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Carlota de Meclemburgo-Strelitz

Carlota de Meclemburgo-Strelitz foi esposa do rei Jorge III e Rainha Consorte da Grã-Bretanha e Irlanda e depois do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda de 1761 até sua morte. Também foi Eleitora Consorte e posteriormente Rainha Consorte de Hanôver. Era filha de Carlos Luís de Meclemburgo-Strelitz, Príncipe de Mirow, e de sua esposa, a princesa Isabel Albertina de Saxe-Hildburghausen.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Início de vida

Sofia Carlota de Meclemburgo-Strelitz nasceu em 19 de maio de 1744. Ela era a filha mais nova de Carlos Luís Frederico de Meclemburgo-Strelitz, príncipe de Mirow (1708–1752), e de sua esposa, a princesa Isabel Albertina de Saxe-Hildburghausen (1713–1761). Meclemburgo-Strelitz era um pequeno ducado no norte da Alemanha que pertencia ao Sacro Império Romano-Germânico. Os filhos do príncipe Carlos nasceram todos no Castelo de Mirow, um palácio modesto que quase pode ser considerado uma casa de campo. A vida em Mirow era quase idêntica à de uma família de simples baixa nobreza inglesa do campo. A manhã era dedicada ao estudo e a aulas de costura, bordados e croché, para os quais Carlota e a irmã Cristiana, tinham muito talento. Foram educadas de forma muito cuidadosa, tendo recebido uma educação admirável e receberam os seus princípios religiosos por parte da mãe. Seus pais contrataram indivíduos notáveis ​​para serem tutores de seus filhos, entre eles Gottlob Burchard Genzmer e Friderike Elisabeth von Grabow. Foram também ensinados por M. Gentzner, um pastor luterano de grande reputação que tinha um conhecimento profundo de botânica, mineralogia e ciência. Carlota também aprendeu a tocar cravo pelo compositor Johann Georg Linike. No entanto, de acordo com relatórios diplomáticos na época de seu noivado com Jorge III em 1761, Carlota recebeu "uma educação muito medíocre" e os britânicos contemporâneos, incluindo Elizabeth Montagu, expressaram ansiedade sobre a suposta provincianidade da educação de Carlota. Somente depois que seu irmão Adolfo Frederico sucedeu ao trono ducal, em 1752, Carlota ganhou alguma experiência com os deveres principescos e com a vida na corte.

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Casamento

Quando o rei Jorge III sucedeu ao trono da Grã-Bretanha após a morte do seu avô, o rei Jorge II, foi considerado que tinha chegado a altura de procurar uma noiva que pudesse cumprir todos os deveres da sua importante posição, de forma a satisfazer todo o país. Carlota não foi originalmente considerada como uma noiva em potencial, mas o Ministro de Hanôver em Londres, Barão Philip Adolphus von Münchausen, sugeriu-a como candidata, provavelmente devido às relações positivas entre Hanôver e Meclemburgo-Strelitz. O coronel Graeme, que tinha sido enviado a várias cortes alemãs numa missão de investigação, falou dos encantos do carácter e das excelentes qualidades intelectuais da princesa Carlota, na altura com 17 anos de idade. Embora não fosse certamente uma beldade, o rosto da duquesa era muito expressivo e mostrava grande inteligência. Não era alta, mas tinha uma figura esbelta e bastante bonita. Os seus olhos brilhantes iluminavam-se com bom humor e vivacidade, a sua boca era grande, tinha dentes brancos e direitos e o seu cabelo era de um bonito tom castanho-claro. Ademais, uma união com Carlota era interssante em parte porque havia sido criada em um insignificante ducado do norte da Alemanha e, portanto, provavelmente não teria experiência ou interesse em política de poder ou intrigas partidárias. Isso provou ser o caso; para garantir, Jorge III a instruiu logo após o casamento a "não se intrometer", um preceito que ela seguiu obedientemente.

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Rainha

Existem poucas dúvidas de que os primeiros anos de casamento da jovem rainha não foram felizes. O rei estava atarefado com os seus deveres políticos e a sua mãe, segura do apoio do seu favorito, John Stuart, lord Bute, podia exercer toda a influência e autoridade que a idade, o conhecimento e a posição de uma mãe lhe davam, ao contrário do casal jovem e pouco experiente. A jovem rainha não conseguiu resistir e criou-se uma espécie de despotismo no palácio onde a sua sogra controlava tudo o que ela fazia. O próprio rei, muito influenciado pela mãe, não se sentia tentado a intervir e assumiu que tudo estava a correr bem. Carlota já não podia manter relações íntimas com as damas do palácio e era uma regra de etiqueta da corte que todos os que a frequentavam não deviam dirigir-se à rainha excepto acompanhados dos seus criados alemães. Os jogos de cartas, que Carlota adorava, também estavam interditos. Naturalmente, existiam também as facções alemãs e inglesas entre os criados, cada uma lutando zelosamente pelo favor da rainha, ditando os termos e condições do seu serviço e ameaçando regressar à Alemanha se não recebessem determinados privilégios. A rainha tinha tantos problemas com os seus criados como o seu marido tinha com os seus ministros insubordinados.

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Doença do marido

Alguns contemporâneos, incluindo Charlotte Papendiek, uma das damas de companhia de Carlota, acreditavam que Jorge III sofreu pela primeira vez de doença mental em 1765. No entanto, a governanta real, lady Charlotte Finch, registrou que o rei estava apenas doente com febre; ao contrário da Sra. Papendiek, que estava em julho de 1765, lady Finch estava presente na casa real na época. A Sra. Papendiek afirmou em suas memórias que a princesa Augusta tentou manter Carlota inconsciente da situação para se estabelecer como regente. O Projeto de Lei de Regência de 1765 afirmava que se o rei se tornasse permanentemente incapaz de governar, Carlota deveria atuar como regente até que o Príncipe de Gales atingisse a maioridade. O surto de doença física e mental de Jorge III começou em outubro de 1788 e durou até março de 1789. Carota ficou profundamente angustiada com a mudança no comportamento do marido. A escritora Frances Burney, na época uma das damas da rainha, ouviu-a gemendo para si mesma com um "som desanimador": "O que será de mim? O que será de mim?" Quando o rei desmaiou uma noite, ela se recusou a ficar sozinha com ele e insistiu com sucesso que lhe dessem seu próprio quarto. Quando o médico, Richard Warren, foi chamado, ela não foi informada e não teve a oportunidade de falar com ele sobre isso. Quando informada pelo príncipe de gales que o rei seria removido para Kew, mas que ela deveria se mudar para a Queen's House ou para Windsor, ela insistiu com sucesso que acompanhasse seu esposo a Kew, dizendo ao filho "Onde o rei estiver, lá estarei eu". No entanto, ela e suas filhas foram levadas para Kew separadamente do rei e viveram isoladas dele durante sua doença. Elas o visitavam regularmente, mas as visitas tendiam a ser desconfortáveis, pois ele tinha uma tendência a abraçá-las e se recusar a deixá-las ir.

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Interesses e apoios

O rei Jorge III e a rainha Carlota eram grandes conhecedores de música e admiravam os trabalhos de Georg Friedrich Händel. Ambos tinham um gosto especial por música alemã e davam honras especiais aos artistas e compositores deste país. Em 1764, Wolfgang Amadeus Mozart, na altura com oito anos de idade, visitou a Grã-Bretanha com a sua família durante a sua grande digressão pela Europa e ficou no país entre abril e junho desse ano. A família Mozart foi chamada à corte no dia 19 de maio e o compositor deu um concerto para um número muito reduzido de pessoas que durou das seis até às dez da noite. Johann Christian Bach, décimo-primeiro filho do grande Johann Sebastian Bach, era na altura o mestre de música da rainha e entregou composições complicadas de Händel, Bach e Abel para que o rapaz tocasse. Mozart tocou-as todas sem olhar para as partituras e os presentes ficaram impressionados. Depois do concerto, Mozart acompanhou a rainha no piano para tocar uma ária que Carlota cantou e tocou durante algum tempo a sua flauta. No dia 29 de outubro, a família Mozart regressou ao país para celebrar o quarto aniversário do rei no trono. Como recordação do favor real, o pai de Mozart, Leopold, publicou seis sonatas compostas por Wolfgang, conhecidas por Opus 3, que dedicou à rainha no dia 18 de janeiro de 1765. A rainha agradeceu esta dedicação presenteando o compositor com cinquenta guinéus.

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Relação com Maria Antonieta

A Revolução Francesa de 1789 provavelmente terá aumentado ainda mais a angústia da rainha. Carlota e a rainha Maria Antonieta tinham uma relação bastante próxima. Carlota era onze anos mais velha do que a rainha francesa, mas ambas partilhavam muitos interesses, tais como o amor pela música e pelas artes que as duas apoiavam entusiasticamente. Embora nunca se tenham conhecido pessoalmente, trocavam correspondência com frequência. Maria Antonieta contou as suas angústias a Carlota durante a revolução. Carlota até preparou aposentos no seu palácio, esperando que família real francesa se refugiasse em Inglaterra. Após a execução de Maria Antonieta e dos acontecimentos que se seguiram, diz-se que Carlota ficou chocada e completamente dominada pelo pensamento de que tal pudesse acontecer a um reino, principalmente um reino tão próximo da Grã-Bretanha.

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Durante a Regência

Após o início de sua loucura permanente em 1811, Jorge III foi colocado sob a tutela de sua esposa, de acordo com o Projeto de Lei de Regência de 1789. Ela não conseguia visitá-lo com muita frequência, devido ao seu comportamento errático e reações violentas ocasionais. Acredita-se que ela não o visitou novamente depois de junho de 1812. No entanto, Carlota continuou apoiando seu esposo enquanto sua doença piorava na velhice. Enquanto seu filho, o príncipe regente, exercia o poder real, ela foi a guardiã legal de seu esposo de 1811 até sua morte em 1818. Devido à extensão da doença do rei, ele era incapaz de saber ou entender que ela havia morrido. Durante a Regência de seu filho, a rainha Charlotte continuou a desempenhar seu papel como primeira-dama na representação real devido ao afastamento do príncipe regente e sua esposa, Carolina de Brunsvique-Volfembutel. Como tal, ela atuou como anfitriã ao lado de seu filho em recepções oficiais, como as festividades dadas em Londres para celebrar a derrota do imperador Napoleão em 1814.Ela também supervisionou a educação de sua neta, a princesa Carlota de Gales. Durante seus últimos anos, ela foi recebida com uma crescente falta de popularidade e às vezes foi submetida a demonstrações. Depois de ter comparecido a uma recepção em Londres em 29 de abril de 1817, ela foi vaiada por uma multidão. Ela disse à multidão que era perturbador ser tratada assim depois de um serviço tão longo.

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Morte

A rainha morreu no Palácio de Kew, Surrey, aos setenta e quatro anos de idade, na presença do seu filho mais velho, o príncipe-regente, que estava sustentando sua mão enquanto ela estava sentada, posando para o retrato de família que era pintado naquele momento. A rainha foi enterrada na Capela de São Jorge no Castelo de Windsor. O seu marido morreu pouco mais de um ano depois. Carlota é a segunda consorte que esteve mais tempo no trono britânico, sendo que o único que a ultrapassa foi o duque de Edimburgo, consorte da rainha Isabel II. Ao todo, Carlota esteve no trono 57 anos e setenta dias. O seu filho mais velho reivindicou as joias da mãe após a sua morte, mas o resto dos seus bens foram vendidos num leilão que durou de maio a agosto de 1819. As suas roupas, mobília e até a sua caixa de rapé foram vendidos pela Christie's. É muito improvável que o seu marido tenha sabido da sua morte, tendo também ele vindo a morrer cego, surdo e coxo catorze meses depois.

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Suposta ascendência africana

As alegações de que a Rainha Carlota poderia ter ascendência africana parcial são negadas pelos historiadores e acadêmicos modernos. Tais insinuações surgiram pela primeira vez no livro Racial Mixture as the Basic Principle of Life, publicado em 1929 pelo historiador alemão Brunold Springer, que questionou a precisão de seu retrato pintado por Thomas Gainsborough. Baseando-se em um retrato alternativo feito por Allan Ramsay e em descrições contemporâneas de sua aparência, Springer concluiu que as "narinas largas e lábios grossos" de Carlota deviam indicar uma herança africana. O historiador amador jamaicano-americano J. A. Rogers concordou com Springer em seu livro de 1940 Sex and Race: Volume I, onde afirmou que a Rainha Carlota deveria ser "birracial" ou "negra". Na realidade, Carlota tinha ascendência germânica (da região de Meclemburgo), possivelmente conectada com o povo Vândalo, nativos da Europa oriental.

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Representações na cultura

A rainha Carlota foi interpretada pela actriz Frances White na série Prince Regent, transmitida pela BBC em 1979, e, mais tarde, por Helen Mirren no filme The Madness of King George de 1994, e pela atriz Golda Rosheuvel em 2020, na série da Netflix Bridgerton, e por India Ria Amarteifio no aclamado spin-off da mesma, intitulado Rainha Charlotte: Uma história Bridgerton.

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