Cavalaria medieval
Cavalaria medieval é a instituição feudal dos cavaleiros nobres e aos ideais que lhe eram associados ou que lhe foram associados pela literatura, nomeadamente a coragem, a lealdade e a generosidade, bem como a noção de amor cortês.
No tempo de Carlos Magno, guerreiros montados se tornaram a unidade militar de elite dos francos e essa inovação se espalhou pela Europa. O lutar de um cavalo era mais glorioso pois o homem montado cavalgava em direção à batalha, movia-se rapidamente e atropelava os inimigos de classe baixa a pé. Quando a cavalaria enfrentava outra cavalaria, o ataque em velocidade e o contato resultante era violento. Lutar montado era prestigioso por causa do alto custo dos cavalos, armas e armaduras. Somente indivíduos abastados, ou os serventes dos ricos, podiam lutar a cavalo. Reis do fim da Idade Média tinham pouco dinheiro para pagar por grandes contingentes de cavalaria, a qual era cara. Guerreiros eram feitos vassalos e recebiam feudos. Esperava-se que eles utilizassem os lucros com a terra para comprar cavalos e equipamentos. Em muitos casos, vassalos mantinham grupos de soldados profissionais. Num tempo no qual a autoridade central era fraca e as comunicações pobres, o vassalo, auxiliado por seus serventes, era responsável pela lei e pela ordem no feudo. Em retorno pelo feudo, o vassalo concordava em prover serviço militar para seu lorde. Dessa maneira, grandes lordes e reis eram capazes de levantar exércitos quando desejassem. A elite desses exércitos eram os vassalos a cavalo.
Quando primeiro usado, o termo "cavalheirismo" significava habilidade em lidar com cavalos. O guerreiro de elite da Idade Média se distinguia dos camponeses, clérigos e deles mesmos por sua habilidade como cavaleiro e guerreiro. Cavalos fortes e velozes, armas bonitas e eficientes, e armaduras bem-feitas eram o símbolo de status. Por volta do século XII, o cavalheirismo se tornou um estilo de vida.
10 Mandamentos da Cavalaria
Os Dez Mandamentos de cavalaria de Gautier, estabelecidos em 1891, são: Na prática, cavaleiros e aristocratas ignoravam o código de cavalaria quando lhes fosse apropriado. Hostilidades entre os nobres e lutas por terras tinham precedência sobre o código. O costume tribal germânico que determinava que as propriedades do chefe fossem divididas entre os filhos ao invés de passar para o mais velho, geralmente provocava guerras entre os irmãos pelos espólios. Um exemplo disso foi o conflito entre os netos de Carlos Magno. A Idade Média foi também um período de guerras civis, nas quais os grandes perdedores geralmente eram os camponeses. No final da Idade Média, reis criaram ordens de cavalaria, que eram organizações exclusivas de distintos cavaleiros os quais juravam obediência ao rei e aos outros membros da ordem. Se tornar um membro de ordem de cavalaria era extremamente prestigioso, tornando um homem um dos mais importantes do reino.
Na idade de sete ou oito anos,[carece de fontes?] garotos da nobreza eram mandados para viverem com grandes lordes como pajens. Os pajens aprendiam habilidades sociais básicas das mulheres da casa do lorde e começava o treinamento básico no uso de armas e a cavalgar. Na idade de 14 anos, o jovem se tornava escudeiro, um cavaleiro em treinamento. Escudeiros eram delegados a um cavaleiro que prosseguia com a educação do jovem. O escudeiro era o companheiro e servente do cavaleiro. Os deveres do escudeiro incluíam o polimento das armaduras e armas (propensas à ferrugem), ajudar seu cavaleiro a se vestir e despir, tomar conta de seus pertences e até dormir no vão ocupado pela porta como um guarda. Nos torneios e batalhas, o escudeiro ajudava seu cavaleiro quando preciso. Ele levava armas substitutas e cavalos, tratava das feridas, afastava os cavaleiros feridos do perigo, ou garantia um enterro decente, se necessário. Em muitos casos o escudeiro ia à batalha com seu cavaleiro e lutava ao seu lado.
A passagem da espada
A bênção da espada era essencial. Colocada sobre um altar, ela era devolvida ao cavaleiro por um eclesiástico. Uma vigília de armas, preces, e um banho purificador muitas vezes precediam o ritual. Todavia, as sagrações não tinham sempre esse caráter litúrgico - o elemento central constante era a passagem pública da espada ao futuro cavaleiro. O ato da entrega da arma era acompanhado de um toque suave sobre a face ou nuca, técnica que se modificaria ao longo do tempo, para se transformar, no século XIV, em espaldeirada, golpe dado com o lado chato da lâmina da espada, sobre o ombro do cavaleiro. A cerimônia terminava com a entrega das esporas, em geral douradas, ajustadas aos pés do novo cavaleiro por dois de seus pares. Finalmente, ao cavaleiro era levado seu cavalo de combate (corcel), sobre o qual ele saltava inteiramente armado, para fazer a demonstração de seu valor em exercícios guerreiros.
Simulações de batalhas entre cavaleiros, chamadas de torneios, começaram no século X e foram imediatamente condenadas pelo segundo Concílio de Latrão, sob o Papa Inocêncio II, e pelos reis da Europa, os quais se opunham aos ferimentos e mortes de cavaleiros no que eles consideravam uma atividade frívola. Os torneios floresceram, entretanto, e se tornaram parte da vida do cavaleiro. Os torneios começaram como simples competição entre cavaleiros mas se tornaram mais elaborados com o passar dos séculos. Eles se tornaram importantes eventos sociais os quais atraiam patronos e competidores de grandes distâncias. Arenas especiais foram construídas com arquibancadas para espectadores e pavilhões para os combatentes. Cavaleiros continuavam a competir individualmente e também em equipas. Eles duelavam entre si usando uma variedade de armas e simulavam batalhas corpo-a-corpo com muitos cavaleiros em um lado. Disputas envolvendo dois cavaleiros lutando com lanças se tornaram o principal evento. Os cavaleiros competiam, como atletas modernos, por prêmios, prestígio e olhares das damas que enchiam as arquibancadas.
Durante as Cruzadas, foram criadas ordens militares de cavaleiros para auxiliar os objetivos cristãos do movimento. Eles se tornaram os mais ameaçadores dos cruzados e os inimigos mais odiados dos árabes. Essas ordens persistiram depois que as cruzadas na Palestina fracassaram. A primeira dessas ordens eram os Cavaleiros do Templo, ou Templários, criados em 1118 para proteger o Santo Sepulcro, em Jerusalém. Os templários vestiam um sobretudo branco com uma cruz vermelha e faziam os mesmos votos que os monges beneditinos - pobreza, castidade e obediência. Os templários estavam entre os mais bravos defensores da Terra Santa, sendo os últimos cruzados a abandoná-la. No passar dos anos, eles se tornaram ricos por causa de doações e empréstimos de dinheiro com interesses, atraindo a inveja e desconfiança dos reis. Em 1307, o rei Filipe IV da França acusou-os de muitos crimes, incluindo heresia, os prendeu e confiscou suas terras. Outros líderes europeus seguiram seu exemplo e os Templários foram destruídos.
Para distinguir os cavaleiros no campo de batalha, um sistema de emblemas chamado heráldica foi desenvolvido. Para cada nobre foi desenvolvido um emblema especial para ser mostrado em seu escudo, sobretudo e bandeiras. O termo escudo de armas passou a designar o próprio emblema. Uma organização independente conhecida como Colégio dos Arautos desenhava brasões individuais e asseguravam que cada um era único. Os brasões eram registrados pelos arautos em livros especiais sob sua guarda. Brasões eram passados de geração para geração e eram modificados pelo casamento. Certos desenhos eram reservados à realeza de diferentes países. Pelo fim da Idade Média, cidades, guildas, e até proeminentes cidadãos não nobres receberam brasões. No campo de batalha, combatentes usavam os brasões para distinguir amigos e inimigos e para escolher um adversário digno para uma luta corpo-a-corpo. Arautos faziam listas de cavaleiros prestes a lutar baseados em sua insígnias. Os arautos eram considerados neutros e atuavam como intermediários entre os dois exércitos. Dessa forma, eles podiam passar mensagens entre os defensores de um castelo ou cidade e seus sitiadores. Depois de uma batalha, os arautos identificavam os mortos pelos seus brasões.
Desde a primeira aparição da cavalaria, por volta de 1000 a.C., tropas montadas têm cumpridos vários importantes papéis nas batalhas. Eles atuavam como batedores, escaramuçadores, uma força de choque para luta corpo-a-corpo, guardar a retaguarda, e perseguiam exércitos em retirada. A cavalaria era dividida em diversas categorias diferentes conforme o equipamento e treinamento, e certas categorias eram mais adequadas para certas tarefas que outras. A cavalaria leve usava pouca ou nenhuma armadura e era mais apropriada para reconhecimento, escaramuças e guardar a retaguarda. A cavalaria pesada vestia armadura e era mais adequada sendo usada como uma força de choque para atacar o inimigo. Todos os tipos de cavalaria se destacavam em perseguições. A cavalaria da Idade Média era essencialmente uma cavalaria pesada, e seu código enfatizava seu papel como uma tropa de choque atacando a cavalaria e infantaria inimigas. A partir do século XIII, o termo "homem de armas" era usado para descrever guerreiros com armadura lutando a cavalo ou a pé. O novo termo aplicava-se tanto aos cavaleiros como aos escudeiros, pequena nobreza e soldados profissionais.
Armas
A lança era a arma com a qual a cavalaria começava a lutar. Era ideal para furar inimigos a pé, especialmente os que estivessem em fuga. A exibição da lança na frente do cavaleiro montado ajudava na intimidação causada pela aproximação da tropa em assalto. Parte da força do cavalo podia ser transmitida através da lança no momento do impacto. O cavaleiro em ataque se tornava um enorme projétil. Historiadores discordam na importância do estribo para ascensão dos cavaleiros. O estribo surgiu na Ásia e chegou à Europa no século VIII. Alguns acreditam que ele foi crucial para a ascensão dos cavaleiros pois permitia ao cavaleiro apoiar a si mesmo e sua lança, transmitindo toda a força do cavalo para a ponta da lança. Ninguém discorda da vantagem dessa multiplicação da força, mas outros sugerem que a sela alta desenvolvida no tempo dos romanos permitia que os ginetes transmitissem essa força antes do aparecimento do estribo.
Armaduras
A cota de malha já era usada pelos antigos romanos e por algumas das tribos germânicas invasoras, incluindo os godos. A cota permaneceu popular com a nobreza da Europa medieval até que a armadura de placas (Brigantina) passou a ser usada no século XIII. A mudança foi feita em parte porque uma flecha ou ponta de espada podia penetrar na cota. Uma túnica, chamada de sobretudo, era usada por cima da cota especialmente durante as Cruzadas para defletir o sol. Os elmos também evoluíram de simples desenho cônico para um grande balde de metal, até grandes peças esculpidas para desviar flechas. Posteriormente, os elmos podiam ser presos à armadura do corpo.
Cavalos
Os cavaleiros tinham um orgulho especial por seus cavalos, os quais eram criados para serem fortes e velozes. Eles, além disso, necessitavam de treino extensivo para serem manejáveis durante um ataque corpo-a-corpo. Os cavalos eram treinados para atacarem com um mínimo de orientação, deixando o cavaleiro livre para segurar seu escudo e lança. Historiadores discordam se os cavalos dos cavaleiros eram pesados para aguentarem carregar o peso de um cavaleiro totalmente equipado, ou um cavalo pequeno, apreciado por sua velocidade e agilidade. A habilidade em lidar com cavalos era uma outra características com a qual os cavaleiros de elite se distinguiam dos plebeus. Ela era praticada durante a caça, uma popular atividade de lazer que os nobres mantiveram até hoje na tradicional caça à raposa.
No tempo de D. João I, foi determinado que os senhores das terras deveriam fornecer 840 lanças e as ordens militares então existentes - Hospitalários, de Santiago de Espada, de Avis e de Cristo - deveriam participar nas hostes com 340 lanças. Então, calculou-se em 2 360 o número de lanças singelas a fornecer pelos restantes cavaleiros - os menos ricos. Assim, dispunha-se de um total de 3 540 lanças, às quais se juntaria a cavalaria da ordenança ou do couto, isto é, os cavaleiros-vilãos, fornecidos pelos concelhos. Estes eram homens ricos, que possuíam as herdades (terras herdadas) e, por isso, eram conhecidos também pelo nome de herdadores. A obrigação de ter cavalo era relacionada com os bens possuídos.


