Pesquisa · Mapa mental

Carlos Benjamin de Lyra

Carlos Benjamin de Lyra foi um matemático brasileiro notável, destacando-se como pioneiro na topologia algébrica no Brasil, e professor na Universidade de São Paulo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/08/2026
01

Início de vida

Primeiros anos e educação

Carlos Benjamin de Lyra nasceu na cidade de Recife em Pernambuco no dia 23 de novembro de 1927. Seus pais eram Carlos de Lyra Filho — um usineiro e dono do jornal Diário de Pernambuco que possuía muita influência nacionalmente —, e Elizabeth Lau de Lyra, que veio da Alemanha para o Brasil com sua família, que era envolvida com a produção de açúcar. O casamento de seus pais foi arranjado devido a proximidade das duas famílias nos negócios e na religião. Carlos de Lyra Filho já vinha de outro casamento, no qual teve cinco filhos, e foi após a morte de sua primeira esposa que casou-se com Elizabeth, com quem teve mais dois herdeiros: Carlos e George.

Retorno ao Brasil

Com o ensino médio concluído, Carlos teve a possibilidade de obter a cidadania americana para seguir os planos de seu padrasto que queria encaminhá-lo para trabalhar em Wall Street e estudar em uma das várias universidades em que fora aceito, como a Yale, mas recusou ambos, pois era muito apegado ao Brasil e crítico à sociedade americana. Em 1945, de volta ao Brasil e em um cenário pós Segunda Guerra Mundial, Lyra se alistou no exército brasileiro para continuar com a sua cidadania e passa um tempo morando com um de seus irmãos por parte de pai como seu tutor, até atingir a maioridade. No ano seguinte, ele se muda para São Paulo, para a casa de Manuel Tavares, um advogado amigo de sua família e foi nessa época que ele deu início aos seus estudos em matemática.

Família e início de carreira

Em São Paulo, no ano de 1947, Carlos ingressou no curso de Matemática da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL). Estudando lá, conheceu os matemáticos franceses André Weil (1906-1998) e Jean Dieudonné (1906-1992), além de ter aulas com o professor Cândido Lima da Silva Dias (1913-1998) na disciplina de Topologia Algébrica, área que seguiu durante toda sua carreira científica e acadêmica. Foi em 1950 que Lyra despertou seu interesse em Topologia Algébrica, ao assistir um curso sobre Teoria da Homologia Simplicial, ministrado pelo professor Cândido Lima, e nesse mesmo ano obteve a sua licenciatura. Com isso, foi para a França no ano letivo de 1952/53, cursar a pós-graduação como bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq). Durante esse período, ele estudou com Henri Cartan e participou dos seminários de seu grupo, também assistiu às palestras de Hurewicz sobre homotopia no Collège de France em Paris.

02

Carreira acadêmica

A Universidade de São Paulo

Em 1954, Lyra foi contratado pela FFCL, unidade vinculada à Universidade de São Paulo, juntamente de Elza Furtado Gomide, para trabalhar como Professor Auxiliar junto à Cátedra de Análise Matemática que era regida pelo Professor Omar Catunda nessa época. Durante o período em que ocupou essa função, Carlos participou do Simpósio Internacional de Topologia Algébrica, na Cidade do México, e organizou seminários semanais sobre o tema no Departamento de Matemática da FFCL. Tópicos como a teoria da homologia simplicial e singular, teoria da homotopia, espaços fibrados, entre outros estavam presentes como conteúdo de seus cursos. Dentre os estudantes que participaram desse seminário, destacam-se: Gilberto F. Loibel (com quem viria desenvolver um seminário sobre a homologia dos espaços fibrados em 1960), Renzo Piccinini e Nelo Allan. As apresentações semanais continuaram até 1959, pouco tempo depois de Lyra sair do cargo de Professor Auxiliar, em 1958, quando entrou para o doutorado.

Atuação na reforma da USP e criação do IME

Em fevereiro de 1967, Carlos foi escolhido para participar da Comissão encarregada de analisar o problema da FFCL para a reestruturação da Universidade de São Paulo. Depois da fase de estudos, a Comissão nomeou uma subcomissão de redação composta pelos professores Simão Mathias, Florestan Fernandes e Carlos Benjamin de Lyra, sendo Carlos o relator da equipe. O relatório aprovado pela Congregação no 2.º semestre daquele ano, apresentou diversos problemas que foram corrigidos pela Reforma e sugeriu a separação dos setores de ciência fundamental do âmbito da antiga FFCL e a criação de novos Institutos. Nesse mesmo ano, ele integrou a comissão incumbida de estudar os cursos básicos de matemática e o relatório, concluído em 1968, recomendou a criação de um Instituto de Ciências Matemáticas, reunindo os setores de Matemática Pura e Aplicada, Estatística e Computação. Ainda em 1968, foi indicado pelo Vice-Reitor para a comissão responsável por propor ao Conselho Universitário a estrutura dos novos Institutos criados e levantar os recursos humanos e materiais disponíveis para eventual incorporação aos novos Institutos. O IME e sua biblioteca foram estruturados segundo as linhas gerais propostas neste relatório.

Colóquios de Matemática

O professor Lyra teve participações ativas em eventos como os Colóquios de Matemática. Foi no 1.º Colóquio Brasileiro de Matemática que ele ministrou o curso "Introdução à Topologia Algébrica" e no 5.º e 7.º o apresentou novamente. Ele também participou da Comissão Organizadora desta reunião em seu primeiro ano, coordenou a comissão no 2.º Colóquio e participou novamente da organização no 6.º. Em 1967, durante o 6.º Colóquio Brasileiro de Matemática, Lyra integrou uma comissão cujo objetivo era definir o caráter científico e a organização da Escola Latino-Americana de Matemática. Além do professor Carlos, essa Comissão também foi composta pelos professores Emilio Lluis (México) e Orlando Villamayor (Argentina). Juntos, eles elaboraram um documento que foi aprovado pelo plenário.

Sociedades de Matemática

Entre 1966 e 1967, Lyra foi presidente eletivo da Sociedade de Matemática de São Paulo, mas esta não durou muito tempo e, na época de seu fim, em 1972, teve uma nota publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo: Consoante ata de assembleia geral extraordinária, realizada aos 19 de maio de 1972, reuniram-se os associados da Sociedade de Matemática de São Paulo, que deliberaram extinguir a sociedade, doando os seus bens ao Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, nomeando uma comissão constituída pelos Profs. Carlos Benjamin de Lyra, Chaim Samuel Honig e Elza Furtado Gomide, a fim de tratarem dos aspectos formais e legais decorrentes da extinção da sociedade.

03

Últimos anos e morte

Em seus últimos anos de vida, Carlos continuou ativo em seus trabalhos. Após a fundação do IME-USP em 1970, ele foi indicado pelo CNPq para ser professor conferencista e, dois anos depois, foi nomeado pelo presidente do CNPq como representante brasileiro na Comissão Permanente da Escola Latino-Americana de Matemática (ELAM). Entretanto, durante esse período, a família Lyra perdeu um de seus membros. Eduardo Lacerda de Lyra faleceu em 1971, aos 12 anos, em um acidente na praia. No seu último ano de vida, Lyra fez o concurso para livre-docência e escreveu e entregou seu Memorial para o concurso de Professor Adjunto do IME. Curiosamente, Carlos tinha o hábito de dizer aos amigos que morreria cedo e, segundo seus filhos, Jorge e Sylvia, os homens de sua família viviam relativamente pouco, isso se confirmou com a morte do professor. Carlos Benjamin de Lyra faleceu em 21 de julho de 1974, aos 46 anos. Após um mal-estar, ele ficou internado por quatro dias e foi diagnosticado com um tumor cerebral. De acordo com Leda, Carlos voltou para casa com a ressalva de voltar ao hospital em três dias. Esse período em casa lhe deu o tempo suficiente para finalizar o artigo que estava em seu escritório, sendo este seu último trabalho.

04

Posicionamento político

Imagem: Bia Luminatti · BY-SA · Openverse

Carlos era descrito como um intelectual socialista e, entre os anos de 1950 e 1955, foi membro do Partido Socialista Brasileiro, tendo como companheiros Paul Singer, Febus Gikovate e outros. Um dos motivos que levaram à negação de sua cidadania americana foi a sua postura crítica em relação à sociedade do país. Ele também atuou como membro da Comissão de Elaboração do Livro Branco sobre os acontecimentos da Rua Maria Antônia na função de relator. Os eventos desse dia, causados por conflitos entre estudantes da Universidade de São Paulo e alunos do Instituto Presbiteriano Mackenzie durante a ditadura militar no Brasil, ficaram conhecidos como Batalha da Maria Antônia.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando