Catalunha
Catalunha é uma comunidade autônoma da Espanha localizada na extremidade leste da Península Ibérica. É designada como uma nacionalidade pelo seu Estatuto de Autonomia. A Catalunha é composta por quatro províncias: Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona. A capital e a maior cidade é Barcelona, o segundo município mais povoado de Espanha e a quinta área urbana mais populosa da União Europeia. A Catalunha compreende a maior parte do território do antigo Principado da Catalunha. Tem fronteiras com a França e Andorra ao norte, o Mar Mediterrâneo a leste e as comunidades autônomas espanholas de Aragão a oeste e Valência ao sul. As línguas oficiais são o catalão, o espanhol e o occitano aranês.
O nome Catalunya (Catalunha) Cathalonia, ou Cathalaunia no latim medieval — começou a ser usado para a pátria dos catalães (Cathalanenses) no século XI e foi usado provavelmente antes como uma referência territorial ao grupo dos condados que compreendeu parte da Marca de Gócia e a Marca Hispânica sob o controle do Conde de Barcelona e seus parentes. A origem do nome Catalunya está sujeita a interpretações diversas devido à falta de provas. Uma teoria sugere que Catalunya deriva do nome Gócia (ou Gáucia) Lâunia ("Terra dos Godos"), desde que as origens dos contagens catalães, senhores e povos foram encontradas na Marca de Gócia, conhecido como Gócia, de onde Gothland> Gothlandia> Gothalania> Cathalaunia> Catalunya derivada teoricamente. Durante a Idade Média, cronistas bizantinos alegaram que Catalânia deriva da fusão local de godos com alanos, inicialmente constituindo Godo-Alânia. Isaac Newton no seu livro "As profecias do Apocalipse e o Livro de Daniel" refere que o nome Catth-Alania ou Cathaala Unia foi um nome colocado pelos Catos e Alanos, dois povos que habitaram essa zona da atual Espanha.
Pré-história
O primeiro povoamento do território data da época do Paleolítico Médio. Os vestígios mais antigos encontrados correspondem à mandíbula de um pré-Neandertal encontrada em Banyoles, com 25 mil anos. Existem amostras de pinturas rupestres em Ulldecona, e megalíticos médios espalhados por toda a Catalunha. Os mais destacados são o da Cova d'en Daina, Creu d'en Cobertella o na Costa dels Garrics. Durante a Idade do Bronze, a cultura dos campos de incineração, uma prática vinda da Europa Central, assim como a aparição do bronze permitem o desenvolvimento dos primeiros povos, ofícios, uma certa organização hierárquica e, sobretudo, uma primeira amostra de povoamento urbanizado. Exemplo disso a grande quantidade de objetos e outros elementos encontrados no Llavorsí (Pallars Sobirà) e no Barranc de Gàfols (no Baix Ebre).
Idade Antiga
A colonização na idade antiga deu-se em duas etapas. A primeira etapa deu-se com o início da colonização pelos Gregos e Cartagineses. A segunda etapa corresponde a romanização da Catalunha iniciada em 218 a.C. O início da presença romana na Catalunha começa com a Segunda Guerra Púnica. O atual território catalão foi primeiro englobado na província chamada Hispânia Citerior, para formar parte desde o ano de 27 a.C. a Tarraconense, cuja capital foi Tarraco (atual Tarragona). Com a crise do século III que afetou o Império Romano, a Catalunha foi afetada gravemente com destruição e abandono das vilas romanas.
Idade Média
No século V com a invasão dos povos germânicos, os Visigodos instalaram-se em Tarraconense e em 475 o rei visigodo Eurico formou o Reino Visigodo de Tolosa. Os Visigodos dominaram a região até ao século VIII. Em 711, os Árabes iniciam a conquista da Península Ibérica, algumas batalhas tomaram conta de região principalmente em Tarragona. No último quarto do século VIII veio a reacção dos carolíngios, que conseguiram o domínio das actuais cidades de Girona e Barcelona. No final do século IX, Carlos II (ou Carlos, "o Calvo") nomeou Vifredo, o Veloso Conde de Barcelona e Gerunda. Antes de morrer, marca um precedente, designando aos seus três filhos as terras a herdar. Somente no século seguinte houve independência em relação ao poder carolíngio.
Idade Moderna
Em 1469, o Rei Fernando II de Aragão, da Casa de Trastâmara, casou-se com Isabel I de Castela o que conduziu a uma união pessoal dos dois reinos e a formação da Monarquia Católica. O Principado da Catalunha passa a ser um estado periférico dentro da confederação hispânica que com os descobrimentos e casamentos reais consegue dominar a Europa. Cada reino tinha as suas próprias leis, moedas, cortes ou línguas. Nos séculos XVI e XVII, a Catalunha viveu um período de decadência. Em 1640 a obrigação de alojar tropas castelhanas, o abuso dos militares e as consequências derivadas da guerra provocam grande enojo entre a população catalã. Em 7 de junho do mesmo ano, durante a festividade do Corpo de Deus, um ceifeiro (em catalão “segador”) é morto, o que a sua vez leva à morte do Conde de Santa Coloma, a maior autoridade da monarquia na Catalunha nessa altura. Os catalães envolveram-se num conflito, a Guerra dos Segadores, de 1640 até 1652, contra a presença de tropas de Castela em território catalão, durante a guerra dos trinta anos, o que acarretou o estabelecimento de uma República Catalã entre 1640 e 1641 e a posterior incorporação do Rossilhão no reino francês.
Idade Contemporânea
No século XIX foi severamente afetada pelas guerras napoleónicas e carlistas. Ao longo do século XIX a Catalunha representa a força industrial da Espanha, é a primeira a introduzir a industrialização através do vapor em primeiro lugar. O têxtil representa a força da indústria catalã do século XIX. Também o comércio com as nações americanas contribuir a revolução alimentaria, industrial, dos transportes e tecnológica. O capital estrangeiro investe na Catalunha e isso introduz a siderurgia, além de outros novos elementos característicos da Revolução Industrial. Os primeiros bancos conseguem grande impulso durante a chamada Febre do Ouro até à quebra dos mercados de 1866. O proletariado começou, por tanto, inicialmente na Catalunha e tomou a cidade de Barcelona, como centro das manifestações.
Situada no extremo nordeste da Península Ibérica, a Catalunha é a sexta comunidade autónoma da Espanha em termos de área, ocupando um território de 32.114 km², e limita a norte com Andorra e França (com os departamentos dos Pirenéus Orientais, Ariège e Alto Garona, na região Occitânia), ao sul com a Comunidade Valenciana, a leste com o mar Mediterrâneo e a oeste com Aragão. A Catalunha tem uma marcada diversidade geográfica, se considerarmos o tamanho relativamente pequeno do seu território. A geografia é condicionada pela costa mediterrânea, com 580 km (360 milhas) de litoral, e os Pirenéus ao norte. O território catalão é dividido em três principais unidades geomorfológicas, os Pirenéus, o sistema mediterrâneo catalão e a Depressão Central Catalã. Os Pirenéus catalães representam quase metade do comprimento dos Pirenéus, uma vez que se estende mais de 200 km. Tradicionalmente diferenciaram-se os Pirenéus Axiais (a parte principal) e os Pré-Pirenéus (sul do Axial) que são formações montanhosas paralelas às principais cordilheiras mas com altitudes inferiores, menos íngremes e uma formação geológica diferente. A montanha mais alta da Catalunha, localizada ao norte da comarca de Pallars Sobirà, é a Pica d'Estats (3.143 m), seguida pelos Puigpedrós (2 914 m). No Pré-Pirenéus situa-se a del Cadí, que separa o vale da Cerdanya da Depressão Central, causada por erosão do rio Ebro e seus afluentes.
Clima
Clima mediterrânico e Clima temperado com altas temperaturas no Verão e invernos húmidos. Na região do Mediterrâneo, os verões são secos e quentes com a brisa do mar, e a temperatura máxima é de cerca de 26–31 °C. O inverno é frio ou um pouco frio, dependendo da localização. Neva frequentemente nos Pirenéus, e ocasionalmente neva em altitudes mais baixas, mesmo pelo litoral. Primavera e outono são tipicamente as estações mais chuvosas, exceto para os vales pirenaicos, onde o verão é tipicamente tempestuoso.
De acordo com dados estatísticos oficiais, a população da Catalunha em finais de 2006 era de 7 134 697 habitantes, constituindo 16% do total da população de Espanha. Em 2012, segundo o Instituto de Estatística da Catalunha (IDESCAT), a população desta comunidade soma 7 570 908 habitantes. Desde o século XX, a Catalunha é um país de imigração. Os dados do mesmo ano 2012 revelam que 1 443 480 pessoas são imigrantes de outras zonas do estado espanhol (sendo a maioria da Andaluzia), e 1 342 271 são provenientes de outras zonas da Europa e do mundo, sendo os marroquinos, romenos e equadorenhos, por esta ordem de grandeza decrescente, os mais representados.
Língua
O catalão é uma língua românica falada por cerca de sete milhões e meio de pessoas na Catalunha, Comunidade Valenciana (com o nome oficial de valenciano), Ilhas Baleares e Andorra. De acordo com o Estatuto de Autonomia, o catalão é a língua oficial da Catalunha juntamente com o castelhano, língua oficial do Reino de Espanha. A Generalitat de Catalunya tem desenvolvido legislação que promove e protege o uso social do catalão, de acordo com o defendido pelo Estatuto de Autonomia. O Aranês, variedade da língua occitana é própria do Vale de Arão (Val d' Aran) e língua co-oficial da Catalunha. Esta pequena área de 7 mil habitantes foi o único lugar onde um dialeto do occitano recebeu status oficial completo.
O Estatuto de Autonomia da Catalunha é uma Lei orgânica que deve ser interpretada como a norma fundamental do ordenamento jurídico catalão. A última versão data de 2006 e foi ratificada por referendo, com 73,9% de votos a favor. O primeiro Estatuto de Autonomia da Catalunha foi aprovado em 1932, durante a Segunda República Espanhola, mas foi revogado em 1939 com a vitória de Francisco Franco na Guerra Civil. Na Constituição espanhola de 1978, a Catalunha, juntamente com o País Basco e a Galiza, foi definida como uma "nacionalidade". A mesma constituição deu à Catalunha o direito automático à autonomia, o que resultou no Estatuto de Autonomia da Catalunha de 1979. Tanto o Estatuto de 1979 como o actual estabelecem que "a Catalunha, enquanto nacionalidade, exerce o seu autogoverno constituído como Comunidade Autónoma, em conformidade com a Constituição e o Estatuto de Autonomia da Catalunha, sua lei institucional básica". O governo autónomo da Catalunha é conhecido como Generalitat de Catalunya (Generalidade da Catalunha) e consiste de um parlamento, um presidente e um conselho executivo, que trabalham com as funções atribuídas no Estatuto de Autonomia da Catalunha.
Forças de segurança
A Polícia da Catalunha (Policia de la Generalitat de Catalunya, em catalão) ou Mossos d'Esquadra (literalmente: moços de esquadra) é a corporação policial autónoma, de estatuto civil, fundada em 1719 e a mais antiga da Europa, responsável pela segurança pública e prestação do serviço de polícia na Comunidade Autónoma da Catalunha. Os Bombeiros da Generalidade (Bombers de la Generalitat de Catalunya, em catalão), são um corpo autónomo de bombeiros que desempenha as funções de prevenção e de extinção de incêndios, bem como de salvamentos em todo o território da Catalunha. Foi criado em junho de 1980 para desempenhar estas tarefas.
Movimento separatista
O Independentismo catalão é uma corrente política, derivada do nacionalismo catalão, que reivindica a independência da Catalunha, face à Espanha e defende a sua livre e direta integração na União Europeia. Foi reivindicado o separatismo catalão com o slogan "Catalunha, novo Estado da Europa", numa manifestação que congregou milhares de pessoas. Corrente humana de 400 km percorrendo a costa da Catalunha no dia 11 de setembro de 2013. O movimento inspirou-se na Cadeia Báltica, que foi uma corrente humana formada na época das mobilizações pela independência dos Países Bálticos da União Soviética. À revelia da Constituição espanhola e do Tribunal constitucional, o Presidente da Generalidade da Catalunha, Artur Mas (CiU, primeira força política da comunidade na altura), anunciou no dia 12 de Dezembro de 2013, que convocará um referendo sobre a independência da Catalunha. Os partidos mais radicais da comunidade manifestaram o seu apoio à decisão. ERC, Esquerda Republicana (segunda força política mais votada), ICV, Iniciativa pela Catalunha (quinta força política), UDC, União Democrática da Catalunha (parceiros de coligação da CiU), EUiA, Esquerda Unida e Alternativa, (parceiros políticos de coligação com ICV), CUP, Candidatura de Unidade Popular, (nona força política), são a favor da consulta. Os partidos PSC, Partido Socialista Catalão, (terceira força política mais votada), PP-C Partido Popular — Catalunha (quarta força política mais votada) e C´s, Ciutadans (sexta força política mais votada) estão contra este referendo. Os partidos favoráveis ao referendo somam 88 deputados dos 135 do Parlamento catalão. O referendo tem um formato binomial: "Quer que a Catalunha seja um Estado?"; "Se sim, quer que este Estado seja independente?".
Províncias
A Catalunha é dividida administrativamente em quatro províncias; a Deputação Provincial (catalão: Diputació Provincial, castelhano: Diputación Provincial) é o órgão administrativo e do governo da província. As províncias e suas populações são:
Comarcas
As comarcas (catalão: comarques) são entidades compostas pelos municípios para gerenciar suas responsabilidades e serviços. A atual divisão regional tem suas raízes em um decreto da Generalidade da Catalunha de 1936, em vigor até 1939, quando foi suprimido por Franco. Em 1987, o Governo catalão adotou a divisão territorial novamente e em 1988 foram acrescentadas três novas comarcas (Alta Ribagorça, Pla d'Urgell e Pla de l'Estany), e em 2015 foi criada a última comarca, o Moianès. Actualmente, existem 42.
Municípios
O município (catalão: municipi) é o local básico da organização territorial da Catalunha. Existem 948 municípios em todo o território catalão.
Território fortemente industrializado, os principais sectores da economia da Catalunha são o turismo, a indústria (de transformação, têxtil, química, automóvel e agroindustrial) e os serviços. Os principais produtos agrícolas são: azeitonas, vinhos e espumantes (cava), cereais, milho e fruta doce e, na pecuária, o suíno e o bovino. As exportações da Catalunha representam mais de 25% do total do Estado espanhol, sendo que a indústria química aporta 26,2%, o sector automobilístico, 16% e os bens e equipamentos, 12%. A Catalunha é o primeiro destino turístico da Espanha. Os principais destinos na Catalunha são: Barcelona (que ganhou grande projecção internacional após sediar os Jogos Olímpicos de 1992), as praias da Costa Brava e Costa Dourada, estações de esqui nos Pirenéus e ainda turismo histórico (em Tarragona, com monumentos romanos classificados Património da Humanidade pela UNESCO em 2000) e turismo cultural (Figueres pelo Teatro-Museu Dalí, Barcelona pelo Museu Pablo Picasso, Fundação Joan Miró e Antoni Tàpies, além do conjunto de obras do arquitecto Antoni Gaudí).
Educação
O Departamento de Ensino da Generalidade da Catalunha é o organismo público catalão encarregado da política educativa de âmbito não universitário. O Departamento da Empresa e Conhecimento ocupa-se das políticas educativas universitárias. A educação pública na Catalunha é obrigatória e gratuita para todos os indivíduos. O ensino obrigatório compreende dez anos de escolaridade e desenvolve-se entre os seis e os dezasseis anos de idade, após o qual o aluno pode aceder ao bachelarato, à formação profissional de grau médio, aos ciclos de grau médio de artes plásticas e desenho, aos ensinos desportivos de grau médio ou ao mercado de trabalho. A Comunidade alberga várias instituições de prestígio como a Universidade de Barcelona, fundada em 1450. Outras universidades públicas incluem a Universidade Autônoma de Barcelona em Cerdanyola del Vallès, a Universidade Politécnica da Catalunha e a Universidade Pompeu Fabra em Barcelona, a Universidade de Girona, a Universidade Rovira i Virgili de Tarragona e a Universidade de Lérida (a mais antiga da Catalunha e da Coroa de Aragão, fundada em 1300).
Saúde
O CatSalut, ou Serviço Catalão de Saúde (Servei Català de Salut, em catalão), foi criado em 1986 e é o organismo responsável pelo sistema de saúde público na Comunidade Autónoma da Catalunha, integrado no sistema de saúde espanhol. Está dependente da Generalidade da Catalunha.
Mídia
Têm sede e são produzidos na Catalunha alguns canais televisivos de importância: TV3, Canal33, Super3, Esport3, TV3CAT, 3/24 (canal 24h de notícias), BTV, 8TV, la Xarxa. Rádio: RAC1, RAC105, iCat, Catalunya Ràdio, SER Catalunya, Ràdio 4, Ràdio Flaixbac, Flaix FM. Têm sede nos Países Catalães e são produzidos em língua catalã: Televisão: Andorra Televisió, IB3; Rádio: Ràdio Andorra, Andorra Música. Entre os principais jornais estão o La Vanguardia, El Periódico de Catalunya, Ara, El Punt Avui e L'econòmic
A gastronomia catalã tem uma longa tradição culinária. Seus processos culinários são descritos em documentos desde o século XV. Como todas as cozinhas do Mediterrâneo, faz uso abundante de peixes, frutos do mar, azeite, pão e legumes. As especialidades são numerosas e incluem o pa amb tomàquet (pão com tomate), que consiste em pão, às vezes torrado, com tomate esfregado e temperado com azeite e sal e normalmente servido acompanhado com qualquer tipo de salsichas (botifarres, fuet, presunto ibérico, etc.), presunto ou queijos. Outros são a calçotada, escudella i carn d'olla, suquet de peix e, como sobremesa, a crema catalana. Terra do vinho, a vinha catalã tem várias Denominacions d'Origen como Priorat, Montsant, Penedès e Empordà, e também encontrou lá um espumante, o cava. Também é reconhecida internacionalmente pela sua alta gastronomia, incluindo restaurantes como El Bulli ou El Celler de Can Roca, que dominam regularmente os rankings internacionais.
Símbolos
Os símbolos nacionais da Catalunha são elementos representativos das características únicas desta comunidade, da sua cultura e história. A bandeira da Catalunha tem o nome de senyera ("senhera" em português) e tem origem no escudo utilizado pelo conde de Barcelona, Raimundo Berengário IV, no século XII. É uma bandeira com o fundo amarelo e quatro barras horizontais, de cor vermelha. Els Segadors ("Os Ceifadores") é o hino nacional da Catalunha. A sua origem data da Guerra dos Segadores, no século XVII. A música é de Francesc Alió e foi composta em 1892, baseada em uma antiga música popular, a letra é de Emili Guanyavents (1899). A Generalidade oficializou Els Segadors em 1993. O Dia Nacional da Catalunha (em catalão Diada Nacional de Catalunya), celebrado oficialmente cada 11 de setembro, comemora anualmente a resistência catalã durante o Cerco de Barcelona (1713–1714).
Arquitetura
Na área da arquitetura foram desenvolvidos e adaptados para a Catalunha diferentes estilos artísticos prevalentes na Europa, deixando em muitas igrejas, mosteiros e catedrais, o estilo românico (os melhores exemplos de que estão localizados na metade norte do território) e estilos góticos. Durante a Idade Média, muitos castelos fortificados foram construídos por nobres feudais para marcar seus poderes. Existem alguns exemplos de arquiteturas renascentistas, barrocas e neoclássicas. Modernismo (Art Nouveau) no final do século XIX aparece como a arte nacional. Os arquitetos catalães de renome mundial deste estilo são Antoni Gaudí, Lluís Domènech i Montaner e Josep Puig i Cadafalch. No campo do racionalismo arquitetônico, destacando-se Josep Lluís Sert e Torres Clavé e, na arquitetura contemporânea, Ricard Bofill e Enric Miralles.
Artes plásticas
Os pintores catalães de grande nome internacional são Salvador Dalí, Joan Miró e Antoni Tàpies. O malaguenho Pablo Ruiz Picasso viveu sua juventude na Catalunha onde iniciou o cubismo. Existem na comunidade importantes espaços museológicos como o Teatro-Museu Dalí (em Figueres), e em Barcelona o Museu Picasso, Fundação Joan Miró, Fundação Antoni Tàpies, CaixaFòrum, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC), Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), ou o conjunto arqueológico de Tarragona, considerado Património da Humanidade pela UNESCO em 2000, são alguns dos mais importantes.
Música
Na música erudita destacam-se internacionalmente o tenor Josep Carreras, a soprano Montserrat Caballé, Jaume Aragall e Victoria de los Ángeles, o violonista Pau Casals e o músico e compositor Jordi Savall. A ópera de Barcelona, o Gran Teatre del Liceu (aberto em 1847), permanece como uma das mais importantes na Espanha. Na música popular Joan Manuel Serrat, Maria del Mar Bonet, Lluís Llach e Francesc Pi de La são os nomes mais relevantes. A rumba catalã, outro género popular, foi divulgada na cidade de Barcelona pela mão das comunidades ciganas nos anos 1950. São conhecidos Los Manolos, Els Batak, La Pegatina e Dijous Paella, entre outros. No Rock catalão são referências Els Pets, Gossos, Lax'n Busto, Antònia Font, Sopa de Cabra, Glaucs e Brams. Os Festivais de música rock, eletrónica e experimental são importantes, especialmente em Barcelona. Têm sucesso internacional o Sónar, Primavera Sound, e Crüilla.
Literatura
O uso literário da língua catalã é considerado iniciado com o texto religioso conhecido como Homilies d'Organyà, escrito no final do século XI ou início do XII. Há dois momentos históricos de esplendor da literatura catalã. O primeiro começa com as crônicas historiográficas do século XIII (crônicas escritas entre os séculos XIII e XIV narrando os feitos dos monarcas e das principais figuras da Coroa de Aragão) e a subsequente Idade de Ouro dos séculos XIV e XV. Após esse período, entre os séculos XVI e XIX, a historiografia romântica definiu esta época como a Decadència, considerada o período "decadente" da literatura catalã por causa de um desuso generalizado da língua vernácula em contextos culturais e falta de patrocínio entre a nobreza.
Folclore
Os Castells é uma das principais manifestações da cultura popular catalã. A atividade consiste em construir torres humanas através de competências de castellers (equipes). Esta prática originou-se na parte sul da Catalunha, principalmente nas regiões do Penedès e do Camp de Tarragona, durante o século XVIII, e mais tarde foi prolongada ao longo dos séculos XIX e XX para o resto do território. A tradição de os Castells foi declarada obra-prima do Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade pela UNESCO em 2010. A Sardana é considerada a dança tradicional da Catalunha, onde os participantes formam um círculo de mãos dadas. Nas grandes celebrações estão habitualmente presentes outros elementos da cultura popular catalã: os desfiles de gegants (gigantes) e correfocs de demónios e foguetes. Outra celebração tradicional na Catalunha é a Patum de Berga. A Diada de Sant Jordi (Dia de São Jorge), é celebrado a 23 de abril, porque este santo é considerado o patrono da Catalunha. Nesta festividade, também conhecida como o dia dos namorados na Catalunha (em vez de São Valentim), oferecem-se tradicionalmente rosas e livros.


