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Casa da Torre

A Casa da Torre de Garcia d'Ávila é uma construção histórica localizada na Praia do Forte, no município de Mata de São João, no estado brasileiro da Bahia. É uma edificação fortificada e com caraterísticas medievais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/10/2026
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História

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

Origens

A Casa da Torre tem suas origens na iniciativa de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, casado com Catarina Álvares, a Paraguaçu, uma tupinambá batizada na França com o nome de Catarina do Brasil — o primeiro casal cristão na colônia brasileira. A descendência de ambos, através de Diogo Álvares Dias, filho de Genebra Álvares e Vicente Dias, natural de Beja, entrelaçou-se não apenas na progênie (Isabel de Ávila) de Garcia d'Ávila com a indígena Francisca Rodrigues, como na geração de Jerônimo de Albuquerque com a filha do cacique Arcoverde Muira Ubi, da Capitania de Pernambuco. Vinculou-se, mais tarde, com os descendentes de Domingos Pires de Carvalho, casado com Maria da Silva; com a geração de Filippo Cavalcanti casado com Catarina de Albuquerque (de Pernambuco); e com a descendência do casal José Pires de Carvalho—Tereza Vasconcellos Cavalcanti de Albuquerque Deus-Dará, formando o arcabouço da aristocracia do Recôncavo Baiano.

A Casa e a Torre

Constituía-se em uma espécie de mansão senhorial, erguida por Garcia d'Ávila a partir de 1551 para sede dos seus domínios, cumprindo o Regimento passado por João III de Portugal (1521-1557), como um complexo composto "(...) de moradias e defensas, capela e um baluarte vigilante onde ardiam, em circunstâncias especiais, fogos sinaleiros." (op. cit., p. 83). Foi representada por João Teixeira Albernaz, o velho isolada sobre um montículo, como uma pequena torre ameada, com três pavimentos marcados por linhas de seteiras ("Bahia de Todos os Santos", 1612. Livro que dá Razão do Estado do Brazil, c. 1616. Biblioteca Pública Municipal do Porto). A primitiva estrutura, que corresponde à atual capela, foi uma torre de planta hexagonal, abobadada, com paredes de tijolos. As salas contíguas eram recobertas por cúpulas e abóbadas de arcos cruzados. Em etapa construtiva posterior, a fortificação foi erguida em alvenaria de pedra, desenvolvendo-se simetricamente em torno de um pátio de armas, onde uma escadaria dupla conduzia ao primeiro pavimento.

Invasões Holandesas do Brasil e expansão

No contexto da segunda das invasões holandesas no Brasil (1630-1654), o seu neto, Francisco Dias de Ávila Caramuru (c. 1621-1645), auxiliou na defesa, fornecendo homens e víveres: a Casa foi utilizada como refúgio temporário por Giovanni di San Felice, conde de Bagnoli, que assumiu o comando das forças portuguesas após o desastre na batalha de Mata Redonda (janeiro de 1636) (GARRIDO, 1940:83). Dos domínios da Casa da Torre, partiram as primeiras bandeiras sertanistas que introduziram a pecuária na região Nordeste do Brasil: Francisco Dias de Ávila II (c. 1646-1694), na segunda metade do século XVII, após dominar os cariris, ampliou as fronteiras desse latifúndio familiar até os sertões de Pernambuco.

A Guerra da Independência

No século XIX, durante a Guerra da independência do Brasil (1822-1823), serviu de base ao Exército Libertador de Cachoeira (1823), fornecendo destacamentos de cariris armados com flechas e bordunas, tendo o Império recompensado os seus morgados pelos importantes serviços prestados como abaixo: Com os seus recursos exauridos após a Guerra e a extinção dos morgadios no Brasil a partir de 1835, a Casa da Torre foi progressivamente abandonada, transformando-se em ruínas.

Tortura de escravos

Luiz Mott recuperou na Torre do Tombo, em Lisboa, uma denúncia à Inquisição que acusava Garcia d'Ávila Pereira Aragão de torturar escravos com os maiores requintes de crueldade, e também de cometer heresias contra a fé católica. Apesar de não ter sido levada a cabo, a denúncia tem rico valor histórico e antropológico por sua riqueza de detalhes, tanto nos métodos e aparelhos de tortura quanto na gente que habitava o engenho.

Do século XX aos nossos dias

No século XX, foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1938. Na década de 1980, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) elaborou um projeto de restauração encaminhado à 5ª Diretoria Regional da SPHAN/Pró-Memória. O imóvel, em mãos da iniciativa privada, originou a Fundação Garcia d'Ávila, com vistas a proteger a edificação tombada, restaurando-a e transformando-a em Centro Cultural e Museu Histórico.

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Fontes consultadas

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