Caso Rafael Mascarenhas
O Caso Rafael Mascarenhas relata a trágica morte do estudante e músico Rafael Mascarenhas, de 18 anos, após ser atropelado em 20 de julho de 2010, dentro do Túnel Acústico na Gávea. O túnel, que estava fechado para manutenção, foi indevidamente utilizado para um racha entre dois carros. Um deles, em alta velocidade, atingiu Rafael, que andava de skate com amigos. A investigação revelou a participação de policiais em um esquema de corrupção para encobrir o crime, com o motorista atropelador fugindo do local sem prestar socorro e posteriormente tentando ocultar provas.
Pontos-chave
- Rafael Mascarenhas, 18 anos, músico e estudante, morreu atropelado em 20 de julho de 2010.
- O atropelamento ocorreu no Túnel Acústico, fechado para manutenção, onde ocorria um racha.
- O motorista do carro que atingiu Rafael fugiu do local e tentou encobrir o crime.
- Policiais militares foram envolvidos em esquema de corrupção para ocultar a cena do acidente.
- O inquérito indiciou o motorista por homicídio doloso e outras partes por crimes relacionados.
Rafael Guimarães Mascarenhas, nascido em 20 de setembro de 1991 no Rio de Janeiro, era um jovem de 18 anos com múltiplos talentos: músico e estudante. Filho da atriz Cissa Guimarães e do saxofonista Raul Mascarenhas, ele também era meio-irmão de Mariana Belém. Rafael era guitarrista e backing vocal da banda The Good Fellas e participava do reality show "Geleia do Rock". Cursava Engenharia Civil na PUC-Rio, com planos de mudar para Arquitetura e viajar para a Europa para um curso de música. Tragicamente, faleceu no mesmo dia em que um episódio do reality show em que participava seria exibido, sendo homenageado pelo apresentador Beto Lee.
A morte de Rafael Mascarenhas foi resultado de um atropelamento ocorrido em circunstâncias criminosas, envolvendo um racha e posterior tentativa de encobrir o fato, com envolvimento de policiais.
Atropelamento
Na madrugada de 20 de julho de 2010, Rafael Mascarenhas e dois amigos praticavam skate no Túnel Acústico, que estava fechado para manutenção entre 1h10 e 4h10. Dois carros, um Honda Civic e um Fiat Siena, que se dirigiam a São Conrado, utilizaram uma passagem de emergência aberta para retornar e apostar um racha. O Fiat Siena, em alta velocidade, atingiu Rafael Mascarenhas na descida do túnel. O motorista do Siena, Rafael de Souza Bussanra, fugiu do local sem prestar socorro, sendo posteriormente parado por uma viatura policial, mas liberado após supostamente oferecer propina.
Corrupção Policial
Imagens de monitoramento registraram o momento em que o carro de Rafael Bussanra foi abordado por policiais militares após o atropelamento. Apesar de deverem conduzi-lo à delegacia, os policiais, sargento Marcello José Leal Martins e cabo Marcelo de Souza Bigon, liberaram o motorista. O carro, com danos significativos (para-brisa quebrado, capô amassado, faróis estilhaçados e sem para-choque), só chegou à delegacia na manhã seguinte. Bussanra alegou que os policiais cobraram R$ 10 mil para liberar o veículo e que eles circularam pelo bairro antes de levá-lo para encontrar seu pai, Roberto Bussamra. Após pagar R$ 1 mil, o pai se recusou a pagar o restante, alegando que os policiais haviam "prestado um bom serviço" ao remover o veículo e limpar a cena.
Reconstituição
Em 27 de julho, foi realizada a reconstituição do crime no Túnel Acústico. Participaram os amigos de Rafael, os passageiros do Honda Civic (Gabriel Fernandes e Gustavo Martins) e os ocupantes do Fiat Siena (André Liberal e Rafael de Souza Bussanra). Peritos do Instituto Carlos Éboli realizaram medições e simulações de arrancadas e frenagens para determinar a velocidade do veículo que atingiu Rafael, com base na distância em que o jovem foi projetado.
Conclusão do Inquérito
Em 3 de setembro, 44 dias após o acidente, o inquérito foi concluído. Rafael Bussamra foi indiciado por homicídio doloso, devido a indícios de racha com Gabriel Fernandes, que também foi indiciado, mas o Ministério Público não aceitou a denúncia contra ele. Bussamra também respondeu por fraude processual (tentativa de encobrir provas ao levar o carro para oficina), fuga do local e corrupção ativa. Seu pai, Roberto Bussamra, foi acusado de corrupção ativa por admitir o pagamento de R$ 1 mil a policiais para encobrir o acidente. O irmão de Rafael Bussamra, Guilherme Bussamra, foi indiciado por fraude processual por auxiliar na ocultação do carro.
Punição
Em 7 de dezembro de 2010, o juiz Paulo de Oliveira Lanzelotti Baldez homologou a transação penal para Gabriel Fernandes e Guilherme Bussamra. Gabriel, acusado de participar de corrida não autorizada, foi condenado a pagar 10 salários mínimos ou cestas básicas à Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) e teve sua CNH suspensa por um ano. Guilherme, por auxiliar na ocultação do carro, pagará metade do valor à ABBR, alegando despesas residenciais em São Paulo. A ABBR definirá a forma de pagamento.


