regiões das atuais Jutlândia do Sul e Holstein. Também sabe-se que Plínio, o Velho, escrevendo em 79 d.C., afirmou que a faixa de terra entre o estuário do Vístula e o Mar Negro era chamada de Cítia; é possível, logo, que tenha existido uma elite de cavaleiros cimérios que se apossou deste depósito de âmbar báltico entre 1200 e 1000 a.C., e que posteriormente teriam dado origem ou influenciado os gotões, teutões e cimbros - bem como, posteriormente, os próprios sicambros. Outros indicadores apontam para o prefixo 'Cim', que poderia ser cognato do proto-indo-europeu *khim, a provável origem dos termos home, em inglês, e heim, no nórdico antigo ("lar", "casa"). A segunda parte da palavra, 'mer', poderia significar "mar", indicando possivelmente uma terra de origem nas proximidades do Mar Negro, ou "grande" (como no gótico 'Waldamar').

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Língua

Apenas alguns poucos nomes pessoais da língua ciméria sobreviveram, em inscrições assírias: Alguns estudiosos tentaram associar diversos topônimos com possíveis origens cimérias. Sugeriu-se, por exemplo, que o nome da Crimeia viria dos cimérios, O nome, no entanto, remonta ao termo tártaro da Crimeia (turcomano) qırım ("minha estepe", "monte"), enquanto a península em si era conhecida na Antiguidade como Táurica, "península dos tauros". (Estrabão 7.4.1; Heródoto 4.99.3, Amiano Marcelino 22.8.32). Com base nas antigas fontes históricas gregas, presume-se uma associação trácia ou celta. De acordo com o historiador alemão Carl Ferdinand Friedrich Lehmann-Haupt, o idioma dos cimérios poderia ser um "elo perdido" entre o trácio e os idiomas iranianos.

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Na ficção

O escritor americano Robert E. Howard utilizou o nome de "Ciméria" e "cimérios" para descrever o povo do qual seu personagem mais conhecido, Conan, o Bárbaro, seria um descendente. O povo retratado nos livros de Conan apresentam apenas uma semelhança leve com os cimérios históricos, e Howard jamais alegou qualquer precisão histórica ao retratá-los. O episódio 10 da série de ficção científica Stargate SG-1 se passa no planeta Cimmeria (P3X-974), um planeta habitado por descendentes de viquingues - o que faz com que estes "cimérios" tenham ainda menos semelhança com os cimérios históricos.. O uso da língua e da história ciméria é mencionado e ocupa uma posição metafórica central à natureza apócrifa do progresso na trama do romance Se una notte d'inverno un viaggiatore, do escritor italiano Italo Calvino. O idioma é descrito pelos personagens de Calvino como antigo e conhecido apenas por alguns poucos e seletos indivíduos, e sua utilização em escritos era alvo de teorias de conspiração.

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Fontes consultadas

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