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Roberto Carlos

Roberto Carlos Braga é um cantor e compositor brasileiro. Figura-chave do movimento cultural Jovem Guarda, é considerado um dos principais responsáveis pela popularização do rock no Brasil e um dos pioneiros na introdução de gêneros internacionais — como a música beat, o soul e o funk — no cenário musical do país. Ao longo de sete décadas de carreira, consolidou-se como o artista de maior êxito comercial e um dos mais influentes da história da música brasileira, sendo frequentemente citado pela alcunha de "Rei".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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1941–1956: Primeiros anos e começo na rádio

Roberto Carlos Braga nasceu na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo, em 19 de abril de 1941, o quarto e último filho de Robertino Braga e Laura Moreira Braga. Seu avô materno, Joaquim Moreira, era português, e sua avó, Anna Moreira, tinha ascendência indígena e negra. Os pais de Roberto saíram, já casados, do interior de Minas Gerais para morar em Cachoeiro. Robertino era relojoeiro e instalou uma pequena loja no centro da cidade. Laura era costureira e atendia uma vasta clientela, porque na época quase não se vendia roupa pronta. A família morava numa casa modesta no alto de uma ladeira no bairro do Recanto. Logo que nasceu, foi apelidado de "Zunga"– apelido relativamente comum na época. Desde cedo mostrou aptidão para a música: adorava assobiar, e, por volta dos 4 anos, já divertia a família cantando músicas do cantor Bob Nelson, seu primeiro ídolo musical. Zunga vestia-se como cowboy, estilo de Nelson, e era incentivado por sua mãe a cantar, também, para as visitas. Laura aprendeu a tocar violão de forma básica na adolescência e repassou seu aprendizado para o filho, que buscou maior aprimoramento se valendo do tradicional método do violonista Canhoto.

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Carreira musical

Em 17 de março de 2010, gravou o CD e DVD Emoções Sertanejas ao lado de artistas da música sertaneja, como Paula Fernandes, Victor & Leo, Bruno & Marrone, César Menotti & Fabiano, Gian & Giovani, Tinoco, Sérgio Reis, Dominguinhos, Milionário & José Rico, Chitãozinho & Xororó, Almir Sater, Daniel, Leonardo, Nalva Aguiar, Roberta Miranda, Martinha, Elba Ramalho, entre outros. O especial foi exibido pela Rede Globo no dia 1º de abril do mesmo ano e lançado em CD e DVD meses depois. Pela primeira vez desde 1974 Roberto Carlos fez um show gratuito ao vivo na Praia de Copacabana no dia 25 de dezembro de 2010 para um público de 700 000 pessoas e transmitido ao vivo pela Rede Globo. O show contou com participações especiais do grupo de pagode Exaltasamba, dos sertanejos Bruno & Marrone e da cantora Paula Fernandes, do sambista Neguinho da Beija Flor e a bateria da escola de Nilópolis (que levou em seu desfile a vida do Rei Roberto Carlos para o sambódromo no carnaval de 2011), além de um coral de 200 crianças da comunidade da Rocinha.

1956–1961: Primeiras aventuras musicais no Rio de Janeiro

Em março de 1956, Roberto parte definitivamente de Cachoeiro levando apenas uma mala e um violão. Em Niterói, matricula-se na turma da noite do Colégio Brasil do bairro Fonseca, deixando o dia livre para se dedicar à música. Diariamente fazia o percurso à balsa para a capital, a fim de buscar testes nas emissoras locais, especialmente as maiores como a Rádio Nacional, a Rádio Mayrink Veiga ou a Rádio Tupi, pois todas essas tinham auditório, orquestra e artistas contratados. Chegou a contatar algumas vezes o radialista Paulo Gracindo, mas não conseguiu uma chance no programa dele. Pelos corredores, teve contato com o som de Lúcio Alves, Dick Farney e Luiz Cláudio, descobrindo, assim, técnicas mais modernas para seu violão. No final daquele ano, o cenário não era animador para si: não conseguiu contrato com nenhuma estação e reprovou o terceiro ano ginasial por faltar às aulas. Nesse momento, considerou seriamente retornar à sua terra natal; isso só não aconteceu pois seus pais tomaram a iniciativa de mudarem-se para perto do garoto. Assim, a família toda se reuniu para morar num sobrado no bairro Lins de Vasconcelos, subúrbio da Zona Norte carioca. Apesar do bom convívio, Roberto era o único dali que não tinha remuneração fixa, e, com o fito de arranjar emprego, ingressa em um curso de datilografia.

1961–1971: Ascensão e consolidação do sucesso

O responsável pela contratação do cantor, Roberto Corte Real, saiu da CBS, deixando seu cargo para Evandro Ribeiro, que propôs uma redução no número de contratados pela empresa. Ele não tinha interesse em manter um intérprete de bossa nova no elenco, mas uma lacuna foi aberta quando Sérgio Murilo, um dos maiores cantores de rock daquele período e integrante da gravadora, se desentendeu com Evandro e foi deixado na "geladeira". Roberto Carlos, então, foi mantido com a orientação de migrar para esse outro gênero. Em abril de 1962, foi lançado o single "Malena"/"Fim de Amor", com boa repercussão nas rádios cariocas. Depois, lançou uma versão de "Splish Splash", do estadunidense Bobby Darin, feita por Erasmo e bem recebida no Rio de Janeiro e em estados do Nordeste como Bahia e Pernambuco. Logo após, juntou-se novamente a Erasmo para compor "Parei na Contramão", sendo essa a primeira colaboração da longeva parceria que formaram a partir daí. Em setembro de 1963, com o sucesso dos singles anteriores, Roberto começa a gravar seu segundo álbum, o epônimo Roberto Carlos, considerado irregular por ser um intermediário entre o primeiro (mais focado na bossa nova) e o terceiro (que seria mais focado no rock), esse mescla canções dos dois estilos, sendo que as baladas de rock tiveram maior êxito. A divulgação do disco foi maior; Roberto foi transferido de seu emprego no Ministério da Fazenda para o de programador musical na Rádio MEC, aproveitando-se disso para promover suas próprias canções. A maior dificuldade era adentrar o mercado paulista, o que lhe daria verdadeira projeção nacional.

Década de 1970

O álbum Roberto Carlos, de 1972, repercutiu com "Como Vai Você" (de Antônio Marcos e Mário Marcos), "A Montanha" e "Quando as Crianças Saírem de Férias", além de ter sido o primeiro LP a atingir a marca de um milhão de cópias vendidas; e Roberto Carlos, de 1973, teve arranjos de Chiquinho de Moraes, Jimmy Wisner e Jimmy Haskel, com "Rotina" e "Proposta" sendo as principais canções. Em 24 de dezembro de 1974, a TV Globo exibiu um especial do cantor, que obteve um enorme índice de audiência. A partir daquele ano, o programa seria veiculado anualmente, sempre no final do ano. Em 1975, o grande sucesso seria "Além do Horizonte". No ano seguinte, o cantor gravaria o novo LP nos estúdios da CBS em Nova Iorque. O álbum lançou as canções "Ilegal, Imoral ou Engorda", "Os Seus Botões" e "Minha Tia" (homenagem a Tia Amélia). Em 1977, Roberto Carlos gravou "Muito Romântico", de Caetano Veloso, "Cavalgada" e "Pra Ser Só Minha Mulher", de Ronnie Von, que havia sido seu maior rival na época da Jovem Guarda, lançadas no disco natalino e que alcançaram os primeiros lugares nas paradas musicais.

Década de 1980

No início da década de 1980, participou de outra campanha, dessa vez para o Ano Internacional da Pessoa Deficiente. Em 1981, o cantor fez excursões internacionais e gravou o primeiro disco em inglês - outros seriam lançados em espanhol, italiano e francês. Também gravou o disco anual, que contou com sucessos como "Emoções", "Cama e Mesa" e "As Baleias". Em 1982, Maria Bethânia participou do álbum anual, no dueto "Amiga". Era a primeira vez que o cantor convidava um outro artista para participar das gravações do disco. Roberto Carlos ainda teve o sucesso "Fera Ferida", outra parceria com Erasmo. Em 1983, Roberto Carlos processou o jornalista Ruy Castro por uma reportagem na revista Status que detalhava seus romances na época da Jovem Guarda.

Década de 1990

Durante a década de 1990, o sucesso de Roberto Carlos prosseguiu tanto em nível nacional quanto internacional. Em 1992, gravou seu nome na Calçada da Fama em Miami nos Estados Unidos, para artistas latinos. Em 1993, Roberto Carlos impediu uma série de reportagens sobre sua infância no jornal Notícias Populares. Em 1994, Roberto Carlos conseguiu bater os Beatles em vendagens na América Latina, vendendo mais de 70 milhões de discos. No mesmo ano, grandes artistas do rock nacional da época, como Cássia Eller, Kid Abelha, Skank, entre outros, gravam o disco REI em que eles interpretam grandes sucessos do cantor, e este é lançado no mesmo ano. Em 1995, liderados por Roberto Frejat, grandes nomes do pop-rock brasileiro como Cássia Eller, Chico Science & Nação Zumbi, Barão Vermelho e Skank homenagearam Roberto Carlos com a gravação de canções da época da Jovem Guarda. No ano seguinte, Roberto Carlos emplacou mais um sucesso em parceria com Erasmo Carlos: "Mulher de 40"; e gravou ao lado de Julio Iglesias, Gloria Estefan, Plácido Domingo, Ricky Martin, Jon Secada, entre outros, em espanhol a canção "Puedes Llegar", o tema das Olimpíadas de Atlanta nos Estados Unidos. Já em 1997, foi lançado o álbum em língua espanhola Canciones que Amo.

Década de 2000

Depois de um período de reclusão, Roberto Carlos retomou sua carreira com a turnê Amor Sem Limite, inaugurada em Recife, em novembro de 2000, título da canção - feita em homenagem a Maria Rita - de maior destaque no álbum lançado em dezembro daquele mesmo ano. Ainda naquele ano, o cantor rompeu o contrato com a gravadora Sony (ex-CBS), após 39 anos de parceria. Em 2001, Roberto recebeu inúmeras homenagens pelo 60º aniversário e gravou o álbum Acústico MTV, depois de meses de negociações entre a Rede Globo e a MTV Brasil. O álbum trouxe 14 releituras em versão acústica para antigos sucessos, alguns cantados com a participação de artistas como Samuel Rosa, do Skank (em "É Proibido Fumar"), Tony Bellotto, dos Titãs (em "É Preciso Saber Viver"), entre outros.

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Vida pessoal

Ao longo dos anos, o cantor teve casos efêmeros com várias celebridades brasileiras. Em 1968, casou-se em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), com Cleonice Rossi, filha do publicitário Edmundo Rossi que morreu de câncer de mama em 1990. Cleonice é mãe de seus dois filhos: Roberto Carlos Segundo, chamado de Segundinho ou Dudu Braga, nascido em Belo Horizonte, em 14 de dezembro de 1968 e morto em 8 de setembro de 2021, em São Paulo, e Luciana, nascida em 6 de março de 1971. Segundinho nasceu com glaucoma de difícil tratamento, com menos da metade da capacidade visual e sempre andou de bengala e acompanhado. Roberto Carlos ainda assumiu a paternidade de Ana Paula Rossi Braga, filha de um namoro prévio de Cleonice em que o pai do bebê não quis assumir. Roberto, então, por amor à esposa, se apegou à filha dela e a registrou como sua filha. Em 1979, o casamento com Cleonice se desfez, iniciando um romance com a atriz Myrian Rios, com quem teve um casamento que duraria onze anos, sem filhos.

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Características musicais

Composição

Em suas composições, Roberto Carlos costuma descrever sentimentos e acontecimentos de sua vida; segundo Araújo, "Roberto tem, desde o início, uma obra marcadamente pessoal e autobiográfica. [...] Ele canta o que pensa, sente e vive". Dessa forma, rememora o acidente que sofreu na infância nas canções "Traumas" (1971)–chamada de "psicanalítica" por Tárik de Souza–e "O Divã" (1972), de mesma temática e na qual aborda de forma mais franca sua dor ("essas recordações me matam / por isso eu venho aqui"). Paga tributo ao seu primeiro ídolo em "A Lenda de Bob Nelson", gravada por Erasmo; em "Aquela Casa Simples" (1986) fala da sua partida de Cachoeiro para o Rio ("as bênçãos do meu pai, a fé e um violão"); para a tia que o acolheu no RJ, escreveu "Tia Amélia" (1976); para a mãe, fez "A Estação" (1974), mais contida, e "Lady Laura" (1978), mais direta; para o pai, fez "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo" (1979). Conforme abraçou seu lado mais romântico, escreveu ao menos um grande êxito para cada mulher com quem se relacionou publicamente: para Magda Fonseca fez "Quero que Vá Tudo pro Inferno" (1965); para Nice fez "Como É Grande o Meu Amor por Você" (1967); para Myrian fez "Eu Preciso de Você" (1981); e para Maria Rita fez "Pra Sempre" (2003). No período entre os anos 70 e 80, procurou construir um repertório de standards aos moldes de Sinatra, momento em que surgem sucessos duradouros como "Emoções" (1981).

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Legado

Imagem pública

Roberto Carlos era indiscutivelmente considerado pela mídia o líder da Jovem Guarda, tanto do programa quanto do movimento. Desde esse período, é amplamente conhecido pela alcunha de "rei". Antes de atingir a fama esse apelido já não lhe era incomum: foi o compositor Pilombeta, que o conhecera perambulando rádios no começo dos anos 1960, quem primeiro lhe apresentou dessa forma. Porém foi após a explosão da Jovem Guarda que o comunicador Chacrinha promoveu uma edição especial de seu programa Buzina do Chacrinha, em 1966, no qual concedeu ao cantor uma coroa e o título de "Rei da Juventude", pelo qual passou a ser chamado a partir de então com diferentes variações: primeiro "Rei da Juventude", depois "Rei da Música Brasileira", e por último apenas "Rei". Sobre o epíteto, o cantor comentou posteriormente: "Sempre recebi esse título com carinho e humildade, porque me foi ofertado naturalmente por pessoas que curtem meu trabalho. Agradeço, mas não me vejo dessa forma". Apesar disso, não escapou de, ainda nos anos 60, ter seu trono disputado por outros artistas; naquela década, vários cantores foram apontados como imitadores dele. Já em 1965, lançou a canção "O Sósia", na qual trata de maneira irônica sobre um homem que o imitava mas que não podia cantar tão bem quanto. Um caso popular foi o de Ronnie Von, que despontou nas paradas em 1966, ganhou um programa próprio na Record e logo começou a ser chamado de "Príncipe"; a mídia alimentou a rivalidade, e uma lenda da época afirmava que Roberto gravara "Querem Acabar Comigo" com uma foto de Ronnie à sua frente, o que ele nega. Mas foi o capixaba Paulo Sérgio o maior dos cantores considerados "imitadores" do rei; assim que surgiu, o próprio Roberto comentou: "Eu até me confundi com ele, ouvindo-o no rádio". Acredita-se que o álbum O Inimitável recebeu esse título em referência ao caso.

Reconhecimento

Ao longo de sua carreira, Roberto Carlos foi indicado e venceu diversos prêmios. Ele ganhou dois Melhores do Ano, dois Troféu Internet, um Prêmio da Música Brasileira, um Prêmio Multishow de Música Brasileira, oito Grammy Latino, um Grammy Award e 27 Troféu Imprensa.

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Fontes consultadas

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