Batavia
Batávia foi a capital das Índias Orientais Holandesas, correspondendo à atual Jacarta, na Indonésia. O termo podia se referir tanto à cidade quanto aos seus subúrbios e ao interior, conhecido como Ommelanden, que abrangia a Residência de Batávia nas atuais províncias de Jacarta, Banten e Java Ocidental.
Pontos-chave
- Batávia foi a capital das Índias Orientais Holandesas, hoje Jacarta.
- A cidade foi fundada pela Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) em 1619.
- Seu nome foi uma homenagem à tribo germânica Batavi, ancestrais dos holandeses.
- Após a dissolução da VOC, Batávia se tornou a capital da colônia das Índias Orientais Holandesas.
- A cidade desempenhou um papel central no movimento de independência indonésio.
Imagem: Batavia Public Library Illinois · BY-NC-ND · Openverse
A Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC) foi a responsável pela fundação e expansão inicial de Batávia, transformando-a em um centro estratégico de seu império colonial.
Fundação da Batávia
A região de Batávia ficou sob controle holandês em 1619. Inicialmente, o forte holandês original foi expandido sobre as ruínas da antiga Jayakarta. Em 2 de julho de 1619, Coen decidiu transformar o forte em uma fortaleza maior, enviando planos para o Castelo de Batávia em 7 de outubro do mesmo ano. O novo castelo era maior, com dois baluartes ao norte para proteção contra ataques marítimos. Os armazéns de Nassau e Maurício foram ampliados com uma extensão do forte oriental, supervisionada pelo comandante Van Raay, em 12 de março de 1619. Coen desejava nomear o assentamento de Nieuw-Hoorn, em homenagem à sua cidade natal, mas o conselho da VOC escolheu Batávia. A cerimônia de nomeação ocorreu em 18 de janeiro de 1621. O nome foi uma homenagem à tribo germânica Batavi, que habitava a região batava durante o Império Romano e era considerada ancestral do povo holandês. Jayakarta foi conhecida como Batávia por mais de 300 anos.
Expansão e Urbanização
Desde sua fundação, Batávia foi planejada com um layout bem definido. Em 1619, três trincheiras foram escavadas a leste do rio Ciliwung, tornando-se os primeiros canais holandeses: Leeuwengracht, Groenegracht e Steenhouwersgracht (do sul para o norte). A área do castelo começou em um antigo campo ao norte de Steenhouwersgracht, onde um mercado foi estabelecido. A primeira igreja e a prefeitura foram construídas por volta de 1622 na margem leste do rio (substituídas na década de 1630). Por volta de 1627, os três canais foram conectados ao canal Tijgersgracht, ladeado por coqueiros. Um observador contemporâneo descreveu o Tijgersgracht como "o mais imponente e agradável, tanto pela beleza de seus edifícios quanto pela ornamentação de suas ruas, que proporcionam uma sombra muito agradável para quem passa pela rua". A Prinsestraat, originalmente a rua que levava ao castelo, tornou-se um centro urbano conectando o portão sul do castelo à prefeitura.
Importância Regional
A região de Batávia era uma fonte crucial de alimentos e materiais de construção para a VOC. Em 1664, a Companhia estabeleceu um governo local, que se tornou totalmente funcional em 1682. Habitantes chineses começaram a cultivar cana-de-açúcar na área, contribuindo para a economia local.
Imagem: Batavia Public Library Illinois · BY-NC-ND · Openverse
Após a falência da VOC em 1800, a República Batávia nacionalizou suas posses, transformando Batávia de uma sede de empresa regional na capital de uma colônia expandida, as Índias Orientais Holandesas.
Expansão Urbana para o Sul
Em 1808, Herman Willem Daendels decidiu abandonar a Cidade Velha, que estava em ruínas e insalubre. Um novo centro urbano foi construído mais ao sul, na propriedade Weltevreden. Batávia se tornou uma cidade com dois centros: Kota, que era o centro de negócios com escritórios e armazéns de companhias de navegação e comércio, e Weltevreden, que abrigava o governo, militares e lojas. Os dois centros eram conectados pelo Canal Molenvliet e uma estrada ao longo do canal.
Período de Domínio Britânico
Durante o domínio britânico, Daendels foi substituído por Stamford Raffles. Em 1811, Raffles, que atuava como secretário do governador de Malaca para a Companhia Britânica das Índias Orientais, decidiu assumir o governo de Batávia. Um dos motivos era evitar a intervenção francesa, já que Napoleão havia nomeado Daendels, que colaborava estreitamente com os franceses. Em 1816, os holandeses retomaram o controle da região. Europeus foram trazidos para o arquipélago para estabelecer colônias em terras desocupadas, o que desencadeou guerras em Java e Sumatra. Um grande número de tropas foi enviado às Índias Holandesas para reprimir a agitação (especialmente em Sumatra) e expandir a influência do governo holandês além de Java. No entanto, os holandeses nunca conquistaram todo o arquipélago.
O Movimento de Independência
Mohammad Husni Thamrin, membro do Volksraad, criticou o governo colonial por negligenciar os kampungs e focar nos ricos de Menteng. Em 1909, Tirto Adhi Soerjo fundou a União Comercial Islâmica em Batávia para apoiar comerciantes indonésios, com filiais surgindo em outras áreas. Em 1920, Oemar Said Tjokroaminoto e Agus Salim estabeleceram um comitê em Batávia para apoiar o califado otomano. Em 1926, espiões alertaram os holandeses sobre uma revolta planejada, levando à prisão de líderes do Partido Comunista da Indonésia (PKI). Andries Cornelis Dirk de Graeff substituiu Dirk Fock como governador-geral, e as revoltas em Batávia, Banten e Priangan foram rapidamente suprimidas. Comunistas armados ocuparam a central telefônica de Batávia por uma noite antes de serem capturados. Os holandeses enviaram prisioneiros para Banden e para uma colônia penal em Boven-Digoel, na Nova Guiné Ocidental, onde muitos morreram de malária. Em 4 de julho de 1927, Sukarno e o Clube de Estudos fundaram a Associação Nacionalista da Indonésia, que mais tarde se tornou o Partido Nacional da Indonésia e se uniu a outras organizações para formar a União das Associações Políticas da Indonésia.


