Batalha da Maria Antônia
A batalha da Maria Antônia foi um confronto entre estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie ocorrido em 2 de outubro de 1968. Na época, as duas instituições, localizadas na rua Maria Antônia, região central de São Paulo, eram vizinhas, e constantemente o local era palco de passeatas e manifestações estudantis.
O ano de 1968 foi um momento de forte resistência da classe estudantil, que era majoritariamente contrária à ditadura militar brasileira. Em 1964, houve uma divisão da classe média brasileira que, sob forte propaganda anticomunista e crise econômica, apoiou a deposição de João Goulart e passou a esperar por uma transição rápida para a democracia. Nos quatro anos seguintes, sem perspectiva de abertura e diante de uma política econômica recessiva e de sinais de violência por parte dos militares, a maior parte da classe média começou a se posicionar contra o regime militar. Seus filhos, mais de 200 mil estudantes universitários e centenas de milhares secundaristas, seguiam pelo mesmo caminho. A universidade brasileira vivia uma crise de sentido na década de 60: não servia a quem queria mudanças na sociedade e nem ao capitalismo brasileiro, que vivia uma fase de modernização. Assim, a vanguarda do movimento estudantil que agitava a universidade com seus discursos (1965–1967) tinha agora ao seu lado a massa dos estudantes. Depois das grandes mobilizações de junho de 1968, como a "Sexta-Feira Sangrenta" e a Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro, auge da resistência popular à ditadura militar, o movimento refluiu. As condições de luta no segundo semestre eram mais difíceis: muitos estudantes foram presos e a polícia se empenhava em acabar com as ocupações em universidades.
Desde meados de julho de 1968 o prédio da USP estava ocupado por estudantes que se reuniam constantemente em assembleias. No dia 3 de outubro, o tumulto começou por conta de um pedágio que os alunos da USP, situada no prédio onde antes funcionava a Junta Comercial de São Paulo, cobravam na rua Maria Antônia – o valor serviria para custear o congresso da União Nacional dos Estudantes. Irritado, um aluno da Universidade Mackenzie atirou um ovo podre contra os cobradores do pedágio, o que levou os estudantes da Universidade de São Paulo a revidarem com pedras e tijolos. Alguns mackenzistas e uspianos acabaram se enfrentando com rojões, foguetes, coquetéis Molotov e tiros. Segundo a revista O Cruzeiro, de 9 de novembro de 1968, estiveram presentes no conflito da rua Maria Antônia Boris Casoy (jornalista e âncora da RedeTV!), João Marcos Monteiro Flaquer, João Parisi Filho, Raul Careca e Souvenir Assumpção Sobrinho.
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De acordo com o professor Antonio Candido de Mello e Souza, o acontecimento fez a faculdade passar de uma atitude neutra e contemplativa, para um viés de movimento organizado, preocupado com os problemas sociais daquele período. Nos anos 1960, a faculdade já estava iniciando um debate político sobre questões nacionais, pois os fundadores professores estrangeiros já haviam ido embora e o corpo docente começou a obter maioria absoluta de brasileiros. A rua Maria Antônia tornou-se um local de mentalidade renovada, e por este motivo, a partir do golpe militar de 1964, a faculdade foi invadida, depredada, seus professores e estudantes foram detidos, houve muita repressão e intimidação.
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Apesar de alguns dos membros do CCC serem estudantes do Mackenzie, a filosofia de extrema-direita e pró-ditadura militar não eram um consenso dentro da Universidade, conforme se posicionou o Centro Acadêmico João Mendes Júnior, dos estudantes de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 31 de março, pelo Facebook: "Há uma história muito bem contada no livro “Maria Antônia: a história de uma guerra”, de Gilberto Amendola, sobre a instalação de uma urna para votação para a União Estadual dos Estudantes dentro do Mackenzie, o que causou 16 estudantes trancados dentro de uma sala para proteger a urna, policiais no pátio e gente sendo levada ao DOPS. Durante a 'Guerra da Maria Antônia' A UNE e a UEE eram apoiadas por algumas entidades estudantis, dentre elas o DCE e o Centro Acadêmico João Mendes Jr., na época presidido por Lauro Pacheco de Toledo Ferraz, o vice-presidente do DCE Jun Nakabayashi, o vice-presidente da UEE e também aluno de direito Américo Nicoletti e outras importantes lideranças da faculdade, como Renato Martinelli, Agostinho Fiordelisio, Décio Bar, José A. de Azevedo Marques, o Zé Al e Cid Barbosa Lima Sobrinho, dentre outros.


