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Candombe

O candombe é uma dança com atabaques típica da América do Sul. Tem um papel significativo na cultura do Uruguai dos últimos duzentos anos. Foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade. É uma manifestação cultural originada a partir da chegada dos escravos da África ao continente sul-americano. Em menor medida, existem manifestações de candombe no Brasil e Argentina. Na Argentina, pode ser encontrado em Buenos Aires, Santa Fé, Paraná, Salta e Corrientes. No Brasil, ainda mantém seu caráter religioso: vemo-lo no Estado de Minas Gerais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Etimologia

"Candombe" é originário de termo quimbundo kandombe.

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História

O candombe teria surgido no Uruguai, ainda no século XVIII, a partir da mistura dos ritmos africanos trazidos ao Rio da Prata pelos escravos. A partir de 1750, com o início do tráfico de escravos para o Uruguai, então colônia espanhola, Montevidéu passou a receber levas contínuas de africanos de diversas regiões, sobretudo da África Oriental e África Equatorial. Tal afluxo de escravos fez com que, no início do século XIX, a população negra de Montevidéu excedesse os 50 por cento da população da cidade. O termo candombe, a princípio, referia-se genericamente às danças praticadas pelos negros no Uruguai. Com o tempo, passou a designar o ritmo musical, calcado sobretudo nos tambores - chamados de tangó ou tambó, nome também usado para designar o lugar onde realizavam suas candomberas e a própria dança. Essas manifestações culturais a céu aberto chegaram a ser reprimidas pelas autoridades no século XIX, e, por muito tempo, foram realizadas apenas em ambientes fechados, em clubes secretos organizados pelos africanos e afrodescendentes.

Na Argentina

As sementes do candombe tiveram origem na atual Angola, de onde foram levadas para a América do Sul nos séculos XVII e XVIII por pessoas escravizadas oriundas dos reinos do Congo, Anziqua, Nyong, Quang e outros, principalmente por traficantes portugueses. Esses portadores culturais do candombe se estabeleceram no Brasil (especialmente na região de Salvador, na Bahia), em Cuba e na região do Rio da Prata, com suas capitais Buenos Aires e Montevidéu. As diferentes trajetórias históricas e experiências nessas regiões deram origem a ritmos distintos, embora derivados de uma mesma raiz africana. A influência africana também marcou a Argentina, onde o candombe se desenvolveu com características próprias. Uma população de africanos escravizados estava presente em Buenos Aires desde cerca de 1580. Entretanto, a miscigenação com uma população cada vez mais branca (à medida que o país recebeu até 6 milhões de imigrantes europeus) e o racismo estrutural — incluindo políticas estatais de branqueamento — levaram à progressiva invisibilização da população afro-argentina.

No Uruguai

O termo “candombe” vem de uma palavra kikongo que significa “relativo aos negros”, e foi usado inicialmente em Buenos Aires para se referir às sociedades de dança formadas por membros da diáspora africana e seus descendentes. Posteriormente, passou a designar o estilo de dança em geral, e o termo foi adotado também no Uruguai. No Uruguai, o candombe fundiu diversas tradições de dança africanas em uma coreografia complexa, com movimentos enérgicos e passos improvisados conforme o ritmo.

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Atualidade

O candombe, na atualidade, é executado por três tipos distintos de tambores - tambor piano, tambor chico e tambor repique -, que são denominados, em conjunto, como cuerda. No Carnaval uruguaio, formam-se agrupamentos musicais chamados de comparsas, que saem às ruas acompanhados por multidões de dançarinos e populares. O cortejo é conduzido pelo escobero, em geral um jovem que tem a função de arauto; o mestre dos tambores é conhecido como gramillero, sempre acompanhado de sua mama vieja - uma mulher vestida de trajes coloridos e com um leque à mão. Na capital uruguaia Montevidéu, os bairros "Sur" e "Palermo" são conhecidos como berços do candombe, cada um com seu ritmo característico: o ritmo "Cuareim" no primeiro e o "Ansina" no segundo.

Na Argentina

Nos últimos anos, alguns artistas passaram a incorporar o gênero do candombe em suas composições, criando também grupos e ONGs de afrodescendentes, como a Associação Misibamba, da Comunidade Afro-Argentina de Buenos Aires. No entanto, é importante destacar que o candombe uruguaio é o mais praticado na Argentina, tanto pela imigração proveniente do Uruguai quanto pelo ritmo envolvente que cativa os argentinos. Por essa razão, muitos aprendem a música, a dança e os personagens, recriando algo semelhante ao estilo uruguaio. O candombe uruguaio é especialmente tocado nos bairros de San Telmo, Montserrat e La Boca, em Buenos Aires. A variante argentina teve menor difusão local — em comparação com a popularização que o gênero alcançou no Uruguai —, principalmente devido à redução da população de origem africana, à miscigenação com imigrantes brancos e à proibição do Carnaval durante a última ditadura militar. O candombe afro-argentino é executado apenas por afrodescendentes, geralmente em ambientes privados, nas periferias de Buenos Aires.

No Uruguai

Entre o final da década de 1960 e início dos anos 1970, o candombe foi combinado com elementos do pop dos anos 1960 e da bossa nova, dando origem a um novo gênero chamado candombe beat. A criação desse estilo é atribuída principalmente ao cantor, compositor e músico uruguaio Eduardo Mateo, em parceria com outros músicos como Jorge Galemire. O estilo foi posteriormente adotado por Jaime Roos e exerceu grande influência sobre Jorge Drexler. Músicos contemporâneos como Diego Janssen e Miguel del Aguila têm experimentado fusões do candombe com gêneros clássicos, jazz, blues e milonga.

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Fontes consultadas

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