Pesquisa · Mapa mental

Auguste de Saint-Hilaire

Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire foi um botânico, naturalista e viajante francês. O estudioso pertenceu aos primeiros grupos de cientistas, vindos da Europa, para realizarem suas pesquisas e explorações no Brasil Colônia, durante os anos de 1816 e 1822, período no qual a corte portuguesa estava instalada no país, na cidade do Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
01

Vida

Imagem: Halley Pacheco de Oliveira · BY-SA · Openverse

Europa: primeiros anos

Filho de um oficial da artilharia, pertencente à nobreza do interior França, Auguste de Saint-Hilare nasceu em 1779 na cidade de Orleães, região conhecida por ter sido palco do embate entre Joana D'Arc e os exércitos ingleses durante a Guerra dos Cem Anos. Desde pequeno o francês manifestava vocação nata para o estudo das ciências naturais, mas por conta dos imperativos do país, entendido como a Revolução Francesa, Saint-Hilaire foi enviado para a Alemanha, onde trabalhou no porto de Hamburgo e conheceu o também botânico Karl Sigismund Kunth. Após a experiência malsucedida, Auguste começa sua carreira como naturalista. Entre suas influências, destaca-se o nome do botânico sueco Carolus Linnaeus, autor do livro Systema Naturae, de 1735, que teoriza sobre uma classificação hierárquica das espécies, e também o nome do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, cujas vida e obra foram tema de uma monografia de Saint-Hilare. É também inspirado pelas lendárias viagens oceânicas, datadas entre 1768 e 1779, do capitão inglês James Cook, que inclusive visitou a cidade do Rio de Janeiro.

Brasil: viagens exploratórias entre 1816 e 1822

Auguste, com 37 anos, viajou pelo Brasil, durante os anos de 1816 a 1822, financiado pela França, tendo escrito importantes livros sobre os costumes e paisagens brasileiros do século XIX. O francês desembarcou no país na cidade do Rio de Janeiro em primeiro de junho daquele mesmo ano. Junto com ele e o conde de Luxemburgo, vinha um grande grupo de cientistas, entre eles, destaca-se o Conde de Clarac, Charles Othon Frederick John Baptist of Clarac, desenhista e arqueólogo também francês. Paralelamente a sua chegada, desembarcava no país um outro grupo de franceses, no caso a Missão Artística Francesa, encabeçada pelos irmãos Taunay, Auguste-Marie Taunay Nicolas-Antoine Taunay e Aimé-Adrien Taunay, o pintor Jean-Baptiste Debret e o encarregado da missão Joachim Lebreton.

02

Roteiro no Brasil e Uruguai

Imagem: Eduardo Amorim · BY-NC-ND · Openverse

Principais localidades visitadas por Saint-Hilaire no Brasil e Uruguai (1816-1822). Auguste retorna para seu país de origem, após um caso de envenenamento por mel de vespa, acontecimento este que abala seriamente seu sistema nervoso. Assim, volta em busca alívio e tranquilidade para o sul da França. E, ali, concentrou-se no estudo do acervo que coletou e trouxe do Brasil, publicando inúmeras obras de referência na área de botânica, como os três volumes da Flora brasiliae meridionalis até hoje revisitada. Pela sua obra, em 1834, tornou-se membro correspondente da Academia de Ciências da Prússia e também recebeu a Ordem Portuguesa de Cristo. Além das já mencionadas, o botânico também integrou inúmeras outras associações científicas, como a Academia Francesa, a Sociedade Lineana, em Londres, a Academia de Ciências de Lisboa, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro. Saint-Hilaire morreu aos 73 anos, na mesma cidade em que nasceu, Orleães.

Rio de Janeiro

Volta de São Paulo: Rio Piraí, São João Marcos

Minas Gerais

Terceira passagem (vindo de Goiás rumo a São Paulo):

03

Obra

Contexto histórico brasileiro

Grande parte do Brasil, a época, colônia de Portugal ainda vivia em estado virgem, intocado, o que favoreceu e muito as descobertas de Saint-Hilaire. As mudanças deste cenário ocorriam de maneira muito pouco expressiva, mas ampliam sua densidade, por exemplo, com a chegada da família real portuguesa, em 1808, fugida dos conflitos entre as duas potências europeias, França e Inglaterra. O primeiro decreto da corte, em processo de instalação, feito no país foi a Abertura dos Portos, que permitiu a chegada de produtos para além da metrópole. Deu-se início, então, a uma invasão de produtos estrangeiros, entre eles, carteiras e porta-notas. No entanto, não existia aqui papel-moeda circulante e não era costume dos homens da elite carregarem seus bens, porque deixavam essa função aos seus escravos. Por fim, os produtos nunca foram vendidos. Tal caso ilustra bem a situação da terra a qual Saint-Hilaire desbravaria nos próximos 8 anos. Ainda era preciso mover grandes esforços para transformar este lugar em uma sede da metrópole.

Introdução à obra

Os cadernos de campo de Auguste Saint-Hilaire contêm, primordialmente, análises de diferentes espécies de plantas que foram coletadas até porque era este o motivo pelo qual a França o contratava. Da vasta obra do autor, deve-se destacar os três volumes da "Flora Brasiliae Meridionalis", publicados após o seu retorno ao seu país de origem. No entanto as paisagens que encontrou durante suas expedições não foram produzidas enquanto avançava pelos cenários brasileiros, mas sim produzidas para edições posteriores de suas obras, que foram ilustradas por outros artistas como Hercule Florence e Jean-Baptiste Debret. Para além do valor científico, seus relatos são documentos de valor histórico para o país por carregarem descrições detalhadas da sociedade e dos costumes brasileiros na primeira metade do século XIX. Tais relatos, muitas vezes, assumiam determinado teor de crítica moralizante.

04

Legado e homenagens no Brasil

Em 1900, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro recebia um busto em homenagem ao botânico francês, também conhecido popularmente como um cientista luso-brasileiro por suas importantes descobertas regionais em sua área, pelo III Centenário do Museu da História Natural de Paris. A peça, em bronze, foi esculpida pelo artista plástico brasileiro Bartolomeu Cozzo, mais conhecido como Humberto Cozzo, que já havia esculpido importantes monumentos públicos, como um busto de José de Alencar e outro de Machado de Assis. Na cidade de São Vicente/SP existe uma escola municipal com o seu nome: EMEF Augusto de Saint Hillaire, situado na Av. Martins Fontes, 1000 no bairro Catiapoã, fundada no século XIX. Em 2001 foi criado o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, na região de Paranaguá, no litoral do Paraná. As expedições que Saint-Hilaire realizou pelos interiores do Brasil e que em alguns momentos se expandia para a fronteira de outros países da América do Sul criou uma espécie de mito e a vontade de refazê-las para estudá-las. Em 2009, pesquisadores da UFMG percorrem os passos do botânico no estado de Minas Gerais, incluindo cidades como Diamantina, São João del-Rei e Ouro Preto, no projeto intitulado como "Plantas Medicinais da Estrada Real - seguindo as pegadas de Auguste Saint-Hilaire", organizado pelo Museu de História Natural e Jardim Botânico.

05

Curiosidades

Imagem: Eduardo Amorim · BY-NC-ND · Openverse

Pelo seu interesse em plantas medicinais e pela flora brasileira, de um modo geral, muitos brasileiros enxergavam na figura de Sainta-Hilaire não o botânico francês, mas, sim, como um médico capaz de curar os males que os afetavam e, por isso, constantemente, via-se cercado de pessoas pedindo-lhe favores desta área. Tal tratamento se justifica pelo fato de que "colher plantas" era tido como um hábito de curandeiros e, salvo raras exceções, aqueles indivíduos estavam tendo seu primeiro contato com o cientista, profissão até mesmo desconhecida por muitos. Se hoje surgem questionamentos sobre suas atividades tidas como biopirataria, Auguste também pode ser considerado, paradoxalmente, como um dos poucos viajantes ou nativos preocupados com a ecologia. As queimadas eram vistas como gestos de grande barbaridade e ele as cita como árvores gigantescas destruídas e findas em cinzas, onde antes habitava a mata virgem. Tal ato era julgado, por ele, como atitude de pessoas que acreditam ser a natureza infinita e sem consciência de que a situação das florestas são muito mais complexas e nem sempre renováveis.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando