Cidade-estado
Uma cidade-estado ou cidade-Estado é uma cidade independente, com governo próprio e autônomo, sendo comum, esta denominação, na Antiguidade, principalmente na Grécia Antiga, tais como Tebas, Atenas e Esparta. Mais tarde as cidades-estado e suas ligas, também vieram a fazer um papel importante na península Itálica. Por exemplo, as repúblicas de Gênova, Pisa, Florença, Amalfi e, a mais famosa de todas, Veneza. O mesmo ocorreu na Alemanha, como a Liga Hanseática medieval. Na Alemanha moderna existem três cidades que muitas vezes podem ser classificadas erroneamente de cidades-estado: Hamburgo, Berlim e Brema, que apesar de não pertencerem a nenhuma província ou subdivisão do país, ainda estão sob o poder da República Federal da Alemanha, isto é, não são independentes, como uma cidade que é corretamente tida como "cidade-estado" deve ser.
A partir do século VIII a.C., os gregos formaram as chamadas pólis, que eram cidades-estado (cidades autónomas): estas cidades eram economicamente autossuficientes (autarquia); tinham uma massa proporcionada de cidadãos; era nestas cidades que se davam os cultos cívicos, religiosos e aos heróis e tinham leis próprias. No decurso do desenvolvimento das civilizações, como um processo natural de sobrevivência, formaram-se cidades-Estado e, anteriormente, pólis. Historicamente, as cidades-Estado faziam frequentemente parte de grandes áreas culturais (regiões, países) e de diversas alianças políticas, como por exemplo: De acordo com uma das teorias, a emergência das cidades-Estado gregas tornou-se possível durante o declínio do sistema tribal entre 1000 e 800 a.C., quando comunidades dissidentes começaram a formar autogovernos, a partir dos quais surgiram as cidades-Estado na Grécia continental, nas ilhas do Egeu e no oeste da Ásia Menor. À medida que a população e a atividade económica das primeiras pólis cresciam, grupos de colonos fundaram novas cidades-Estado ao longo das costas dos mares Mediterrâneo e Negro entre 750 e 550 a.C. As cidades-Estado gregas distinguiam-se por uma grande diversidade de formas de organização social, da monárquica à democrática. Esta diversidade era, simultaneamente, a força das cidades-Estado — onde se alcançou um progresso do pensamento científico e social sem precedentes para a época — e a sua fraqueza: em diferentes momentos, caíram vítimas de estruturas estatais agressivas de maior escala — a Macedónia, Cartago e Roma (esta última foi originalmente criada como uma cidade-Estado, mas cresceu até se tornar um império como resultado de guerras de conquista bem-sucedidas e da centralização do poder estatal). Uma alternativa à conquista eram as alianças voluntárias ou semivoluntárias para defesa mútua (as ligas do Peloponneso, Deliana e Beócia), contudo, estas revelaram-se efémeras.
Idade Média
O renascimento da cidade-Estado como forma de organização social começou no século XI, quando uma série de cidades individuais da Itália medieval (em primeiro lugar a Veneza e o Amalfi, bem como Bari, Otranto e Salerno) atingiram níveis notáveis de prosperidade económica. A maioria destas cidades mantinha contacto com o Império Bizantino, e o reatamento do comércio com o Oriente assegurou-lhes elevados rendimentos. No século seguinte, cresceu a influência de repúblicas urbanas como Pisa e Génova, que se destacaram no contexto da luta contra os árabes, e de cidades comerciais do interior — Pavia e a Lucca. No sul da Itália, a conquista normanda pôs fim à autonomia das cidades.
América
Algumas das mais notáveis cidades-estado da América Central foram: Teotihuacán, localizada a vinte e cinco quilômetros ao norte da atual Cidade do México; Copán, localizada em Honduras; Tula (México), uma cidade Tolteca que dominou a região central do atual país do México; Texcoco, uma pequena cidade-estado do México, fundada por volta dos anos 1200 nas margens do (drenado) lago Texcoco, a qual veio a servir de base de planos de ataque dos conquistadores espanhóis à capital de Tenochtitlán (a atual Cidade do México); e ainda no México, a cidade-estado de Tlaxcala, vizinha da cidade-estado de Texcoco (citada acima), e rival invicta da poderosa cidade-estado de Tenochtitlán, o que motivou seus líderes a ajudarem os espanhóis em sua histórica conquista desta cidade-estado, a capital azteca de Tenochtitlán.


