Império Carolíngio
O Império Carolíngio (800–888) foi um império dos francos na Europa Ocidental e Central durante o início da Idade Média, governado pela dinastia Carolíngia, considerado os reis da tribo germânica dos francos desde 751 e, reis dos lombardos na Itália a partir de 774. O Império Carolíngio é considerado a primeira fase da história do Sacro Império Romano-Germânico, que durou até 1806, pois no ano de 800, o rei franco Carlos Magno (742–814) foi coroado imperador em Roma pelo Papa Leão III, em um esforço para transferir o Império Romano do oriente para o ocidente.
Ascensão dos carolíngios (c. 732–768)
Embora Carlos Martel tenha optado por não tomar o título de rei (como o seu filho Pepino III faria, ou imperador, como o seu neto Carlos Magno), ele foi governante absoluto de praticamente toda a Europa Ocidental continental atual, ao norte dos Pirenéus. Apenas os restantes reinos saxões, que ele conquistou parcialmente, a Lombardia, e a Marca Hispânica a sul dos Pirenéus foram acrescentos significativos aos reinos francófonos após a sua morte. Martel cimentou o seu lugar na história com a sua defesa da Europa cristã contra um exército muçulmano na Batalha de Tours em 732. Os sarracenos ibéricos tinham incorporado a cavalaria berbere de cavalo leve com a cavalaria árabe pesada para criar um exército formidável que quase nunca tinha sido derrotado. As forças cristãs europeias, entretanto, não dispunham do poderoso instrumento do estribo. Nesta vitória, Carlos ganhou o apelido Martel ("o Martelo"). Edward Gibbon, o historiador de Roma e das suas consequências, chamou a Carlos Martel de "o príncipe supremo da sua idade".
Durante o reinado de Carlos Magno (768–814)
O Império Carolíngio, durante o reinado de Carlos Magno, dominou a maior parte da Europa Ocidental, como o outrora Império Romano. Ao contrário dos romanos, que se aventuraram pela Germânia para além do Reno após a catástrofe na floresta de Teutoburgo (9 d.C.), Carlos Magno derrotou a resistência germânica e estendeu o seu reino ao Elba, influenciando os acontecimentos quase até às estepes russas. O reinado de Carlos Magno foi de uma guerra quase constante, participando em campanhas anuais, muitas delas lideradas pessoalmente. Derrotou o Reino Lombardo em 774 e anexou-o ao seu próprio domínio, declarando-se "Rei dos Lombardos". Mais tarde, liderou uma campanha fracassada em Espanha, em 778, que terminou com a Batalha de Roncesvales, considerada a maior derrota de Carlos Magno. Em seguida, estendeu o seu domínio à Baviera, após ter forçado Tassilão III, Duque da Baviera, a renunciar a qualquer reivindicação do seu título em 794. Seu filho, Pepino, foi ordenado a fazer campanha contra os Ávaros em 795, já que Carlos Magno estava ocupado com revoltas saxônicas. O Grão-Canato Avar acabou em 803, depois de Carlos Magno ter enviado um exército bávaro para Panônia. Ele também conquistou territórios saxões em guerras e rebeliões travadas de 772 a 804, com eventos como o Massacre de Verden em 782 e a codificação do Lex Saxonum em 802.
Reinado de Luís, o Piedoso e a guerra civil (814–843)
O reinado de "Luís, o Piedoso" como Imperador foi no mínimo inesperado; como terceiro filho de Carlos Magno, foi originalmente coroado Rei da Aquitânia aos três anos. Com a morte dos seus irmãos mais velhos, ele passou de "um rapaz que se tornou rei para um homem que seria imperador". Embora o seu reinado tenha sido ensombrado pela luta dinástica e consequente guerra civil, como diz o seu epíteto, ele estava altamente interessado em assuntos de religião. Uma das primeiras coisas que ele fez foi "governar o povo pela lei e com a riqueza da sua piedade", nomeadamente restaurando igrejas. Um astrônomo declarou que, durante sua estadia na Aquitânia, ele "concluiu o estudo da leitura e do canto, e também a compreensão das letras divinas e mundanas, mais rapidamente do que se acreditaria". Ele também fez um esforço significativo para restaurar muitos mosteiros que haviam desaparecido antes do seu reinado, bem como patrocinar novos.
Após o Tratado de Verdun (843-877)
Lotário recebeu o título imperial, o reino da Itália, e o território entre os rios Reno e Ródano, colectivamente designado como Frância Central ou Lotaríngia. A Luís foi garantido o reinado de todas as terras a leste do Reno e a norte e leste da Itália, que foi chamado o reino Frância Oriental, que foi o precursor da Alemanha moderna. Carlos recebeu todas as terras a oeste do Ródano, que se chamava o reino Frância Ocidental. Lotário entregou a Itália ao seu filho mais velho, Luís II, em 844, e o tornou co-imperador em 850. Lotário morreu em 855, dividindo o seu reino em três partes: o território já detido por Luís permaneceu seu, o território do antigo Reino da Borgonha foi concedido ao seu terceiro filho Carlos da Borgonha, e o restante território para o qual não havia nome tradicional foi concedido ao seu segundo filho Lotário II, cujo reino se chamava Lotaríngia.
Declínio (877–888)
O Império, após a morte de Carlos, o Careca, foi atacado a norte e a oeste pelos Vikings e enfrentava lutas internas desde Itália até ao Báltico, desde a Hungria, a leste, até à Aquitânia, a oeste. Carlos, o Careca, morreu em 877 ao atravessar o Passo do Monte Cênis e foi sucedido pelo seu filho, Luís, o Gago, como Rei dos Francos Ocidentais, mas o título de Sacro Imperador Romano caducou. Luís, o Gago, era fisicamente fraco e morreu dois anos depois, estando o seu reino dividido entre os seus dois filhos mais velhos: Luís III ganhando Nêustria e Frância, e Carlomano ganhando Aquitânia e Borgonha. O Reino da Itália foi finalmente concedido ao Rei Carlomano da Baviera, mas um derrame forçou-o a abdicar do trono da Itália em nome do seu irmão Carlos, o Gordo e a Baviera para Luís da Saxônia. Também em 879, Bosão, Conde de Arles fundou o Reino da Baixa Borgonha na Provença.
Divisões em 887–88
O Império dos Carolíngios foi dividido: Arnulfo manteve Caríntia, Baviera, Lorena e Alemanha moderna; o Conde Eudo de Paris foi eleito Rei da Frância Ocidental (França), Ranulfo II tornou-se Rei da Aquitânia, a Itália foi para o Conde Berengário, a Alta Borgonha para Rodolfo I, e a Baixa Borgonha para Luís, o Cego, filho de Boso de Arles, Rei da Baixa Borgonha e neto materno do Imperador Luís II. A outra parte de Lotaríngia tornou-se o ducado de Borgonha.


