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Castelo de Paderne

O Castelo de Paderne é um monumento militar na freguesia de Paderne, pertencente ao Município de Albufeira, na região do Algarve, em Portugal. O primeiro edifício militar naquele sítio terá sido um castro lusitano, conquistado depois pelos romanos, mas o castelo em si só foi construído nos séculos XI ou XII, durante o período muçulmano. A fortaleza foi tomada em 1248, como parte da Reconquista cristã do Algarve. Ficou num estado de semi-abandono após a povoação de Paderne ter mudado para um novo local no século XVI. Foi gravemente danificado durante o Sismo de 1755, embora só tenha sido oficialmente encerrado em 1858. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1971. É considerado um dos símbolos do município, e um dos mais importantes exemplares da arquitetura militar islâmica na Península Ibérica. No interior destaca-se uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Assunção.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Descrição

Importância e conservação

O Castelo de Paderne é considerado como um dos monumentos mais importantes no Algarve, tanto devido ao seu simbolismo como ao seu valor patrimonial. Com efeito, é um ex-libris do município de Albufeira, e um vestígio do seu passado remoto, além de ser um dos melhores exemplos de edifícios em taipa militar, tanto na região ao Sul do Tejo como em toda a Península Ibérica. Também é considerado um exemplar único em Portugal de um hisn almóada. O monumento foi classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 516/71, publicado no Diário do Governo, n.º 274, Série I, de 22 de Novembro de 1971, enquanto que a Zona de Especial Protecção foi definida pela Portaria n.º 978/99, publicada no Diário do Governo n.º 215, Série II, de 14 de Setembro de 1999. Foi colocado sob a responsabilidade da Direcção Regional de Cultura do Algarve pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República n.º 163, Série II, de 24 de Agosto de 2009, sendo em 2018 a sua gestão partilhada entre aquele organismo e a Câmara Municipal de Albufeira.

Composição e situação geográfica

O edifício situa-se num cabeço a cerca de 100 m de altitude, numa península no traçado da Ribeira de Quarteira e por diversos vales. Está localizado a cerca de 2 km a Sul da moderna vila de Paderne, numa zona que era considerada estratégica, não só devido à sua forte produção agrícola, mas também como ponto de divisão entre as zonas da costa e do barrocal e as regiões de Loulé e Silves. Também servia para vigiar a antiga via romana, que passava a Ribeira de Quarteira numa ponte, situada a Sudoeste do castelo. O castelo era originalmente um hisn, um tipo de fortificação do período almóada, construído numa zona rural, e que combinava as funções de núcleo habitacional e de posto de defesa. O complexo do castelo é composto principalmente pelo conjunto dos panos de muralha e o torreão junto da entrada, tendo no seu interior as ruínas de uma ermida e de duas cisternas. O espaço no interior tem uma área de 3.250 m². O edifício está orientado a Nordeste, de forma a melhor se adaptar à morfologia do terreno, e apresenta uma planta irregular com dez faces, de configuração aproximadamente trapezoidal. Destaca-se principalmente devido ao uso de taipa como principal material de construção, e pela sua forma, sem quaisquer torres nas esquinas ou pontos intermédios das muralhas, possuindo apenas uma torre, conhecida como albarrã. Esta última característica deve-se provavelmente às reduzidas dimensões do castelo, e à sua localização geográfica, que facilitava as condições de defesa em três lados. A torre albarrã foi construída no lado Nordeste, onde se situa o único acesso ao castelo, feito através de uma porta virada para Sudeste, formando uma entrada em cotovelo.

Área residencial e cisternas

O espaço urbano dentro do castelo, durante o período islâmico, foi planeado de forma a apresentar um plano ortogonal, com quarteirões divididos por ruas estreitas. As casas, de planta quadrangular, eram formadas por vários compartimentos em redor de um pátio central descoberto (Sahn), ao qual tinham acesso. Esta organização das casas em redor de um pátio era comum nos ambientes urbanos do período islâmico, tendo sido por exemplo descoberta em Mértola. Um destes conjuntos apresenta grandes dimensões, com 11,3 por 8,2 m, sendo formado por oito divisões em redor do pátio. As paredes dos edifícios seriam em adobe ou taipa, nalguns casos encostadas às muralhas. Também foram encontrados vestígios de um sistema de esgotos, que escoavam as águas residuais para fora do castelo. Após a ocupação cristã, o interior foi profundamente modificado, tendo sido alterada a organização dos edifícios residenciais, que passaram a ser totalmente em pedra, e foram afastados das muralhas.

Torre albarrã

A única torre no castelo encontra-se no seu exterior, sendo este tipo de torres, destacadas em relação às muralhas, conhecidas como albarrãs. Este tipo de torre foi muito utilizado durante o domínio islâmico, na região Sudoeste da Península Ibérica, podendo ser encontrado igualmente nos castelos de Alcácer do Sal, Silves, Salir e Badajoz. Consiste numa estrutura maciça de um corpo, de base quadrada, com cerca de 5,85 m de lado e 9,3 m de altura. A forma como a torre foi planeada e construída apresenta semelhanças com o côvado típico almóada, com 0,418 m, tendo a altura de caixas dois côvados, enquanto que a largura da base tem catorze côvados. Está situada do lado de fora do castelo, a cerca de um metro de distância das muralhas. No topo possui um terraço, cujo acesso é feito através de um pequeno passadiço, ligado ao topo das muralhas, e suportado por um arco em pedra de volta perfeita, que foi reconstruído na década de 1980. O terraço foi muito danificado, tendo sido encontrados indícios de seteiras nos lados Sudeste e Noroeste, mas não sobreviveram quaisquer vestígios de possíveis ameias. O terraço estava dividido ao meio por um muro, e foram encontrados indícios de uma estrutura de madeira, e de concavidades no solo, que poderiam ser utilizados para guardar munições ou apetrechos.

Ermida de Nossa Senhora da Assunção

Junto à entrada do castelo, no seu interior, estão as ruínas da Ermida de Nossa Senhora da Assunção, igualmente conhecida como Ermida da Senhora do Castelo. Esta ermida chegou a ser a sede da Pároquia de Paderne, mas tal como sucedeu com o castelo, também foi abandonada e entrou num profundo processo de degradação, tendo sobrevivido apenas as paredes mestras. Durante o seu funcionamento foi alvo de duas romarias anuais, realizadas em 15 de Agosto, data da padroeira, e em 25 de Março, Dia da Anunciação. A ermida é utilizada como espaço para exposições, tendo por exemplo albergado em 2003 a instalação escultórica Andar a pé no fundo do mar, de Jorge Cabrita Matias.

Espólio

Nas escavações arqueológicas foi encontrado um vasto e variado espólio, principalmente enquadrado em dois períodos, o primeiro dos séculos XII e XIII, e o segundo dos séculos XVI e XVII. Do primeiro período foi recolhido um grande número de cerâmicas islâmicas, principalmente loiça de cozinha, e várias peças de produção nazari.

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História

Antecedentes

Fundado nos finais do Neolítico ou nos princípios do Calcolítico, o local terá sido ocupado inicialmente por um castro dos povos lusitanos. Foi conquistado pelos exércitos romanos em meados do século II a.C., que o converteram num posto militar e num núcleo administrativo e político, denominado de Paderne ou Paderna.

Período medieval

Em 713, a povoação romana foi conquistada pelas forças maometanas, tendo o castelo em si sido construído no século XI ou meados do XII, durante o período Almóada, nos finais do domínio muçulmano na região do Algarve. Fazia parte de um conjunto de fortalezas, do tipo médio e de ambiente rural, que foram construídas de forma a criar uma segunda linha defensiva contra as investidas das tropas cristãs, no âmbito da reconquista. A referência mais antiga sobre o edifício remonta a 1189, ano em que o rei D. Sancho I organizou duas grandes expedições para atacar o Algarve, tendo conquistado o castelo após um assalto nocturno, apoiado por uma esquadra de cruzados ingleses. No entanto, o castelo foi pouco depois recuperado pelas forças islâmicas. O castelo só foi definitivamente conquistado em 1248, por um grupo de cavaleiros da Ordem de Santiago, chefiados pelo seu mestre D. Paio Peres Correia, já durante o reinado de D. Afonso III. No entanto, a reconquista só terminou no ano seguinte, com a libertação de Silves, Faro, Albufeira e Porches. Nos relatos de Paio Peres Correia, o castelo foi descrito como sendo «forte e muito bom da grande comarca em redor, entre Albufeira e a serra.». Foram encontrados vestígios de abandono e destruição das estruturas residenciais e defensivas no castelo, durante a fase de reconquista, tendo-se iniciado logo em seguida o processo de repovoamento da região. Ainda no século XIII ou já no XIV, terá sido construído o templo cristão, talvez no espaço de um antigo edifício religioso islâmico.

Séculos XV e XVI

Entre os séculos XV e XVI, verificou-se um processo gradual de transferência da importância estratégica no Algarve, com as fortalezas no litoral a ganharem um papel cada vez mais destacado, em detrimento das estruturas militares no interior. Esta situação ocorreu por exemplo com os castelos de Aljezur e Paderne, tendo este último perdido a sua importância do ponto de vista militar e religioso. Este declínio agravou-se com a mudança da povoação de Paderne para uma nova localização, nos princípios do século XVI. Como parte deste processo de transferência, em 1506 foi construída no novo local uma nova Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Esperança. Devido à mudança dos habitantes e ao seu local isolado, a fortaleza ficou num estado de semi-abandono.

Séculos XVIII e XIX

O edifício foi muito atingido pelo Sismo de 1755, tendo causado uma derrocada parcial da torre albarrã e das muralhas. O castelo foi oficialmente encerrado em 1858, e nesse mesmo ano foi suspenso o culto na Ermida de Nossa Senhora da Assunção, devido ao mau estado de conservação do castelo, e ao seu isolamento. Nesse ano, o Livro de Actas da Junta da Paróquia relatou que, devido ao seu estado de abandono, as telhas e as madeiras fossem retiradas do edifício e aplicadas na Igreja Matriz e na Ermida de Nossa Senhora do Pé da Cruz, ambas em Paderne.

Século XX

Em 1971, o monumento recebeu a categoria de Imóvel de Interesse Público. Nos anos 80, foi alvo de pesquisas arqueológicas, durante as quais identificaram-se as várias estruturas fortificadas, vestígios de edifícios residenciais e de uma igreja ou ermida, e vários materiais que datam desde o século XII até ao XVIII. Também na mesma década, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais reconstruiu o arco de ligação à torre albarrã. Entre Julho e Agosto de 1986, o monumento foi alvo de um programa de estudo, recuperação e estabilização, que também abrangeu o Castelo de Salir, e que consistiu em obras de restauro e limpeza nas muralhas. Em Setembro de 1987, retomou-se o programa, tendo sido limpas e parcialmente reconstruídas as muralhas, e reedificada a torre albarrã e o arco do passadiço que a ligava ao resto do castelo. Também se fizeram pesquisas arqueológicas, de forma a se identificar os períodos de ocupação e abandono, e averiguar se existiam estruturas enterradas, e o seu estado de conservação. A terceira intervenção no âmbito do programa foi feita entre Julho e Setembro de 1998, tendo sido limpos a capela e a sacristia na igreja, tendo sido guardados vários blocos de argamassa de cal dos revestimentos de paredes, telhas dos derrubes, e algumas partes de cerâmica, cronologicamente integrados nos finais do período medieval, e na era moderna. Também foram identificadas as aduelas do arco que dividia as zonas do altar e da nave. Em 10 de Março de 1998, o monumento passou a ser gerido pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, e em 1999, foi delimitada a Zona de Especial Protecção.

Século XXI

Em 2001, a firma Terracarta foi contratada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, para criar um levantamento arquitectónico tridimensional do castelo, e nesse mesmo ano o Instituto comprou o imóvel e os terrenos em redor, pela quantia de 29 milhões de Escudos. Entre Novembro de 2002 e Outubro de 2003, foram realizados trabalhos arqueológicos na fortaleza, como parte do programa de valorização do Castelo de Paderne, que incluíram a preparação das obras para o restauro e estabilização das muralhas, a limpeza da torre albarrã, a instalação o sistema de drenagem, e o estudo de várias estruturas e do interior das muralhas. Foram encontrados vestígios do primeiro período de ocupação, durante o domínio almóada, como edifícios residenciais, e de uma segunda fase de povoação após a reconquista, incluindo habitações, e estruturas de enterramento, ligadas à ermida no interior do castelo. Também foram investigadas as fundações do castelo em si, e da torre albarrã, que foi identificada como sendo do período moderno. As intervenções foram retomadas entre Dezembro de 2003 e Julho de 2004, igualmente integradas no programa de valorização, tendo sido desobstruído o lanço de muralha no canto Sudeste, e escavado um edifício residencial e parte de outros dois, num possível bairro do período almóada. Foram encontrados vestígios de várias fases de ocupação, incluindo obras de reconstrução e ampliação depois da reconquista, principalmente nos séculos XIV e XV, tendo depois sido construídas novas edifícios em cima dos anteriores durante os séculos XVI e XVII.

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Fontes consultadas

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