Abastecimento de água em Porto Alegre
Abastecimento de água em Porto Alegre refere-se ao sistema de coleta, tratamento e distribuição de água na cidade brasileira de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. A água para consumo provém do grande manancial do lago Guaíba, mas historicamente poços, fontes e riachos que cruzam a cidade também foram utilizados. Somente na década de 1860, com a criação da Companhia Hidráulica Porto-Alegrense, uma empresa privada, começou a ser organizado um sistema moderno. Em 1904 o poder público iniciou a encampação dos serviços, processo concluído em 1926, e atualmente a coordenação é feita pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos, que mantém usinas de coleta e tratamento e controla a rede de abastecimento.
O abastecimento iniciou com a coleta direta da água do lago Guaíba e de nascentes na região, e com a abertura de alguns poços. O primeiro registro sobre uma fonte pública em Porto Alegre data de fins de 1780, quando o ouvidor Manoel Pires Querido Leal mandou estabelecer uma fonte pública nos terrenos de Francisco Menezes Lara e Antônio Alves de Paiva, que foram instruídos a franquear a toda gente o acesso à fonte através de suas propriedades. Em 19 de fevereiro de 1790 a Câmara Municipal ordenou o conserto desta "fonte que está fora do portão", e mandava igualmente proceder à criação de "uma fonte dentro da Vila para bem comum do povo". A fonte externa aos portões da Vila de Porto Alegre estava localizada no encontro da atual Rua Avaí com a Avenida João Pessoa, motivo pelo qual a Rua Avaí era chamada de a Rua da Fonte. A fonte dentro da vila era um poço sito na esquina da Avenida Borges de Medeiros com a Rua Jerônimo Coelho, que ficou conhecida como a Rua do Poço. Este poço serviu à cidade até meados de 1830, quando a Câmara debatia sobre a má qualidade da água, sua localização inadequada no meio da rua estorvando o trânsito e o estado arruinado da escavação.
Face aos problemas aparentemente insolúveis da iniciativa privada, em 1904 a Intendência Municipal decidiu assumir o fornecimento de água adquirindo a Hidráulica Guaibense e iniciando a construção de uma nova usina de bombeamento na Rua Voluntários da Pátria e um novo reservatório no bairro dos Moinhos de Vento. Em 1907 foi criado um departamento especial, a Seção de Hidráulica Municipal, para administrar os serviços, e em 1910 foi tornada obrigatória a instalação de hidrômetros. Ainda em 1910 a Comissão Municipal de Saneamento passou a fiscalizar as obras sanitárias domiciliares e em 1911 uma lei regulamentou a disposição do esgoto doméstico. Nesta época o desejo da Intendência era atingir um nível de qualidade nos serviços semelhante ao europeu. Por volta de 1912 um relatório do intendente José Montaury assinalava que a água canalizada chegava a uma área delimitada pelas ruas Ramiro Barcelos, Venâncio Aires e João Alfredo, até o litoral do Guaíba, e mais os bairros Navegantes e São João.
Departamento Municipal de Água e Esgotos
Em 1956 a Diretoria Geral de Saneamento foi transformada na Secretaria Municipal de Água e Saneamento. Foi obtido um grande empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, com o qual o município pôde investir em saneamento básico e no tratamento da água. Por exigência do contrato, pela Lei nº 2.312 de 15 de dezembro de 1961 a Secretaria foi convertida em uma autarquia, sendo criado ao mesmo tempo, para substituí-la, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE). O Departamento instalou novas hidráulicas nos bairros Tristeza, Menino Deus e São João, e estabeleceu como prioridade ampliar significativamente a rede de coleta do esgoto, mas não contemplou o seu tratamento da mesma maneira, recomendando que fosse lançado in natura no meio do canal de navegação do Guaíba, através de um emissário subfluvial, a partir da Ponta da Cadeia, substituindo o ponto de descarga da Ponta do Melo. Neste período o município elaborou o Plano Diretor de Esgotos Sanitários e em 1973 publicou o Plano Integrado de Esgotos Cloacais, com poucos efeitos práticos. A rede de coleta do esgoto teve alguma ampliação, mas o tratamento continuou sendo negligenciado.


