Centro (política)
Na política, centro é a posição caracterizada como uma interseção dentro do espectro esquerda-direita. Para alguns, há apenas duas posições políticas: a esquerda e a direita. Porém, além dessa dicotomia, há o centrismo aderido por moderados. Vertentes do liberalismo, como o liberalismo social e a terceira via, se enquadram no centro uma vez que defendem pontos de vista considerados de esquerda pela direita e pontos de vista considerados de direita pela esquerda.
Imagem: Fotos de Camisetas de SANTI OCHOA · BY-NC-ND · Openverse
O termo "centro" teve origem na Roma Antiga, onde é descrito pela frase "In mediun itos", que significa "a virtude está no meio".
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Século XVIII e XIX
O centrismo faz parte do espectro esquerda-direita que se desenvolveu durante a Revolução Francesa. Quando a primeira Assembleia Nacional francesa foi organizada, os conservadores reacionários sentaram-se nos assentos à direita do presidente da Câmara, enquanto os radicais sentaram-se à esquerda do presidente da Câmara. Os moderados que não eram afiliados a nenhuma das facções ocuparam as cadeiras ao centro e passaram a ser conhecidos como centristas. Embora o liberalismo tenha começado como um desafiante de centro-esquerda ao conservadorismo, veio a ocupar o centro político da política ocidental no início do século XIX, uma vez que também se opôs ao radicalismo e ao socialismo. O apoio liberal ao anticlericalismo e aos direitos individuais desenvolveu-se em oposição ao conservadorismo, estabelecendo os ideais que acompanhariam o liberalismo à medida que se tornasse a ideologia centrista predominante na Europa.
Guerras Mundiais e Guerra Fria
O liberalismo centrista foi um dos dois principais grupos ideológicos globais no início do século XX, onde foi desafiado pelo conservadorismo e pelo catolicismo de direita. O centrismo enfrentou uma pressão crescente a partir do período entreguerras, à medida que a esquerda ressurgia, o que significa que o centrismo foi desafiado em ambas as direções. O agrarianismo perdeu grande parte da sua influência na década de 1930, quando as nações caíram sob ditaduras fascistas, e o seu regresso na década de 1940 foi de curta duração, quando as nações caíram sob o domínio comunista. Os países nórdicos, que foram na sua maioria poupados de ambos os movimentos, foram as únicas nações a manter partidos agrários fortes. O Holocausto acabou com o apoio a qualquer racismo científico e à eugenia defendida pelos liberais centristas, uma vez que, em vez disso, adotaram o antirracismo. Após a Segunda Guerra Mundial, os partidos centristas da classe média nos países desenvolvidos tornaram-se menos comuns à medida que se moviam para a esquerda ou para a direita.
1990–atualmente
Depois da dissolução da União Soviética na década de 1990, o liberalismo centrista foi visto como a força dominante na política. A centro-esquerda e a centro-direita aproximaram-se do centro nas décadas de 1990 e 2000. A centro-direita, anteriormente neoliberal, passou a aceitar melhor o Estado-providência e mostrou mais apoio no combate à pobreza e à desigualdade. Isso incluiu a "América mais gentil e amistosa" defendida por George H. W. Bush nos EUA, "O Novo Centro" de Gerhard Schröder na Alemanha, o "Thatcherismo de rosto cinzento" de John Major no Reino Unido, e o antineoliberalismo do presidente mexicano Vicente Fox. A centro-esquerda adotou políticas de terceira via com ideias populares entre o centro-direita, incluindo orçamentos equilibrados e impostos baixos. Entre esses movimentos estava o "Novo Trabalhismo" liderado por Tony Blair. Os partidos sociais-democratas aceitaram melhor a economia pelo lado da oferta, as políticas de austeridade e a redução dos programas de bem-estar. Contudo, algumas potências como a China e a Rússia resistiram ao consenso liberal ocidental.
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Tradicionalmente, o termo "centrismo" tem uma conotação de ter uma posição vaga e carecer de princípios ou fundamentos filosóficos, além de basear-se, na melhor das hipóteses, na busca por acordos baseados na crença (racional ou não) na "boa-fé" kantiana ou na virtude supostamente inerente ao meio-termo aristotélico. Por esse ângulo, o centro é comumente visto como uma posição política típica da democracia representativa, que é caracteriza como uma ideologia carente de concepções dogmáticas dos indivíduos, da sociedade e de ordem política, e com posições que para alguns podem parecer elitistas. Essa percepção é questionada por pensadores estadunidenses como Alvin Goldman, Alvin Plantinga, Ernest Sosa e Linda Trinkaus Zagzebski que, baseados na filosofia analítica, buscam resolver o que veem como falsos dilemas por meio do encontro do "terceiro excluído". Daí surgem posições como o "centro radical", concebido considerando que a afirmação simultânea de que os princípios dos extremos políticos não só não é contraditória/utópica, mas é um ato válido para a virtude epistêmica que permite superar aparentes dicotomias como, por exemplo, "ou socialismo ou capitalismo". Assim, por exemplo, um centrista pode alegar que tanto a cooperação do socialismo quanto a competição do capitalismo são necessárias para o desenvolvimento econômico, a fim de produzir uma solução que encoraje o capital e a classe trabalhadora a produzirem em harmonia a riqueza necessária.
Imagem: Ministerio de Justicia y Derechos Humanos 2018 - 2 · BY-NC · Openverse
A partir de 1917, o Centro Católico Português adotou uma postura considerada centrista, se afastando quer dos monárquicos, à direita, quer dos republicanos e sugerindo que os católicos acatassem as regras do jogo democrático da Primeira República. Determinados grupos democratas-cristãos franceses retomaram a designação e, por meio do político Jean Lecanuet, criaram o Centro dos Democratas Sociais, o que motivou os portugueses Diogo Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa a fundarem em julho de 1974, o Partido do Centro Democrático e Social. Na década de 1980, o centro teve papel importante na transição para a democracia.
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No Brasil, a maior parte dos partidos posiciona-se como "centrista" por integrarem o Centrão. Porém, há partidos ideologicamente centristas, a exemplo do Cidadania e da Rede Sustentabilidade.


