Centro Histórico de Porto Alegre
O Centro Histórico é um bairro da cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. Foi criado pela lei 2022 de 7 de dezembro de 1959 com o nome de Centro e alterado pela lei 4685 de 21 de dezembro de 1979. Em 22 de janeiro de 2008 sua denominação atual foi fixada pela lei nº 10.364. Seus bairros vizinhos são: Cidade Baixa, Farroupilha, Bom Fim, Independência, Floresta e Praia de Belas.
Ponto inicial e final: encontro da Avenida Loureiro da Silva com a Avenida Presidente João Goulart, na Esplanada Luiz Celso Gomes Hyarup; desse ponto segue pela Avenida Presidente João Goulart até o ponto de coordenadas E: 276.757; N: 1.675.957, deste ponto segue por uma linha reta e imaginária até a orla do Lago Guaíba, ponto de coordenadas E: 276.635; N: 1.675.947, seguindo pela orla do Lago Guaíba na direção norte, contornando a Ponta do Gasômetro, e a nordeste, pelo Cais Mauá até o ponto de coordenadas E: 278.878; N: 1.677.572, localizado no limite do Cais Mauá com o Cais Marcílio Dias; desse ponto segue por uma linha reta e imaginária até o encontro da Avenida da Legalidade e da Democracia (antiga Avenida Presidente Castelo Branco) com o Largo Vespasiano Júlio Veppo, ponto de coordenadas E: 278.979; N: 1.677.541, por esse até o Complexo Viário Conceição - túnel, elevadas, acessos e Rua da Conceição, por esse até a Rua Sarmento Leite, por essa até a Rua Engenheiro Luiz Englert, por essa até a Avenida Loureiro da Silva, por essa até a Avenida Presidente João Goulart, ponto inicial.
As origens do Centro Histórico se confundem com a própria história de formação de Porto Alegre, e durante muito tempo sua área atual correspondeu aos limites de toda a cidade. Seu povoamento iniciou quando em torno de 1732 fixaram-se algumas famílias à beira do lago Guaíba, na ponta da península que define o Centro e junto à desembocadura do arroio Dilúvio, onde havia um atracadouro que foi chamado de Porto do Viamão, ou Porto do Dornelles, uma corruptela de "Ornellas", em referência ao sesmeiro Jerônimo de Ornelas, que havia recebido terras na área do Morro Santana. Na península, onde hoje é a Rua da Praia, os colonos ergueram uma diminuta capela consagrada a São Francisco das Chagas, elevada a curato em 1747, e em torno desta capela começou a se organizar efetivamente a primeira urbanização da futura Porto Alegre. Em 1750 o governador de Santa Catarina, Manoel Escudeiro de Souza, recebeu ordens de enviar ao Porto do Viamão parte dos casais que estavam para chegar dos Açores para colonizar o sul do país. Em 1751 foram selecionadas 60 famílias, perfazendo um total de cerca de 300 pessoas, que chegaram ao local em janeiro de 1752, sendo encaminhadas a terras já demarcadas no Morro Santana. Mas o local era pobre em fontes de água e foi abandonado, tendo a população se fixado junto do porto, que por esta razão passou a ser conhecido como Porto dos Casais. Em 1752 chegou nova leva de açorianos, que se juntaram a cerca de 60 milicianos do destacamento do Coronel Cristóvão Pereira de Abreu. Junto com a tropa veio o primeiro religioso, um capelão militar Carmelita, Frei Faustino Antônio de Santo Alberto. Ainda em 1752 a área da península foi desapropriada e disponibilizada legalmente para os colonos já assentados, mas a partilha e entrega efetiva dos lotes rurais individuais só aconteceria em 1772. O primeiro logradouro construído foi o cemitério, na beira do Guaíba e nas proximidades da Praça da Harmonia que, em seguida, foi transferido para o Morro da Praia, atual Praça da Matriz.
A decadência do Centro Histórico iniciou quando se deu permissão, nos anos 60, para que ali atuassem camelôs cegos. Entretanto, logo não somente os cegos se instalaram, mas uma multidão de outros comerciantes informais. A situação se tornou caótica quando o prefeito Alceu Collares expediu, nos anos 80, alvarás reconhecendo a atividade, acrescentando-se ao número autorizado uma enorme quantidade de ativos ilegais. À medida que os camelôs tomavam conta de todas as ruas centrais, o comércio tradicional se retraía, e muitas lojas tradicionais, como a Bromberg, Marinha Magazine e Guaspari encerraram suas atividades. Vários outros estabelecimentos que deram glamour ao Centro em anos anteriores também fecharam suas portas, incluindo vários cinemas, confeitarias, cafés e restaurantes. Ainda nos anos 80 vários outros fatores entraram em jogo para desvitalizar o Centro: o declínio do seu antigo distrito industrial; a formulação de um novo padrão de zoneamento urbano, perdendo muito de sua função residencial; as escassas condições de corresponder à crescente demanda habitacional; a especulação imobiliária; o aumento da criminalidade; a descentralização de investimentos e a construção de diversos grandes centros comerciais nos bairros, e o deslocamento de diversos órgãos administrativos estaduais e municipais para outros locais. Ao mesmo tempo a área central começou a se despovoar de residentes e do comércio de luxo, tornando inexorável sua degradação. Segundo Brawers et alii,
Praça da Matriz e entorno
A Praça da Matriz, cujo nome oficial é Praça Marechal Deodoro, foi um dos primeiros logradouros públicos a serem estabelecidos em Porto Alegre e logo se tornou o principal centro político, religioso e cultural da cidade, mas sua configuração original foi muito transformada. Antigamente possuiu os mais antigos monumentos públicos da cidade, o Chafariz do Imperador, de 1866, com estátuas em mármore alegóricas dos grandes rios que formam o lago Guaíba, hoje instaladas na Hidráulica Moinhos de Vento, e o monumento ao Conde de Porto Alegre, de 1885, hoje na praça homônima. Destaca-se na praça o imponente Monumento a Júlio de Castilhos, de Décio Villares, com várias esculturas em bronze. A praça e seu entorno são patrimônio nacional. Em seu entorno existem importantes edifícios, destacando-se:
Praça da Alfândega e entorno
A Praça da Alfândega, datada de fins do século XVIII, surgiu no local onde era o antigo porto fluvial da cidade. A praça é uma das mais tradicionais da cidade, e possui diversos monumentos e esculturas em seus recantos. Tombada em nível nacional e estadual junto com o seu entorno e incluída no Programa Monumenta, foi reformada para readquirir as características que possuía no início do século XX. Em seu entorno se agrupam diversos prédios históricos importantes, destacando-se:
Paço Municipal e entorno
O Paço Municipal localiza-se na Praça Montevidéu n.° 10, outro logradouro histórico. É chamado também de Paço dos Açorianos ou Prefeitura Velha, foi um dos primeiros edifícios locais a apresentar uma decoração de fachada com influência positivista. Foi tombado pelo município. Tem à sua frente a Fonte Talavera de La Reina, oferta da colônia espanhola em comemoração do centenário da Revolução Farroupilha.
Rua da Praia
Partindo da Santa Casa se estende a Rua dos Andradas, popularmente conhecida como Rua da Praia, via de circulação ainda carregada de folclore e pontilhada de uma série de edificações históricas até chegar à beira do lago Guaíba, onde se encontra a Usina do Gasômetro. Parte de seu calçamento é tombado pela prefeitura.
Praça Conde de Porto Alegre e faixa entre as ruas Riachuelo e Duque de Caxias
A Praça Conde de Porto Alegre, uma das mais antigas da cidade, registrada desde 1829, localiza-se onde foi o portão da antiga vila colonial. Localizada entre as ruas Duque de Caxias e Riachuelo, possui um importante memorial ao Conde de Porto Alegre, o primeiro monumento da cidade, que originalmente foi instalado na Praça da Matriz, à frente do palácio do governo. É uma estátua de mármore do herói militar, esculpida em 1885 por Adriano Pittanti auxiliado por Carlo Fossati. No entorno da praça estão edificações de interesse histórico:
Outros monumentos
Além desse grande grupo de edificações, que estão entre as mais importantes, as ruas mais antigas do Centro Histórico preservam evidências de seus traçados originais e a memória dos tempos de outrora em numerosos edifícios e residências de menor destaque, muitas vezes em trechos homogêneos significativos, que contribuem para emprestar uma aura peculiar ao bairro. Em outros trechos, há rica ilustração das principais fases evolutivas da arquitetura porto-alegrense. A prefeitura listou mais de mil imóveis do Centro Histórico em seu Inventário do Patrimônio Cultural, o que lhes oferece proteção e valorização.


