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Oswaldo Cruz

Oswaldo Gonçalves Cruz foi um médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro. Pioneiro no estudo das moléstias tropicais e da microbiologia no Brasil, foi uma figura central na história da saúde pública nacional, conhecido por seu trabalho no combate a epidemias e na promoção da vacinação. Ele é considerado um dos pais da saúde pública brasileira.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Biografia

Oswaldo nasceu no dia 5 de agosto de 1872, na cidade paulista de São Luiz do Paraitinga. Era filho do médico Bento Gonçalves Cruz e sua prima esposa Amália Bulhões Cruz. Criou-se em sua cidade natal até 1877, quando seu pai se transferiu para o Rio de Janeiro. Na capital fluminense, estudou no Colégio Laure, no Colégio São Pedro de Alcântara e no Externato Dom Pedro II. Em 1887, seu pai Bento Gonçalves Cruz, foi nomeado pelo imperador D. Pedro II membro da Junta Central de Higiene Pública. A progressão do pai no serviço público coincidiria com os anos em que Oswaldo frequentou a faculdade de medicina (1887-1892). Em 1890, já sob o regime republicano, Bento tornou-se ajudante do chefe da Inspetoria Geral de Higiene, órgão que sucedera a Junta. Dois anos depois, chegou a inspetor-geral. Porém, Bento ficou no cargo por apenas alguns meses. Afastou-se do trabalho devido a uma nefrite, o que o levaria à morte, com apenas 47 anos, em 8 de novembro de 1892, mesmo dia em que Oswaldo se formou em medicina.

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Carreira

Em 1887, aos 15 anos, ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formando-se em 1892, com a tese A vehiculação microbiana pelas aguas. Antes de concluir o curso, já tinha publicado dois artigos sobre microbiologia na revista Brazil-Médico. Interessado pela microbiologia, Oswaldo montou um pequeno laboratório no porão de sua casa onde começou seus primeiros estudos. Entretanto, seu pai viria a falecer no mesmo dia em que se formava na faculdade de medicina, o que o impediu de se aprofundar nos estudos por um tempo. Dois anos depois, a convite de Egydio Salles Guerra, Oswaldo começou a trabalhar na Policlínica Geral do Rio de Janeiro, onde era responsável pela montagem e a chefia do laboratório de análises clínicas. Aos 20 anos, em janeiro de 1893, casou-se com Emília da Fonseca Cruz, sua namorada desde a adolescência. Juntos eles tiveram seis filhos: Elisa, Bento, Hercília, Oswaldo Filho, Zahra, falecida ainda bebê, e Walter. Os três homens seguiram a trajetória do pai e cursaram medicina. Oswaldo e Walter trabalhariam futuramente no Instituto Oswaldo Cruz. Bento, o mais velho, não exercerá a profissão.

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Combate às epidemias

O Brasil era assolado por diversas moléstias infecciosas na época. Oswaldo Cruz decidiu empreender campanhas sanitárias para enfrentar as principais doenças que assolavam a capital federal, como febre amarela, peste bubônica e varíola. Para isso, adotou métodos tidos como drásticos por outros médicos, como o isolamento dos doentes, a notificação compulsória dos casos positivos, a captura dos vetores, como mosquitos e ratos, e a desinfecção das moradias em áreas endêmicas. Sua base era o Instituto Soroterápico Federal, de onde deflagrou campanhas de saneamento e, em poucos meses, a incidência de peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença. O combate à febre amarela foi difícil, já que grande parte dos médicos e da população acreditava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes. Oswaldo Cruz, porém, acreditava que o transmissor da febre amarela era um mosquito. O método tradicional de combate à febre amarela na época era através da desinfecção, suspensa por Oswaldo Cruz, onde ele implantou no lugar medidas sanitárias com brigadas que percorriam as casas, eliminando focos de insetos. Tal medida provocou uma forte reação da população.

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Doença

Em 1907, Oswaldo notara a presença de albumina em sua urina, um sinal de nefrite, a mesma doença que matara seu pai. No final de 1908, teve uma crise renal aguda, o que tornou mais difícil esconder a doença. Assim, Oswaldo adotaria uma dieta rigorosa, que suprimiu quase que totalmente o sal de sua alimentação. Sua paixão por doces, porém, não foi afetada pela nova dieta e ele sempre mantinha uma bombonière cheia de doces sobre a mesa. Em fevereiro de 1914, Oswaldo Cruz redigiu um testamento expondo as suas últimas vontades. Dois anos depois, a doença já cobrava um alto preço de Oswaldo. As náuseas e os vômitos eram frequentes, bem como os soluços e as cólicas renais. Estava também hipertenso, e uma retinite albuminúrica vinha, aos poucos, lhe reduzindo a visão. Foi seu filho Bento quem sugeriu que ele se afastasse do instituto para morar em Petrópolis, onde o clima ameno e o cotidiano menos atribulado lhe seria benéfico. Desde 1912, a família mantinha uma propriedade na cidade, na rua Montecaseros, uma grande casa colonial, com um amplo jardim, onde ele poderia se dedicar ao cultivo de flores.

Morte

Oswaldo Cruz morreu em casa, às 21 horas e 10 minutos do dia 11 de fevereiro de 1917, devido a uma insuficiência renal, ao lado da esposa, dos filhos e dos amigos Salles Guerra, Ezequiel Dias, Carlos Chagas, João Pedroso e Belisário Penna. Ele foi sepultado no dia seguinte, em meio a uma comoção popular, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

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Ciência e fotografia

Poucos sabem, mas a história da fotografia brasileira deve muito a Oswaldo Cruz, no que se refere a sua expansão e adoção como fonte documental. Oswaldo Cruz viveu impregnado dos sentimentos de sua época. Sua história de vida confunde-se, em muitos momentos, com a história da medicina experimental e do modernismo científico brasileiro e mundial. Oswaldo Cruz foi um homem moderno: acreditava na ciência não só como forma de desenvolvimento de um país, mas também de desenvolvimento do próprio homem. Entusiasta da tecnologia, das grandes invenções e da fotografia, acreditava, como os primeiros homens do século XX, que a fotografia era a prova ocular da história. Por isso, desde o início de sua carreira, estava sempre acompanhado de um fotógrafo. Incentivou seus cientistas a também fotografar e a filmar as descobertas. Com isto, o arquivo de Oswaldo Cruz sobre o Brasil se tornou um dos mais ricos acervos do país. A amplitude do movimento sanitarista brasileiro se deveu ao fato de Oswaldo Cruz, desde o início de seu mandato como diretor da saúde pública do governo Rodrigues Alves, em 1903, organizar expedições de combate às endemias rurais em várias regiões brasileiras, além de visitas e inspeções de saúde nos portos brasileiros. Com essas viagens, foram os médicos do Instituto Manguinhos os responsáveis pelos primeiros registros fotográficos sociológicos e antropológicos do Brasil. A partir desses contatos e da análise da situação socioeconômica e cultural da população visitada, os cientistas analisavam as doenças. Os resultados desse procedimento foram extraordinários.

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Homenagens

Na cidade do Rio de Janeiro, uma estação de trem, uma avenida, um bairro e diversas escolas têm o nome de Oswaldo Cruz, além do Instituto Soroterápico (atual FIOCRUZ), por ele fundado. Em 1909, quando Carlos Chagas descobriu o protozoário causador da tripanossomíase americana (popularmente conhecida como "doença de Chagas") batizou-o com o nome de "Trypanosoma cruzi", em homenagem a Oswaldo Cruz. Foi homenageado na capital de São Paulo, com o logradouro Praça Oswaldo Cruz, no começo da Avenida Paulista. Em 1913 foi fundado o Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, entidade representativa dos estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Em 1936 o sanitarista teve a sua efígie cunhada na moeda brasileira de 400 réis, e, em 1984, impressa nas cédulas de Cr$ 50 000 (cinquenta mil cruzeiros). Sua vida foi retratada no romance Sonhos Tropicais de Moacyr Scliar. Em 1976, a rodovia SP-125 que liga as cidades de Taubaté e Ubatuba foi denominada como Rodovia Oswaldo Cruz em sua homenagem, já que ela dá acesso à São Luiz do Paraitinga, sua cidade natal.

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Academia Brasileira de Letras

Oswaldo Cruz é o segundo ocupante da cadeira número 5 na Academia Brasileira de Letras, eleito em 11 de maio de 1912, na sucessão de Raimundo Correia e recebido pelo acadêmico Afrânio Peixoto em 26 de junho de 1913.

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Academia Nacional de Medicina

Eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 26 de junho de 1899, apresentando o trabalho “Les altérations histologiques dans l´empoisonnement par la ricine”, elaborado durante estágio no Laboratoire de Toxicologie de Paris, dirigido por Charles-Albert Vibert e por Jules Ogier. Ocupou a cadeira número 90, da qual foi patrono. Foi Presidente da Secção de Ciências Aplicadas à Medicina entre 1913 e 1916.

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Société Francophone de Médecine Tropicale et Santé Internationale

No dia 12 de janeiro de 1908 Oswaldo Cruz recebe o diploma de membro da Société de Pathologie Exotique (atualmente Société Francophone de Médecine Tropicale et Santé Internationale, SFMTSI) em sua sessão inaugural. O documento é assinado por Alphonse Laveran, presidente da Sociéte, que acabara de receber o Nobel de Medicina por seus trabalhos sobre a malária, e pelo biólogo Felix Mesnil, à época Secretário Geral.

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Fundo Oswaldo Cruz

O arquivo pessoal do cientista está sob a guarda da Casa de Oswaldo Cruz (COC), unidade da Fiocruz responsável pela memória e preservação do patrimônio cultural da instituição. O fundo foi constituído, em primeiro lugar, por documentos que permaneceram no Instituto Oswaldo Cruz após a morte do titular, organizados pelo arquivista Albino Antonio Taveira durante a década de 1940. No início da década de 1970, como parte das comemorações do centenário de seu nascimento, o museólogo Luiz Fernando Fernandes Ribeiro, sob a orientação da chefe da Biblioteca de Manguinhos, Lucília Meyer Friedmann, elaborou uma lista de tombamento dos documentos, que foram novamente abertos a consulta. Alguns ficaram expostos, a partir de 1972, no Museu Oswaldo Cruz, situado no Pavilhão Mourisco. Posteriormente foram levados para o prédio da Cavalariça, onde se instalou em 1986 o Museu da Casa de Oswaldo Cruz, responsável pela preservação da memória institucional.

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